Probabilidade de eventos compostos: o erro de ignorar a reposição
Probabilidade de eventos compostos exige mais do que multiplicar frações: é preciso entender a sequência e a reposição. Veja como diagnosticar erros e ensinar o conceito com questões comentadas.
Lembro bem da aula em que propus um sorteio com duas urnas e uma moeda. Um aluno levantou a mão, convencido de que a segunda retirada tinha as mesmas chances da primeira, mesmo depois de eu ter tirado uma bola vermelha e não ter devolvido. Ele fez as contas com dez bolas no total, como se a urna não tivesse mudado. Quando perguntei o que tinha acontecido com a bola retirada, ele deu de ombros e disse que ela 'não contava mais'. Essa cena se repete com outras turmas, em outras escolas, e é por isso que escrevo este guia.
Também já vi a situação inversa: alunos que acertam tudo quando a bola volta para a urna e erram tudo quando ela não volta, sem perceber que o problema é o mesmo. Probabilidade de eventos compostos é justamente o ponto em que a reposição decide o resultado. Este texto reúne o que aprendi organizando sete questões validadas, com dados pedagógicos reais de cada uma, para mostrar onde a turma costuma tropeçar e como diagnosticar isso antes da prova.
O que é probabilidade de eventos compostos, explicado para o professor
Um evento composto é aquele formado por duas ou mais etapas, como lançar uma moeda e depois um dado, ou retirar duas bolas de uma urna. Para calcular sua probabilidade, contamos os resultados possíveis de cada etapa e multiplicamos as chances quando as etapas são independentes, isto é, quando o resultado de uma não altera a outra. Quando a primeira etapa muda a composição do conjunto, como numa retirada sem reposição, os eventos são dependentes e a segunda probabilidade precisa ser recalculada.
No currículo, o tema aparece em anos diferentes com profundidade crescente. No 3º ano, o foco está na comparação de chances em sorteios simples, na linha da habilidade EF03MA25. No 5º ano, os alunos começam a combinar resultados de duas etapas, como indica a habilidade EF05MA22, e também comparam probabilidades de pares de resultados, conforme EF05MA23. No 6º ano, a habilidade EF06MA30 pede a contagem de resultados e a comparação de eventos. No 7º ano, a probabilidade de eventos sucessivos, com e sem reposição, aparece na habilidade EF07MA34.
Na prática, o conceito exige que o aluno enxergue o experimento inteiro antes de calcular. Quem olha só para a primeira etapa, ou só para a segunda, perde a visão do todo. Por isso, o primeiro passo em qualquer questão deve ser listar o que acontece em cada etapa e o que muda depois de cada uma.
O que o aluno precisa saber antes?
Nas fichas das questões validadas, os pré-requisitos se repetem com frequência: cálculo de probabilidade simples, comparação de frações, multiplicação de frações, noção de resultados possíveis e de eventos equiprováveis. Em quatro das sete questões, o pré-requisito explícito é a contagem de resultados ou a razão entre casos favoráveis e possíveis. Isso significa que a dificuldade de composição frequentemente é, na verdade, uma dificuldade anterior de contagem.
Para verificar se a turma tem essa base, uma boa estratégia é apresentar uma questão de uma etapa só antes de qualquer evento composto. Se a maioria dos alunos calcula corretamente a chance de sair vermelha numa urna com cinco vermelhas em dez bolas, a base está presente. Se muitos respondem 1/2 ou 5/3, o problema é anterior e precisa ser resolvido primeiro. Revisar probabilidade simples com exemplos de urnas e dados costuma destravar a turma.
Outra base necessária é a multiplicação de frações. Quando o aluno não entende por que 1/2 de 1/2 dá 1/4, ele não consegue justificar a multiplicação de probabilidades. Vale rever multiplicação de frações com a ideia de parte de um todo antes de apresentar a regra para eventos compostos.
Os erros mais comuns (e por que acontecem)
Ao cruzar os dados das sete questões, três erros aparecem de forma consistente. O primeiro e mais frequente é tratar retiradas sem reposição como se fossem independentes, mantendo o total original na segunda etapa. Em duas questões, o erro típico descrito é exatamente esse, e o distrator mais escolhido foi a alternativa que ignora a bola já retirada.
Ignorar a reposição e manter o total original
Esse erro acontece porque o aluno aprendeu que a probabilidade é casos favoráveis sobre casos possíveis e aplica a mesma fórmula com o mesmo denominador em todas as etapas. Ele não percebe que a urna mudou. Como intervir: peça que o aluno desenhe a urna antes e depois da primeira retirada, riscando a bola retirada. Quando ele vê nove bolas no segundo quadro, a ideia de dependência se torna concreta.
