Referência pronominal no texto: por que o termo mais próximo engana
O aluno nem sempre retoma a palavra mais próxima: precisa combinar concordância, sentido e contexto. Veja como diagnosticar essa leitura e planejar intervenções com questões de diferentes níveis.
Lembro bem do dia em que pedi para a turma do 6º ano ler um pequeno texto sobre uma aluna que encontrou um mapa na biblioteca. No fim da leitura, a pergunta era simples: a quem se refere o pronome “ela”? Quase metade da sala apontou para a bolsa, que estava mais perto da frase no texto. Outros disseram que era a turma, porque era o último grupo mencionado.
Eu sabia que ninguém ali era incapaz de ler. O problema estava em outro lugar: os alunos ainda não tinham aprendido a voltar no texto para procurar quem é retomado por aquela palavrinha. Quando reformulei a pergunta e perguntei quem tinha achado o mapa, a resposta veio em coro. Foi aí que percebi que o termo mais próximo engana com frequência, e que isso precisa ser ensinado de forma explícita.
O que é referência pronominal no texto, explicado para o professor
Referência pronominal é a relação entre um pronome e o termo que ele retoma ou antecipa no texto. Quando escrevemos “Maria viu o filme. Ele era emocionante”, o pronome “ele” funciona como um substituto do substantivo “filme”. Esse mecanismo, chamado anáfora quando retoma algo já dito e catáfora quando antecipa, é uma das bases da coesão referencial. Sem ele, precisaríamos repetir palavras o tempo todo e o texto ficaria pesado.
Os pronomes que mais geram dúvida são os pessoais de terceira pessoa (ele, ela, eles, elas), os demonstrativos (este, esse, aquele e suas flexões) e os pronomes oblíquos (o, a, os, as). Em todos eles, o aluno precisa identificar o referente, observando sentido, concordância de gênero e número e a lógica da frase.
No currículo, esse conteúdo aparece desde os primeiros anos. Nos anos iniciais, a habilidade de identificar a quem um pronome se refere está ligada à compreensão de textos curtos, como se vê em EF35LP08 e em EF15LP03. No 5º ano, EF35LP14 trata de relações entre partes do texto. No 6º ano, EF06LP12 aparece com a leitura de textos mais complexos. No 8º e no 9º ano, EF08LP15, EF89LP29 e EF07LP12 exigem que o aluno reconheça o referente em textos argumentativos e informativos, muitas vezes com retomadas a distância.
O conceito é de Língua Portuguesa, e aparece nas séries do 2º ao 9º ano. A cada série muda o grau de complexidade: no início, o texto é curto e o referente está quase ao lado do pronome; no fim do ensino fundamental, o referente pode estar em outro parágrafo, e o aluno precisa escolher entre candidatos parecidos.
O que o aluno precisa saber antes
Os pré-requisitos que as fichas técnicas do GeraProva indicam para este conceito são bem claros. O primeiro é a identificação de substantivos e de referentes textuais: o aluno precisa saber nomear o que existe no texto antes de conseguir ligar um pronome a ele. O segundo é o reconhecimento dos próprios pronomes, incluindo os demonstrativos, que costumam ser menos automáticos do que os pessoais.
Outro pré-requisito recorrente é a concordância de gênero e número. Em muitas questões, a resposta correta só se sustenta porque o pronome é masculino plural, feminino singular ou similar. Quando o aluno não domina essa concordância, ele tende a escolher o termo mais próximo ou o mais chamativo.
Para verificar se a turma tem essa base, uma boa estratégia é pedir que sublinhem todos os substantivos de um parágrafo curto e, depois, que marquem os pronomes e tracem uma seta para o que cada um retoma. Se a seta sai do pronome e volta para a palavra vizinha sem justificativa, o problema não é de interpretação, mas de base gramatical. Se a seta é bem traçada mas a resposta na prova ainda erra, aí o gargalo é a leitura do enunciado ou a pressa.
Os erros mais comuns (e por que acontecem)
Ao analisar as 8 questões validadas deste conceito, alguns padrões se repetem com clareza. Em 5 das 8 questões, o erro típico é escolher um termo próximo ao pronome sem verificar a concordância ou o sentido. A tendência natural do leitor iniciante é associar o pronome ao substantivo que apareceu por último, e não ao que ele realmente substitui.
