Conectores de conclusão: por que o aluno escolhe “por outro lado” no lugar de “portanto”
Um guia para ensinar e diagnosticar conectores de conclusão em Português e Inglês. Veja por que tantos alunos confundem conclusão com contraste, como intervir e como interpretar oito questões reais.
Eu me lembro bem do dia em que uma aluna do 7º ano me entregou uma redação com a frase “Choveu a semana toda. Por outro lado, a horta cresceu bem.” Ela não estava errada em escrever. Estava errada em pensar. Para ela, “por outro lado” era uma espécie de conector genérico, algo que servia para “conectar”. Quando eu perguntei por que tinha escolhido aquela palavra, ela respondeu com sinceridade: “achei que ficava mais bonito.”
Esse tipo de cena se repete em quase todas as turmas que passam pelo ensino fundamental. O aluno sabe que precisa ligar as ideias, mas não percebe que cada conectivo carrega uma relação lógica específica. Este guia foi pensado para você, professor, que quer entender por que isso acontece e, principalmente, como diagnosticar e intervir com clareza.
O que é conectores de conclusão, explicado para o professor?
Conectores de conclusão são palavras e expressões que sinalizam que uma ideia decorre logicamente de outra. Os mais conhecidos em português são “portanto”, “logo”, “assim”, “por isso”, “consequentemente” e “dessa forma”. Eles não acrescentam informação nova nem opõem ideias: eles dizem ao leitor “o que vem a seguir é a consequência do que acabei de dizer”. Exemplo: “Os moradores plantaram hortaliças; portanto, a alimentação do bairro melhorou.”
Esse conteúdo aparece no currículo de Língua Portuguesa desde os anos iniciais, quando o aluno começa a produzir textos com começo, meio e fim, e ganha força no 7º e 8º anos, quando a argumentação se torna central. A habilidade EF05LP27 trata da compreensão de relações entre ideias em textos variados, e a EF69LP18 e a EF08LP13 aprofundam a análise de recursos de coesão e de sentido. Em Língua Inglesa, o mesmo raciocínio aparece na EF09LI14 e na EF08LI05, com conectores como therefore e however. Você pode consultar cada uma delas em EF05LP27, EF69LP18, EF08LP13, EF09LI14 e EF08LI05.
Na prática, o conceito atravessa cinco séries (5º, 6º, 7º, 8º e 9º anos) e duas matérias. Por isso ele merece um planejamento contínuo, e não uma aula isolada. Quando o aluno compreende que cada conectivo tem uma função, a escrita ganha precisão e a leitura fica mais profunda.
O que o aluno precisa saber antes de aprender conectores de conclusão?
Os dados das questões do conceito mostram um padrão claro: quase todas exigem, como pré-requisito, a noção de conectivos e coesão textual. O aluno precisa reconhecer que palavras como “mas”, “porque”, “portanto” e “além disso” são peças que organizam o texto. Sem isso, ele trata o conectivo como enfeite, e não como indicador de sentido.
Um segundo pré-requisito recorrente é a interpretação de texto. Para escolher “portanto” é preciso ter compreendido o que veio antes e entender que o trecho seguinte é consequência. Se a turma ainda tropeça na leitura global, nenhum conectivo vai fazer sentido. Vale verificar essa base antes de aprofundar o tema.
Um terceiro ponto, que muitos professores esquecem, é o sentido dos conectivos argumentativos. O aluno precisa saber que existem famílias de conectivos: os de oposição (conectores de contraste), os de causa, os de adição e os de conclusão. Se ele não tem esse mapa mental, qualquer escolha será um chute.
Como verificar se a turma tem essa base? Uma forma simples é pedir que os alunos completem frases com um conectivo e expliquem em uma palavra a relação que ele estabelece: “adição”, “oposição”, “causa”, “conclusão”. Se a maioria acerta a nomenclatura mas erra o uso, o problema está na aplicação. Se erra a própria função, o problema está na base.
Quais são os erros mais comuns e por que acontecem?
Analisando as oito questões validadas deste conceito, percebo um padrão que se repete: em cinco delas o erro típico está em confundir conectivos de conclusão com conectivos de oposição ou de causa. O aluno lê “portanto” e pensa “mas”, ou lê “porque” e pensa “portanto”. Vou tratar os erros mais frequentes um a um.