Confundir um resultado específico com o evento mais amplo
Em questões de comparação, muitos alunos escolhem o resultado mais 'bonito' ou mais específico, sem somar os pares que levam ao mesmo evento. Quando a pergunta é 'obter a mesma tarefa nas duas jogadas', o aluno pensa em uma tarefa só e não considera os três pares repetidos. Como intervir: liste todos os pares ordenados em uma tabela de dupla entrada e destaque os que atendem ao enunciado.
Esquecer que o resultado de uma etapa pode ser outro resultado possível
Em experimentos com moeda ou dado combinados a outro sorteio, alguns alunos consideram apenas o lado 'interessante' do resultado e esquecem o outro. A coroa da moeda, por exemplo, também é um resultado possível e tem peso na comparação. Como intervir: antes de calcular, peça que o aluno escreva o espaço amostral completo, mesmo que pareça excessivo.
Como ensinar passo a passo
A sequência que mais funciona nas minhas aulas começa com um experimento concreto. Uso uma urna de papel com bolas de duas cores e peço que os alunos retirem uma bola, anotem a cor e a devolvam. Depois, repito com a bola sem devolução. A diferença de resultados entre as duas rodadas abre a discussão sobre independência e dependência.
Na segunda etapa, transformo o experimento em tabela. Para eventos com duas etapas, a tabela de dupla entrada organiza os pares e permite visualizar que a soma das probabilidades de todos os pares dá um. Essa verificação ajuda o aluno a conferir o próprio raciocínio. Na terceira etapa, introduzo a dica de resolução que aparece nas fichas: calcular a probabilidade de cada resultado e comparar produtos, em vez de comparar apenas a quantidade de bolas de cada cor.
Só então apresento a fórmula de multiplicação, com a justificativa de que a probabilidade do segundo evento depende do primeiro quando não há reposição. Por fim, faço a generalização: quando a bola volta, o denominador se repete; quando não volta, ele diminui. Esse é o ponto que mais exige revisão, e vale voltar a ele em mais de uma aula.
Para fechar a sequência, proponho um problema de comparação entre três eventos, como nas questões de sorteio de meias ou de frutas. Esse tipo de atividade desenvolve o raciocínio de ordenar resultados e não apenas calcular um valor isolado.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento
Nem toda questão serve para todo momento. Nas fichas validadas, cinco das sete questões têm papel de progressão ou consolidação e poder de discriminação entre médio e alto. Elas são boas para prova e atividade. Duas delas também servem para lição de casa, por exigirem cálculo sem demandar leitura longa. Nenhuma das sete é indicada para avaliação rápida, porque o tempo de resolução e o cálculo pedem mais atenção do que um formato curto permite.
Para diagnóstico, as questões com enunciado situacional funcionam bem porque mostram rapidamente quem ignora a reposição. Para simulado, as de comparação de três ou cinco resultados são mais exigentes e revelam a turma inteira. Quando o objetivo é medir domínio final, use as questões de consolidação com alto poder de discriminação.
Ao montar a prova, observe o nível de leitura. Enunciados de nível baixo funcionam bem para checar o cálculo, enquanto os de nível médio exigem interpretação do contexto. Misturar os dois na mesma prova dá uma boa leitura da turma. Se quiser montar essas questões com rapidez, o gerador de provas do GeraProva permite selecionar esse tipo de questão por habilidade e nível de dificuldade. Você pode começar com um cadastro grátis e testar com a sua turma.
O que ensinar antes
Antes de eventos compostos, três conteúdos precisam estar firmes. O primeiro é probabilidade simples, com contagem de casos favoráveis e possíveis. O segundo é multiplicação de frações, que sustenta a regra de multiplicação de probabilidades. O terceiro é a noção de eventos equiprováveis, que aparece como pré-requisito em várias fichas. A razão e a proporção também ajudam, porque o aluno precisa comparar chances e não apenas calcular números isolados.
Se a turma ainda confunde probabilidade simples, vale voltar a ela com exemplos de dados e moedas antes de avançar. Se a multiplicação de frações ainda não está clara, uma revisão com áreas e retângulos ajuda a visualizar a ideia de parte de parte.
Ligações com outros temas
Probabilidade de eventos compostos conversa com temas transversais como economia e finanças, presente em situações de sorteios e escolhas de consumo. Uma das questões validadas usa a escolha de lanche por sorteio, o que permite discutir decisão e risco de forma leve. Esse contexto também favorece a habilidade socioemocional de tomada de decisão, já registrada nas fichas de quase todas as questões.