Erro 1: escolher o termo mais próximo
Esse é o erro mais frequente. Na questão do 6º ano sobre Lara e o mapa, o distrator mais escolhido é a alternativa que aponta para a turma, o último grupo citado. Na questão do 3º ano sobre Ana e Bruno, a alternativa mais atraente é “a biblioteca”, que está no feminino como o pronome “Ela”. A causa é a crença de que a proximidade ou a semelhança formal bastam. Para intervir, peça que o aluno substitua o pronome pelo nome que ele acredita ser o referente e leia a frase de novo. Se o sentido quebra, a escolha estava errada.
Erro 2: ignorar a concordância de gênero e número
Na questão do 2º ano sobre a coordenadora e os exemplares, o pronome “os” é masculino plural. Muitos alunos escolhem “a coordenadora” porque é o sujeito da ação, sem perceber que a concordância aponta para “os exemplares recebidos”. Na questão do 9º ano sobre os ciclistas, o pronome “eles” é plural, mas o aluno pode puxar a chuva, que é o elemento mais recente do trecho. A intervenção aqui é treinar a concordância isoladamente, com frases curtas, antes de pedir a interpretação completa.
Erro 3: confundir ação com agente, lugar ou resultado
Nas questões do 4º ano sobre as praças e do 7º ano sobre as vans compartilhadas, o demonstrativo retoma uma ação ou um projeto, não um lugar ou um efeito. Os alunos escolhem “as praças”, “o senso de comunidade” ou “o transporte tradicional”, que são termos do texto, mas não são o que o pronome retoma. A causa é ler o texto como uma lista de palavras, e não como uma sequência de ações. A intervenção é perguntar o que a palavra “essas” ou “essa” está fazendo no período: ela nomeia uma coisa que já foi feita ou proposta?
Erro 4: não voltar ao texto
Em questões de compreensão mais simples, como a do 8º ano sobre os computadores, o erro típico é responder a partir da memória do que parece fazer sentido, sem reler a frase em que aparece a expressão “esses dispositivos”. O distrator mais escolhido aponta para os softwares, que aparecem depois. A intervenção é ensinar o hábito de voltar e localizar a expressão anterior que o pronome retoma, antes de responder.
Como ensinar passo a passo
A sequência que costuma funcionar em sala tem quatro etapas. Na primeira, apresente o conceito com um exemplo curto no quadro, como “Maria viu o filme. Ele era emocionante”, e pergunte o que “ele” substitui. Não avance antes de a turma responder com segurança.
Na segunda etapa, trabalhe com frases isoladas que tenham dois candidatos possíveis, como “Os alunos chegaram cedo, mas eles preferiram esperar”. Peça que os alunos justifiquem a escolha usando gênero e número. Esse é o momento de reforçar a dica de resolução mais recorrente: identifique o termo que combina com o pronome em gênero e número e que faz sentido na frase.
Na terceira etapa, leve textos de um parágrafo e peça que sublinhem os pronomes e tracem setas. Depois, discuta os casos em que a seta parece apontar para dois lugares. Esse é o ponto em que a turma percebe que o contexto decide, e não só a forma.
Na quarta etapa, use questões no formato de prova, com alternativas que contenham o termo mais próximo como distrator. Discuta por que cada alternativa errada é errada. Essa conversa vale mais do que a própria pontuação, porque revela exatamente qual regra o aluno não aplicou.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento
Nem toda questão serve para todo momento. Nas fichas técnicas, as questões deste conceito aparecem com papel na prova de abertura ou de progressão, e com tempo de resolução curto ou médio. As questões de abertura, com texto de uma ou duas frases e nível de leitura baixo, funcionam bem como diagnóstico rápido no início de uma unidade: em poucos minutos você descobre quem ainda não associa pronome a referente.
As questões de progressão, com textos de dois parágrafos e nível de leitura médio, servem melhor para simulados e avaliações mais longas. Elas têm poder de discriminação médio, ou seja, separam alunos que dominam o conceito dos que apenas acertam por intuição. Já as questões com poder de discriminação baixo funcionam melhor como aquecimento ou atividade de revisão, porque quase todos acertam.
