Refutação de argumento: por que o aluno confunde contraponto e apoio
Veja como ensinar refutação de argumento e diagnosticar a confusão entre tese, contraponto e apoio. Oito questões reais mostram pistas para planejar intervenções nos anos finais.
Lembro bem de uma aula do 8º ano em que a Júlia leu um diálogo sobre sacolas plásticas e, ao final, afirmou com segurança que a segunda fala concordava com a primeira. Ela não estava desatenta: tinha lido tudo. O problema é que ela só conseguia enxergar a fala de quem apoia uma ideia, e não a fala de quem a contesta.
Essa cena se repetiu com outras turmas, em outros anos, e foi o que me levou a montar um roteiro de diagnóstico para refutação de argumento. Quando a turma erra esse ponto, o erro quase nunca é de vocabulário. É de leitura relacional: o aluno não percebe qual fala responde a qual outra.
O que é refutação de argumento, explicado para o professor?
Refutar um argumento é apresentar uma razão ou um dado que contesta diretamente a ideia defendida por outra pessoa. Não basta discordar: a refutação precisa estar ligada ao argumento específico que foi apresentado. Se um interlocutor diz que ciclovias reduzem a poluição, uma refutação seria mostrar que o custo elevado prejudica o orçamento ou que a via já está saturada. Uma simples opinião contrária, sem vínculo com o que foi dito, não é refutação.
Esse conceito aparece no currículo de Língua Portuguesa do 7º ao 9º ano, ligado à leitura e produção de textos argumentativos. Na BNCC, ele está diretamente relacionado às habilidades EF69LP11, EF89LP04, EF69LP15 e EF89LP23, que tratam de identificar posicionamentos, sustentar opiniões e reconhecer estratégias de argumentação em diferentes gêneros.
Na prática, isso significa que o aluno precisa fazer três movimentos: identificar a tese de quem fala, reconhecer o argumento que sustenta essa tese e localizar a fala que contesta esse argumento específico.
O que o aluno precisa saber antes?
Os dados das fichas pedagógicas mostram um padrão claro. Nas questões analisadas, os pré-requisitos mais recorrentes são a identificação de argumentos e opiniões, a compreensão de texto argumentativo e a relação de oposição entre ideias. Em outras palavras, o aluno que ainda não separa tese de justificativa não vai conseguir localizar uma refutação.
Uma forma rápida de verificar essa base é pedir que a turma sublinhe, num diálogo curto, apenas a afirmação principal de cada participante. Se a maioria sublinha justificativas no lugar da tese, o problema está antes da refutação. Vale também pedir que o aluno explique, com as próprias palavras, o que a segunda fala faz em relação à primeira: concorda, complementa ou contesta?
Esses pré-requisitos conversam com o que vem antes no acervo. Para quem ainda trabalha leitura em outra língua, a compreensão de texto em inglês ajuda a treinar a mesma atenção às relações entre frases. Já a análise crítica de argumentos desenvolve a pergunta que o aluno precisa fazer a cada fala: isso se sustenta? E as estratégias de comunicação mostram como cada interlocutor organiza a própria resposta.
Quais são os erros mais comuns e por que acontecem?
Ao cruzar os dados das oito questões, três erros aparecem com regularidade. Em algumas delas, a ficha registra o erro típico como confundir a posição de quem refuta com a do argumento refutado. Em outras, o aluno escolhe a alternativa que introduz uma ideia ausente do texto. Em todas, o distrator mais provável trabalha justamente com a confusão entre apoio e contraponto.
Confundir quem apoia com quem refuta
Este é o erro mais frequente. O aluno lê a fala de um personagem que defende uma ideia e a toma como resposta à fala anterior, mesmo que ela apenas reforce o mesmo ponto. Em quatro questões, o erro típico foi justamente escolher uma fala que acrescenta ou apoia, em vez de contestar. Na prática, isso acontece porque a fala de apoio costuma ter a mesma palavra-chave da tese, e o aluno associa presença de palavras a oposição.
Como intervir: peça que o aluno marque, em cada fala, se ela usa a tese alheia ou a contradiz. Uma pergunta útil é "essa fala diria o contrário do que foi dito antes?". Se a resposta for não, não é refutação.