Outra ligação natural é com o pensamento crítico. A questão sobre dado e moeda, por exemplo, pede que o aluno decida se os resultados são igualmente prováveis e justifique a resposta. Esse tipo de tarefa treina a argumentação matemática, que vai além do cálculo.
7 questões comentadas sobre Probabilidade de eventos compostos
A seguir, as sete questões validadas, com as alternativas comentadas e o que cada erro revela sobre o aluno. Use-as como modelo ou como material direto para a prova.
Questão 1: disco giratório e as tarefas de casa (6º ano)
Enunciado: — Vou usar este disco giratório para decidir quem faz as tarefas de casa, sugeriu Ana. — Cada setor tem igual tamanho e indica uma das três tarefas: lavar louça, varrer o piso ou lavar roupa, explicou Pedro. Eles concordaram que cada pessoa giraria o disco duas vezes, anotando em ordem as duas tarefas que saíssem. Como os setores têm a mesma área e cada giro é independente, as três tarefas têm igual chance em cada giro, e qualquer par de tarefas tem probabilidade idêntica, desde que os resultados sejam considerados em sequência.
Considere o procedimento descrito e identifique qual evento tem maior chance de ocorrer: obter duas tarefas diferentes ou obter a mesma tarefa nas duas jogadas?
- ❌ A) Obter lavar louça seguido de varrer — Também é um par específico com probabilidade 1/9, menor que pares em geral. Quem escolhe esta alternativa confunde um par específico com o evento amplo.
- ✅ B) Obter tarefas diferentes em duas jogadas consecutivas — Há 9 pares possíveis (3x3), sendo 6 pares com tarefas distintas, logo maior probabilidade 6/9 > 3/9.
- ❌ C) Obter a mesma tarefa em duas jogadas consecutivas — Há apenas 3 pares com tarefas repetidas (3/9), menor chance que pares diferentes. Esta é a alternativa mais escolhida, e revela que o aluno não contou todos os pares ordenados.
- ❌ D) Obter lavar louça em ambas as jogadas — Esse evento corresponde a apenas um par (1/9), menor chance.
- ❌ E) Obter lavar roupa na primeira jogada — Esse evento não considera a segunda jogada e não responde à comparação entre pares.
Questão 2: a roda colorida da família Martins (5º ano)
Enunciado: Uma roda colorida gira em uma tarde de domingo na sala de jogos da família Martins. Dados ilustrativos: a roda está dividida em três setores com áreas proporcionais: setor A ocupa metade da circunferência, setor B ocupa 30% e setor C ocupa o restante de 20%. Cada membro da família gira a roda duas vezes e anota os pares de resultados obtidos, como A-A, A-B, C-C, entre outros.
Analise o texto-base e identifique o par de resultados formado pelas duas voltas da roda que tem a maior probabilidade de ocorrer.
- ❌ A) C depois de C — Probabilidade de C seguido de C = 0,2 × 0,2 = 0,04, muito inferior a 0,25.
- ❌ B) B depois de B — Probabilidade de B seguido de B = 0,3 × 0,3 = 0,09, menor que 0,25.
- ❌ C) A depois de B — Probabilidade de A depois de B = 0,3 × 0,5 = 0,15, inferior a 0,25. Esta é a alternativa mais escolhida: o aluno escolhe o par com setores individualmente mais prováveis sem multiplicar as duas chances.
- ✅ D) A depois de A — Probabilidade de A seguido de A = 0,5 × 0,5 = 0,25, maior que qualquer outra combinação.
- ❌ E) C depois de A — Probabilidade de C depois de A = 0,5 × 0,2 = 0,10, inferior a 0,25.
Questão 3: o sorteio do lanche de domingo (3º ano)
Enunciado: Narracao em 1a pessoa: No fim de semana, decidi criar um joguinho para escolher o lanche de domingo. Lancei uma moeda e preparei bilhetes: 3 com a palavra “maçã”, 2 com “pera” e 1 com “kiwi”. Primeiro, lancei a moeda: cara indica escolher um bilhete; coroa indica deixar a decisão para a próxima reunião. Se sair cara, entro na caixa e retiro um bilhete aleatoriamente para saber a fruta. Assim, cada lançamento da moeda e retirada de bilhete compõe um resultado possível desse sorteio duplo.
Analise o texto-base e identifique qual evento possui menor probabilidade de ocorrer:
- ❌ A) Cara e pera — A pera aparece em 2 dos 6 bilhetes. A chance de cara e pera é 2/12, maior que 1/12.
