Coesão por retomada: por que o aluno repete ou troca o referente
Veja como ensinar coesão por retomada e identificar se o aluno confunde pronome, referente e repetição. O guia reúne uma sequência didática e oito questões comentadas com usos possíveis na avaliação.
Lembro bem da aula em que pedi aos alunos do 7º ano que reescrevessem um recado da professora. Um menino, muito esforçado, entregou a frase “A professora pediu os trabalhos, a professora vai corrigir os trabalhos amanhã, a professora comentou que os trabalhos valem nota”. Ele não estava copiando por preguiça: estava tentando não esquecer nada. Para ele, repetir era sinônimo de clareza.
Esse episódio se repete em praticamente todas as turmas que eu acompanho. O aluno sabe o que quer dizer, mas não sabe como retomar aquilo que já foi dito sem repetir palavra por palavra, nem como trocar um termo por outro sem perder o referente. Foi assim que comecei a tratar coesão por retomada como um conceito a ser diagnosticado com cuidado, e não apenas corrigido no texto final.
O que é coesão por retomada, explicado para o professor?
Coesão por retomada é o conjunto de recursos que ligam uma parte do texto a outra por meio de um termo que aponta para algo já mencionado. Os principais são os pronomes pessoais e demonstrativos, as expressões referenciais (como “a equipe” para “o time”) e a substituição lexical por sinônimos ou hiperônimos. Quando bem usada, a retomada evita repetição desnecessária e mantém a continuidade das ideias. Quando mal usada, produz ambiguidade: não se sabe a quem ou a que o termo se refere.
Em termos de currículo, o conceito aparece na BNCC em três pontos que valem a pena conhecer. No 5º ano, a habilidade EF05LP27 trabalha o uso de recursos de coesão e de referenciação na produção e na leitura de textos simples. No 7º ano, a EF07LP12 foca na identificação e no uso de mecanismos de coesão, incluindo a retomada de termos. Já a EF07LP13 trata da coesão referencial em textos de diferentes gêneros. No 8º ano, a EF08LP14 amplia o trabalho para a articulação entre partes do texto, com conectivos e retomadas mais complexas.
Na prática, isso significa que o tema atravessa Língua Portuguesa do 5º ao 8º ano, e que a mesma ideia ganha profundidade a cada série. Uma criança do 5º ano precisa perceber que “ele” retoma “o cachorro”. Um estudante do 8º ano precisa escolher entre um pronome, um sinônimo ou uma expressão nominal conforme o sentido pretendido e o gênero textual. Por isso, o diagnóstico precisa ser graduado.
O que o aluno precisa saber antes de aprender coesão por retomada?
Nas fichas técnicas das oito questões que uso como referência, os pré-requisitos se repetem com muita regularidade. Em praticamente todas aparecem duas bases: identificação de pronomes pessoais e noção de referente, ou seja, saber que um termo do texto aponta para um elemento específico. Algumas questões acrescentam a identificação de sujeito e a equivalência lexical, que são pontes para a substituição de palavras.
Como verificar se a turma tem essa base? Minha sugestão é começar com uma atividade curta e sem pressão: peça que os alunos sublinhem, em um parágrafo de três frases, a quem se refere cada “ele”, “ela” ou “isso”. Se a maioria acerta, a base está ali e você pode avançar. Se muitos apontam o termo mais próximo, sem checar o referente, o pré-requisito ainda não está consolidado e vale voltar para pronomes antes de falar de substituição lexical.
Outra verificação útil é pedir que os alunos reescrevam uma frase repetitiva usando um pronome. Quem não consegue geralmente não tem clareza sobre o antecedente, e não sobre a regra gramatical do pronome. Essa diferença muda a intervenção: o problema não é de nomenclatura, é de leitura.
Quais são os erros mais comuns em coesão por retomada e por que acontecem?
Ao analisar as respostas das oito questões, percebo um padrão claro: em cinco delas, o erro típico é repetir palavras do texto em vez de retomar as ideias, ou confundir coesão com repetição literal. Os alunos acreditam que o texto fica mais claro quando o nome se repete, e não percebem que a repetição excessiva cansa o leitor e, em alguns casos, cria dúvidas sobre quem é quem.