Confundir “portanto” com “por outro lado” ou “no entanto”
Este é o erro do título e aparece com força em turmas do 6º e do 7º ano. A causa é que as duas famílias soam “formais” e o aluno as usa como sinônimos de elegância. O distrator mais escolhido, nas questões de ordenação de sentido, é justamente a palavra de oposição. Na intervenção, não basta dizer “isso está errado”. Peça que o aluno reescreva a frase com a palavra trocada e leia em voz alta. Quando ele percebe que “choveu; por outro lado, a horta cresceu” não faz sentido, a diferença fica visível.
Tratar conectivo de causa como conectivo de conclusão
Em várias questões o aluno escolhe “porque” onde deveria estar “portanto”, ou vice-versa. A confusão é compreensível, porque ambos ligam duas ideias de causa e efeito, só que em direções opostas. “Porque” introduz a razão; “portanto” introduz a consequência. Uma boa intervenção é fazer o aluno encontrar a ordem dos fatos: primeiro a causa, depois o efeito. Quando ele visualiza a sequência, a distinção se torna concreta.
Escolher conectivo de adição quando a ideia é conclusiva
Expressões como “além disso” aparecem com frequência como distrator em questões de conclusão, porque o aluno as associa a “mais uma informação”. Na prática, ele acredita que, se há um segundo argumento, deve haver um conectivo de soma. O erro revela que ele ainda não percebeu que a conclusão encerra um raciocínio, e não acrescenta outro. Peça que identifique se o trecho seguinte resume ou soma o que foi dito.
Não reconhecer conclusão em inglês
Nas questões de Língua Inglesa, o erro típico é escolher because ou although quando a ideia pede therefore. A causa é que o aluno aprende vocabulário isolado e não a função discursiva. A intervenção funciona melhor quando você traduz a frase para o português e pergunta: “aqui eu estou explicando o motivo ou tirando uma consequência?”. A função é a mesma nas duas línguas.
Como ensinar conectores de conclusão, passo a passo?
Uma sequência que funciona na sala de aula, testada em turmas de 6º a 9º ano, tem cinco etapas. Primeiro, apresente um texto curto com uma conclusão explícita e peça que os alunos sublinhem a palavra que a introduz. Segundo, discuta com a turma o que aquela palavra faz: ela liga qual ideia a qual? Terceiro, mostre a mesma frase com três conectivos diferentes (“portanto”, “mas”, “porque”) e peça que os alunos digam qual sentido muda. Quarto, proponha a construção de frases próprias, usando um conectivo por vez. Quinto, feche com uma tarefa de revisão de um texto real, em que o aluno troca conectivos e justifica cada troca.
A dica de resolução que mais funciona nas questões é esta: pergunte “o trecho seguinte é consequência do anterior?”. Se sim, o conectivo é de conclusão. Se o trecho contrasta, é de oposição. Se explica a razão, é de causa. Essa pergunta simples organiza o raciocínio e pode ser repetida até virar hábito.
Vale também dar atenção ao conceito para revisão. Na maioria das questões, a recomendação é revisar os conectivos e suas funções na coesão do texto. Na prática, isso significa voltar a textos já lidos e fazer um levantamento de todos os conectivos, classificando cada um. É um exercício rápido e eficaz.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento?
Nem toda questão serve para todo momento. Nas oito questões validadas, a maioria tem nível de leitura médio e tempo de resolução curto ou médio, e não exige cálculo. Isso as torna adequadas para diagnóstico rápido e para consolidação. Já o poder de discriminação é médio na maior parte delas, o que indica que servem bem para separar quem compreendeu de quem apenas memorizou, mas não são suficientes sozinhas para avaliar um percurso inteiro.
Para diagnóstico inicial, use questões de identificação de conectivo em texto curto, como as de tempo médio, porque elas mostram rapidamente quais confusões a turma tem. Para atividade e lição de casa, as de completar lacuna com um único conectivo funcionam bem, pois exigem reflexão sem demandar muito tempo. Para avaliação e simulado, as de análise de sentido em texto mais longo cumprem melhor o papel de verificar a compreensão real.
