Na decada de 1860, um panfleto politico circulou em Buenos Aires defendendo escolas, ferrovias e a chegada de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, contextualizar e criticar tipologias evolutivas (populações nômades e sedentárias, entre outras) e oposições dicotômicas (cidade/campo, cultura/ natureza, civilizados/bárbaros, razão/emoção, material/virtual etc.), explicitando suas ambiguidades.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Na decada de 1860, um panfleto politico circulou em Buenos Aires defendendo escolas, ferrovias e a chegada de imigrantes europeus. O autor contrapoe a "cidade das luzes" a um "interior bruto", descrito como espaco de gente "errante" e "sem disciplina", onde a lei teria pouca forca. Ao mesmo tempo, ele admite que a capital depende do gado, do couro e de trabalhadores que vao e voltam conforme as estacoes, vindos justamente desse interior. Para convencer leitores urbanos, o texto afirma que o futuro do pais exige "domar" a vida do campo e aproxima-la dos habitos da cidade, tratados como sinal de progresso. Interprete o texto-base e identifique a critica historica mais adequada a tipologias evolutivas e dicotomias (cidade/campo) mobilizadas pelo autor.
- A) Concluir que a oposicao decorre apenas de fatores naturais do territorio, sem relacao com disputas de poder e projetos de Estado.
- B) Interpretar que cidade e campo sao esferas sem conexao, pois o texto descreve o interior como afastado da economia urbana.
- C) Entender que o autor apenas registra diferencas culturais com neutralidade, sem emitir juizo de valor sobre cidade e campo.
- D) Assumir que a descricao comprova uma sequencia universal em que todo campo, por natureza, evolui ate virar cidade.
- E) Reconhecer que a oposicao cria uma hierarquia moral para sustentar um projeto politico de modernizacao e controle do interior.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O texto opõe a 'cidade das luzes' ao 'interior bruto', descrito como errante e sem disciplina, e associa o progresso a domar o campo e aproximá-lo dos hábitos urbanos. Passo 2: Ao mesmo tempo, o autor reconhece que a capital depende do gado, do couro e dos trabalhadores vindos do interior, o que mostra que as duas esferas estão economicamente ligadas. Passo 3: A crítica historicamente mais adequada é perceber que a dicotomia cidade/campo não é uma descrição neutra: ela cria uma hierarquia moral (civilização contra barbárie) que legitima um projeto político de modernização, escolarização, imigração e controle sobre o interior. Passo 4: Por isso a alternativa E é a correta, pois reconhece a hierarquia moral e sua função política. A alternativa A está errada porque a oposição é construída social e politicamente, não decorre de fatores naturais. A alternativa B está errada porque o próprio texto mostra a dependência econômica entre cidade e campo. A alternativa C está errada porque o texto emite juízo de valor explícito, chamando o interior de bruto e sem disciplina. A alternativa D está errada porque o texto não apresenta uma sequência universal e natural; ao contrário, trata a transformação do campo como um projeto a ser imposto.
💡 Dica: Analise a relação entre cidade e campo e o projeto político implícito no texto.
Alternativa por alternativa
O aluno acha que a diferença entre cidade e campo é uma questão de geografia ou de natureza do território, ignorando que o texto trata a oposição como construção política.
O aluno entende que, por o texto descrever o interior como afastado, não há ligação entre campo e cidade, esquecendo que o autor admite a dependência da capital em relação ao gado, ao couro e aos trabalhadores do interior.
O aluno considera que o autor apenas constata diferenças culturais, sem perceber os adjetivos carregados como 'bruto', 'errante' e 'sem disciplina', que expressam juízo de valor.
O aluno toma a ideia de progresso do texto como uma lei natural e universal de evolução do campo para a cidade, quando o autor apresenta essa transformação como um projeto político a ser imposto.
Por que engana: Interpretar a oposição entre cidade e campo como natural ou neutra, sem reconhecer a dimensão política e moral da crítica.
A linguagem valoriza a cidade e desqualifica o interior, usando a dicotomia como argumento politico, apesar da interdependencia economica citada.
Raio-X da questão
dicotomias cidade e campo
diagnostico
interpretação de texto histórico · conceitos de modernização e poder
estude as relações históricas entre cidade e campo e projetos políticos de modernização
Interpretar a oposição entre cidade e campo como natural ou neutra, sem reconhecer a dimensão política e moral da crítica.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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