O segundo padrão é a troca do referente por um termo parecido. Em duas questões, o erro típico foi trocar o referente por um termo apenas próximo, como usar “escola” ou “sala” no lugar de “biblioteca”. Aqui o aluno percebe que há um assunto em comum, mas não verifica se a palavra escolhida aponta exatamente para o mesmo elemento.
O terceiro padrão é a confusão entre coesão e outros fenômenos do texto, como tempo verbal, conectivos de causa ou simples sequência temporal. Ao escolher, por exemplo, expressões de tempo como “cedo” ou “no dia anterior” para manter a referência a uma personagem, o aluno trata a organização da narrativa como se fosse retomada. Já no caso de conectivos, alunos tendem a usar “portanto” ou “por isso” onde o texto apenas apresenta uma informação adicional, criando uma relação lógica que não existe.
Por fim, há o erro de atribuir ao pronome uma função que ele não tem: interpretá-lo como informação nova, como indicação de quantidade ou como economia de palavras sem relação com nenhum antecedente. Nesses casos, o aluno não percebe que o pronome depende de um termo anterior para produzir sentido.
Erro 1: repetir em vez de retomar
Esse é o erro mais frequente e o mais fácil de identificar. O aluno escreve “o bolo” três vezes seguidas porque acha que isso garante clareza. Como intervir? Não basta marcar a repetição em vermelho. Peça que ele leia o texto em voz alta e pergunte: “Você está falando de algo novo ou do mesmo elemento?”. Quando percebe que é o mesmo, a pergunta seguinte costuma ser a chave: “Como você diria isso sem repetir a palavra?”. A partir daí, os pronomes entram como solução natural, e não como regra imposta.
Erro 2: trocar o referente por um termo apenas parecido
Aqui o aluno acerta a área temática, mas erra o elemento retomado. Ele substitui “a biblioteca” por “o ambiente escolar” e acha que está sendo elegante, quando na verdade ampliou demais o referente. Para intervir, eu uso a pergunta de checagem: “Essa palavra, sozinha, aponta para o mesmo lugar, a mesma pessoa, o mesmo objeto?”. Quando a resposta é não, o aluno começa a ver a diferença entre sinônimo, hiperônimo e termo genérico. Vale trabalhar com exemplos concretos, mostrando que “o time” e “a equipe” retomam o mesmo grupo, enquanto “a vitória” não retoma o time.
Erro 3: confundir retomada com tempo, causa ou sequência
Esse erro revela que o aluno ainda não separou os diferentes fenômenos de organização do texto. Ele vê que o trecho está em ordem cronológica e conclui que isso é coesão. Para intervir, proponho uma pequena tabela com três colunas: “o que retoma”, “o que organiza o tempo” e “o que liga causa e consequência”. Ao preencher a tabela com frases do próprio texto, o aluno percebe que cada recurso tem uma função e que nem todo elemento que “liga” as ideias faz retomada.
Erro 4: atribuir ao pronome uma função que ele não tem
Quando o aluno diz que “eles” indica quantidade ou que “ela” serve só para deixar o texto mais curto, ele está tratando o pronome como um recurso solto. A intervenção mais eficaz é sempre a mesma: perguntar “ela retoma quem?”. Sem um antecedente claro, o pronome não tem função coesiva. Essa pergunta, repetida em vários textos, cria um hábito de leitura que vale para toda a vida escolar.
Como ensinar coesão por retomada passo a passo?
A sequência que uso com mais sucesso começa pelo reconhecimento e termina na produção. No primeiro passo, trabalho apenas com identificação: os alunos recebem textos curtos e marcam os termos que retomam algo já dito, sem precisar classificar nada ainda. Esse passo serve também como diagnóstico, porque revela quem já percebe o referente e quem ainda lê palavra por palavra.
No segundo passo, introduzo a noção de antecedente. Trabalho com a pergunta “quem é ele?” ou “o que é isso?” e peço que os alunos respondam apontando a palavra exata no texto. Esse momento é decisivo: quem não consegue apontar o antecedente precisa de mais tempo com leitura, e não com exercícios de substituição.
No terceiro passo, entram as substituições: pronomes pessoais e demonstrativos, expressões nominais e sinônimos. Aqui vale a dica de resolução que costuma funcionar com as questões: procure o elemento que retoma o termo sem repetir a palavra, e confirme se ele aponta exatamente para o mesmo referente. Essa dupla checagem evita a troca por termos apenas parecidos.
