Microensino em Ciências: ensaios com feedback podem chegar à sala de aula
Estudos recentes investigam como ensaios de microensino ajudam futuros professores de Ciências a praticar habilidades e refletir sobre a aula. A pesquisa também aponta desafios ligados à participação, à equidade e ao uso do feedback.
Microensino é uma prática de formação em que o professor ensaia uma aula ou habilidade de ensino em uma situação delimitada e recebe feedback para refletir e ajustar sua atuação. Em Ciências, os estudos recentes investigam ensaios entre pares, simulações e análise de vídeos, com foco em habilidades como conduzir discussões e perceber as ideias dos estudantes. Os resultados indicam que algumas habilidades praticadas podem ser usadas depois em sala de aula.
O microensino em Ciências está ganhando novas formas de ensaio: além de ensinar para colegas, futuros professores podem praticar com simulações virtuais, analisar vídeos e receber feedback sobre movimentos específicos da aula. Estudos recentes investigam se essas práticas ajudam a transformar o que se aprende na formação em ações que aparecem depois diante de estudantes de verdade.
Para quem ensina, a pergunta é prática: como treinar uma explicação, uma pergunta ou uma conversa científica sem esperar que tudo dê certo na primeira aula? A pesquisa oferece pistas sobre ciclos curtos de prática e reflexão, mas também mostra que o formato do ensaio importa: quem participa, quais aspectos são observados e como o feedback é organizado podem influenciar o que o futuro professor percebe e leva para a sala.
O que é microensino em Ciências e por que importa para o professor?
Microensino é uma situação de prática docente em escala reduzida: em vez de conduzir uma sequência longa de aulas, o professor em formação prepara e realiza um episódio de ensino, que pode ser observado, discutido e aprimorado. Em Ciências, esse episódio pode envolver explicar uma ideia, propor uma investigação, orientar uma conversa entre estudantes ou interpretar respostas da turma. O valor está em tornar uma parte do trabalho docente visível o bastante para ser examinada e praticada.
Isso importa porque ensinar Ciências não é apenas apresentar conceitos corretos. Também envolve escutar ideias, conduzir perguntas, apoiar a participação e decidir como responder ao que os estudantes dizem ou fazem. O microensino oferece um espaço para ensaiar essas ações antes, ou junto, da experiência de estágio. Os estudos aqui reunidos mostram diferentes versões desse espaço: ensinar a colegas, praticar com avatares, gravar aulas curtas e refletir sobre experiências de formação.
O ciclo pode ser simples: escolher um objetivo observável, preparar um trecho de aula, ensiná-lo, receber comentários e planejar uma nova tentativa. Isso não significa que todo microensino precise ser curto ou seguir um protocolo único. Os estudos analisam formatos variados, e alguns investigam experiências iniciais de ensino sem comparar ciclos sucessivos. O ponto comum é tratar a prática como algo que pode ser observado e pensado, e não como uma apresentação que termina quando a aula acaba.
O que a pesquisa recente mostra sobre microensino em Ciências?
Os estudos apontam que ensaiar pode ajudar futuros professores a mobilizar habilidades específicas, mas não sustentam uma fórmula única. Há resultados sobre transferência de movimentos discursivos para o estágio, reflexões sobre o que significa começar a ensinar Ciências e investigações sobre como práticas, padrões e formatos de análise influenciam a aprendizagem profissional.
Ensaios que praticam a conversa científica
Uma dificuldade central do ensino de Ciências é conduzir conversas em que estudantes compartilham ideias, observações e descobertas. Lee e colegas compararam ensaios tradicionais entre pares com ensaios em simulação virtual para candidatos à docência nos anos iniciais. Em ambos os contextos, os participantes aumentaram o uso de vários movimentos discursivos entre os ensaios. O estudo, portanto, não apresenta o ensaio virtual como substituto obrigatório do ensaio entre colegas; os dois contextos ofereceram prática em que os movimentos observados cresceram (Lee, 2024).
O resultado que se destaca é a comparação com o grupo de controle: o grupo que participou dos ensaios com simulação virtual abordou com mais frequência as ideias e a compreensão dos estudantes, tanto nos ensaios quanto em sala de aula durante o estágio. Os autores interpretam isso como sinal de que os candidatos conseguiram praticar habilidades específicas com avatares e transferir algumas delas para o estágio. Para a formação, a implicação é relevante: uma habilidade ensaiada pode aparecer fora do espaço de prática, embora o resumo não permita concluir que toda habilidade ou todo formato terá a mesma transferência.