Escolher a fala que vem depois, e não a que responde
Outro erro comum é localizar a refutação na fala errada da sequência. Em um dos casos analisados, o aluno tende a apontar a primeira manifestação do diálogo, porque ela é a mais visível. Em outros, a resposta está na última fala, mas o aluno para antes de chegar até ela. A causa é a leitura linear sem atenção à ordem de resposta.
Como intervir: trabalhe com diálogos em que a refutação aparece em posições diferentes. Peça que o aluno desenhe setas ligando cada fala à anterior que ela responde. A atividade visual costuma desfazer a confusão em poucos minutos.
Trocar a posição de quem fala
Esse erro aparece quando o aluno atribui a um personagem o argumento de outro. Nas questões de debate com quatro ou cinco participantes, é o mais difícil de perceber, porque o aluno sabe o conteúdo do argumento mas não lembra quem o defendeu. A ficha aponta esse problema como um erro típico de atribuição.
Como intervir: antes de responder, peça que o aluno escreva o nome de quem afirmou cada ideia citada na alternativa. Esse passo simples evita boa parte dos erros de atribuição.
Como ensinar refutação passo a passo?
A sequência que funciona melhor combina leitura guiada, construção de exemplos e produção. A seguir, uma proposta realista para duas ou três aulas.
Passo 1 — Tese e justificativa. Apresente um texto curto em que uma pessoa defenda uma opinião com duas razões. Peça que os alunos separem a tese das razões. A dica de resolução que costuma funcionar é: a tese responde "o que você acha?", a justificativa responde "por que você acha?".
Passo 2 — O que a outra fala faz. Apresente uma segunda fala e peça que classifiquem a relação: concordância, complementação ou contraposição. Use exemplos claros nos dois primeiros casos antes de passar à refutação, para que o aluno compare as três categorias.
Passo 3 — Qual argumento está sendo atacado. Aqui entra a refutação propriamente dita. Peça que o aluno aponte, com a citação literal, o trecho da primeira fala que está sendo contestado. Se ele não consegue apontar o trecho, é sinal de que ainda não localizou o argumento.
Passo 4 — Construir uma refutação. Peça que a turma escreva a resposta a uma afirmação do dia a dia, como "o celular deveria ser proibido na escola". A regra é que a refutação precisa mencionar a razão apresentada, não apenas a conclusão.
Passo 5 — Revisão com diálogos reais. Retome textos de jornal, debates ou audiências públicas e peça que o aluno identifique as refutações. Esse é o momento de conectar a habilidade ao gênero argumentativo cobrado na produção de texto.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento?
Os dados das fichas permitem uma orientação prática. A maioria das questões tem tempo de resolução curto ou médio e nível de leitura médio, o que as torna adequadas para avaliações rápidas e diagnósticos no início de uma unidade. Já questões com enunciado que depende do texto-base exigem mais tempo e funcionam melhor em provas e simulados.
Em termos de papel na prova, a maioria das questões analisadas aparece como progressão, ou seja, avança em complexidade a partir de uma base. Isso significa que elas servem bem para medir se o aluno saiu da identificação simples e chegou à análise da relação entre falas. O poder de discriminação foi registrado como médio na maior parte delas, o que indica que separam razoavelmente bem quem domina o conceito de quem ainda confunde apoio e contraponto.
Na prática, eu sigo esta divisão: uso questões de diálogo curto em diagnósticos e avaliações rápidas, e reservo os textos mais longos, em que o enunciado depende da leitura completa, para provas. Pode ser útil também para atividade em sala e para simulado, já que a maioria dessas questões aceita esse uso.
O que ensinar antes da refutação?
Além da identificação de tese e justificativa, vale garantir que o aluno consiga reconhecer argumentos explícitos em um texto, já que vários pré-requisitos das fichas apontam para essa base. Compreensão de texto argumentativo e relações de oposição entre ideias também aparecem com frequência. Se a turma ainda tropeça nisso, reveja primeiro esses pontos e só então retome a refutação.
Os links do acervo indicados acima ajudam a organizar essa trilha. A ideia é que o aluno chegue à refutação com a leitura atenta, o senso crítico e a clareza de comunicação já treinados.
Quais são as ligações com outros temas?
A refutação de argumentos atravessa temas transversais que aparecem nas próprias questões analisadas. Há discussões sobre educação ambiental, como sacolas plásticas e poluição do ar, e sobre cidadania e ética, como a reforma agrária e a responsabilidade pública por enchentes. Também aparecem questões sobre ciência e tecnologia, como a educação a distância.