No quarto passo, separo coesão de outros mecanismos. Proponho exercícios em que o aluno precisa dizer se o recurso retoma, organiza o tempo ou articula causa e consequência. A tabela de três colunas mencionada antes funciona bem aqui. Só depois de distinguir esses fenômenos o aluno deve voltar a escrever com mais liberdade.
No quinto passo, a produção. Peço reescritas de textos repetitivos e, em seguida, textos novos em que a retomada seja exigida. Ao corrigir, eu não marco apenas o erro: pergunto ao aluno qual é o antecedente do pronome que ele usou. Essa conversa individual vale mais do que qualquer comentário escrito à margem.
Como avaliar coesão por retomada: que tipo de questão usar em cada momento?
Ao longo do tempo, aprendi que o tipo de questão deve acompanhar o momento da aprendizagem. Nas oito questões que tomo como referência, o tempo de resolução é curto em quase todas (de 1 a 3 minutos), o que as torna adequadas para diagnóstico, avaliação rápida e simulado. Quase todas são de nível de leitura básico ou intermediário, e nenhuma exige cálculo, o que as deixa focadas exclusivamente na leitura do texto.
Em termos de papel na prova, a maioria funciona como item de interpretação de coesão textual, e algumas aparecem como questões de abertura, pensadas para verificar se o aluno entende a tarefa antes de seguir para itens mais complexos. O poder de discriminação é médio na maior parte delas, o que significa que separam razoavelmente bem quem domina o conceito de quem ainda não domina, sem ser tão difícil que confunda toda a turma.
Minha recomendação prática é esta: use questões de reconhecimento de antecedente como diagnóstico no início da unidade; questões de escolha da substituição adequada como avaliação rápida no meio; e questões de reescrita ou comparação de alternativas em simulados e provas. Todas as oito podem ser usadas em prova, atividade, lição de casa, diagnóstico, simulado e avaliação rápida, o que dá flexibilidade para o professor adaptar o instrumento ao momento.
Vale lembrar que as questões mais discriminativas costumam ser aquelas em que as alternativas erradas trazem termos parecidos com o correto. Nesses casos, o aluno precisa de fato verificar o referente, e não apenas identificar um pronome. Por isso, ao montar uma prova, misture questões de reconhecimento simples com outras de escolha entre equivalentes próximos.
Quais são as ligações de coesão por retomada com outros temas?
Coesão por retomada conversa diretamente com leitura e produção de texto, e por isso aparece tanto em atividades de interpretação quanto em propostas de escrita. Em uma das questões analisadas, o tema transversal é leitura e produção de texto; em outra, aparece a solidariedade, em uma notícia sobre campanha de arrecadação. Esse contraste é útil: mostra que o mesmo recurso funciona em textos de diferentes assuntos e pode ser trabalhado junto com temas de convivência e cidadania.
A habilidade socioemocional que mais aparece nas fichas é a atenção aos detalhes, e ela combina bem com o conceito. Quem presta atenção ao referente de um pronome está, no fundo, exercitando a escuta e o cuidado com o que o outro disse. Em algumas questões, a habilidade indicada é a tomada de decisão, o que também faz sentido: o aluno precisa decidir qual termo usar entre várias opções.
Do ponto de vista do contexto de aplicação, o conceito aparece em reescrita de recado, leitura de notícia escolar, avaliação de leitura e reportagens da escola. Essa variedade ajuda a conectar a aula com situações reais: o aluno que reescreve um recado para a família está praticando coesão de forma funcional, e não apenas acadêmica.
8 questões comentadas sobre coesão por retomada
As questões a seguir foram validadas e reúnem enunciados de diferentes séries. Para cada uma, indico a alternativa correta e explico por que as demais não funcionam, além do que o erro revela sobre o aluno. Use-as como diagnóstico, discuta as alternativas em sala e observe quais erros se repetem na sua turma.
Questão 1: reescrita de recado com as três informações
Um estudante escreveu o recado: “A professora pediu os trabalhos. A professora vai corrigir os trabalhos amanhã. A professora comentou que os trabalhos valem nota.” Para melhorar a coesão do recado, qual versão mantém as três informações na mesma ordem, evita repetições desnecessárias e usa pronomes ou termos de retomada sem acrescentar novas informações?
- ❌ A) A professora pediu os trabalhos, eles serão corrigidos amanhã e os trabalhos valem nota. — Repete “os trabalhos” e não informa que a professora comentou sobre a nota. Não mantém todas as informações nem evita as repetições solicitadas. O erro revela que o aluno trocou uma repetição por outra.