Para atividades de lição de casa, as questões curtas são as mais indicadas, porque o aluno consegue resolvê-las sozinho e, se errar, você sabe exatamente qual erro cometeu. Para avaliação rápida, use duas ou três questões de abertura no início da aula e discuta os resultados na sequência.
O que ensinar antes
Antes de trabalhar referência pronominal de forma consistente, é preciso garantir alguns conceitos vizinhos. O primeiro é a coesão textual, que explica por que um texto precisa de conexões entre suas partes para fazer sentido. Sem essa noção, o aluno não percebe que o pronome está ali para ligar ideias.
O segundo é a própria coesão referencial por pronome. Vale revisar esse conteúdo com calma, porque ele amarra diretamente o que você vai ensinar. Um bom ponto de partida é o texto Coesão referencial por pronome, que aprofunda como o pronome se liga ao que retoma.
O terceiro é a compreensão de frase. Muitos erros de referência acontecem porque o aluno não entende a estrutura do período, não distingue sujeito de complemento ou não percebe que uma oração explica a outra. Reforçar essa base torna a identificação do referente bem mais estável.
Por fim, em turmas que trabalham com textos em outras línguas, a leitura de pronomes também exige atenção ao contexto. O conteúdo sobre compreensão de texto em inglês mostra como a palavra só se entende pelo contexto, o mesmo princípio que vale para o pronome em português.
Ligações com outros temas
Referência pronominal é um tema que atravessa a leitura e a escrita. Quando o aluno aprende a identificar o referente, ele também aprende a revisar os próprios textos e a evitar ambiguidades. Esse é um ganho que ultrapassa a prova.
No conjunto das questões validadas, o tema transversal mais recorrente é ciência e tecnologia, presente na questão sobre os computadores doados, e cidadania e ética, presente na questão sobre a troca de livros. Em ambos os casos, o texto serve de pretexto para discutir ações coletivas e recursos da comunidade, o que dá sentido à leitura.
A habilidade socioemocional que aparece com mais frequência é a tomada de decisão, que se manifesta na escolha de uma resposta com base em evidências do texto. Já em questões de análise mais fina, como as do 7º e do 4º ano, a habilidade trabalhada é o pensamento crítico, porque o aluno precisa justificar por que uma alternativa parece plausível e por que ela não se sustenta.
Quanto ao contexto de aplicação, a maioria das questões é de cotidiano, com situações de escola, biblioteca e comunidade. Isso facilita a leitura, porque o aluno reconhece a situação, mas também exige cuidado, já que o cenário familiar pode levar a respostas intuitivas e erradas.
8 questões comentadas sobre Referência pronominal no texto
A seguir estão as 8 questões validadas do conceito, com o gabarito, a explicação de cada alternativa e o que o erro revela sobre o aluno. Use-as como ponto de partida para suas próprias aulas.
Questão 1 — 8º ano: identificar o referente de “esses dispositivos”
Na manhã de sábado, alunos de informática reuniram-se na sala multimídia da escola para conhecer os novos computadores doados pela comunidade local. Os computadores chegaram em caixas lacradas, acompanhados de manuais de instalação. Durante a apresentação, o professor explicou o uso das máquinas e detalhou as funções de cada componente. Em seguida, os estudantes testaram esses dispositivos sob supervisão e exploraram os diferentes softwares disponíveis. Ao final, todos manifestaram entusiasmo pelas possibilidades que o equipamento oferecia para as aulas práticas e os projetos de tecnologia.
Analise o texto-base e identifique o referente comum de “esses dispositivos”.
- ✅ A) As máquinas recebidas pela escola — “Esses dispositivos” retoma os computadores que os estudantes testaram sob supervisão.
- ❌ B) Manuais de instalação fornecidos com as caixas — Os manuais acompanham os computadores, mas o texto não diz que os estudantes os testaram como dispositivos.
- ❌ C) Estudantes designados para testes práticos — Os estudantes são as pessoas que testam os dispositivos; não são aquilo a que a expressão se refere.
- ❌ D) Softwares de educação instalados nos sistemas — O texto menciona os softwares depois de dizer que os estudantes testaram os dispositivos; eles são programas explorados, não os dispositivos testados.