Do ponto de vista socioemocional, o conceito se liga diretamente ao pensamento crítico: o aluno aprende que discordar exige razão, não apenas vontade. Esse aprendizado vale para debates em sala, para redes sociais e para a vida adulta. Em contextos reais, a refutação costuma ser o que separa uma conversa produtiva de uma briga.
As 8 questões comentadas sobre refutação de argumento
A seguir estão as oito questões do conceito, com o enunciado completo, as alternativas e a explicação do gabarito. Em cada uma, indico o que o erro revela sobre o aluno. Ao final de cada questão, a ficha técnica completa aparece automaticamente.
Questão 1 — Entrevista sobre dever de casa no fim de semana
— Você considera apropriado que as escolas atribuam dever de casa para o fim de semana? perguntou a jornalista. Entrevistado A respondeu que os exercícios extras ajudam os alunos a fixar o conteúdo visto em sala e evitar o esquecimento. Entrevistado B contrapôs dizendo que a sobrecarga de tarefas fora do horário escolar causa cansaço, prejudica o lazer familiar e só é eficaz se houver orientação adequada dos professores.
Analise o diálogo e identifique qual posicionamento defendido por Entrevistado A é refutado por Entrevistado B.
- ✅ A) A ideia de que exercícios extras reforçam o aprendizado e ajudam a evitar que o conteúdo seja esquecido. — Entrevistado A defende que os exercícios extras ajudam os alunos a aprender e a lembrar o conteúdo. Entrevistado B questiona essa defesa ao apontar os efeitos da sobrecarga e a necessidade de orientação dos professores.
- ❌ B) O argumento de que o uso de tecnologia em sala de aula distrai os alunos — Essa alternativa trata de tecnologia em sala de aula, tema que não aparece no diálogo nem corresponde à posição defendida por A.
- ❌ C) A ideia de que orientação dos professores é dispensável para o aprendizado — A não fala sobre dispensar a orientação dos professores. B afirma que ela é necessária para que as tarefas sejam eficazes.
- ❌ D) A proposta de reduzir o tempo de lazer familiar para priorizar o estudo — A não propõe reduzir o lazer familiar; essa questão é mencionada por B como um prejuízo da sobrecarga.
- ❌ E) A opinião de que o esquecimento do conteúdo ocorre apenas por falta de revisão — A diz que exercícios extras ajudam a evitar o esquecimento, mas não afirma que a falta de revisão seja a única causa.
O erro mais revelador aqui é a escolha da alternativa D, que pega um tema presente na fala de B e o atribui a A. O aluno sabe o assunto, mas não separa quem defende o quê.
Questão 2 — Sacolas plásticas e emprego
— João: “Se proibirem as sacolas plásticas, milhares de trabalhadores do setor vão perder o emprego e a economia local vai sofrer.” — Carla: “Na verdade, pesquisas mostram que o comércio de embalagens reutilizáveis gera mais vagas de trabalho, pois envolve produção artesanal e recicladores. Além disso, as sacolas descartáveis causam acúmulo de lixo e prejudicam rios e praias.”
Analise o texto e identifique qual argumento apresentado por João é refutado por Carla.
- ❌ A) A ideia de que Carla afirma que embalagens reutilizáveis causam acúmulo de lixo — Carla atribui o acúmulo de lixo às sacolas descartáveis, não às embalagens reutilizáveis.
- ❌ B) A ideia de que Carla defende o uso de sacolas descartáveis — Essa leitura troca a posição de Carla: ela afirma que as sacolas descartáveis acumulam lixo e prejudicam rios e praias, não que devam ser usadas.
- ❌ C) A ideia de que João afirma que as embalagens reutilizáveis geram mais vagas — É Carla quem diz que o comércio de embalagens reutilizáveis gera mais vagas. João prevê perda de empregos se as sacolas plásticas forem proibidas.
- ❌ D) A ideia de que João afirma que sacolas descartáveis prejudicam rios e praias — Esse argumento aparece na fala de Carla, não na de João. João fala de perda de empregos e prejuízo à economia local.
- ✅ E) A ideia de que proibir sacolas plásticas causa desemprego no setor — Carla afirma que o comércio de embalagens reutilizáveis gera mais vagas de trabalho. Essa informação contraria a previsão de João de que a proibição faria trabalhadores perderem o emprego.