- ❌ B) A professora pediu os trabalhos, por isso vai corrigi-los amanhã e eles valem nota. — O conectivo “por isso” cria uma consequência que não aparece no recado original, e a informação do comentário sobre a nota foi retirada. O aluno acrescenta relações lógicas por hábito, sem checar o texto.
- ❌ C) A professora pediu os trabalhos, ela vai corrigi-los amanhã, portanto eles valem nota. — O “portanto” indica conclusão, mas o recado apenas informa que a professora comentou sobre a nota. A alternativa altera a relação entre as ideias e transforma um comentário em conclusão.
- ❌ D) A professora pediu os trabalhos, que serão corrigidos amanhã, porque eles valem nota. — Transforma o comentário da professora em explicação de causa. O recado não diz que os trabalhos serão corrigidos porque valem nota. O erro revela dificuldade em separar informação de inferência.
- ✅ E) A professora pediu os trabalhos, vai corrigi-los amanhã e comentou que eles valem nota. — Mantém as três informações e a ordem original. O sujeito “a professora” aparece apenas uma vez, o pronome “los” retoma “os trabalhos” em “corrigi-los” e “eles” retoma o mesmo termo na última oração. O texto fica mais coeso sem alterar o sentido nem acrescentar informações.
Questão 2: articulação do trecho sobre Marina
Marina chegou cedo à escola. ______ encontrou a porta da biblioteca fechada. ______, resolveu esperar no pátio, onde terminou a leitura do livro que havia pegado no dia anterior. — Qual conjunto de elementos de coesão torna o trecho mais articulado, mantendo a referência a Marina ao longo das frases?
- ✅ A) A substituição do nome por pronomes e o uso de conectivos de consequência, como ela e por isso, mantém a continuidade das ideias sem repetir Marina. — Aponta a retomada da personagem por pronome e a ligação lógica entre as ações com um conector de consequência, exatamente o que o enunciado pede.
- ❌ B) A troca do nome por palavras de sentido parecido, como estudante ou leitora, é suficiente para ligar as frases e evitar repetição. — O aluno generalizou a substituição lexical. Termos próximos nem sempre retomam com precisão a mesma personagem e não substituem o papel do pronome e do conectivo.
- ❌ C) O uso do pretérito perfeito em todas as ações é o que mantém a relação entre os acontecimentos e preserva a referência à personagem. — O aluno confundiu coesão com tempo verbal. O passado indica o momento da ação, mas não retoma a personagem nem articula as frases por si só.
- ❌ D) O emprego de expressões de tempo, como cedo e no dia anterior, é o principal recurso para manter a referência a Marina ao longo do trecho. — Marcadores temporais organizam a narrativa, mas não retomam a personagem. Revela que o aluno trata organização temporal como retomada.
- ❌ E) A repetição do nome Marina em cada frase garante a ligação entre as ideias e deixa o texto mais coeso. — O aluno percebeu que o texto fala da mesma personagem, mas acredita que a melhor coesão é repetir o nome. Esse é o distrator mais escolhido e o erro mais típico da série.
Questão 3: a palavra que faz a coesão entre duas frases
Leia a frase: 'O cachorro é muito brincalhão. Ele adora correr no parque.' Qual é a palavra que faz a coesão entre as duas frases?
- ❌ A) Cachorro — “cachorro” é o sujeito da primeira frase e não estabelece a relação entre as duas frases. Quem escolhe esta alternativa costuma pensar que coesão é a presença do mesmo termo nas frases.
- ❌ B) Muito — é um advérbio que modifica “brincalhão”, mas não conecta as frases. O aluno vê a palavra na primeira frase e a associa à ligação entre elas.
- ❌ C) Adora — é o verbo da segunda frase e não ajuda na coesão. Revela atenção ao verbo, mas não ao referente.
- ✅ D) Ele — é um pronome que retoma o sujeito da primeira frase, criando coesão entre as duas.
- ❌ E) Parque — é o complemento da ação, mas não faz a ligação entre as frases. A escolha indica que o aluno localiza o termo mais concreto, sem verificar a retomada.
