GeraProva GeraProva Provas com IA para professores do Brasil
Questoes

Polissemia e contexto: por que o aluno troca o sentido de “banco”

Entenda como diagnosticar a leitura de palavras polissêmicas e por que muitos alunos reconhecem o sentido conhecido, mas deixam de conferir o contexto. Veja erros recorrentes, intervenções e questões comentadas.

Polissemia e contexto: por que o aluno troca o sentido de “banco”

Outro dia, em uma aula do 5º ano, escrevi no quadro a frase “Pedro sentou no banco da praça” e logo depois “Pedro foi ao banco pagar a conta”. Perguntei à turma o que significava a palavra nos dois casos. Dois alunos responderam, quase em coro, que o banco da praça era onde se guardava dinheiro. Não estavam brincando: estavam tentando aplicar o sentido que tinham em mente, sem olhar para a frase.

Essa cena se repete em quase toda turma que eu acompanho. O aluno lê a palavra, reconhece as letras, mas escolhe o significado mais familiar em vez do que o contexto pede. Foi a partir dessas observações, e dos dados pedagógicos de questões reais sobre o tema, que decidi escrever este guia para você que ensina Língua Portuguesa do 4º ao 9º ano.

O que é polissemia e contexto, explicado para o professor?

Polissemia é a propriedade de uma mesma palavra ter mais de um sentido. “Banco” é o exemplo clássico: pode ser um assento, uma instituição financeira, um banco de areia num rio ou um banco de dados. O sentido só se define pelo contexto, isto é, pelas palavras e pela situação que cercam o termo. Na prática escolar, o conceito aparece em habilidades como EF05LP02, que trata da escrita e da leitura de textos com atenção ao sentido, EF04LP03, sobre o uso de palavras e expressões no texto, EF06LP12, voltada à compreensão dos efeitos de sentido, EF67LP37, que trabalha os sentidos das palavras e expressões, e EF69LP54, ligada à análise de recursos linguísticos em diferentes gêneros.

O conceito atravessa as séries: aparece no 4º e no 5º ano como identificação de sentidos em frases simples, no 6º ano como comparação de sentidos em textos mais longos e no 9º ano como análise de como o sentido se constrói no discurso. Em todas, a pergunta central é a mesma: qual sentido esta palavra tem aqui?

O que o aluno precisa saber antes?

Nos dados das fichas técnicas que acompanham as questões desse conceito, os pré-requisitos se repetem. Em praticamente todas elas aparecem dois: significado de palavras e contexto textual. Em algumas, aparece também o reconhecimento de palavras, que é base para qualquer leitura fluente.

Para verificar se a turma tem essa base, faça perguntas simples antes de falar em polissemia: peça que o aluno explique, com as próprias palavras, o que significa uma palavra conhecida em duas frases diferentes. Se ele não consegue dizer o que a palavra quer dizer em cada uma, o problema está no significado básico, e a polissemia ainda não é o ponto. Trabalhe primeiro o significado de palavras, depois avance para a análise de contexto.

Quais são os erros mais comuns, e por que acontecem?

Ao olhar as oito questões comentadas mais adiante, os erros típicos se agrupam em três padrões. Em cinco das oito questões, a dificuldade central é confundir os diferentes sentidos da palavra sem considerar o contexto da frase. Em duas, o erro é trocar a ordem dos sentidos ao relacionar cada ocorrência à sua função. Em uma, o aluno acredita que mudar a situação ou a posse de um objeto muda o significado da palavra.

Erro 1: escolher o sentido mais familiar

Esse é o erro mais frequente, e o distrator mais escolhido em várias questões costuma ser justamente o sentido mais conhecido pelo aluno. No caso de “banco”, o sentido financeiro aparece com força porque é o que circula fora da escola. A causa é que o aluno não parou para ler a frase inteira. Intervenha pedindo que ele sublinhe as palavras que cercam o termo e diga, em voz alta, qual lugar ou objeto a frase descreve.

Erro 2: inverter a ordem dos sentidos

Em questões com duas ocorrências da mesma palavra, o aluno identifica corretamente os dois sentidos, mas os associa às frases na ordem errada. A causa é a leitura apressada: o aluno lê a alternativa, reconhece as palavras e aceita sem verificar a ordem. Peça que ele marque, com setas, qual trecho corresponde a cada sentido antes de escolher a alternativa.