- ❌ E) Caixas lacradas que guardavam os equipamentos — As caixas aparecem como embalagens dos computadores. O texto não diz que os estudantes testaram as caixas.
O distrator mais escolhido nesta questão é o D, porque os softwares aparecem logo depois do verbo testar. O aluno que escolhe o D está puxando o termo mais recente, sem reconstruir a relação de sentido. Ele precisa voltar à frase e perguntar o que foi testado.
Questão 2 — 9º ano: a quem se refere o pronome “eles”
Os ciclistas chegaram cedo, mas eles preferiram esperar a chuva passar.
No trecho, a que elemento do texto o pronome “eles” se refere?
- ❌ A) À decisão de esperar a chuva passar. — A decisão é uma ação atribuída aos ciclistas; não é o referente do pronome, que indica quem tomou essa decisão.
- ❌ B) À chuva que os ciclistas esperam passar. — A chuva aparece no trecho, mas não é o referente de “eles”; é aquilo que os ciclistas aguardam que passe.
- ❌ C) Ao fato de a chuva passar depois da chegada. — O trecho não afirma que a chuva passou; diz que os ciclistas preferiram esperar que isso acontecesse.
- ✅ D) Ao grupo de ciclistas que chegou cedo. — O pronome “eles” retoma “os ciclistas”, que é o grupo mencionado antes na frase.
- ❌ E) Ao momento em que os ciclistas chegaram cedo. — A chegada cedo informa quando os ciclistas chegaram, mas não nomeia o grupo retomado pelo pronome.
Aqui o distrator mais escolhido é o B, a chuva. O aluno associa o pronome ao elemento mais próximo na oração de finalidade, sem verificar a concordância de número com o grupo de ciclistas. É um erro típico de quem lê a frase fatiada.
Questão 3 — 6º ano: a quem se refere o pronome “ela”
Na biblioteca da escola, Lara encontrou um mapa dentro de uma bolsa. Ao sair, ela avisou a turma sobre o achado.
Com base no texto, a quem o pronome “ela” se refere?
- ❌ A) Ao grupo que recebeu o aviso. — Essa resposta troca quem avisou por quem recebeu o aviso: a turma foi avisada, mas não é o referente do pronome.
- ✅ B) À estudante que encontrou o mapa. — O pronome “ela” retoma Lara, a estudante que encontrou o mapa. É ela quem avisa a turma ao sair da biblioteca.
- ❌ C) Ao recipiente em que estava o mapa. — Essa resposta confunde o pronome com a bolsa. A bolsa aparece como o lugar onde o mapa estava, não como quem avisou a turma.
- ❌ D) Ao lugar de onde ela saiu. — Essa resposta confunde o pronome com a biblioteca. O texto diz que Lara saiu desse lugar; a biblioteca não é quem avisou a turma.
- ❌ E) Ao objeto que estava dentro da bolsa. — Essa resposta confunde o pronome com o mapa, que é mencionado no texto, mas não pode ser quem avisou a turma.
O distrator mais escolhido é o A, a turma. Ele revela que o aluno está lendo a última informação como sujeito da ação seguinte. Nas minhas turmas, foi exatamente esse o erro que apareceu com mais força.
Questão 4 — 3º ano: a quem se refere o pronome “Ela”
Durante uma campanha de leitura em uma escola pública, Ana encontrou Bruno na biblioteca. Ela devolveu o livro que havia emprestado e registrou a devolução no sistema da escola.
Com base no texto, a quem o pronome pessoal “Ela” se refere?
- ❌ A) a biblioteca. — Este distrator decorre do erro de considerar o lugar mencionado no texto como o referente do pronome pessoal, embora “biblioteca” seja um substantivo feminino, não uma pessoa.
- ❌ B) o livro. — Este distrator decorre do erro de relacionar o pronome ao objeto envolvido na ação de devolver, desconsiderando que “livro” é masculino e singular.
- ❌ C) Bruno. — Este distrator decorre do erro de associar o pronome ao personagem mencionado imediatamente antes de “Ela”, sem considerar a concordância de gênero.