Questão 4: a função do pronome "ela"
Na história criada para a aula, lê-se: "A menina perdeu o guarda-chuva no caminho. Quando chegou à escola, ela contou o que aconteceu." — A palavra "ela" estabelece coesão porque:
- ❌ A) retoma o guarda-chuva perdido e mostra qual objeto estava sendo procurado. — O aluno confunde o referente do pronome e atribui a “ela” a retomada do objeto, o que não acontece no texto.
- ❌ B) indica o lugar em que a menina chegou e organiza a sequência da história. — O aluno percebe a continuidade da narrativa, mas erra a função do pronome, que não indica lugar nem organiza o tempo.
- ❌ C) substitui a ação de perder o guarda-chuva e evita repetir o verbo na frase. — Inverte a função do elemento coesivo. O pronome não substitui uma ação, e sim um referente nominal.
- ✅ D) retoma a menina e evita que o nome dela seja repetido na frase. — Identifica a função coesiva do pronome: retomar um termo já apresentado, no caso “a menina”, sem repetição desnecessária.
- ❌ E) serve apenas para tornar o texto mais curto, sem relação com nenhuma palavra anterior. — Generaliza a função de economia textual e ignora a relação de retomada. O pronome depende de um antecedente para produzir coesão.
Questão 5: o tipo de substituição para "A biblioteca"
Na reportagem escolar, aparece: “A biblioteca ganhou novos livros. A biblioteca ficou mais movimentada. A biblioteca passou a receber mais estudantes.” — Se o objetivo é evitar repetição e manter o mesmo sentido, que tipo de substituição é mais adequada para “A biblioteca” nas frases seguintes?
- ❌ A) Por nomes diferentes de lugares, como “a escola” ou “a sala”, para variar o vocabulário do texto. — Confunde evitar repetição com trocar o referente por qualquer outro termo. “Escola” e “sala” não retomam especificamente a biblioteca.
- ❌ B) Por adjetivos que indiquem sua qualidade, como “organizada” ou “acolhedora”, para não repetir o substantivo. — Troca o nome da instituição por características. Adjetivos qualificam, mas não substituem o referente.
- ❌ C) Por uma expressão mais ampla, como “o ambiente escolar”, para tornar a reportagem mais geral. — Amplia demais o referente e deixa de retomar com precisão a biblioteca.
- ✅ D) Por pronomes ou por expressões equivalentes que retomem a instituição, como “ela” ou “o espaço”. — Retoma o mesmo referente sem repetir o substantivo, preservando a coesão e o sentido.
- ❌ E) Por um novo substantivo ligado ao conteúdo, como “os livros”, já que eles são o assunto principal do trecho. — Confunde o motivo da movimentação com o elemento a ser retomado. “Os livros” são parte da causa, mas não substituem a instituição. Esse é o distrator mais provável deste item.
Questão 6: a função de "eles" na notícia da campanha
No grupo da escola, a professora leu a notícia: “Os estudantes organizaram uma campanha de arrecadação. Eles separaram roupas, livros e brinquedos para doação.” — No trecho, qual é a função da palavra “eles” para a construção do texto?
- ✅ A) Retomar os estudantes que organizaram a campanha e indicar que esse mesmo grupo separou os materiais. — “Eles” é um pronome pessoal que se refere a “os estudantes”. O texto menciona o grupo novamente sem repetir a expressão e mantém a ligação entre as frases.
- ❌ B) Substituir os nomes dos materiais separados para evitar a repetição dessas palavras no texto. — “Eles” se refere a pessoas, e não a roupas, livros ou brinquedos. O aluno confundiu o plural com o objeto mais próximo.
- ❌ C) Apresentar um grupo diferente de pessoas que apareceu na segunda frase da notícia. — Não há outro grupo no trecho; o pronome não introduz participantes novos, mas retoma os já citados.
- ❌ D) Mostrar que a separação dos materiais aconteceu depois da organização da campanha de arrecadação. — O pronome não indica a ordem das ações; essa sequência é dada pela própria estrutura das frases.
- ❌ E) Indicar que havia mais de um estudante participando da campanha e da separação dos materiais. — O pronome está no plural, mas sua função principal não é informar a quantidade exata. Esse é o distrator mais escolhido, pois o aluno lê o plural como informação quantitativa.
Questão 7: a expressão "a equipe" e o que ela substitui
O time treinou a manhã inteira. No fim do treino, a equipe comemorou a vitória com abraços e música. — No texto, a expressão "a equipe" foi usada para substituir qual palavra ou expressão anterior?
