Constitui marca do registro informal da língua o trecho?
Entenda como reconhecer marcas do registro informal da língua em trechos e alternativas de prova. Trago critérios práticos, exemplos e seis questões comentadas com BNCC e Bloom.
Quando comecei a dar aula de Língua Portuguesa, achava que ensinar registro informal era simples: bastava mostrar uma gíria e pronto. Logo percebi que meus alunos erravam justamente o contrário, tomando qualquer frase simples por fala do dia a dia. Foi aí que passei a montar questões com trechos reais e a discutir, linha por linha, o que realmente marca a informalidade.
Nesta semana revisei todo o material que tenho guardado e decidi organizar um passo a passo para você aplicar com sua turma. Ao longo do texto, mostro seis questões reais da base do GeraProva, com gabarito comentado e os dados pedagógicos de cada uma.
O que significa constituir marca do registro informal da língua?
Constituir marca do registro informal significa que o trecho apresenta traços típicos da fala espontânea e da escrita descontraída: vocabulário coloquial, contrações, apagamento de preposições, pronomes em posição não prescrita pela norma-padrão ou expressões próprias da conversa cotidiana. Não basta ser uma frase curta ou usar uma palavra simples; o que caracteriza o registro é a escolha linguística em função da situação comunicativa. Com o GeraProva, você consegue gerar exercícios que trabalham exatamente essa distinção, separando o que é variação de uso do que é apenas estilo narrativo. Isso economiza horas de pesquisa de textos adequados.
Como diferenciar registro informal de linguagem expressiva?
Esse é o erro mais comum que vejo nas provas. A linguagem figurada, sensorial ou elaborada não é automaticamente informal. Um trecho de romance pode ser rico em metáforas e ainda assim estar no registro culto. Para orientar seus alunos, recomendo a seguinte checagem:
- Vocabulário: há gírias, expressões coloquiais ou palavras típicas da conversa?
- Sintaxe: há construções como apagamento de preposição ou colocação pronominal de fala?
- Situação: o texto é narração, diálogo informal ou mensagem entre pessoas próximas?
Se a resposta for não para as três perguntas, o trecho provavelmente está no registro formal ou neutro, mesmo que seja expressivo.
Quais questões reais ajudam a treinar esse conceito?
A melhor forma de fixar o conceito é resolver questões. Abaixo estão seis itens reais da base do GeraProva, cobrindo variação regional, registro informal e colocação pronominal. Você pode usar cada uma como atividade de aula, pedindo que os alunos justifiquem a escolha antes de ver o gabarito.
Questões prontas com gabarito comentado
Questão 1: variação linguística regional no Centro Histórico
Nas barracas multicoloridas do Centro Histórico, linguistas coletam falas de vendedores ambulantes que conversam entre si: Ana afirma “uai, quero um pedaço de bolo”; José comenta “oxente, isso aqui é café com bolacha”. Durante a coleta, observa-se a alternância de formas lexicais e entonações que variam conforme a origem sociocultural dos falantes. A pesquisa registra como cada termo reflete práticas e identidades locais, demonstrando que a língua portuguesa no Brasil se manifesta de modo heterogêneo e dinâmico.
Analise o texto e identifique qual elemento evidencia a heterogeneidade linguística no Brasil.
- ✅ A) O emprego de “uai” por Ana e de “oxente” por José — Mostra variação regional: “uai” é marca da fala mineira e “oxente”, da fala nordestina; cada falante usa a expressão ligada à sua origem.
- ❌ B) O uso de neologismos como “pedaço de bolo” para nomear alimentos — “Pedaço de bolo” é uma expressão comum da língua, não um neologismo, e não mostra diferença entre falantes.
- ❌ C) A adoção de construções sintáticas complexas no diálogo — O diálogo não apresenta construções sintáticas complexas que evidenciem variação.
- ❌ D) A presença de vendedores ambulantes em barracas coloridas — Descreve o cenário da pesquisa, não um fenômeno de variação da língua.
- ❌ E) A presença de alimentos típicos, como bolo e café, nas falas — Os alimentos citados são o assunto das falas, não uma marca de variação da língua.
Dica de resolução: identifique as expressões que variam conforme a origem sociocultural dos falantes. Conceito central: variação linguística regional. Conceito para revisão: a relação entre usos da língua, identidade e contexto sociocultural. A questão trabalha a BNCC EM13LP10 e o nível de Bloom Compreender, com raciocínio dedutivo.
Questão 2: frase-título de filme e apagamento de preposição
ENEM - 2020. Disponível em: www.globofilmes.globo.com. Acesso em: 13 dez. 2017 (adaptado). A frase, título do filme, reproduz uma variedade linguística recorrente na fala de muitos brasileiros. Essa estrutura caracteriza-se pelo(a)
A frase, título do filme, reproduz uma variedade linguística recorrente na fala de muitos brasileiros. Essa estrutura caracteriza-se pelo(a)
- ❌ A) Uso de uma marcação temporal. — A frase não apresenta uma marcação temporal, portanto essa alternativa está errada.