O papel na prova também varia. Questões de abertura e de progressão ajudam a aquecer e a avançar; questões de consolidação fecham o conteúdo. Se você monta uma prova com este conceito, combine pelo menos duas delas para não avaliar apenas a memória do vocabulário. Você pode montar essas questões facilmente no gerador de provas do GeraProva, e se ainda não tem conta, o cadastro grátis leva menos de dois minutos.
O que ensinar antes dos conectores de conclusão?
Antes de chegar à conclusão, o aluno precisa dominar alguns conceitos vizinhos. O primeiro é a interpretação de texto literário, porque é ali que ele aprende a perceber as relações entre as partes de uma narrativa e de um poema, e a distinguir troca de sentido, efeito e informação. Sem essa leitura atenta, a conclusão de um argumento passa despercebida.
O segundo é a conectores de contraste. Ensinar oposição antes da conclusão ajuda o aluno a ter um ponto de referência: ele aprende o que “mas” e “porém” fazem e, por contraste, entende melhor o que “portanto” faz. É uma ordem didática que economiza tempo.
O terceiro é o estudo de conectivos e coesao textual de forma geral, que oferece o mapa completo das funções. Por fim, convém trabalhar os conectores de causa e consequência como um bloco, porque causa e conclusão são duas faces da mesma relação lógica, e tratá-las juntas evita confusões futuras.
Quais as ligações com outros temas?
O conceito dialoga com temas transversais. Em uma das questões validadas, o contexto é a saúde, com um texto sobre bicicletas e ciclovias, e a conclusão “por isso” ganha sentido como argumento de políticas públicas. Em outra, o tema é o multiculturalismo, com uma aldeia e suas tradições. Em uma terceira, a cidadania e a ética aparecem na reciclagem e no mutirão comunitário. Esses contextos ajudam o aluno a perceber que o conectivo não é um detalhe gramatical, mas uma forma de construir um raciocínio sobre o mundo.
Do ponto de vista socioemocional, as questões desenvolvem principalmente o pensamento crítico e, em alguns casos, a tomada de decisão. Ao analisar uma conclusão, o aluno precisa avaliar se ela se sustenta nos argumentos anteriores, o que é um exercício de julgamento. Vale aproveitar essa oportunidade para discutir, em sala, se a conclusão de um texto é justa ou apressada.
8 questões comentadas sobre conectores de conclusão
A seguir estão as oito questões validadas do conceito, com o gabarito comentado e o que cada erro revela sobre o aluno. Use-as como ponto de partida para o seu diagnóstico.
Questão 1 — Identificar o conectivo de conclusão no texto de reciclagem
Mariana lançou um blog sobre reciclagem doméstica para demonstrar como pequenas práticas reduzem o lixo. Além disso, ela compartilhava vídeos que ensinavam técnicas de reaproveitamento de materiais do cotidiano. No entanto, muitas famílias alegavam falta de tempo para seguir os tutoriais. Por outro lado, alguns leitores relatavam mudanças graduais, como a separação do lixo orgânico. Entretanto, ainda havia dúvidas sobre como destinar corretamente os resíduos recicláveis. Consequentemente, o blog promoveu um fórum de discussão em que especialistas responderam perguntas e ofereceram suporte aos participantes.
Analise o texto-base e identifique o conectivo que introduz uma conclusão a partir das informações e ações apresentadas.
- ❌ A) Por outro lado — Também indica contraste, não conclusão.
- ❌ B) Entretanto — Assinala adversativa, não conclusão.
- ❌ C) No entanto — Marca oposição, não conclusão.
- ✅ D) Consequentemente — Introduz a conclusão que decorre das ações e resultados descritos no texto.
- ❌ E) Além disso — Expressa acréscimo de informação, não conclusão.
A alternativa correta é a D. O erro mais provável é a A, o que revela que o aluno ainda usa “por outro lado” como marcador genérico de mudança de assunto. Ele percebeu que algo mudou, mas não identificou que a mudança é de sentido, e não de consequência.