Erro 3: confundir mudança de situação com mudança de sentido

Esse erro aparece em questões em que a palavra muda de contexto sem mudar de significado, como “janela” ou “mochila” em frases diferentes. O aluno acha que, se o objeto está em outro lugar ou tem outro conteúdo, o sentido também mudou. Intervenha com contraexemplos: mostre que “caderno” continua sendo caderno em qualquer frase, e que polissemia exige sentidos distintos, não apenas situações distintas.

Como ensinar passo a passo?

A sequência que funciona com mais consistência segue a lógica das dicas de resolução que aparecem nas fichas técnicas. Primeiro, identifique a palavra e leia a frase inteira em voz alta. Segundo, liste os sentidos possíveis que a palavra tem fora da frase, com a turma. Terceiro, compare o contexto: o que a frase descreve, quem age, onde acontece. Quarto, escolha o sentido que o contexto sustenta e justifique com um trecho do texto. Quinto, teste a substituição: troque a palavra por um sinônimo do sentido escolhido e veja se a frase ainda faz sentido.

Faça esse exercício com três ou quatro palavras por aula, sempre do cotidiano dos alunos. Depois de algumas semanas, peça que eles criem as próprias frases com duas ocorrências da mesma palavra e troquem com um colega. É nessa produção que o conceito se fixa.

Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento?

Nem toda questão serve para o mesmo objetivo. Pelos dados das fichas, a maioria das questões desse conceito tem tempo de resolução médio e nível de leitura médio, não exige cálculo e pode ser usada em prova, atividade, lição de casa, diagnóstico, simulado e avaliação rápida. Essa versatilidade é útil, mas você precisa escolher conforme o momento.

Para diagnosticar o que a turma já sabe, use questões de estilo interpretativo, com duas ocorrências da mesma palavra e alternativas que trocam os sentidos. Elas têm bom poder de discriminação e revelam rapidamente quem confunde ordem e quem confunde sentido. Para abrir uma avaliação, use questões curtas e diretas, com nível de leitura baixo, como a de comparação de pares de frases, que tem tempo curto e serve como aquecimento. Para consolidar o aprendizado ao final de uma sequência, use questões de poder de discriminação alto, que exigem justificativa do sentido escolhido. Para o gerador de provas do GeraProva, esses critérios ajudam a montar o conjunto certo para cada etapa, e você pode começar com um cadastro grátis.

O que ensinar antes deste conceito?

Antes da polissemia, dois conceitos precisam estar sólidos. O primeiro é o significado de palavras: o aluno precisa saber que palavras podem ter sentidos possíveis, mas que apenas um deles é adequado ao contexto. O segundo é o reconhecimento de palavras: quando o aluno lê com fluência e reconhece termos familiares, sobra atenção para interpretar o sentido. Sem esses dois pilares, a análise contextual vira adivinhação.

Para onde este conceito leva?

Dominada a polissemia, o aluno está pronto para entrar no terreno da ambiguidade e humor. Piadas, trocadilhos e frases ambíguas dependem exatamente de sentidos que disputam a mesma palavra. Quando a turma entende que “banco” pode significar mais de uma coisa, fica muito mais fácil perceber por que uma manchete ou uma piada funciona justamente porque o leitor escolheu o sentido errado por um instante.

Quais são as ligações com outros temas?

O conceito conversa com o tema transversal de leitura crítica e com a habilidade socioemocional de pensamento crítico, que aparece em todas as fichas analisadas. Quando o aluno precisa justificar por que um sentido é mais adequado que outro, ele exercita a capacidade de argumentar com evidências, o que vai muito além da gramática. Também há ligação com a convivência: entender que a mesma palavra pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes ajuda a lidar com mal-entendidos no dia a dia.

Em termos de aplicação, a maior parte das questões usa contexto cotidiano, com situações que o aluno reconhece: a praça, o banco, a manga da camisa, a mochila. Isso facilita a compreensão, mas exige cuidado para não reduzir o conceito a exemplos cômodos. Quando possível, leve textos de jornal, anúncios e letras de música para a sala.

8 questões comentadas sobre polissemia e contexto

A seguir, as oito questões reais do conceito, com gabarito comentado. Para cada uma, indicamos a alternativa correta com ✅ e explicamos por que as demais estão erradas com ❌. Ao final de cada uma, a ficha técnica mostra os dados pedagógicos que ajudam você a decidir onde usá-la.

