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Estrutura de repetição: por que tantos alunos confundem laço e condição

A estrutura de repetição aparece em tarefas simples e em algoritmos com condições, mas os alunos frequentemente a confundem com decisão ou com a condição de parada. Veja como diagnosticar essa dificuldade e ensinar o conceito em etapas.

Estrutura de repetição: por que tantos alunos confundem laço e condição

Lembro bem do dia em que um aluno do 9º ano me mostrou um programa que parecia certo. Ele tinha um comando se para decidir se a conta devia ser feita, mas esqueceu completamente de repetir a conta para os outros valores. Quando perguntei por que ele não tinha colocado um laço, a resposta foi honesta: ele achava que "o se já faz isso". Essa frase, que ouço todo ano, resume quase toda a dificuldade com estrutura de repetição.

Na semana seguinte, outra turma do mesmo ano escreveu um algoritmo que deveria somar valores e, por conta própria, usou a variável como se ela repetisse a soma sozinha. O resultado sempre saía igual, e a dúvida era sempre a mesma: por que o programa "não anda"? Esse texto nasce dessas cenas. Ele é um guia de diagnóstico: quero ajudar você a perceber onde a turma está, por que erra e como intervir sem perder tempo.

O que é estrutura de repetição, explicado para o professor

Estrutura de repetição é o recurso de um algoritmo ou programa que executa um mesmo bloco de instruções várias vezes. Ela pode ter duas lógicas principais: repetir um número fixo de vezes, como o for ou o REPITA 4 VEZES do pseudocódigo, ou repetir enquanto uma condição for verdadeira, como o while ou o enquanto. A ideia central é que o bloco volta ao início depois de cada execução, até que a parada aconteça.

O ponto que mais gera confusão é a diferença entre repetir e decidir. Uma estrutura condicional, como o se, escolhe um caminho entre dois ou mais possíveis e executa o bloco uma única vez. Já a repetição mantém o bloco em execução. Quando o aluno mistura essas ideias, ele escreve um teste onde deveria haver um laço, ou então coloca um laço onde o problema pedia apenas uma decisão.

No currículo, o conceito aparece em vários pontos. Na BNCC de Computação, a ideia de repetir passos já é trabalhada nos anos iniciais, com a habilidade EF01CO02 e a identificação de comandos repetidos em algoritmos simples. No 3º ano, a leitura de fluxos com repetição aparece em EF03CO02. No 5º ano, a escolha entre estruturas de repetição é trabalhada em EF05CO04. No 6º ano, o raciocínio sobre execução de pseudocódigo aparece em EF06CO02. Nos anos finais, o conceito se aprofunda em EF69CO02 e em EF08CO03, quando listas e percursos entram em cena. No Ensino Médio e no ENEM, a dimensão matemática do conceito, como contagens e acumuladores, aparece em EM13MAT315.

O que o aluno precisa saber antes

Os pré-requisitos que mais aparecem nas questões validadas do conceito são: sequência de instruções, comandos condicionais básicos, comando de saída de dados, conceitos básicos de programação, listas em programação e estruturas de controle. Quando um aluno não domina sequência, ele executa o algoritmo "de cabeça" e pula passos. Quando não domina condicionais, a estrutura de repetição vira apenas mais um comando misterioso.

Como verificar se a turma tem essa base? Peça que o aluno leia um algoritmo em voz alta, passo a passo, sem executar nada. Depois, pergunte: "qual instrução acontece de novo?" e "o que faz o programa parar?". Se ele responde com segurança a primeira pergunta e tropeça na segunda, o problema está na condição de parada, não na repetição em si. Essa diferença muda a intervenção: em um caso você revisa sequência, no outro você trabalha a condição.

Vale também um diagnóstico rápido com uma questão de identificação, como a que pergunta qual instrução é repetida em um algoritmo com um limite explícito. Ela é curta, não exige cálculo e mostra logo de cara se a turma enxerga o padrão de retorno.

Os erros mais comuns (e por que acontecem)

Nas oito questões validadas do conceito, o padrão de erro se repete de forma clara. Em várias delas, o distrator mais escolhido é a alternativa que descreve uma estrutura de decisão no lugar de uma estrutura de repetição. Em outras, o aluno confunde a condição de parada com a instrução que é repetida. E há um terceiro grupo em que o erro é de leitura sequencial: o aluno não acompanha, objeto por objeto ou passo por passo, o que o programa realmente faz.