- ❌ A) a comemoração da vitória — O aluno confunde o elemento retomado com a ação final. “A equipe” não substitui a comemoração; substitui quem comemorou.
- ❌ B) a vitória do treino — Troca o referente pelo resultado da situação. A expressão não retoma a vitória, e sim quem participou da ação.
- ❌ C) a manhã inteira — O aluno se prende à expressão mais próxima, mas ela indica tempo e não é o termo substituído. Este é o distrator mais provável, pois a proximidade no texto engana.
- ✅ D) o grupo de jogadores citado no início — Retoma a mesma ideia de “o time”, ou seja, o conjunto de jogadores mencionado antes no texto.
- ❌ E) os abraços e a música — O aluno amplia a retomada para os elementos da comemoração, mas a expressão substitui o sujeito anterior, não os detalhes do final.
Questão 8: a boa utilização de pronomes
Identifique a alternativa que demonstra uma boa utilização de pronomes para garantir coesão.
- ❌ A) O Paulo fez um bolo. O bolo estava delicioso. — A repetição de “bolo” mantém a referência, mas não usa pronomes. É o distrator mais escolhido: o aluno confunde repetir com retomar bem.
- ✅ B) A Ana e a Maria foram ao cinema. Elas se divertiram muito. — O pronome “Elas” se refere diretamente a “Ana e Maria”, criando coesão com retomada clara.
- ❌ C) O carro é veloz. O carro é vermelho. — A repetição de “carro” não promove coesão, apenas repetição sem pronome.
- ❌ D) O livro é interessante. O autor é famoso. — As frases tratam do mesmo tema, mas não se referem uma à outra por meio de retomada.
- ❌ E) Ela gosta de ler. Livros são divertidos. — As frases são relacionadas, mas o pronome “Ela” não tem antecedente no trecho, o que mostra que pronome sem referente não cria coesão.
Perguntas frequentes sobre coesão por retomada
Repetir a palavra é sempre errado?
Não. Em alguns casos a repetição é intencional e até necessária, especialmente em textos instrucionais, em que a clareza é prioridade. O problema aparece quando a repetição é automática e cansa o leitor. O ideal é o aluno perceber a diferença e escolher conscientemente entre repetir e retomar, sabendo o que cada escolha produz no sentido do texto.
Pronome e sinônimo são a mesma coisa?
Não. O pronome retoma um termo por sua posição gramatical e pela pessoa ou coisa a que se refere; o sinônimo retoma pelo sentido. Um pronome pode retomar sem nenhum sinônimo, e um sinônimo pode retomar sem pronome. Por isso, na sala, separo os dois recursos em atividades diferentes antes de pedir que o aluno os combine.
Como saber se um pronome está bem empregado?
A pergunta de checagem é sempre a mesma: a quem ou a que esse pronome se refere? Se a resposta for clara e única no texto, o pronome está bem empregado. Se houver mais de um candidato possível, a retomada é ambígua e vale reescrever a frase, mesmo que a gramática esteja correta.
Coesão por retomada é o mesmo que referenciação?
Na prática escolar, os termos se aproximam muito, mas não são idênticos. A referenciação é o processo mais amplo pelo qual o texto constrói e faz circular os objetos de discurso; a coesão por retomada é um dos recursos linguísticos que realizam essa construção. Para o professor do 5º ao 8º ano, basta compreender que a retomada é o instrumento concreto que sustenta a referência ao longo do texto.
A partir de que série devo começar a trabalhar esse conceito?
A BNCC já prevê trabalho com coesão a partir do 5º ano, com recursos mais simples, e amplia nos anos seguintes. Minha experiência indica que, mesmo no 5º ano, vale começar pelo reconhecimento do antecedente de um pronome, sem exigir classificação gramatical. A complexidade sobe aos poucos, conforme a turma demonstra domínio.
Quanto tempo leva para a turma dominar o conceito?
Depende muito da base da turma e da frequência de prática. Em geral, percebo avanço visível depois de algumas semanas de atividades curtas e regulares, especialmente quando os alunos passam a fazer a pergunta de checagem sozinhos ao revisar os próprios textos. Dominar de fato o conceito, com retomadas variadas e adequadas ao gênero, é um processo de meses, e deve ser acompanhado nas produções reais da turma.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Semântica Coesão, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