O feedback do instrutor fazia parte dos episódios deliberados de ensino descritos no estudo. Isso ajuda a pensar o ensaio não como repetição automática, mas como prática focada em uma ação: por exemplo, pedir que estudantes expliquem como chegaram a uma conclusão. A pesquisa investigou candidatos à docência nos anos iniciais; não oferece uma comparação direta de resultados para professores já experientes ou para todas as etapas escolares.
As primeiras experiências de ensino também colocam crenças em movimento
O microensino pode ser uma transição exigente entre estudar conhecimentos sobre ensinar e ocupar, ainda que por pouco tempo, o papel de quem conduz uma aula. Em um estudo fenomenológico com 22 estudantes de Pedagogia, Subramaniam investigou primeiras experiências de ensino de um tema de Ciências Físicas em atividades de microensino de 30 minutos. A análise identificou três temas: encontrar espaço para o ensino centrado no professor, repensar o papel do engajamento e da participação nas práticas científicas e buscar um meio-termo para o ensino de Ciências (Subramaniam, 2023).
Essa combinação revela uma tensão que pode aparecer na formação: conhecer discursos pedagógicos não garante que seja simples mobilizá-los ao ensinar pela primeira vez. Os autores apontam a importância de formadores ajudarem os futuros professores a mediar e internalizar os discursos que surgem dessas experiências. Em termos práticos, a reflexão depois do ensaio pode perguntar não apenas “o conteúdo foi explicado?”, mas também “quem teve espaço para pensar e participar?” e “que papel o professor assumiu durante a atividade?”.
Em outro estudo, Subramaniam acompanhou as primeiras experiências de microensino de cinco futuros professores de grupos minorizados. Vídeos e narrativas escritas mostraram que experiências anteriores de exclusão de atividades de Ciências marcaram a maneira como esses participantes encararam o ensino. Eles criaram estratégias para enfrentar essas vivências, desafiar rotinas e usar recursos didáticos de maneiras que cultivassem pertencimento. O estudo sugere que a formação precisa levar a sério as experiências que futuros professores trazem consigo, inclusive quando elas contradizem a ideia de que a aula tradicional já oferece participação equitativa (Subramaniam, 2024).
Os dois estudos não são uma avaliação de qual modelo de microensino produz melhores resultados. Eles iluminam a experiência de começar a ensinar: um enfatiza dilemas pedagógicos vividos por estudantes de Pedagogia; o outro chama atenção para desigualdades e pertencimento nas trajetórias de futuros professores minorizados. Em conjunto, convidam formadores a tratar a reflexão como parte do ensaio, e não como comentário genérico ao final.
Planejar práticas científicas exige observar o que realmente aparece na aula
Menon, Cheng e Ngugi investigaram como 27 futuros professores de Ciências e Matemática do ensino secundário compreendiam e mobilizavam práticas baseadas nos Next Generation Science Standards (NGSS), em uma disciplina de metodologias STEM. A análise incluiu vídeos de microensino, reflexões, entrevistas, grupos focais e planos de aula. Entre as práticas de Ciência e Engenharia observadas, elaborar perguntas foi a menos frequente. A maioria dos participantes relatou compreender melhor o referencial dos NGSS ao final do semestre e considerá-lo útil para planejar aulas de Ciências (Menon, 2024).
O achado sobre elaborar perguntas mostra por que um plano de aula não basta para saber o que aconteceu na prática. Uma pessoa pode compreender um referencial e ainda mobilizar algumas de suas práticas com menos frequência que outras. Rever um trecho de microensino com foco em uma ação — por exemplo, em que momento os estudantes formulam perguntas — pode tornar essa diferença observável. Essa é uma aplicação possível do resultado, não uma intervenção testada pelo estudo.
O estudo se organiza em torno dos NGSS, um referencial identificado no resumo como parte de reformas de ensino de Ciências. Não é adequado tratar esses padrões como uma política brasileira. O que pode ser aproveitado aqui é a pergunta formativa: quais práticas científicas o professor pretende que apareçam, e quais são efetivamente ouvidas e vistas no episódio de aula?