Questão 2 — Efeito de sentido do “Portanto” no texto da horta comunitária
Você sabia que um quintal abandonado pode virar fonte de alimento para famílias inteiras? No bairro da Vila Nova, moradores organizaram um mutirão para limpar um terreno vazio e instalar canteiros de hortaliças. Foram plantadas alface, couve e rúcula, e, ao final de dois meses, cerca de 50 quilos de verduras foram colhidos semanalmente. Essa iniciativa melhorou a alimentação local, gerou economia no orçamento doméstico e aproximou vizinhos em torno de um objetivo comum. Portanto, o que começou como um espaço degradado transformou-se num elo de solidariedade e saúde comunitária.
Analise o texto e identifique qual efeito de sentido decorre do uso de “Portanto” no segundo parágrafo.
- ❌ A) Marca a sucessão temporal de eventos narrados — Conectivos de tempo são “então” ou expressões temporais, não “portanto”.
- ❌ B) Indica oposição entre duas informações distintas — Isso seria função de conjunções adversativas como “porém”, não de “portanto”.
- ❌ C) Assinala adição de uma ideia complementar sobre o tema — A adição é sugerida por conectivos como “além disso”, não por “portanto”.
- ❌ D) Expressa a condição necessária para um resultado posterior — Isso seria indicado por conjunções condicionais como “se”, não por “portanto”.
- ✅ E) Expressa a conclusão de ideias apresentadas anteriormente — “Portanto” retoma o que foi descrito e introduz a consequência/conclusão dessa ação comunitária.
A resposta correta é a E. Chama atenção que a alternativa A, sobre tempo, é a mais escolhida. O aluno associa a sequência de eventos (plantio, colheita, mudança) a um conectivo temporal, sem perceber que o que importa é a relação de consequência.
Questão 3 — “Por isso” e a conclusão argumentativa sobre bicicletas
Leia o trecho: “Nos últimos anos, cresceu o uso de bicicletas na cidade. Além de reduzir a emissão de poluentes, esse meio de transporte contribui para a saúde dos usuários. Por isso, investir em ciclovias pode trazer benefícios coletivos.” Nesse texto, a expressão “Por isso” introduz
- ✅ A) uma conclusão derivada dos argumentos apresentados antes — Correta: a expressão retoma os argumentos anteriores e introduz a conclusão do raciocínio.
- ❌ B) uma oposição entre o uso de bicicletas e a construção de ciclovias — Errada: não há contraste, mas continuidade argumentativa.
- ❌ C) um exemplo específico que comprova a tese inicial — Errada: o trecho final não exemplifica; conclui a argumentação.
- ❌ D) uma condição necessária para o uso de bicicletas — Errada: não se expressa condição, e sim consequência conclusiva.
- ❌ E) uma explicação para a causa do aumento de poluentes — Errada: o texto fala em redução de poluentes, não em aumento.
A alternativa correta é a A. O distrator mais provável é a B, e isso mostra que o aluno ainda lê “por isso” como sinal de conflito. Vale lembrar que “por isso” é uma das formas mais comuns de expressar conclusão no português falado e escrito.
Questão 4 — Qual expressão introduz a conclusão sobre as árvores antigas?
Por que guardamos memórias de árvores antigas? Na pequena aldeia de Pedras Altas, os moradores decoram cada carvalho centenário com fitas coloridas toda primavera. Eles acreditam que essas árvores protegem o povo e, portanto, merecem celebração. Segundo relatos, elas oferecem sombra e frutos, mas também carregam histórias de gerações passadas. A festa começa ao amanhecer, porque os mais velhos querem honrar a tradição antes do calor do dia. Contudo, muitos jovens participam apenas para se divertir e, assim, fortalecem o vínculo entre passado e presente.
Analise o texto-base e identifique a expressão que introduz uma conclusão no texto.
- ❌ A) Mas — “Mas” mostra uma oposição entre ideias, não apresenta uma conclusão.
- ❌ B) Porque — “Porque” apresenta uma razão, não uma conclusão.
- ❌ C) Embora — “Embora” introduz uma ideia de concessão, não uma conclusão.
- ❌ D) Contudo — “Contudo” mostra uma oposição entre ideias, não apresenta uma conclusão.
