No poema “Pronominais”, a recomendação gramatical de iniciar uma frase com “Dê-me” é contraposta à forma “Me…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
No poema “Pronominais”, a recomendação gramatical de iniciar uma frase com “Dê-me” é contraposta à forma “Me dá”, atribuída ao uso cotidiano de brasileiros. A composição associa essa escolha linguística à discussão sobre os modelos que deveriam orientar a expressão literária no país. A obra integra o ambiente modernista brasileiro da década de 1920, marcado pela busca de formas artísticas vinculadas à experiência nacional e pela contestação de convenções herdadas. ANDRADE, Oswald de. Pau-Brasil. Paris: Au Sans Pareil, 1925. Um crítico afirma que, no poema, a divergência entre as formas de colocação pronominal serve apenas para registrar modos distintos de falar, sem expressar uma posição sobre a literatura de seu tempo. Considerando o texto, como essa afirmação deve ser avaliada?
- A) A avaliação relaciona a forma cotidiana ao projeto modernista, mas transforma essa valorização em defesa de um modelo único para toda a literatura.
- B) A avaliação percebe o contraste entre registros, mas o trata como celebração da mistura linguística desvinculada dos modelos literários de seu tempo.
- C) A avaliação identifica a oposição como registro de uma fala cotidiana, mas entende que o poema evita discutir os modelos literários de seu tempo.
- D) A avaliação reduz o poema a um registro de fala: a escolha linguística também intervém no debate modernista sobre a identidade literária brasileira.
- E) A avaliação considera a oposição uma contestação da gramática, mas separa essa crítica da busca modernista por uma expressão literária nacional.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O poema contrapõe “Dê-me”, forma prescrita pela norma gramatical, a “Me dá”, forma associada ao uso cotidiano brasileiro.
- No contexto modernista apresentado, essa escolha não é apenas um registro neutro de diferenças na fala: valorizar uma forma brasileira questiona convenções herdadas e participa do debate sobre a identidade da literatura nacional.
- Portanto, a afirmação do crítico é inadequada, pois reduz o poema a um registro de fala e ignora sua intervenção no debate literário. A alternativa D expressa essa ressalva.
- A está errada porque atribui ao poema a defesa de um modelo único; B e C desvinculam o contraste linguístico da discussão literária; E reconhece a contestação gramatical, mas separa essa crítica da busca modernista por uma expressão nacional.
💡 Dica: Relacione o contraste entre fala cotidiana e norma gramatical ao debate modernista sobre expressão nacional.
Alternativa por alternativa
Quem escolhe A relaciona a fala cotidiana ao modernismo, mas acrescenta uma defesa de modelo único que não decorre do poema. Valorizar uma expressão nacional não significa prescrever uma forma exclusiva para toda a literatura.
Quem escolhe B nota a mistura de registros, mas a considera apenas um recurso linguístico, sem vínculo com o debate sobre quais modelos deveriam orientar a literatura brasileira. Assim, perde a dimensão crítica do poema.
Quem escolhe C percebe que o poema registra a fala cotidiana, mas aceita a leitura do crítico de que esse registro não expressa uma posição sobre a literatura. Isso ignora a relação entre a valorização da forma brasileira e o projeto modernista.
Por que engana: Interpretar a oposição como simples registro da fala, sem perceber sua intervenção no debate literário.
A oposição entre a colocação pronominal prescrita pela gramática e a forma corrente na fala constrói uma crítica à imitação de padrões literários, em diálogo com o projeto modernista de valorizar referências brasileiras.
Quem escolhe E reconhece a contestação da norma gramatical, mas separa essa crítica da busca modernista por uma expressão literária nacional. No poema, esses aspectos se articulam: a forma cotidiana também questiona modelos herdados.
Raio-X da questão
Relação entre escolhas linguísticas e projeto modernista de literatura nacional
avaliacao
Diferença entre norma-padrão e usos cotidianos da língua · Contexto do Modernismo brasileiro dos anos 1920
Modernismo brasileiro e valorização de formas linguísticas nacionais
Interpretar a oposição como simples registro da fala, sem perceber sua intervenção no debate literário.
Valorização da diversidade linguística e identidade cultural
literario
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