Erro 1: tratar o se como se fosse um laço

Esse é, de longe, o erro mais recorrente. O aluno percebe que há uma condição e conclui que a condição resolve sozinha a repetição. Na questão em que o estudante precisa repetir a mesma conta para diferentes valores, a alternativa que propõe uma estrutura condicional é a mais escolhida como incorreta, justamente porque parece "automática". A causa é que o se também escolhe caminhos de forma automática, e o aluno transfere essa sensação. Intervenha desenhando o fluxo: uma seta que volta para o início é repetição; uma bifurcação que termina em um ponto é decisão. Mostre as duas figuras lado a lado.

Erro 2: confundir a condição de parada com a instrução repetida

Em algoritmos com limite explícito, como "repita até atingir 20", muitos alunos apontam o número 20 ou o objetivo como a instrução que se repete. A causa é que o limite é a parte mais chamativa do enunciado. Intervenha pedindo que o aluno marque com cores diferentes o que é ação e o que é critério de parada. A ação é o verbo que se repete; a parada é a condição que encerra.

Erro 3: não acompanhar a execução objeto por objeto

Quando o problema envolve classificar itens em uma ordem específica, como registros de materiais em uma esteira, o aluno frequentemente agrupa os resultados por tipo ou inverte a classificação. Ele resolve o problema pelo resultado esperado, não pelo processo. A causa é a falta de hábito de simular o algoritmo passo a passo. Intervenha com uma tabela de rastreamento: uma coluna para o item atual, outra para a condição avaliada, outra para o que foi registrado. Preencher a tabela à mão é lento, mas forma o hábito que mais falta.

Erro 4: contar a mais ou a menos dentro do laço

Em problemas com contadores, como contar idades menores de dezoito, o aluno inclui valores de fronteira, conta o zero que serve de parada ou esquece de atualizar o contador a cada volta. A causa é que o aluno não modela o laço como uma máquina que roda várias vezes com o mesmo corpo. Intervenha pedindo que ele escreva o valor do contador antes e depois de cada execução para os primeiros três valores. Quando o padrão aparece, o erro costuma desaparecer.

Erro 5: achar que a repetição "sai sozinha" de uma variável ou de uma fórmula

Alunos que já ouviram falar em variáveis e funções às vezes acreditam que guardar um valor ou escrever uma fórmula já produz repetição automática. A causa é a generalização indevida: a variável guarda, a função organiza, mas nenhuma das duas repete por si. Intervenha pedindo que o aluno diga, para cada ferramenta, quem executa o passo de novo. Se a resposta for "o computador, porque está no laço", ele entendeu a diferença.

Como ensinar passo a passo

A sequência que costuma funcionar com turmas do Ensino Fundamental II começa sempre pelo corpo, não pela sintaxe. Primeiro, faça a turma executar uma sequência de instruções com papel e caneta, como montar um sanduíche. Depois, introduza a repetição com uma instrução que volta: "repita o passo três até acabar a massa". Só então apresente o laço com número fixo e, em seguida, o laço com condição.

Na etapa seguinte, faça a distinção explícita entre decisão e repetição. Use duas situações do cotidiano: uma em que a pessoa escolhe entre dois caminhos, e outra em que ela faz a mesma tarefa várias vezes. Peça que a turma classifique exemplos. Esse exercício, quase sempre, desmonta a confusão mais comum antes de qualquer código aparecer.

Depois, trabalhe com rastreamento. Escolha um algoritmo curto, com dois ou três passos repetidos, e peça que a turma preencha uma tabela de execução linha por linha. Insista que ninguém pule a tabela, mesmo quando o resultado parecer óbvio. O erro de leitura sequencial é o que mais se beneficia desse hábito.

Somente depois disso, avance para problemas com listas e percursos. Percorrer uma lista de nomes e exibir cada um é uma aplicação natural da repetição, e o aluno percebe a utilidade quando entende que o laço percorre elementos. Por fim, proponha um problema de composição, em que a repetição e a decisão aparecem juntas: é aí que você consegue ver se o aluno realmente separou os dois conceitos.