- ✅ E) Portanto — “Portanto” apresenta a ideia de que as árvores merecem celebração como conclusão do que foi dito antes.
A resposta é a E. O distrator mais escolhido é a D, o que reforça o padrão já visto: o aluno tende a reagir a qualquer conectivo com ideia de contraste, como se “contudo” fosse a palavra padrão para “mudança”.
Questão 5 — Completar com um conector de conclusão em inglês
Fill the blank with a single connector (one word) that best expresses a conclusion/synthesis: “All preliminary tests indicated significant improvement; __, we recommended the new protocol be adopted.”
- ❌ A) because — 'Because' introduces a reason, not a conclusion, making it unsuitable for this statement.
- ❌ B) instead — 'Instead' suggests an alternative, which does not fit the context of concluding recommendations.
- ❌ C) however — 'However' indicates contrast, not a conclusion, which contradicts the context provided.
- ✅ D) therefore — "Therefore" signals a logical result or conclusion drawn from the prior clause, linking evidence to the recommendation.
- ❌ E) although — 'Although' presents a concession, not a conclusion, failing to summarize the previous information.
A resposta correta é a D. O distrator mais provável é a A, o aluno escolhe because porque reconhece a ideia de causa, mas inverte a direção da relação. Esse erro é o mesmo da língua portuguesa, o que confirma que a função discursiva transfere entre idiomas.
Questão 6 — Conector de conclusão em inglês na frase do ônibus
Complete the sentence with the single linking word that best indicates a conclusion. Write only the word: “The bus was more than an hour late; ___, we arrived late to class.”
- ❌ A) however — 'However' indicates contrast, not a conclusion, thus is inappropriate for this context.
- ❌ B) besides — 'Besides' adds information but does not indicate a conclusion from the bus delay.
- ✅ C) therefore — 'Therefore' signals a logical result or conclusion, linking the cause (bus delay) to the effect (arriving late).
- ❌ D) although — 'Although' introduces a concession, which doesn't suit a conclusion from the previous statement.
- ❌ E) instead — 'Instead' suggests an alternate action, which contradicts the idea of arriving late due to the delay.
A alternativa correta é a C. O distrator mais provável é a A, o aluno escolhe however ao perceber que a frase tem uma ideia “contrária” ao esperado, sem perceber que ela é consequência do atraso.
Questão 7 — Da exemplificação à conclusão geral nas histórias em quadrinhos
Pesquisadores de leitura infantil apontam que, em várias escolas, 80% dos estudantes demonstram interesse por histórias em quadrinhos. Por exemplo, em duas turmas do 6º ano, 9 entre 12 alunos escolheram quadrinhos como leitura preferida. Além disso, observou-se que alunos comentaram maior facilidade em interpretar imagens e textos curtos. Portanto, as histórias em quadrinhos podem ser um recurso eficaz para estimular o hábito de leitura de forma lúdica e acessível.
Analise o texto-base e identifique qual expressão indica a transição do exemplo específico para a conclusão geral.
- ❌ A) por exemplo — Introduz um caso específico, marca passagem de geral para específico, não de específico para geral.
- ❌ B) observou-se que — Apresenta o relato de observação, mas não introduz a conclusão geral do argumento.
- ❌ C) além disso — Funciona como conectivo aditivo, sem indicar conclusão geral a partir de exemplo.
- ❌ D) em várias escolas — Não indica transição de específico para geral; apresenta contexto espacial no início do texto.
- ✅ E) portanto — Marca a conclusão geral a partir das informações específicas apresentadas anteriormente.
A resposta correta é a E. O distrator mais provável é a A, o que mostra que o aluno reconhece o exemplo, mas não percebe que o exemplo está a serviço de uma conclusão. Essa é a leitura que mais precisa ser treinada.
Questão 8 — Identificar o conector de conclusão na reciclagem de Juliana
Sabia que uma única lata jogada na rua pode levar anos para se decompor? Juliana recolheu o lixo da praça e organizou em sacos separados: metal, plástico, vidro. Ela achou curioso ver como aquele material, uma vez separado, podia ser reciclado. Quando os caminhões coletaram o material, ela sentiu que fizera algo importante. Porque acredita que pequenas ações geram grandes mudanças, Juliana convidou seus vizinhos para um mutirão. Mas alguns duvidaram da eficiência do processo. Portanto, ela decidiu criar um cartaz explicando o ciclo da reciclagem e distribuir nas casas.