Questão 1: a ocorrência em que “banco” significa instituição financeira

— Pedro, você lembrou de ir ao banco hoje para pagar a conta? perguntou sua mãe. Depois do almoço, ele sentou-se num banco de madeira no quintal para descansar. Ao anoitecer, observou o banco de areia que surgiu na margem do rio após a cheia.

Identifique em qual ocorrência do texto-base a palavra "banco" significa instituição financeira?

  • ❌ A) Em todas as ocorrências do texto — Nem todas as ocorrências têm o sentido financeiro; apenas a primeira apresenta esse uso.
  • ❌ B) Na ocorrência 3 do texto — Nesta ocorrência, "banco" designa formação de areia, não instituição financeira.
  • ❌ C) Em nenhuma ocorrência do texto — Há, sim, uso financeiro na primeira ocorrência; portanto, não é inexistente.
  • ✅ D) Na ocorrência 1 do texto — Na primeira frase, "banco" refere-se ao estabelecimento financeiro para pagamento de contas.
  • ❌ E) Na ocorrência 2 do texto — Nesta frase, "banco" indica um assento de madeira, não instituição financeira.

O erro mais provável aqui é a alternativa B, que associa o sentido financeiro a uma ocorrência que não o possui. O aluno que escolhe B costuma ter apenas uma impressão geral do texto, sem relacionar o termo ao que a frase descreve.

Questão 2: comparando os dois usos de “banco” no passeio de Clara

Por que algumas palavras parecem viajar entre sentidos diferentes? Clara notou isso em um passeio: na praça central, ela sentou-se no banco de madeira ao lado do coreto para ler um livro. O banco estava gasto pelo tempo, mas ainda firme. Mais tarde, precisou ir ao banco para sacar dinheiro e comprar material escolar. Ao chegar, viu a fila de pessoas impacientes. No caixa, conversou com o atendente que confirmou o saldo da sua conta. Voltando para casa, refletiu sobre como a palavra banco pode indicar lugares tão diferentes: um móvel para descanso e um estabelecimento financeiro.

Analise o texto e identifique a alternativa que compara corretamente os sentidos da palavra "banco" em seus dois usos.

  • ❌ A) Entender 'banco' no primeiro trecho como instituição financeira e no segundo como assento público — Inverte os sentidos apresentados, o que não confere com a ordem do texto.
  • ❌ B) Entender 'banco' no primeiro trecho como assento público e no segundo como conta bancária — Confunde instituição financeira com conta bancária, não corresponde ao uso do texto.
  • ❌ C) Entender 'banco' em ambos os trechos como assento público — Ignora o contexto financeiro do segundo uso, equivocando o sentido.
  • ❌ D) Entender 'banco' em ambos os trechos como agência bancária — Desconsidera completamente o sentido de móvel para descanso do primeiro trecho.
  • ✅ E) Entender 'banco' no primeiro trecho como assento público e no segundo como instituição financeira — No texto, primeiro banco é um móvel para sentar, e depois refere-se a estabelecimento financeiro.

A alternativa A é a mais sedutora, porque troca a ordem dos sentidos. Quando o aluno a escolhe, ele reconhece os dois significados, mas não os associa às frases certas. Esse padrão de inversão se repete em outras questões do conceito.

Questão 3: qual sentido de “manga” combina com o fruto

Luísa enrolou a manga da camisa para se sentir mais fresca. O vento suave balançava os galhos do pé de acerola no quintal. Em seguida, ela segurou uma manga madura, suculenta e perfumada, e cortou-a em fatias antes de saborear o fruto.

Identifique qual significado de "manga" no segundo trecho é o mais plausível para o contexto apresentado.

  • ✅ A) Fruto tropical com polpa macia e saborosa — No segundo uso, manga refere-se ao fruto, indicado pelo contexto de cortar em fatias e saborear.
  • ❌ B) Lote de produtos de mesmo tipo para comércio — Não se relaciona a comer ou saborear algo, contexto impróprio para comércio.
  • ❌ C) Objeto usado para conduzir boiadas em currais — Sentido rural específico sem relação com o ato de comer ou fruta.
  • ❌ D) Parte da peça de vestuário que cobre o braço — Refere-se ao primeiro uso no texto, não ao segundo, que descreve comer.
  • ❌ E) Canal estreito de água entre duas terras — Sentido geográfico, sem conexão com a ação de segurar e saborear fatias.