O enquadramento da reflexão muda o que os futuros professores percebem
Analisar vídeos também pode ser uma forma de aprender a notar os recursos que estudantes mobilizam. Pierson e colegas compararam dois casos de grupos de licenciandos em disciplinas de metodologia de Ciências nos anos iniciais, em duas universidades dos Estados Unidos. Um grupo discutiu vídeos com perguntas abertas conduzidas por um facilitador; o outro usou um protocolo com frases orientadoras e foi conduzido pelos próprios licenciandos. Nos dois casos, os participantes voltaram a atenção para os recursos dos estudantes (Pierson, 2026).
As diferenças ajudam a evitar a ideia de que basta “assistir ao vídeo” para todos observarem a mesma coisa. Na discussão orientada pelo facilitador, os licenciandos focalizaram mais frequentemente pontos fortes não canônicos, como conhecimentos culturais, e aspectos do ensino. Ao mesmo tempo, a presença do facilitador limitou oportunidades de participação. No caso orientado pelo protocolo, os participantes tiveram mais oportunidades de falar sem a presença de facilitador e observaram com mais frequência recursos canônicos, como compreensão de força e movimento, além de pontos fortes não canônicos, como recursos interacionais.
Os autores tratam esses resultados como implicações para apoiar um ensino de Ciências equitativo. Para a formação, a escolha entre perguntas abertas e protocolo não é simplesmente uma disputa entre um formato bom e outro ruim: cada enquadramento direcionou a atenção de maneiras distintas. O estudo comparou dois casos contrastantes, em anos diferentes, e não permite transformar a diferença em uma regra universal sobre qualquer grupo ou curso.
Quais estudos foram comparados e o que cada um relata?
A tabela reúne os cinco estudos citados e explicita o foco de cada um. Os contextos indicados reproduzem as informações disponíveis nos resumos; quando o país ou a etapa não são especificados, isso não é preenchido por suposição.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Lee (2024) | Ensaios entre pares versus simulação virtual para praticar discurso científico. | Ambos os grupos ampliaram movimentos discursivos; o grupo de simulação abordou mais as ideias e a compreensão dos estudantes nos ensaios e no estágio, em comparação com o controle. | Candidatos à docência nos anos iniciais; país não informado no resumo. |
| Subramaniam (2023) | Primeiras experiências de ensino de Ciências de 22 estudantes de Pedagogia em microensino. | Identificou tensões entre ensino centrado no professor, participação em práticas científicas e busca de um meio-termo. | Formação inicial; local não informado no resumo; atividade de 30 minutos. |
| Subramaniam (2024) | Experiências iniciais de microensino de cinco futuros professores pertencentes a grupos minorizados. | Experiências anteriores de exclusão marcaram o ensino; os participantes criaram estratégias para desafiar rotinas e cultivar pertencimento. | Formação inicial em metodologia de Ciências; país e etapa escolar não informados no resumo. |
| Menon (2024) | Compreensão e mobilização de práticas dos NGSS durante microensino. | Elaborar perguntas foi a prática menos observada; a maioria relatou compreender melhor e valorizar o referencial para planejar. | 27 futuros professores de Ciências e Matemática do ensino secundário; referencial NGSS; país não informado no resumo. |
| Pierson (2026) | Perguntas abertas versus protocolo na análise de vídeos sobre recursos dos estudantes. | Ambos os formatos direcionaram a atenção aos recursos; diferiram nos tipos de recursos mais notados e nas oportunidades de participação. | Duas universidades dos Estados Unidos, em cursos de metodologia para os anos iniciais. |
O que os estudos têm em comum e onde divergem?
Os estudos convergem na ideia de que as habilidades docentes podem ser observadas em ações concretas: conduzir uma conversa, abrir espaço à participação, mobilizar práticas científicas ou interpretar o que estudantes trazem para a aula. O microensino e a análise de vídeos tornam essas ações mais disponíveis para a reflexão. Em vez de avaliar apenas uma impressão geral de “boa aula”, a formação pode focalizar movimentos específicos e discutir como eles se relacionam com o objetivo de aprendizagem.
Também aparece uma preocupação com a passagem entre intenção e prática. Em Lee, algumas habilidades praticadas foram observadas depois no estágio. Em Menon, a compreensão relatada de um referencial coexistiu com uma prática — elaborar perguntas — menos observada que as demais. Subramaniam mostra que os futuros professores negociam concepções e experiências anteriores ao começar a ensinar. Não são resultados incompatíveis: compreender, realizar e sustentar uma prática são aspectos diferentes da formação.