Analise o texto-base e identifique o conector que expressa relação de conclusão entre as ideias.
- ❌ A) O pronome demonstrativo “aquele” — Refere-se a material citado, mas não estabelece relação de conclusão.
- ❌ B) O conector de tempo “Quando” — Indica tempo, mas não conclui argumento.
- ❌ C) O conector de causa “Porque” — Expressa motivo, mas não conclusão das ideias.
- ❌ D) O conector de oposição “Mas” — Assinala contraste, e não conclusão das afirmações.
- ✅ E) O conector de conclusão “Portanto” — Estabelece resultado ou conclusão das ideias apresentadas no trecho.
A resposta correta é a E. O distrator mais provável é a C. O aluno vê “Porque” e pensa em conclusão, porque a palavra aparece logo antes da ação de Juliana. Isso revela que ele ainda não separa causa de consequência, o ponto central deste guia.
Perguntas frequentes sobre conectores de conclusão
Qual a diferença entre “portanto” e “por isso”?
Na função de conclusão, as duas palavras são praticamente equivalentes e podem ser usadas quase sem alteração de sentido. A diferença está no registro: “portanto” é mais formal e aparece com frequência em textos argumentativos e acadêmicos, enquanto “por isso” é mais comum na fala e em textos narrativos ou de opinião. Para o aluno, vale ensinar que ambas introduzem uma consequência, e que a escolha depende do tom do texto.
Por que meu aluno sempre escolhe “por outro lado” em vez de “portanto”?
Porque ele não percebeu que a relação entre as ideias é de consequência, e não de contraste. “Por outro lado” soa elegante e ele o usa como marcador genérico de mudança. A intervenção mais eficaz é pedir que ele leia a frase em voz alta com a palavra trocada e perceba se a ideia faz sentido. Quando a incoerência aparece, a distinção se torna evidente.
Como saber se a turma já domina os conectores de conclusão?
Peça que os alunos completem frases com um conectivo e expliquem em uma palavra a relação estabelecida: adição, oposição, causa ou conclusão. Se a maioria acerta a nomenclatura mas erra no uso em texto, o problema está na aplicação. Se erra a própria função, a base precisa ser retomada. Um diagnóstico rápido de cinco questões costuma revelar bem onde está a dificuldade.
Esse conteúdo aparece em Língua Inglesa também?
Sim. Em inglês, conectores como therefore, so e consequently expressam conclusão, e o raciocínio é o mesmo do português. As habilidades EF09LI14 e EF08LI05 tratam desse tema. O erro mais comum é escolher because ou however por confusão de função, e a estratégia de traduzir a frase para o português costuma resolver a dúvida.
Quais textos usar para ensinar conectores de conclusão?
Textos argumentativos curtos, como artigos de opinião, editoriais e textos de divulgação científica, são ideais, porque a conclusão aparece de forma explícita. Também funcionam bem narrativas com desfecho lógico e textos informativos que expliquem causas e consequências. Evite começar com textos muito longos: o foco deve estar na relação entre as ideias, e não na extensão.
Devo ensinar conectores de conclusão antes ou depois dos de contraste?
Recomendo ensinar os de contraste primeiro, porque eles são mais intuitivos para a maioria dos alunos e servem como ponto de referência. Depois, ao apresentar a conclusão, você pode mostrar, por contraste, como ela se diferencia da oposição. Essa ordem reduz muito a confusão que aparece nas questões validadas deste conceito.
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Ensinar conectores de conclusão é ensinar o aluno a pensar a relação entre as ideias. Quando ele percebe que “portanto” não é um enfeite, mas o sinal de que uma ideia decorre de outra, a escrita e a leitura dele mudam de nível. Experimente o diagnóstico com sua turma e veja onde estão as confusões: o caminho fica muito mais claro quando você tem os dados na mão.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Estilo, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