Aqui o distrator D costuma atrair alunos que leem bem o conteúdo, mas atribuem a João a fala de Carla. É um sinal de que a atribuição de falas ainda não está automatizada.
Questão 3 — Podcast sobre ciclovias
Durante um podcast sobre mobilidade urbana, a jornalista Carla pergunta à arquiteta Marina e ao engenheiro Rafael sobre a expansão de ciclovias na cidade. Marina defende que a ampliação beneficiaria os moradores ao reduzir a poluição e promover saúde. Rafael rebate afirmando que o custo elevado poderia prejudicar o orçamento municipal e que ruas já congestionadas exigem outras soluções, como ônibus expressos. Carla então questiona se o dinheiro não seria melhor investido em melhorias na sinalização viária. Marina contesta lembrando que, sem infraestrutura segura, as ciclovias não funcionarão. Rafael concorda parcialmente, mas ressalta que o investimento em transporte coletivo também deve ser prioridade.
Analise o texto-base e identifique o trecho em que Rafael apresenta uma refutação à proposta de Marina.
- ✅ A) O trecho em que Rafael rebate afirmando que o custo elevado poderia prejudicar o orçamento municipal e que ruas já congestionadas exigem outras soluções, como ônibus expressos. — Rafael refuta diretamente a proposta de ampliar ciclovias, destacando custos e alternativas viáveis.
- ❌ B) O trecho em que Carla questiona se o dinheiro não seria melhor investido em melhorias na sinalização viária. — Aqui Carla faz uma pergunta crítica, mas não é Rafael refutando Marina.
- ❌ C) O trecho em que Rafael concorda parcialmente, mas ressalta que o investimento em transporte coletivo também deve ser prioridade. — Nesse trecho Rafael faz um acordo parcial e complementa, não chega a refutar a proposta de Marina.
- ❌ D) O trecho em que Marina defende que a ampliação beneficiaria os moradores ao reduzir a poluição e promover saúde. — Esse trecho apresenta argumento de Marina em defesa das ciclovias, não refutação.
- ❌ E) O trecho em que Marina contesta lembrando que, sem infraestrutura segura, as ciclovias não funcionarão. — Este trecho é uma segunda defesa de Marina para reforçar a necessidade de ciclovias, não refutação de Rafael.
O distrator C, que mistura concordância parcial com refutação, é o mais escolhido. Ele mostra que o aluno ainda trata qualquer ressalva como oposição.
Questão 4 — Lâmpadas LED na rádio comunitária
Durante uma edição matinal de um programa de rádio comunitária, o apresentador compartilha dados ilustrativos: pesquisas do jornal Cidade Viva apontam que 65% dos moradores economizaram até 20% na conta de energia após a troca de lâmpadas por modelos LED. Em seguida, dois ouvintes se manifestam por telefone: — Giovani: “Investir em lâmpadas LED é caro e muitas famílias não têm dinheiro para trocar todas de uma vez.” — Lara: “Dados mostram economia no longo prazo, e existem programas de doação para ajudar os moradores.” — Giovani: “Esses programas não atendem todo mundo; ainda assim, a conta de luz subiu para quem não participa.” — Lara: “Mesmo para quem não participa, a mudança de hábitos, como apagar luzes desnecessárias, reduz a conta.”
Analise o texto-base e identifique qual fala expressa refutação ao argumento apresentado imediatamente antes dela.
- ✅ A) Lara rebate a fala de Giovani ao dizer que, mesmo sem participar dos programas, é possível diminuir a conta mudando alguns hábitos. — A última fala responde à afirmação de Giovani de que a conta subiu para quem não participa dos programas. Lara contrapõe que mudanças de hábitos também podem reduzir a conta.
- ❌ B) A pesquisa informa que muitos moradores economizaram após trocar as lâmpadas. — O dado apresenta uma informação sobre economia, mas não é uma fala que responda ao argumento imediatamente anterior.
- ❌ C) Investir em lâmpadas LED é caro e muitas famílias não têm dinheiro para trocar todas de uma vez. — A fala apresenta uma dificuldade para a troca de lâmpadas, mas não responde à fala imediatamente anterior, pois é a primeira manifestação dos ouvintes.
- ❌ D) Lara afirma que há economia a longo prazo e programas de doação para ajudar os moradores. — Essa fala responde à preocupação inicial de Giovani, mas não é a resposta ao argumento imediatamente anterior à fala final.