As divergências estão nos formatos e nas perguntas de pesquisa. Lee compara modalidades de ensaio e acompanha movimentos discursivos; Menon examina práticas vinculadas a um referencial; Pierson compara enquadramentos para olhar vídeos; Subramaniam explora experiências e significados. Por isso, não cabe ranquear as modalidades como se todas tivessem sido comparadas diretamente. Também permanecem abertas questões sobre quais habilidades se mantêm ao longo do tempo, que frequência de ensaio é necessária e como adaptar feedback e protocolos a diferentes etapas e condições de trabalho.
Como aplicar essas ideias na sala de aula ou na formação?
Os estudos não testam um roteiro único para professores brasileiros em exercício. As sugestões abaixo são aplicações possíveis inspiradas nos achados, não resultados atribuídos diretamente às pesquisas. Podem ser ajustadas a uma reunião pedagógica, uma parceria entre colegas ou ao planejamento individual, desde que o foco permaneça em uma ação observável e em uma próxima tentativa.
1. Escolha um movimento de ensino para cada ensaio
Aplicação sugerida: em vez de pedir que um colega avalie “a aula toda”, combine antes um foco: fazer perguntas que ajudem estudantes a explicar suas ideias, retomar uma observação ou convidar mais de uma pessoa a participar. Imagine um ensaio sobre mudanças de estado da água em que o objetivo de observação seja notar se a pergunta do professor abre espaço para explicações, e não apenas para respostas de uma palavra. Um foco estreito torna o feedback mais acionável.
2. Divida a sequência em trechos que caibam na rotina
Aplicação sugerida: escolha um episódio de poucos minutos — uma provocação inicial, a orientação de uma investigação ou a discussão de resultados — e ensaie essa parte antes de colocá-la em uma sequência maior. Por exemplo, um grupo de professores pode praticar como apresentar uma observação de germinação e ouvir as hipóteses da turma. A ideia de reduzir o escopo facilita a observação; não significa que os estudos tenham definido uma duração ideal para todos.
3. Use feedback descritivo antes de sugerir mudanças
Aplicação sugerida: peça ao observador que descreva o que ouviu e viu, relacionando a ação ao foco combinado: “Depois da pergunta, três respostas foram retomadas” é mais útil para planejar do que “foi bom”. Em seguida, conversem sobre uma mudança possível na próxima tentativa. O estudo de Lee inclui feedback do instrutor nos ensaios, mas não estabelece uma frase ou protocolo de feedback como superior; a proposta aqui é uma forma simples de tornar a devolutiva específica.
4. Observe quem consegue participar da conversa científica
Aplicação sugerida: durante a revisão de um vídeo ou ensaio, conte mentalmente quantas ideias diferentes foram acolhidas, quais respostas receberam continuidade e quais ficaram sem exploração. Imagine uma conversa sobre forças em que um estudante relaciona o tema a um objeto do cotidiano: a reflexão pode investigar se esse recurso foi reconhecido e conectado ao conceito. A atenção a participação e pertencimento dialoga com os estudos de Subramaniam e Pierson, sem presumir que uma única estratégia resolva desigualdades.
5. Compare o plano com o que efetivamente aconteceu
Aplicação sugerida: escolha uma prática que você planejou para a aula — por exemplo, convidar estudantes a formular perguntas — e reveja um trecho para verificar se ela apareceu. O trabalho de Menon alerta, no contexto estudado, que algumas práticas podem ser menos observadas que outras. Pense numa aula sobre sombras: o plano pode prever perguntas dos estudantes, mas a gravação hipotética ajudaria a perceber se houve tempo para elaborá-las ou se a explicação do professor ocupou todo o espaço.
6. Experimente diferentes formas de orientar a análise
Aplicação sugerida: em uma conversa entre colegas, teste primeiro perguntas abertas (“O que os estudantes estão usando para pensar?”) e, em outro momento, um protocolo curto que convide a identificar ideias científicas, conhecimentos cotidianos e interações. Compare quais aspectos ficam mais visíveis e quem participa mais. Pierson e colegas mostram que diferentes enquadramentos podem direcionar a atenção de formas distintas. A experiência local pode ajudar o grupo a decidir qual formato se ajusta ao objetivo e ao tempo disponível.
7. Faça uma segunda tentativa, mesmo que seja apenas mental
Aplicação sugerida: depois de receber feedback, reformule uma pergunta ou uma transição e ensaie novamente. Se não houver tempo para repetir a aula, descreva como você tentaria conduzi-la na próxima ocasião. Por exemplo, após notar que estudantes ouviram uma conclusão pronta sobre materiais, planeje uma pergunta que os convide a comparar evidências. O valor está em transformar a reflexão em uma decisão de prática, não em acumular comentários sem consequência.