Uma dica prática: não avance para a sintaxe de nenhuma linguagem antes de a turma conseguir descrever, em português, o que cada laço faz. Quando você pula essa etapa, o aluno decora a forma do while sem entender o comportamento, e o erro volta na primeira questão nova.

Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento

Nem toda questão serve para o mesmo propósito, e a ficha técnica de cada item ajuda a escolher. Questões de identificação, curtas e de baixo nível de leitura, funcionam bem como diagnóstico no início da unidade. Elas têm papel de abertura, exigem pouco tempo e são úteis tanto em prova quanto em atividade, lição de casa ou avaliação rápida. Costumam ter baixo poder de discriminação, porque a maior parte da turma acerta, e por isso servem mais para mapear do que para ranquear.

Questões de execução de pseudocódigo, com um enunciado situacional e alguns passos de simulação, são as que mais revelam a leitura sequencial. Elas têm papel de progressão, levam um tempo médio de resolução e possuem poder de discriminação médio. Funcionam bem em prova e atividade, e em alguns casos em simulado, porque exigem que o aluno acompanhe o processo até o fim.

Questões de consolidação, mais diretas, comparam estruturas de repetição entre si, como o while e o do while, ou pedem a escolha da estrutura adequada para uma situação. Elas servem para checar se a distinção foi assimilada e costumam ser boas para prova e avaliação rápida. Não as use sozinhas para medir a compreensão do processo, porque o aluno pode acertar por memorização.

Uma recomendação: tenha pelo menos uma questão de cada tipo ao longo da unidade. O diagnóstico inicial mostra onde está a turma; a questão de progressão mostra se ela consegue acompanhar o processo; a de consolidação confirma a distinção entre conceitos.

O que ensinar antes

Para que a estrutura de repetição faça sentido, o aluno precisa ter alguns conceitos anteriores bem estabelecidos. O primeiro é a lógica de programação, que organiza o raciocínio sobre condições compostas e sobre o que é verdadeiro ou falso em cada momento. Sem isso, a condição de parada do laço vira um enigma.

O segundo é a estrutura de controle, que reúne decisão e repetição como formas de controlar o fluxo de um programa. Ensinar as duas juntas, com a devida diferença, evita que o aluno trate uma como se fosse a outra. Esse é exatamente o ponto em que a confusão começa.

O terceiro é a Sequência de instruções. Um aluno que troca a ordem dos passos não conseguirá acompanhar um laço, porque o laço depende de voltar ao início de um bloco bem definido. A sequência é a base sobre a qual a repetição se apoia.

O quarto é variáveis em programação. Como vimos, muitos alunos atribuem à variável um poder de repetição que ela não tem. Entender que a variável guarda um valor que muda a cada volta do laço é essencial para o contador funcionar. O quinto é a definição de algoritmo, que ajuda o aluno a enxergar a repetição como parte de um processo finito e bem especificado. Por fim, a sequência numérica dá ao aluno a noção de contagem que sustenta laços com número fixo de voltas.

Para onde este conceito leva

A estrutura de repetição é a porta de entrada para vários temas mais avançados. O primeiro é o algoritmo de repetição, em que o aluno precisa definir com cuidado o início, o corpo e o critério de saída. Quem entende bem a repetição escreve algoritmos que terminam; quem não entende, escreve laços que nunca param ou que param cedo demais.

Em seguida vêm os pseudocódigos e os loops, que são a forma mais comum de representar repetição em sala. Um exemplo típico é a soma de números pares dentro de um intervalo, que combina contador, condição e acumulador. Essa atividade exige que o aluno controle duas variáveis ao mesmo tempo, o que o obriga a pensar na ordem das atualizações.

Os loops em algoritmos aprofundam a confusão entre repetição e condição, e por isso merecem atenção especial no planejamento. Quem consegue separar as duas ideias avança com mais segurança para algoritmos com múltiplas estruturas aninhadas.

Por fim, a relação entre algoritmo e loop e o uso de variáveis em programação formam o tripé que sustenta quase todo o currículo de programação do Ensino Fundamental II e do Ensino Médio. Vale planejar a unidade pensando nessa progressão, e não como um conteúdo isolado.