- ✅ D) Ana. — O pronome pessoal “Ela” está no feminino e no singular, concordando com “Ana”. Além disso, é Ana quem realiza a ação de devolver o livro, conforme a sequência de informações do texto.
- ❌ E) a escola. — Este distrator decorre do erro de escolher a instituição mencionada no texto como referente, ignorando que o pronome pessoal indica uma pessoa que pratica a ação.
O distrator mais provável é o A, a biblioteca, porque é um substantivo feminino próximo. O aluno que escolhe esse termo está usando a concordância de gênero de forma parcial, sem checar se o referente é uma pessoa.
Questão 5 — 2º ano: a que expressão se refere o pronome “os”
Durante uma campanha de arrecadação, a escola organizou uma feira de troca de livros. Depois da atividade, a coordenadora registrou os exemplares recebidos e os encaminhou à biblioteca comunitária. A iniciativa ampliou o acesso dos moradores a diferentes obras.
Com base no texto, a que expressão anterior se refere o pronome “os” empregado em “os encaminhou”?
- ❌ A) A biblioteca comunitária. — Esse termo indica o destino do encaminhamento e está no feminino e no singular; não é o elemento retomado por “os”.
- ❌ B) A escola. — Esse termo aparece como responsável pela organização da feira, mas está no feminino e no singular, enquanto “os” está no masculino e no plural.
- ✅ C) Os exemplares recebidos. — O pronome “os” é masculino e plural, assim como “os exemplares recebidos”. Além disso, são esses exemplares que podem ser encaminhados à biblioteca comunitária, o que confirma a relação de retomada no contexto.
- ❌ D) Uma feira de troca de livros. — Esse termo nomeia a atividade organizada pela escola e está no feminino e no singular, portanto não apresenta concordância com “os”.
- ❌ E) A coordenadora. — Esse termo designa quem realizou a ação, mas está no feminino e no singular; por isso, não concorda com o pronome “os”.
O distrator mais escolhido é o E, a coordenadora, porque é o sujeito imediato do verbo. Ele mostra que o aluno tomou o sujeito da oração como referente, sem checar a concordância do pronome objeto.
Questão 6 — 5º ano: a que se refere a palavra “Ele”
Leia a frase a seguir: “Maria viu o filme e gostou muito. Ele era emocionante!” O que a palavra “Ele” refere-se nessa frase?
- ❌ A) Refere-se a Maria. — A palavra “Ele” não se refere a Maria, mas sim ao filme que foi mencionado anteriormente.
- ✅ B) Refere-se ao filme. — A palavra “Ele” é um pronome que faz referência ao substantivo “filme”, estabelecendo uma relação anafórica e contribuindo para a coesão do texto.
- ❌ C) Refere-se a uma ação. — A palavra “Ele” não se refere a uma ação, mas sim a um substantivo específico, que neste caso é o filme.
- ❌ D) Refere-se a um sentimento. — A palavra “Ele” não pode referir-se a um sentimento, pois se trata de um pronome que substitui um substantivo, que neste caso é o filme.
- ❌ E) Refere-se a uma pessoa. — A palavra “Ele” não se refere a uma pessoa, mas sim ao filme mencionado na frase anterior.
O distrator mais escolhido é o A, Maria, porque é o sujeito da primeira oração e o termo mais óbvio para o aluno. A questão é simples, mas mostra bem como o sujeito da frase anterior atrai o pronome.
Questão 7 — 7º ano: a que termo retoma o pronome “essa”
Por que certos bairros enfrentam problemas de deslocamento mesmo estando a poucos quilômetros do centro da cidade? Em um desses bairros, estudantes de uma escola técnica formaram um grupo para criar rotas de vans compartilhadas, desenhadas para atender moradores nos horários de pico e nos fins de semana. No primeiro mês, eles realizaram pesquisas de itinerários e divulgaram horários em murais comunitários. No segundo mês, essa iniciativa foi estendida a outras regiões próximas e passou a incluir voluntários de universidades vizinhas.
Analise o texto-base e identifique a que termo do primeiro parágrafo o pronome “essa” retoma no segundo parágrafo.
- ❌ A) A falta de condução durante os fins de semana — Esse termo descreve um problema, mas “essa” retoma a ação de oferecer rotas, não a carência de transporte.