- ❌ E) Os programas não atendem a todos, e a conta de luz subiu para quem não participa. — Essa fala contesta a afirmação anterior de Lara, mas não é a resposta a uma fala imediatamente anterior de Giovani: ela própria é a fala de Giovani.
Esta questão exige que o aluno olhe para a sequência de respostas, não só para o conteúdo. O distrator D costuma ser escolhido por quem para na primeira resposta de Lara.
Questão 5 — Audiência pública sobre ciclovias
— Precisamos de mais ciclovias na cidade, garantindo segurança aos ciclistas, disse Carla durante audiência pública sobre mobilidade urbana. João rebateu: “Ao priorizar ciclovias nas vias centrais, vamos restringir o tráfego de veículos e prejudicar o comércio local”. Ana acrescentou: “O uso da bicicleta como transporte diário pode reduzir a poluição do ar”. Roberto pontuou: “A implantação deve ser gradual e acompanhada de campanhas educativas”. Luiz comentou: “Instalar bicicletários perto de pontos de ônibus também estimularia o transporte sustentável”.
Analise o texto-base e identifique em qual fala um interlocutor refuta diretamente a proposta de ampliar ciclovias nas vias centrais.
- ❌ A) “Instalar bicicletários perto de pontos de ônibus também estimularia o transporte sustentável.” — Luiz propõe medida complementar, não refuta a expansão de ciclovias centrais.
- ❌ B) “A implantação deve ser gradual e acompanhada de campanhas educativas.” — Roberto sugere método de implantação, sem refutar a prioridade das ciclovias.
- ❌ C) “Precisamos de mais ciclovias na cidade, garantindo segurança aos ciclistas.” — Essa fala defende a expansão das ciclovias, não a refuta.
- ❌ D) “O uso da bicicleta como transporte diário pode reduzir a poluição do ar.” — Ana apresenta benefício ambiental, não refuta a proposta.
- ✅ E) “Ao priorizar ciclovias nas vias centrais, vamos restringir o tráfego de veículos e prejudicar o comércio local.” — João refuta diretamente a proposta ao apontar prejuízos ao tráfego e ao comércio.
O distrator A, que é uma medida complementar, mostra a confusão entre opinião acrescentada e refutação. Ele é o mais atraente porque também trata de transporte.
Questão 6 — Alagamentos e responsabilidade pública
— Professora, por que alagar ruas em dias de chuva virou rotina? — indagou uma aluna durante a aula de Geografia. O professor abriu espaço para debate: Estudante A: "O governo deve ampliar redes de esgoto e drenos, é responsabilidade exclusiva dele." Estudante B: "Concordo que haja obra pública, mas moradores também precisam usar jardins de chuva e evitar lixo nas bocas de lobo." Estudante C: "A culpa está na prefeitura; ações individuais não resolvem nada." Estudante D: "Plantio de árvores seria suficiente e dispensa investimento pesado do poder público."
A partir do texto-base, identifique quem apresenta refutação direta ao argumento de que a contenção de enchentes deve ser responsabilidade exclusiva do poder público.
- ❌ A) Aponta que nenhum estudante refuta a responsabilidade exclusiva do governo. — Há, de fato, uma refutação direta no argumento apresentado pelo estudante B.
- ❌ B) Aponta que o estudante A refuta a responsabilidade exclusiva do governo. — Estudante A defende justamente a responsabilidade exclusiva do governo, sem refutação.
- ❌ C) Aponta que o estudante D refuta a responsabilidade exclusiva do governo. — Estudante D propõe plantio de árvores, mas não discute a exclusividade do governo em obras de drenagem.
- ❌ D) Aponta que o estudante C refuta a responsabilidade exclusiva do governo. — Estudante C reforça a exclusividade do poder público, sem apresentar refutação.
- ✅ E) Aponta que o estudante B refuta a responsabilidade exclusiva do governo. — Estudante B reconhece obras públicas, mas defende ações dos moradores, refutando a exclusividade governamental.
O distrator D costuma atrair alunos que associam qualquer proposta alternativa à refutação. A pergunta-chave é se a fala discute a exclusividade apontada.
Questão 7 — Educação a distância como melhor método
Durante uma discussão em grupo, um colega afirma que a educação a distância é sempre o melhor método. Como você poderia refutar essa afirmação?