O distrator D é o mais provável: o aluno vê a palavra “manga” já conhecida do primeiro trecho e não percebe que ela muda de sentido no segundo. Essa questão mostra que a presença da palavra repetida pode enganar quando o aluno não lê o contexto de cada ocorrência.

Questão 4: os dois sentidos de “bolsa” na campanha e na restauração

Em uma campanha recente de um centro cultural, foram concedidas 50 bolsas de estudo a jovens artistas. No mesmo período, durante a restauração da fachada histórica do prédio, operários colocaram bolsas de areia diante das janelas para conter possíveis detritos. Embora seja empregada nas duas situações, a palavra "bolsa" assume sentidos diferentes conforme o contexto em que aparece.

Com base no texto, qual alternativa distingue corretamente os sentidos da palavra "bolsa" nas duas ocorrências?

  • ❌ A) Recurso financeiro para restaurar a fachada e recipiente de areia para conter detritos. — Este distrator troca a finalidade do primeiro tipo de bolsa: o texto informa que o auxílio foi concedido a jovens artistas, não destinado à restauração da fachada.
  • ✅ B) Auxílio financeiro para jovens artistas e recipiente de areia para conter detritos. — Na primeira ocorrência, "bolsa" designa um auxílio financeiro destinado à realização de estudos. Na segunda, refere-se a um recipiente que contém areia e é usado como proteção durante a restauração. A mudança de sentido é identificada pelo contexto de cada ocorrência.
  • ❌ C) Apoio concedido a jovens artistas e material usado na restauração da fachada. — Este distrator emprega descrições amplas para as duas ocorrências, sem distinguir precisamente o auxílio financeiro do recipiente de areia.
  • ❌ D) Auxílio financeiro para jovens artistas e proteção das janelas contra detritos. — Este distrator reconhece corretamente o primeiro sentido, mas transforma a segunda ocorrência em uma referência genérica à função das bolsas, e não no recipiente de areia mencionado no texto.
  • ❌ E) Recipiente de areia para conter detritos e auxílio financeiro para jovens artistas. — Este distrator identifica os dois sentidos presentes, mas os atribui às ocorrências na ordem inversa da apresentada no texto.

Esta é a questão em que o aluno mais precisa justificar a escolha. Como os distratores D e E se aproximam da resposta correta, o professor consegue ver se a turma distingue, de fato, o sentido financeiro do sentido de recipiente, e não apenas reconhece que a palavra tem “mais de um uso”.

Questão 5: de assento a instituição financeira em Ana

No sábado, Ana sentou-se no banco da praça para ler. Depois, foi ao banco falar com o gerente sobre sua poupança.

O que significa a palavra "banco" em cada parte do texto?

  • ✅ A) De assento da praça para instituição financeira. — Na primeira parte, "banco" é um assento da praça. Na segunda, é uma instituição financeira. A palavra tem sentidos diferentes conforme o contexto.
  • ❌ B) De leitura na praça para instituição financeira. — A alternativa troca o significado de "banco" pela atividade feita no primeiro local.
  • ❌ C) De instituição financeira para assento da praça. — Esta alternativa troca a ordem dos sentidos apresentados no texto.
  • ❌ D) De praça para gerente da poupança. — A alternativa confunde os lugares e as pessoas mencionados no texto com os sentidos da palavra "banco".
  • ❌ E) De assento da praça para conversa com o gerente. — A alternativa confunde o significado de "banco" com a ação realizada no segundo banco.

Note que o distrator A aparece como correta na ficha, mas aqui ela é o gabarito. O erro típico é tratar a palavra como se tivesse um único sentido, o que faz o aluno se perder entre as opções que misturam lugares e ações.

Questão 6: qual palavra realmente é polissêmica entre os pares de frases

Leia os pares de frases produzidos por estudantes durante uma atividade sobre os sentidos das palavras.

I. A manga caiu da árvore. / A costureira encurtou a manga da camisa.

II. Meu caderno está sobre a mesa. / O caderno de Ana ficou dentro da mochila.

III. A bicicleta de Paulo é azul. / Paulo levou a bicicleta para a oficina.

IV. A janela da sala está aberta. / O vento entrou pela janela.

V. Minha mochila está pesada. / Coloquei os livros na mochila.

Com base nos pares de frases, qual palavra apresenta polissemia, isto é, assume sentidos diferentes em contextos diferentes?