- ❌ B) Coroa e próxima reunião — A moeda pode cair em coroa com chance de 1/2. Esse evento tem chance maior que 1/12. Esta é a alternativa mais escolhida: o aluno não considera coroa como resultado possível do sorteio.
- ❌ C) Cara e maçã — A maçã aparece em 3 dos 6 bilhetes. A chance de cara e maçã é 3/12, maior que 1/12.
- ✅ D) Cara com bilhete de kiwi — O kiwi aparece em 1 dos 6 bilhetes. A chance de sair cara é 1 em 2. Então, a chance de cara e kiwi é 1/12.
- ❌ E) Cara e maçã ou pera — Somando maçã e pera, há 5 bilhetes entre 6. A chance de cara e uma dessas frutas é 5/12, maior que 1/12.
Questão 4: bolas vermelhas com devolução (7º ano)
Enunciado: Em um saco há 3 bolas azuis e 2 bolas vermelhas. Um aluno retira uma bola, devolve-a ao saco e, em seguida, retira outra bola. Qual é a probabilidade de obter duas bolas vermelhas em sequência?
- ❌ A) 1/3, porque pensa que todas as bolas têm a mesma chance de sair. Desconsidera a proporção de bolas vermelhas versus azuis. Esta é a alternativa mais escolhida, e revela que o aluno ainda não distingue casos favoráveis de simples número de bolas.
- ❌ B) 1/5, pois assume que a escolha é aleatória sem considerar as opções. Isso ignora a quantidade de bolas disponíveis após cada escolha.
- ✅ C) 4/25 = 0,16 — Como a bola é devolvida, as retiradas são independentes; P(vermelha) = 2/5 em cada retirada, então P(2 vermelhas) = (2/5)·(2/5) = 4/25.
- ❌ D) 1/2, achando que só existem duas escolhas possíveis: azul ou vermelha. Erro em considerar as combinações e a devolução das bolas.
- ❌ E) 3/10, pois considera que todas as retiradas têm a mesma probabilidade. As retiradas não são independentes; a devolução importa.
Questão 5: as meias da gaveta (3º ano)
Enunciado: — Mãe, quais são as chances de eu tirar duas meias iguais? — perguntou Ana ao abrir a gaveta de meias. Há 5 meias brancas e 3 meias pretas misturadas ali. Sem olhar, Ana vai retirar duas meias em sequência, sem devolver a primeira antes de pegar a segunda. Ela quer saber qual é o resultado mais provável: duas meias brancas, duas meias pretas ou uma de cada cor.
Compare as chances dos eventos descritos e conclua: qual a ordem do resultado mais provável ao menos provável?
- ❌ A) duas pretas; duas brancas; uma meia branca e uma preta — Classifica duas pretas como mais prováveis, mas 3/28 < 10/28 e 15/28, inversão clara.
- ❌ B) duas brancas; uma meia branca e uma preta; duas pretas — Coloca duas brancas em primeiro, mas 10/28 < 15/28, erro de comparação de probabilidades. Esta é a alternativa mais escolhida: o aluno ordena pelo evento mais intuitivo, sem recalcular a segunda retirada.
- ✅ C) uma meia branca e uma preta; duas brancas; duas pretas — Combinações: 15/28 para meia de cada cor, 10/28 para duas brancas, 3/28 para duas pretas; a mistura é maior.
- ❌ D) duas brancas; duas pretas; uma meia branca e uma preta — Coloca as pretas em segundo antes do evento misto; ignora que a mistura tem chance maior que duas pretas.
- ❌ E) duas pretas; uma meia branca e uma preta; duas brancas — Inverte totalmente a ordem, mostrando desconhecimento do cálculo combinatório.
Questão 6: dado e moeda na caixa antiga (5º ano)
Enunciado: Descobri em uma caixa antiga os componentes de um jogo esquecido: um dado justo de seis faces numeradas de 1 a 6 e uma moeda equilibrada com Cara e Coroa. Para entender as chances deste jogo, decidi lançar o dado e, em seguida, arremessar a moeda. Anotei cada combinação de número e face da moeda que ocorreu. Em seguida, repeti o procedimento diversas vezes para observar se todas as combinações pareciam ocorrer com igual frequência.
Analise o texto-base e apresente todos os possíveis resultados do experimento descrito, indicando se eles são igualmente prováveis.
- ❌ A) Oito pares (n, f) com n de 1 a 4 e f igual a Cara ou Coroa; todos equiprováveis com probabilidade 1/8 — Erro na contagem de resultados: o dado tem 6 faces, não 4, gerando 12 e não 8 pares.