- ❌ A) A educação a distância é mais barata. — Custo não é a única consideração.
- ✅ B) A educação a distância falta interação social. — A falta de interação social é uma grande desvantagem.
- ❌ C) A educação a distância é mais conveniente. — Conveniente não é sinônimo de melhor.
- ❌ D) Todos têm acesso à tecnologia. — Nem todos têm acesso, o que é um problema.
- ❌ E) Educação a distância facilita a autodisciplina. — Facilitar não significa ser melhor.
Esta questão testa a capacidade de produzir uma refutação, não apenas reconhecê-la. O distrator C, a conveniência, é escolhido por quem responde com uma vantagem em vez de uma razão contrária à afirmação absoluta.
Questão 8 — Reforma agrária e concentração de terras
Alguns afirmam que a reforma agrária não é necessária, porque o país já produz alimentos suficientes. Para responder a essa opinião, o autor apresenta dados que mostram que uma pequena parte dos proprietários concentra grande quantidade de terras. Assim, ele relaciona a reforma agrária à desigualdade na distribuição das propriedades rurais.
Como o autor refuta a opinião contrária à reforma agrária apresentada no texto?
- ✅ A) Apresentando dados sobre a desigualdade na distribuição das terras. — A refutação ocorre quando o autor responde ao argumento contrário usando dados sobre a concentração de terras. Essas informações contestam a ideia de que a reforma agrária não seria necessária.
- ❌ B) Relatando exemplos históricos de reformas realizadas no campo. — Este distrator troca o recurso realmente usado, os dados sobre a concentração de terras, por exemplos históricos, que não aparecem no texto.
- ❌ C) Sugerindo outras medidas para resolver a desigualdade rural. — Este distrator confunde refutar um argumento com apresentar soluções. O texto relaciona a reforma agrária à desigualdade por meio de dados, mas não propõe outras medidas.
- ❌ D) Contando experiências pessoais de trabalhadores rurais. — Este distrator confunde o uso de dados com o uso de depoimentos ou relatos pessoais. O texto não apresenta experiências individuais, mas informações sobre a distribuição das terras.
- ❌ E) Criticando diretamente os defensores da opinião contrária. — Este distrator confunde a refutação de um argumento com um ataque às pessoas que defendem esse argumento. No texto, o autor não critica os opositores; ele usa dados para responder à opinião apresentada.
Aqui o distrator mais provável é o B. Ele mostra que o aluno associa refutação a exemplos genéricos, sem ligação com o argumento de quem discorda.
Perguntas frequentes de professores
Refutação é a mesma coisa que discordar?
Não. Discordar é ter uma opinião diferente. Refutar é apresentar uma razão ou um dado que contesta um argumento específico. Um aluno pode discordar sem refutar, por exemplo, se apenas repetir a própria opinião sem tocar no argumento do colega. Em sala, peça sempre que o aluno cite o trecho que está sendo contestado.
Como saber se a turma já domina o conceito?
Uma boa forma é pedir que, num diálogo curto, os alunos marquem cada fala como apoio, complemento ou contraposição, e que justifiquem a escolha com uma citação. Se a maioria acerta a classificação e consegue apontar o trecho refutado, a base está consolidada. Se a turma confunde apoio com contraposição, volte aos pré-requisitos antes de avançar.
Qual a diferença entre refutação e contra-argumento?
Na prática escolar, os dois termos costumam ser usados de forma próxima. A refutação contesta o argumento alheio diretamente, enquanto o contra-argumento pode ser qualquer razão oposta à tese. Para o aluno do 7º ao 9º ano, vale focar no movimento central: responder ao que foi dito, e não apenas falar de outro assunto.
Por que tantos alunos erram questões em que a resposta está na última fala?
Porque a leitura costuma ser linear e o aluno para na primeira ocorrência de um tema. Em diálogos com várias participações, a refutação pode aparecer depois de outra fala que apoia a mesma tese. A dica é treinar o aluno a desenhar setas entre falas e a verificar quem responde a quem.
Esse conteúdo serve para produção de texto também?
Sim. Quando o aluno aprende a refutar na leitura, ele passa a incluir contra-argumentos em redações dissertativas, uma competência cobrada nas habilidades de argumentação. Peça que, depois de escrever sua tese, o aluno inclua uma objeção e uma resposta a ela.
Como montar uma avaliação com este conceito?
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Produção de textos jornalísticos orais, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