O que muda quando levamos esses estudos para o contexto brasileiro?
Os resultados vêm de contextos de formação diversos, e alguns resumos não informam o país. O estudo de Pierson foi realizado em duas universidades dos Estados Unidos; Menon investigou práticas associadas aos NGSS. Esses referenciais e estruturas não devem ser apresentados como regras brasileiras. A contribuição possível está nas perguntas sobre formação: como tornar observáveis as práticas desejadas, como ampliar a participação e como apoiar futuros professores a interpretar ideias dos estudantes.
Na escola brasileira, a aplicação precisa considerar as condições concretas: disponibilidade de tempo para planejar com colegas, acesso a gravação ou simulação, tamanho das turmas e oportunidades de formação. Não é necessário ter uma plataforma virtual para fazer um ensaio. Uma explicação curta apresentada a um colega, seguida de observação focada e conversa respeitosa, pode ser uma adaptação viável. Essa é uma sugestão de aplicação, não uma conclusão testada nos estudos como solução para a realidade brasileira.
Também vale evitar a transferência automática de práticas ou padrões estrangeiros. Em vez de copiar nomes de referenciais, o professor pode selecionar uma intenção pedagógica adequada ao seu planejamento e observar se ela aparece: estudantes explicam, comparam evidências, fazem perguntas ou conectam ideias. Para tratar equidade com seriedade, a revisão deve considerar quais conhecimentos e formas de expressão a aula reconhece, sem reduzir a participação a falar mais ou responder no formato esperado pelo adulto.
Quais são os limites desta leitura sobre microensino?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes, não na leitura integral dos trabalhos. Os resumos permitem apresentar os objetivos e os resultados neles relatados, mas não oferecem todos os detalhes necessários para comparar instrumentos, critérios de análise, características completas dos participantes ou duração dos efeitos. Também há diferenças importantes entre os desenhos: estudos qualitativos sobre experiências não respondem à mesma pergunta que comparações entre grupos ou análises de vídeos.
Ficam em aberto questões úteis para quem deseja aprofundar o tema: quais formas de feedback ajudam mais cada habilidade; quanto tempo e quantas tentativas são necessários; que condições favorecem a transferência para a sala real; e como adaptar ensaios a escolas com diferentes recursos e rotinas. Para decidir uma intervenção de formação, avaliar um programa ou fundamentar uma pesquisa, faz sentido ler os estudos completos, especialmente os que mais se aproximam da etapa escolar, do objetivo e das condições do seu contexto.
Como o GeraProva ajuda com microensino em Ciências?
O GeraProva pode apoiar a preparação de questões e avaliações relacionadas ao conteúdo de Ciências que você está planejando ensinar; isso não substitui o ensaio da aula nem o feedback sobre a condução de conversas. Você pode explorar o gerador de provas do GeraProva para criar materiais e fazer seu cadastro grátis para conhecer a plataforma.
Perguntas frequentes sobre microensino em Ciências
Microensino é dar uma aula curta para colegas?
Ensinar para colegas é uma forma tradicional de microensino, mas os estudos recentes também analisam simulações virtuais, vídeos e reflexão sobre episódios de ensino. Em Lee (2024), candidatos praticaram habilidades discursivas entre pares ou com avatares e receberam feedback do instrutor. Outros trabalhos investigaram primeiras experiências de ensino em atividades de 30 minutos ou vídeos de microensino. Assim, a duração curta pode fazer parte do formato, mas o elemento central é praticar uma ação de ensino de modo observável e refletir sobre ela.
O microensino funciona para professores que já estão em sala?
Os estudos apresentados se concentram principalmente em formação inicial, candidatos à docência e licenciandos. Portanto, eles não demonstram diretamente que os mesmos resultados ocorram com todos os professores em exercício. Ainda assim, uma aplicação possível é adaptar a lógica do ensaio a uma equipe docente: escolher uma habilidade, apresentar um trecho de aula a colegas, receber observações específicas e planejar uma nova tentativa. Isso deve ser entendido como uma sugestão de uso, não como efeito comprovado para professores experientes.
É melhor ensaiar com colegas ou usar simulação virtual?