Ligações com outros temas

A estrutura de repetição tem forte ligação com o tema transversal de ciência e tecnologia, porque ela é o mecanismo que permite a automação de tarefas. Quando o aluno percebe que um laço economiza trabalho manual, ele entende por que a computação existe. Essa conexão ajuda a justificar o conteúdo para turmas que o veem como abstrato.

Do ponto de vista socioemocional, as questões do conceito trabalham sobretudo a tomada de decisão e o pensamento crítico. O aluno precisa decidir se um problema pede repetição ou decisão, e precisa questionar a própria leitura quando o resultado não bate. Em algumas das questões, a habilidade desenvolvida é explicitamente a de tomar decisões diante de uma escolha entre estruturas. Trabalhar essa dimensão em sala ajuda o aluno a tolerar o erro como etapa do processo.

O conceito também se conecta com matemática, especialmente quando a repetição serve para contar, acumular e classificar. Os problemas de contagem de idades e de acumulação de valores aproximam o aluno das práticas do ENEM e de situações de análise de dados. Esse é um ótimo ponto de integração entre as duas áreas.

Por fim, o contexto de aplicação varia. Há questões de caráter abstrato, que funcionam bem como exercício de lógica, e há questões de caráter cotidiano, como a da esteira de reciclagem ou a da lista de nomes, que aproximam o conceito da vida do aluno. Vale alternar os dois tipos para que a turma enxergue tanto a estrutura quanto a utilidade.

8 questões comentadas sobre estrutura de repetição

A seguir estão as oito questões validadas do conceito. Para cada uma, indico a alternativa correta, explico por que cada alternativa errada não serve e o que o erro revela sobre o aluno. Use-as como diagnóstico ou como ponto de partida para discussão em sala.

Questão 1: qual estrutura repete um bloco um número específico de vezes?

Qual estrutura de repetição é usada para executar um bloco de código um número específico de vezes?

  • ❌ A) while — a estrutura while executa um bloco enquanto uma condição for verdadeira, não em um número fixo de vezes. Escolher essa alternativa revela que o aluno associa repetição apenas à ideia de condição, sem distinguir o tipo de controle.
  • ❌ B) do while — executa o bloco ao menos uma vez, enquanto a condição for verdadeira. O erro aqui é de nuance: o aluno sabe que existe uma variante com condição, mas não separa número fixo de condição.
  • ✅ C) for — é exatamente a estrutura feita para repetir um bloco um número pré-definido de vezes.
  • ❌ D) if — é uma condição que executa um bloco apenas se a condição for verdadeira. Esse é o erro clássico de confundir decisão com repetição.
  • ❌ E) switch — seleciona um bloco entre diferentes condições. Também é uma estrutura de decisão, não de repetição.

Questão 2: qual é a instrução repetida no algoritmo?

No algoritmo a seguir, qual é a instrução repetida? '1. Escolha um número. 2. Adicione 5. 3. Repita o passo 2 até atingir 20.'

  • ❌ A) Escolha um número. — é a primeira instrução e não se repete. O aluno que escolhe essa alternativa costuma ler o algoritmo como uma lista de tarefas, sem notar o comando de retorno.
  • ✅ B) Adicione 5. — é a única instrução que volta ao longo da execução até o limite.
  • ❌ C) Atingir 20. — é o objetivo, não uma instrução. Esse é o erro que mais aparece: o aluno confunde o critério de parada com a ação repetida.
  • ❌ D) Repita o passo 1. — o passo 1 é único e não se repete. Aqui o aluno interpreta o comando de repetição de forma invertida.
  • ❌ E) Adicione 20. — essa instrução não existe no algoritmo. O erro indica leitura apressada do enunciado.

Questão 3: quantas vezes a palavra Oi será escrita?

Observe o pseudocódigo abaixo: REPITA 4 VEZES: ESCREVA "Oi". Quantas vezes a palavra "Oi" será escrita na tela?

  • ❌ A) 3 vezes — confunde o número de repetições com um valor menor. Esse erro sugere que o aluno contou as voltas de forma aproximada, sem executar o laço.
  • ✅ B) 4 vezes — cada uma das quatro repetições escreve "Oi" uma vez.
  • ❌ C) 5 vezes — soma uma execução a mais. Esse é o distrator mais provável: o aluno tende a contar o comando inicial como se também escrevesse.
  • ❌ D) 1 vez — considera que o comando é executado uma única vez. O erro revela que o aluno não percebeu o retorno do laço.
  • ❌ E) 0 vezes — o laço manda repetir quatro vezes, então zero não faz sentido. Escolher essa opção costuma indicar que o aluno não leu o comando.

