Ao atravessar as estepes da Asia Central no seculo XIII, um mercador persa escreveu ao irmao: “Por dias so…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Comparar os significados de território, fronteiras e vazio (espacial, temporal e cultural) em diferentes sociedades, contextualizando e relativizando visões dualistas (civilização/barbárie, nomadismo/sedentarismo, esclarecimento/obscurantismo, cidade/campo, entre outras).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Ao atravessar as estepes da Asia Central no seculo XIII, um mercador persa escreveu ao irmao: “Por dias so vejo grama e ceu; as tendas mudam de lugar e parece nao haver limites. Dizem que e uma terra sem dono”. No mesmo trajeto, ele relata que precisou apresentar um passe em postos de troca de cavalos, pagou uma taxa para seguir pela rota e foi advertido a nao entrar em certos vales “reservados para as crias na primavera”. Em um registro de um emissario do Canato, o caminho e descrito como uma sequencia de paradas, pastagens e familias responsaveis por garantir agua, abrigo e escolta, com penalidades para quem desrespeitasse as areas de uso em cada estacao do ano. Analise os dois registros e identifique a interpretacao que melhor relativiza a ideia de “terra sem dono” expressa pelo mercador.
- A) Definicao de fronteira natural imutavel, pois a estepe funciona como barreira permanente entre povos
- B) Confirmacao de um vazio demografico, pois a ausencia de cidades implica inexistencia de territorialidade
- C) Reducao do territorio a propriedade privada, pois a cobranca de taxa indica compra e venda da terra
- D) Negacao de autoridade politica, pois a mobilidade das tendas impede qualquer forma de controle do espaco
- E) Reconhecimento de um territorio organizado por uso e circulacao, com fronteiras sazonais mais que linhas fixas
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- Resolvi a questão antes de olhar o gabarito. Os dois registros mostram que a estepe não é um vazio sem regras. O mercador vê apenas grama e céu, mas o emissário descreve paradas, pastagens e famílias responsáveis por água, abrigo e escolta, com penalidades para quem desrespeita as áreas de uso em cada estação. Passo 2: A alternativa E é a que relativiza a ideia de terra sem dono, porque reconhece um território organizado pelo uso e pela circulação, com fronteiras sazonais, isto é, limites que mudam conforme a estação e a função de cada área, e não linhas fixas. Passo 3: A proibição de entrar nos vales reservados para as crias na primavera mostra que certas áreas têm uso regulado no tempo, e o sistema de passes e taxas mostra que a rota é controlada por quem a administra. Passo 4: A alternativa A está errada porque trata a estepe como barreira natural imutável, o que contraria a ideia de limites que mudam conforme a estação. A alternativa B está errada porque a ausência de cidades não elimina a territorialidade, que aparece nos registros através do uso e da organização. A alternativa C está errada porque a taxa paga pela passagem não indica compra e venda da terra. A alternativa D está errada porque a mobilidade das tendas não impede o controle, já que os passes, as taxas e as penalidades mostram autoridade exercida sobre o espaço. Passo 5: Compare com o gabarito oficial: ele indica E, o que coincide com a minha resolução.
💡 Dica: Compare os relatos para entender a organização territorial descrita.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que a estepe é uma barreira natural fixa entre povos, e por isso ignora que os limites descritos mudam conforme a estação.
O aluno associa território apenas a cidades e conclui que, sem núcleos urbanos, o espaço é um vazio demográfico sem territorialidade, ignorando as pastagens e as famílias responsáveis descritas no registro.
O aluno interpreta a taxa paga pela passagem como sinal de compra e venda da terra, quando o texto indica apenas pagamento pelo uso da rota e não transferência de propriedade.
O aluno acredita que mobilidade significa ausência de controle, então conclui que as tendas em movimento impedem qualquer autoridade, desconsiderando passes, taxas e penalidades.
Por que engana: Confundir ausencia de cidades com ausencia de organizacao territorial e controle social.
Os postos, taxas e areas reservadas indicam controle e regras; o “vazio” e efeito do olhar sedentario diante de fronteiras moveis.
Raio-X da questão
territorialidade e organizacao social
avaliacao
sociedades nômades e sedentárias · conceito de territorialidade
Estude conceitos de territorialidade e organizacao social em sociedades nômades.
Confundir ausencia de cidades com ausencia de organizacao territorial e controle social.
pensamento_critico
historico
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