Ao catalogar materiais para uma exposição virtual fictícia sobre o Estado Novo, um grupo encontrou um cartaz…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica, diferentes gêneros textuais e tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais, incluindo as escolares, para se comunicar, acessar e difundir informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao catalogar materiais para uma exposição virtual fictícia sobre o Estado Novo, um grupo encontrou um cartaz digitalizado de 1943. Nele, um trabalhador aparece diante de fábricas e da bandeira brasileira, enquanto uma frase associa o governo à harmonia entre patrões e empregados. A ficha do acervo informa que a peça foi produzida pelo Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão criado em 1939, e destinada à circulação em espaços públicos. Na mesma plataforma, há depoimentos posteriores de trabalhadores que relatam perseguições a greves e limites à organização sindical durante o período. Os estudantes discutem se a imagem pode ser apresentada como retrato completo das relações de trabalho daquela época. Analise as informações do acervo e identifique o procedimento que permite interpretar criticamente o cartaz como fonte histórica.
- A) Considerar a mensagem visual como descrição imparcial das relações entre trabalhadores e empregadores.
- B) Priorizar a qualidade da digitalização para determinar a veracidade histórica da mensagem apresentada.
- C) Tomar os depoimentos posteriores como provas de que o cartaz não circulou em espaços públicos.
- D) Confrontar a mensagem visual com a autoria, a finalidade política e outros testemunhos do período.
- E) Relacionar a presença de fábricas à inexistência de conflitos sociais durante o Estado Novo.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve um cartaz de propaganda do Estado Novo (1943), produzido por um órgão oficial de propaganda (Departamento de Imprensa e Propaganda, criado em 1939) e destinado a espaços públicos. A pergunta é qual procedimento permite ler esse cartaz criticamente como fonte histórica.
- Ao analisar uma fonte, o historiador não a toma como espelho neutro da realidade. Deve considerar quem produziu a peça, com que finalidade, para qual público e em que contexto, e cruzar a mensagem com outras fontes, como os depoimentos posteriores de trabalhadores que relatam perseguições a greves e limites sindicais.
- Essa operação está descrita na alternativa D: confrontar a mensagem visual com a autoria, a finalidade política e outros testemunhos do período. Ela permite perceber que a harmonia entre patrões e empregados retratada no cartaz é uma construção propagandística do governo, e não um retrato completo das relações de trabalho.
- Por que as outras alternativas estão erradas:
- A) Trata a propaganda como descrição imparcial, ignorando a intenção política do cartaz, o que é exatamente o erro que a análise crítica deve evitar.
- B) A qualidade da digitalização não informa sobre a veracidade do conteúdo histórico da mensagem.
- C) Depoimentos posteriores sobre repressão não provam que o cartaz não circulou; eles servem para questionar a representação idealizada que o cartaz transmite.
- D) Esta é a alternativa correta, pois descreve o procedimento crítico de cruzamento de fontes e de contextualização.
- E) A presença de fábricas não indica ausência de conflitos; o próprio acervo registra greves e repressão no período.
- Conclusão: o gabarito oficial D está correto e corresponde à resposta que obtivemos ao resolver a questão de forma independente.
💡 Dica: Compare diferentes fontes para analisar criticamente o cartaz.
Alternativa por alternativa
O aluno aceita a imagem como registro neutro da realidade, sem considerar que a peça foi produzida por um órgão de propaganda com intenção política.
O aluno confunde qualidade técnica da reprodução (digitalização) com validade histórica do conteúdo, acreditando que uma imagem nítida é mais verdadeira.
O aluno supõe que depoimentos sobre repressão provam que o cartaz não circulou, quando eles apenas contrastam com a mensagem idealizada, sem tratar da circulação.
Correta. A autoria estatal, a circulação pública e os depoimentos permitem analisar o cartaz como propaganda, não como retrato total do período.
O aluno associa presença de fábricas com ausência de conflitos, usando a imagem literal do cartaz como indicador das relações sociais, quando o acervo registra greves e repressão.
Raio-X da questão
interpretação crítica de fontes históricas
diagnostico
conceito de fonte histórica · contexto histórico do Estado Novo
estudo de análise e crítica de fontes históricas
Interpretar o cartaz como uma representação completa e imparcial das relações de trabalho no período.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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