O estudo de Lee comparou ensaios entre pares com ensaios em simulação virtual. Os participantes de ambos os contextos aumentaram o uso de vários movimentos discursivos. O grupo da simulação, em comparação com o controle, abordou mais frequentemente as ideias e a compreensão dos estudantes nos ensaios e no estágio. Isso não prova que a simulação seja sempre superior a colegas: o estudo não estabelece uma regra universal para todos os objetivos e condições. A escolha pode considerar a habilidade a praticar e os recursos disponíveis.
Que tipo de feedback é mais útil depois do ensaio?
Os resumos não comparam diferentes modelos de feedback para determinar qual é o melhor. No estudo de Lee, os ensaios incluíram feedback do instrutor, mas não é descrito um formato como vencedor. Uma aplicação prudente é alinhar a devolutiva ao foco escolhido antes da prática: registrar o que foi observado, como as respostas dos estudantes foram retomadas e qual mudança pode ser testada em seguida. Essa recomendação é uma proposta prática inspirada no uso de ensaios deliberados, não um resultado específico dos estudos.
Como usar vídeos sem transformar a análise em julgamento?
O estudo de Pierson mostra que o enquadramento da conversa influencia o que licenciandos percebem nos vídeos. Perguntas abertas e protocolos direcionaram a atenção a recursos diferentes, e também criaram oportunidades distintas de participação. Uma forma de aplicar essa ideia é combinar um propósito de observação e perguntas que ajudem o grupo a descrever recursos dos estudantes antes de avaliar a atuação do professor. Isso é uma adaptação possível: o estudo foi realizado em cursos universitários nos Estados Unidos e não prescreve um procedimento único para escolas brasileiras.
O que observar em um primeiro microensino de Ciências?
É mais manejável escolher um foco do que tentar julgar tudo ao mesmo tempo. Os estudos destacam ações como conduzir movimentos discursivos, mobilizar práticas científicas, perceber recursos dos estudantes e pensar sobre participação e pertencimento. Pode-se, por exemplo, observar se o professor dá espaço para estudantes explicarem uma ideia ou formularem perguntas. Subramaniam também mostra que primeiras experiências podem trazer tensões entre ensino centrado no professor e participação. A observação deve apoiar reflexão e nova tentativa, não funcionar como rótulo definitivo sobre a capacidade docente.
Referências
- Lee, Tammy D.; Lee, Carrie; Newton, Mark; Vos, Paul; Gallagher, Jennifer; Dickerson, Daniel; Regenthal, Camryn (2024). Ensaios entre pares versus ensaios em simulação virtual: exploração das habilidades de discurso científico de candidatos à docência nos anos iniciais do ensino fundamental (Peer to Peer vs. Virtual Rehearsal Simulation Rehearsal Contexts: Elementary Teacher Candidates' Scientific Discourse Skills Explored). Journal of Science Teacher Education. Link.
- Subramaniam, Karthigeyan (2023). Um estudo fenomenológico das primeiras experiências de ensino de Ciências de futuros professores (A Phenomenological Study of Prospective Teachers' First-Time Science Teaching Experiences). Teaching Education. Link.
- Subramaniam, Karthigeyan (2024). Perspectivas de travessia de fronteiras nas primeiras experiências de microensino de Ciências de futuros professores (Border Crossing Perspectives of Prospective Teachers' First-Time Science Microteaching Experiences). Journal of Education for Teaching: International Research and Pedagogy. Link.
- Menon, Deepika; Cheng, Diana S.; Ngugi, Rosetta W. (2024). Investigando a compreensão e a mobilização de práticas baseadas em padrões por futuros professores do ensino secundário durante o microensino (Investigating Preservice Secondary Teachers' Understanding and Enactment of the Standards-Based Practices during Microteaching). Journal for STEM Education Research. Link.
- Pierson, Ashlyn E.; Johnson, Heather J.; Henrie, Andrea W.; Keifert, D. Teo; Jeong, Sophia; Daniel, Bethany; Dankwa, Yaa (2026). Roteiros de discussão ou protocolo: apoiando licenciandos em Pedagogia a perceber os recursos dos estudantes durante a análise de vídeos (Prompts or Protocol: Supporting Elementary Science Teacher Candidates to Notice Students' Resources during Video Analysis). Journal of Research in Science Teaching. Link.
Se você experimentar um ensaio curto, comece por uma habilidade que gostaria de observar melhor e convide um colega para pensar junto na próxima tentativa.
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