- ❌ B) Imprecisão do referente de pessoa. — A frase não apresenta imprecisão no referente de pessoa, logo essa alternativa está errada.
- ❌ C) Organização interrogativa da frase. — A estrutura da frase não é interrogativa, portanto essa alternativa está errada.
- ❌ D) Utilização de um verbo de ação. — Embora possa haver um verbo de ação, a característica principal da frase é o apagamento da preposição, tornando essa alternativa errada.
- ✅ E) Apagamento de uma preposição. — A frase realmente apresenta o apagamento de uma preposição, caracterizando uma variedade linguística comum.
Dica de resolução: observe a construção para identificar a marca principal. Conceito central: interpretação de imagem e texto. Conceito para revisão: praticar a análise de textos publicitários. Trabalha a BNCC EM13LP10, nível Bloom Analisar, raciocínio crítico.
Questão 3: colocação pronominal na fala cotidiana
Em uma conversa por mensagem, dois colegas comentam como falam no dia a dia e como escrevem em textos escolares. — Na mensagem a seguir, qual trecho mostra uma variação linguística de uso informal da língua, comum na fala cotidiana, mas diferente da escrita formal escolar?
- ✅ A) Me chama depois da aula, porque eu quero falar com você. — Correta: o uso de “me chama” no início da frase é comum na fala e em mensagens informais, mostrando variação de registro.
- ❌ B) Chame-me depois da aula, porque eu quero falar com você. — Esta construção segue a norma-padrão e o registro formal, não sendo exemplo de variação informal.
- ❌ C) Depois da aula, chamarei você para conversarmos com calma. — A frase está em registro mais formal e não traz marca de variação coloquial na colocação pronominal.
- ❌ D) Depois da aula, eu quero que me chame para conversarmos. — Embora tenha próclise correta, a frase está compatível com a norma-padrão e não exemplifica uso informal marcado.
- ❌ E) Chame você depois da aula para conversarmos com calma. — A frase perde o pronome esperado na estrutura e não representa uma variação linguística adequada.
Dica de resolução: procure a forma mais espontânea, típica da conversa do dia a dia. Conceito central: variação linguística. Conceito para revisão: colocação pronominal em registros diferentes. Código BNCC EF35LP11, nível Bloom Analisar, raciocínio analítico.
Questão 4: variações regionais e contextos históricos
Dados ilustrativos: uma pesquisa com 5.000 falantes de português em diversas regiões do Brasil revelou que 78% usam formas verbais e expressões não reconhecidas pela norma culta. No Nordeste, termos como “arreda” e “oxente” prevalecem em 63% dos registros. No Sul, percebe-se a influência do italiano em palavras como “tchê” e “bagual” em 47% dos falantes. No Centro-Oeste, observa-se o uso de gírias como “uai” e “trem” em 52% dos participantes. Esses dados indicam que a língua portuguesa se transforma conforme os fluxos migratórios, a herança indígena e o contato com outras comunidades.
Analise o texto-base e identifique de que forma as variações linguísticas regionais refletem contextos históricos e culturais.
- ❌ A) Relacionar as expressões regionais a empréstimos diretos do latim sem modificações — Incorreto: afirma origem direta do latim, porém as influências regionais vêm de imigrantes, indígenas e adaptações locais.
- ✅ B) Relacionar diferenças lexicais a influências históricas de migrações e contatos culturais — Correto: liga as variações lexicais aos contatos indígenas, imigrantes e fluxos migratórios, como indicado no texto-base.
- ❌ C) Relacionar o emprego de regionalismos ao desinteresse dos falantes pela norma culta — Incorreto: o texto enfatiza processos históricos e culturais, não atitude dos falantes.
- ❌ D) Relacionar o uso de variações regionais a falhas na educação formal — Incorreto: atribui as variações a deficiência educacional, mas o texto aponta influências históricas e culturais.
- ❌ E) Relacionar variações pronunciadas à uniformização do português em todas as regiões — Incorreto: propõe uniformização, mas o texto mostra justamente heterogeneidade linguística.
Dica de resolução: analise as variações e relacione-as aos contextos históricos e culturais indicados. Conceito central: variações linguísticas regionais. Conceito para revisão: influências históricas e culturais nas variações regionais. Código BNCC EM13LP10, nível Bloom Aplicar, raciocínio indutivo.