Questão 4: qual sequência aparece no visor da esteira de reciclagem?

Durante um mutirão de limpeza na praia, os objetos recolhidos passam por uma esteira na ordem em que foram encontrados: uma garrafa plástica, uma lata, uma tampa plástica e um pedaço de papel. Um programa registra cada objeto antes de encaminhá-lo à reciclagem. Suas instruções são: enquanto houver objeto na esteira, pegar o próximo objeto; se ele for de plástico, registrar P; caso contrário, registrar O. Depois do registro, o objeto é retirado da esteira. O visor começa vazio e mostra os registros na mesma ordem em que o programa os produz.

Determine a sequência que aparecerá no visor após a execução completa das instruções descritas no texto-base.

  • ❌ A) O, O, P, P — erro de leitura sequencial: o aluno desconsidera a condição aplicada a cada objeto e a ordem original da esteira.
  • ❌ B) P, P, O, O — erro de agrupamento: supõe que o programa reúne todos os plásticos antes de registrar os demais. Esse distrator revela que o aluno pensa no resultado final, e não no processo.
  • ✅ C) P, O, P, O — a repetição processa os objetos um a um. Garrafa e tampa são plásticas e recebem P; lata e papel recebem O.
  • ❌ D) P, O, O, P — erro de classificação: trata a tampa como não plástica e o papel como plástico. Esse erro costuma indicar pressa na leitura dos objetos.
  • ❌ E) O, P, O, P — erro de inversão da condição: troca os registros destinados aos objetos de plástico e aos demais.

Questão 5: qual estrutura evita repetir o mesmo passo manualmente?

Em uma atividade de programação, o estudante percebe que vai repetir a mesma conta várias vezes para diferentes valores de entrada. — Que estrutura de raciocínio computacional é mais adequada para evitar repetir o mesmo passo manualmente?

  • ❌ A) Uma estrutura condicional é a mais adequada, porque permite escolher automaticamente entre dois caminhos diferentes conforme uma condição. Esta é a alternativa mais escolhida como incorreta: o aluno confunde repetição com decisão.
  • ❌ B) Uma variável é a mais adequada, porque permite guardar todos os resultados das contas sem precisar repetir o procedimento. O aluno percebe os valores e os resultados, mas atribui à variável um papel que ela não tem.
  • ❌ C) Uma função matemática é a mais adequada, porque qualquer conta escrita como fórmula será repetida automaticamente. Aqui há generalização indevida da ideia de função.
  • ✅ D) Um laço de repetição é a estrutura mais adequada, porque permite executar a mesma ação várias vezes de forma automática, evitando repetir manualmente os mesmos passos.
  • ❌ E) Uma tabela de valores é a mais adequada, porque comparar entradas e resultados faz o computador repetir os cálculos. O erro inverte a relação entre ferramenta e causa da repetição.

Questão 6: quantos menores de idade o algoritmo registra?

Como classificar automaticamente as idades coletadas em uma pesquisa de opinião pública? Um analista definiu o seguinte procedimento em texto: 1. Leia o valor da idade. 2. Enquanto a idade for diferente de 0, execute: a. Se a idade for menor que 18, incremente o contador de menores. b. Caso contrário, incremente o contador de maiores. c. Leia o próximo valor de idade. 3. Após sair do laço, exiba o valor dos dois contadores. O analista testou o procedimento com a sequência de idades: 15, 22, 17, 18, 0. Analise o texto-base e determine quantas pessoas menores de idade foram registradas pelo algoritmo.

  • ❌ A) 5 — superestima o número de menores, incluindo indevidamente todos os valores antes do zero.
  • ✅ B) 2 — o algoritmo conta apenas idades menores que 18: 15 e 17.
  • ❌ C) 4 — confunde a quantidade de maiores, que são 22 e 18, com a de menores.
  • ❌ D) 3 — erro de inclusão: sugere contar também a idade 18, que não é menor. Esse é o distrator mais provável e revela dificuldade com o limite da condição.
  • ❌ E) 1 — ignora que há duas idades menores, 15 e 17.