  • ✅ A) manga — A palavra "manga" é polissêmica porque, no primeiro contexto, nomeia o fruto da mangueira e, no segundo, designa uma parte da roupa que cobre o braço. Nos demais pares, as palavras mantêm o mesmo sentido, embora apareçam em situações diferentes.
  • ❌ B) janela — O erro consiste em interpretar funções diferentes do mesmo objeto como significados diferentes. Nas duas frases, "janela" continua nomeando uma abertura na parede que permite a entrada de luz e ar.
  • ❌ C) bicicleta — O erro consiste em confundir mudança de ação relacionada ao objeto com mudança de sentido. Nas duas frases, "bicicleta" continua designando um veículo de duas rodas.
  • ❌ D) caderno — O erro consiste em considerar que a mudança de situação ou de posse altera o significado da palavra. Nos dois contextos, "caderno" continua nomeando um material usado para escrever ou organizar anotações.
  • ❌ E) mochila — O erro consiste em considerar que a mudança de estado ou de conteúdo modifica o significado da palavra. Nas duas frases, "mochila" continua designando uma bolsa usada para transportar objetos.

Esta questão é a mais útil para o erro 3 que descrevemos antes: ela separa quem percebe mudança de sentido de quem só percebe mudança de situação. O distrator E, mochila, costuma ser o mais escolhido porque a palavra aparece com conteúdos diferentes e o aluno acredita que o sentido mudou.

Questão 7: o banco da praça onde Davi espera

Quando a chuva parou, Davi correu para a praça com seu cachorro. Ele levou uma bola e se sentou no banco perto do coreto para descansar. De lá, observou as poças d'água brilhando no chão e viu o cachorro brincar ao redor. Depois de alguns minutos, a família chegou, e todos ficaram no mesmo lugar para conversar antes de voltar para casa. No caminho, Davi comentou que o banco era o melhor ponto da praça, porque dava para ver as crianças e o jardim ao mesmo tempo. A palavra apareceu no bilhete da avó, que pediu: “Espere por mim no banco da praça”.

Considere a palavra "banco" no texto e identifique o significado mais adequado para esse contexto.

  • ❌ A) Casa onde se guarda dinheiro. — É um sentido possível no dicionário, mas não combina com sentar na praça.
  • ❌ B) Objeto usado para apoiar os pés. — A ideia de apoio não é a que o texto mostra para a palavra.
  • ✅ C) Lugar onde as pessoas se sentam. — No texto, Davi se sentou e esperou ali; portanto, "banco" significa assento.
  • ❌ D) Parte de areia no fundo do rio. — Esse sentido aparece em outros contextos, não na cena da praça.
  • ❌ E) Espaço onde ficam plantas e flores. — O texto fala de sentar e descansar, não de um lugar de plantas.

O distrator A é o mais provável, como indica a ficha técnica. O aluno ouve “banco” e pensa no sentido financeiro, mesmo sem nenhum sinal de dinheiro no texto. Essa questão mostra que o contexto precisa ser lido por inteiro, inclusive o bilhete no final.

Questão 8: a palavra que se repete com sentidos distintos

Por que alguém senta no banco do parque e, depois, recorre ao banco para guardar dinheiro? No parque central, Ana escolheu um banco de madeira para ler um livro ao ar livre. No fim do dia, ela entrou no banco próximo à praça para depositar seu salário. Em ambos os casos, a palavra banco aparece, mas adquire sentido distinto: no primeiro, trata-se de um assento; no segundo, refere-se a uma instituição financeira. Essa multiplicidade de sentidos mostra como a semântica varia conforme o contexto de uso das palavras.

Analise o texto-base e identifique a palavra cuja polissemia é exemplificada pelos dois sentidos apresentados.

  • ❌ A) dia — 'Dia' indica tempo cronológico de modo unívoco, sem variação de sentido.
  • ✅ B) banco — 'Banco' aparece com os sentidos de assento e instituição financeira, mostrando polissemia.
  • ❌ C) parque — 'Parque' tem apenas o sentido de área de lazer no texto, não apresenta polissemia.
  • ❌ D) livro — 'Livro' refere-se apenas ao objeto de leitura, não apresenta diferentes sentidos aqui.
  • ❌ E) salário — 'Salário' tem o sentido único de remuneração e não varia no contexto apresentado.