Questão 5: registro informal em trecho de Aluísio Azevedo (Fuvest 2018)
O rumor crescia, condensando-se; o zumzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; enrasilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutritiva de vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra. Da porta da venda que dava para o cortiço iam e vinham como formigas; fazendo compras. Duas janelas do Miranda abriram-se. Apareceu nua a Isaura, que se dispunha a começar a limpeza da casa. — Nhá Dunga! gritou ela para baixo, a sacudir um pano de mesa; se você tem cuscuz de milho hoje, bata na porta, ouviu? Aluísio Azevedo, O cortiço.
Constitui marca do registro informal da língua o trecho
- ❌ A) “mas um só ruído compacto” (L. 2-3). — O aluno acha que qualquer frase com palavras simples ou com a palavra “só” indica fala do dia a dia, sem reconhecer que a construção é narrativa e elaborada.
- ❌ B) “ouviam-se gargalhadas” (L. 5). — O aluno vê a palavra “pragas” e a ideia de gargalhadas e gritaria e conclui que o trecho é informal, confundindo o tema barulhento da cena com o registro linguístico.
- ❌ C) “o prazer animal de existir” (L. 8-9). — O aluno confunde a linguagem figurada e sensorial com registro informal, achando que linguagem expressiva e coloquial são a mesma coisa.
- ❌ D) “gritou ela para baixo” (L. 14). — O aluno acha que o verbo “gritar” e a expressão “para baixo” são coloquiais, sem perceber que a forma está na narração padrão.
- ✅ E) “bata na porta” (L. 15). — Trecho de fala com expressão cotidiana, típica da conversa informal dentro da narrativa.
Dica de resolução: identifique expressões coloquiais e informais no texto. Conceito central: registro informal da língua. Conceito para revisão: características do registro formal e informal. Código BNCC EM13LP08, nível Bloom Compreender, raciocínio dedutivo.
Questão 6: a variação informal em uma frase simples
Qual das frases abaixo utiliza uma variação linguística que reflete a fala informal?
- ❌ A) Fui ao mercado para comprar frutas. — A frase usa construções adequadas à norma-padrão formal; a ausência do pronome “eu” não basta para caracterizar fala informal.
- ❌ B) Eu fui ao mercado comprar frutas. — A frase segue a forma mais esperada na norma-padrão formal; não apresenta a variação informal destacada na resposta correta.
- ❌ C) Eu fui ao mercado para comprar uma variedade de frutas. — A frase emprega construções formais; o vocabulário mais específico não a torna informal.
- ❌ D) Eu fui ao mercado para comprar frutas, conforme planejado. — A frase mantém a construção formal e acrescenta uma expressão de registro formal; não apresenta a construção informal.
- ✅ E) Eu fui no mercado comprar fruta. — A construção “fui no mercado” é comum na fala informal; na norma-padrão formal, costuma-se usar “fui ao mercado”.
Dica de resolução: observe a construção mais característica da fala informal. Conceito central: variação linguística informal. Conceito para revisão: diferenças entre usos formais e informais. Código BNCC EF69LP55, nível Bloom Compreender, raciocínio dedutivo.
Como aplicar essas questões na sua turma
Na minha experiência, a dinâmica que mais funciona é projetar uma questão por vez, pedir que os alunos escolham a alternativa e justifiquem em voz alta antes de revelar o gabarito. Depois, peça que reescrevam o trecho em registro formal e comparem as diferenças. Isso transforma a aula em análise, e não em memorização de regras.
Outra estratégia é pedir que os alunos tragam trechos de conversas reais (sem identificação de pessoas) e classifiquem o registro. Use as três perguntas da checagem apresentada acima como roteiro.
Quantas questões usar para fixar o conceito?
Para uma aula de 50 minutos, recomendo entre três e quatro questões, com discussão de cada uma. Se você quer um reforço para casa, pode usar as seis desta lista ou gerar novas variações. Com o GeraProva, é possível criar uma prova completa sobre o tema em poucos minutos, já com gabarito, habilidade BNCC e nível de Bloom indicados, o que economiza bastante tempo de preparação. Você pode começar com o página inicial do GeraProva e conhecer a ferramenta.
Vale a pena usar IA para montar avaliações de português?
Vale, desde que você revise tudo. A IA acelera a montagem, mas quem decide se o trecho é adequado, se o gabarito está correto e se a habilidade faz sentido para a sua turma é você. No GeraProva, cada questão traz os dados pedagógicos para facilitar essa revisão, e você mantém o controle da prova final.
Se você quer testar com a sua própria turma, faça o cadastro grátis e gere uma primeira prova sobre registro informal ainda hoje.
Este conteúdo é uma sugestão de apoio ao seu planejamento. Teste a ferramenta com a sua turma, avalie os resultados e ajuste as questões ao seu contexto: você conhece seus alunos melhor do que qualquer sistema. Convido você a experimentar o GeraProva e ver como ele pode poupar tempo sem tirar o seu controle pedagógico.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Protocolos de leitura, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