Questão 7: qual laço avalia a condição antes de cada iteração?

Em pseudocódigo, qual estrutura de repetição é a mais adequada quando um algoritmo precisa repetir instruções enquanto uma condição lógica for verdadeira, com a condição avaliada antes de cada iteração? Indique a estrutura.

  • ❌ A) Laço 'enquanto' (while) — não é adequado para avaliação de condição. A afirmação está incorreta, pois o 'enquanto' é justamente o laço feito para isso.
  • ❌ B) Laço 'repita' (do while) — avalia a condição após a execução. Esse é o distrator mais provável: o aluno confunde o momento da avaliação e escolhe a variante que testa no fim.
  • ❌ C) Laço 'para' (for) — executa um número fixo de vezes e não avalia condições lógicas.
  • ✅ D) Laço 'enquanto' (while) — avalia a condição no início de cada iteração; se for falsa, o corpo não executa.
  • ❌ E) Laço 'se' (if) — é uma estrutura de decisão, não de repetição. O erro revela a mesma confusão entre decidir e repetir.

Questão 8: como percorrer uma lista de nomes um por um?

Lucas guardou os nomes "José", "Maria", "Ana" e "Carlos" em uma lista. Ele quer mostrar cada nome separadamente, seguindo a ordem em que os nomes foram armazenados. Qual opção mostra uma maneira correta de usar uma estrutura de repetição para apresentar os nomes, um por um?

  • ❌ A) Usar um comando diferente para cada nome — exibe os nomes, mas repete os comandos manualmente, sem estrutura de repetição. Este é o distrator mais provável e mostra que o aluno ainda não vê o laço como solução para listas.
  • ❌ B) Imprimir apenas o primeiro nome da lista — não percorre todos os elementos.
  • ✅ C) Percorrer a lista com um loop e imprimir cada nome — o laço seleciona e apresenta um nome a cada repetição, na ordem em que foram armazenados.
  • ❌ D) Exibir os quatro nomes em uma única mensagem — os nomes aparecem juntos, sem a repetição que o enunciado pede.
  • ❌ E) Percorrer somente o último nome da lista — considera apenas um elemento e deixa de apresentar os demais.

Perguntas frequentes

Devo ensinar for e while na mesma aula?

Não recomendo. Ensine primeiro a repetição com número fixo, que é mais intuitiva para a turma, e só depois a repetição com condição. Juntar as duas de imediato aumenta a confusão entre repetir e decidir, porque o aluno ainda não consolidou a diferença de controle. Separe as aulas e, depois de algumas semanas, proponha exercícios que comparem as duas.

Como saber se o aluno entendeu a diferença entre se e laço?

Peça que ele classifique uma lista de situações do cotidiano como "decisão" ou "repetição" e que justifique cada escolha. Se o aluno consegue explicar que a repetição volta ao início do bloco, ele entendeu. Se ele classifica tudo como decisão, a base ainda precisa de trabalho com fluxogramas e rastreamento.

Vale usar linguagem de programação real logo no começo?

Só depois que a turma descreve o processo em português. Quando a sintaxe vem antes, o aluno decora a forma e não o comportamento. Use pseudocódigo como ponte: ele é próximo da linguagem natural e permite focar na lógica antes de se preocupar com ponto e vírgula ou chaves.

Por que meus alunos acertam a questão de identificação e erram a de execução?

Porque a identificação exige reconhecer um padrão, enquanto a execução exige acompanhar o processo passo a passo. São habilidades diferentes. Se isso acontecer com sua turma, trabalhe com tabelas de rastreamento antes de avançar para problemas mais complexos.

Como lidar com a condição de parada que nunca acontece?

Esse é um erro muito comum e ótimo para discussão em sala. Peça que o aluno escreva, em voz alta, o valor do contador antes e depois de cada volta, e pergunte quando a condição se torna falsa. Muitas vezes o próprio aluno percebe que esqueceu de atualizar a variável.

Quais conceitos devo revisar antes de começar a unidade?

Sequência de instruções, comandos condicionais simples e a noção de variável como um espaço que guarda um valor. Com essas três bases, a estrutura de repetição se torna muito mais acessível. Se a turma não as domina, o diagnóstico inicial vai mostrar isso rapidamente.

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