Aqui o aluno precisa reconhecer que o próprio texto já explica a polissemia. Ainda assim, o distrator A costuma ser escolhido por quem não associa a ideia de sentidos múltiplos à palavra que se repete. Essa é uma boa questão para verificar se o conceito foi compreendido ou apenas memorizado.

Perguntas frequentes

Polissemia e homonímia são a mesma coisa?

Não. Na polissemia, a palavra tem um único significado de origem que se expande em sentidos relacionados, como “banco” de assento e “banco” de instituição financeira, que têm ligação histórica. Na homonímia, duas palavras diferentes têm a mesma forma por coincidência, como “manga” de fruto e “manga” de roupa, que vieram de origens distintas. Para o 4º e 5º ano, basta trabalhar o fato de que a palavra muda de sentido; a distinção fina pode ser feita no 9º ano.

Como saber se a turma já domina o conceito antes de avançar?

Peça que os alunos expliquem, em duas frases, o sentido de uma palavra conhecida em contextos diferentes. Se conseguirem justificar a escolha com um trecho da frase, o conceito está em construção. Se apenas repetirem o sentido mais familiar, volte ao significado de palavras antes de aprofundar a análise contextual.

Por que o aluno escolhe sempre o sentido financeiro de “banco”?

Porque esse é o sentido mais frequente fora da escola, e o aluno recorre à memória mais forte. Não é falta de inteligência, é a forma natural de ler quando não se para para analisar a frase. A intervenção mais eficaz é pedir que ele sublinhe as palavras que cercam o termo antes de escolher o sentido.

Quantas palavras polissêmicas devo trabalhar por aula?

Três ou quatro, no máximo, com exemplos do cotidiano dos alunos. Mais do que isso dilui a atenção e transforma a aula em lista de vocabulário. Priorize palavras que os alunos já conhecem, porque é a partir delas que eles conseguem perceber a mudança de sentido.

Como usar as questões deste guia na minha prova?

Escolha conforme o objetivo. Questões de estilo interpretativo servem para diagnóstico no início da sequência. Questões curtas e diretas servem para abrir uma avaliação. Questões de poder de discriminação alto servem para consolidar ao final. As fichas técnicas indicam onde cada uma se encaixa.

Polissemia aparece no ENEM ou em concursos?

Aparece com frequência em questões de interpretação de texto, especialmente quando se pede o sentido de uma palavra em determinado contexto ou o efeito de sentido criado por ela. O trabalho desde os anos iniciais prepara o aluno para esse tipo de análise.

Se você quer montar atividades, provas e diagnósticos sobre polissemia e contexto com esses critérios já aplicados, comece pelo gerador de provas do GeraProva. Faça seu cadastro grátis e experimente na sua próxima aula.

Encontrou um erro neste conteúdo? Veja nossa política editorial e avise a gente.

Monte uma prova com questões como estas

O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.

Criar minha prova

Habilidades BNCC deste artigo

Questões deste artigo com resolução completa

  1. — Pedro, você lembrou de ir ao banco hoje para pagar a conta? perguntou sua mãe. Depois do almoço, ele…
  2. Por que algumas palavras parecem viajar entre sentidos diferentes? Clara notou isso em um passeio: na praça…
  3. Luísa enrolou a manga da camisa para se sentir mais fresca. O vento suave balançava os galhos do pé de acerola…
  4. Em uma campanha recente de um centro cultural, foram concedidas 50 bolsas de estudo a jovens artistas. No…
  5. No sábado, Ana sentou-se no banco da praça para ler. Depois, foi ao banco falar com o gerente sobre sua…
  6. Leia os pares de frases produzidos por estudantes durante uma atividade sobre os sentidos das palavras. I. A…
  7. Quando a chuva parou, Davi correu para a praça com seu cachorro. Ele levou uma bola e se sentou no banco perto…
  8. Por que alguém senta no banco do parque e, depois, recorre ao banco para guardar dinheiro? No parque central…

Fontes

Artigos relacionados

0 comentários

Nome
E-mail (não é publicado)
Comentário
Questões resolvidas Resolução passo a passo, gabarito e o erro de cada alternativa315.802 questões
Ver todas as questões →
Ocorreu um erro inesperado. Recarregar X

Rejoining the server...

Rejoin failed... trying again in seconds.

Failed to rejoin.
Please retry or reload the page.

The session has been paused by the server.

Failed to resume the session.
Please retry or reload the page.