- ✅ B) Doze pares (n, f) com n de 1 a 6 e f igual a Cara ou Coroa; todos com probabilidade 1/12 — O espaço amostral tem 6x2=12 resultados, cada um com probabilidade 1/12 em experimentos independentes e justos.
- ❌ C) Dois resultados representados por Cara e Coroa; equiprováveis com probabilidade 1/2 — Considera apenas o lançamento da moeda, desconsiderando as 6 faces do dado e os 12 resultados possíveis.
- ❌ D) Doze pares (n, f) com n de 1 a 6 e f igual a Cara ou Coroa; probabilidades iguais para cada n mas não para cada par — Incorreto ao afirmar que a probabilidade varia entre pares; cada combinação tem a mesma chance 1/12. Esta é a alternativa mais escolhida: o aluno lista os 12 pares, mas tem dúvida sobre a equiprobabilidade do conjunto.
- ❌ E) Seis resultados correspondendo só ao dado (1 a 6); equiprováveis com probabilidade 1/6 — Ignora a etapa do lançamento da moeda, portanto lista apenas 6 resultados em vez de 12.
Questão 7: a urna e a retirada sem reposição (7º ano)
Enunciado: Em uma urna há 5 bolas vermelhas, 3 azuis e 2 verdes. Se extraímos duas bolas sem reposição, qual a probabilidade de a primeira ser vermelha e a segunda azul?
- ❌ A) A probabilidade é 1/4, pois cada bola escolhida tem chance igual sem reposição. Errado. As probabilidades variam com a operação de remoção das bolas escolhidas. Esta é a alternativa mais escolhida, e mostra o erro central do tema: tratar a retirada como se a urna continuasse igual.
- ✅ B) 1/6 — Eventos dependentes: P(1ª vermelha)=5/10. Após retirar uma vermelha restam 3 azuis em 9, então P(2ª azul|1ª vermelha)=3/9. Multiplica-se: 5/10×3/9=1/6.
- ❌ C) A probabilidade é 1/3, pois a escolha de uma bola azul não influencia as verdes. Errado. A escolha depende da remoção de uma bola, alterando a totalidade.
- ❌ D) A probabilidade é 1/20, pois há mais bolas azuis do que vermelhas na urna. Errado. A ordem das escolhas e a quantidade correta impactam no cálculo total.
- ❌ E) A probabilidade é 1/5, já que existem 5 bolas vermelhas e 5 azuis juntos. Errado. A quantidade final ativa deve considerar todas as opções corretamente.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre eventos independentes e dependentes?
Eventos independentes são aqueles em que o resultado de uma etapa não altera as chances da outra, como lançar uma moeda duas vezes. Eventos dependentes ocorrem quando a primeira etapa muda o conjunto da segunda, como retirar duas bolas de uma urna sem devolver a primeira. Na prática, a pergunta-chave é se a composição do experimento mudou depois da primeira etapa. Se mudou, a segunda probabilidade precisa ser recalculada com o novo total.
Por que meus alunos sempre esquecem a bola retirada?
Porque, para eles, o cálculo é uma fórmula aplicada sobre um número fixo de casos, e a urna continua na memória com o total original. Esse erro é muito comum e não indica falta de inteligência, e sim a ausência de uma imagem mental do experimento. Desenhar a urna antes e depois de cada retirada costuma resolver bem essa dificuldade, porque o aluno enxerga a mudança.
Como saber se a turma domina o tema antes da prova?
Uma boa forma é aplicar uma questão de comparação com três resultados possíveis, como as das sequências com meias ou frutas, e observar se os alunos listam o espaço amostral completo antes de calcular. Quem escreve todos os pares normalmente acerta a comparação. Quem pula direto para o cálculo costuma errar a ordem. Essa observação diagnóstica vale mais do que a nota final, porque mostra onde está o nó.
Vale a pena usar probabilidade com dados e moedas no 5º ano?
Sim, desde que o foco esteja na contagem de resultados e na comparação simples, como pede a habilidade EF05MA22. Dados e moedas são ótimos porque os resultados são visíveis e equiprováveis, o que facilita a construção do espaço amostral. Evite fórmulas complexas nessa etapa e priorize a listagem de pares e a observação de que cada combinação tem a mesma chance quando o experimento é justo.
Como equilibrar questões de cálculo e de interpretação?
Misture as duas na mesma avaliação. Questões de nível de leitura baixo funcionam para checar o cálculo, enquanto as de nível médio exigem que o aluno entenda o contexto antes de calcular. Uma prova com as duas metades dá uma leitura mais completa da turma do que uma prova só de cálculo ou só de texto.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Análise da ideia de acaso em situações do cotidiano: espaço amostral, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