- ❌ B) A cooperação entre moradores e estudantes — Embora haja colaboração, o pronome retoma especificamente o projeto de rotas, não a cooperação em geral.
- ❌ C) A instalação de novos pontos de ônibus — Não houve menção a pontos de ônibus, mas sim a rotas de vans compartilhadas.
- ✅ D) O projeto de rotas alternativas de vans — “Essa iniciativa” retoma o projeto de rotas de vans compartilhadas criado pelos estudantes no primeiro parágrafo.
- ❌ E) O transporte coletivo tradicional do bairro — Refere-se a algo já existente, mas o pronome retoma a ação dos estudantes, não o transporte existente.
O distrator mais escolhido é o B, a cooperação entre moradores e estudantes, porque é um termo abstrato que soa como a ideia central do texto. O aluno confunde tema geral com o objeto específico retomado pelo pronome.
Questão 8 — 4º ano: a que termo se refere o pronome “essas”
Por que tantas praças perdem a vitalidade sem que ninguém perceba? Moradores organizam mutirões de limpeza aos finais de semana para revitalizar esses espaços públicos. Durante as ações, grupos coletam lixo, podam ervas daninhas e plantam flores nos canteiros. Essas atividades reúnem crianças e idosos, promovendo troca de experiências e senso de comunidade.
Analise o texto-base e identifique a que termo o pronome “essas” se refere no trecho “Essas atividades reúnem crianças e idosos” — qual é seu referente?
- ❌ A) As praças que perderam vitalidade — Refere-se a “essas”, não a “praças”; erro em confundir local com ação.
- ✅ B) As ações de coletar lixo, podar ervas e plantar flores — O pronome “essas” retoma o conjunto de ações descritas como “atividades” (coleta, poda e plantio).
- ❌ C) Os moradores que organizam mutirões — “Essas” retoma “atividades”, não “moradores”; confunde agente com ação.
- ❌ D) Os mutirões de limpeza nos finais de semana — Embora ligados, “essas” menciona “atividades”, não “mutirões”; diferenciação sutil.
- ❌ E) O senso de comunidade entre participantes — “Essas” retoma “atividades”, não o resultado delas; confunde ação com efeito.
O distrator mais escolhido é o A, as praças, porque é o termo mais próximo da pergunta inicial do texto. O aluno que escolhe o A confunde o espaço com as ações que acontecem nele.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre anáfora e catáfora?
Anáfora é quando o pronome retoma algo já mencionado no texto, como em “Maria viu o filme. Ele era emocionante”. Catáfora é quando o pronome antecipa algo que vem depois, como em “Ele chegou tarde, o diretor”. Na maioria das questões de sala, a anáfora é o caso mais frequente, e é por ela que devemos começar.
Como saber se um aluno tem base para o conceito?
Peça que ele sublinhe os substantivos de um parágrafo curto e depois marque os pronomes, traçando uma seta para o que cada um retoma. Se as setas saem do pronome e voltam para a palavra vizinha sem justificativa, o problema é de base gramatical. Se a seta está correta e a prova ainda erra, o gargalo pode ser a leitura do enunciado.
Por que os alunos escolhem sempre o termo mais próximo?
Porque ler de forma linear é mais rápido e, na maior parte dos textos curtos, o termo mais próximo funciona. O problema aparece quando o texto tem dois candidatos parecidos ou quando o referente está a uma ou duas frases de distância. Ensinar o hábito de voltar ao texto é a intervenção mais eficaz.
Quais questões usar para diagnóstico no início da unidade?
As questões de abertura, com texto de uma ou duas frases e nível de leitura baixo, são ideais. Elas têm tempo de resolução curto e permitem identificar rapidamente quem ainda não associa pronome ao referente. Use duas ou três e discuta os resultados na aula seguinte.
Essa habilidade cai em avaliações de matemática ou ciências?
Não diretamente, mas a leitura de enunciados depende dela. Um aluno que não identifica o referente de um pronome em um problema pode interpretar mal a pergunta. Por isso, vale trabalhar referência pronominal também como base para a leitura de qualquer disciplina.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Construção do sistema alfabético/ Estabelecimento de relações anafóricas na referenciação e construção da coesão, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
