GeraProva GeraProva Provas com IA para professores do Brasil
Questoes

Justiça social: por que tantos alunos confundem solidariedade com interesse individual

Um guia para ensinar justiça social e diagnosticar o que seus alunos já compreendem. As oito questões revelam confusões recorrentes entre solidariedade, individualismo, igualdade de oportunidades e lideranças religiosas.

Justiça social: por que tantos alunos confundem solidariedade com interesse individual

Lembro bem de uma aula do 8º ano em que propus a pergunta: o que uma família pode ensinar sobre cuidar do outro? Um aluno levantou a mão e respondeu, com a convicção de quem acredita estar certo, que o melhor é cada um cuidar da própria vida. Ele não estava sendo mau. Estava repetindo uma frase que ouve em casa, na rua e nas redes, e que mistura esforço pessoal com indiferença pelo coletivo.

Esse episódio se repete em várias turmas, em várias séries. Quando trabalho justiça social, percebo que a dificuldade central não é decorar uma definição. É separar solidariedade de interesse individual, e entender que uma sociedade mais justa depende de escolhas que beneficiam a todos, inclusive os que estão em desvantagem. Este guia reúne o que tenho observado, organizado em cima dos dados pedagógicos das questões do conceito, para você diagnosticar sua turma com mais precisão.

O que é justiça social, explicado para o professor?

Justiça social é a ideia de que a sociedade deve organizar suas instituições, recursos e oportunidades de modo que as pessoas tenham condições reais de participar da vida comum com dignidade. Não se trata apenas de tratar todos da mesma forma no papel, mas de reconhecer que há desigualdades históricas, econômicas e culturais que impedem essa igualdade de se concretizar. Quando um governo amplia o acesso à internet em bairros periféricos, quando uma comunidade religiosa organiza uma rede de apoio a famílias em situação de rua, quando um tribunal reconhece direitos de grupos historicamente excluídos, estamos diante de ações que se relacionam com justiça social.

No currículo, o conceito aparece em várias séries e matérias. No Ensino Religioso, surge desde os anos iniciais, quando se discute o papel de lideranças que atuaram em favor dos mais pobres, como nas habilidades EF04ER02 e EF05ER07 (EF04ER02 e EF05ER07), passando pela identificação de figuras religiosas comprometidas com a igualdade e os direitos humanos, em EF06ER03 e EF07ER04. No 8º ano, a habilidade EF08ER02 trabalha princípios éticos que podem orientar um projeto de vida voltado ao bem comum. No Ensino Médio e no ENEM, a abordagem se torna mais teórica e filosófica, com as habilidades EM13CHS501 e EM13CHS504, que exigem analisar justificativas ético-políticas para políticas de redução de desigualdades.

Uma forma simples de explicar ao aluno: justiça social pergunta não apenas "as regras valem para todos?", mas também "todos conseguem de fato usar essas regras?". Essa segunda pergunta é o que diferencia o conceito de uma visão puramente formal.

O que o aluno precisa saber antes?

Os dados pedagógicos das questões deste conceito mostram que o aluno raramente chega ao tema sem base. Os pré-requisitos mais recorrentes são o conhecimento de líderes religiosos brasileiros e históricos, o conceito de justiça social em si, os princípios éticos e os valores éticos ligados à cooperação entre indivíduos. Em algumas questões aparecem também teorias políticas contemporâneas e a noção de realidade das comunidades carentes.

Como verificar se a turma tem essa base? Não precisa de uma prova longa. Faça três perguntas orais no início da aula: cite um líder religioso que tenha defendido os pobres; diga com suas palavras o que é igualdade de oportunidades; e dê um exemplo de atitude solidária no dia a dia. Se mais da metade da turma tropeça na primeira pergunta, o problema não é justiça social, é o repertório sobre lideranças. Se tropeça na segunda, a base conceitual precisa ser refeita antes de avançar para questões de análise. Um diagnóstico rápido assim evita que você gaste duas aulas explicando um conceito que a turma não conseguiu ancorar.

Os erros mais comuns (e por que acontecem)

Ao cruzar os erros típicos registrados nas fichas, aparecem padrões que se repetem. Em cinco das oito questões do conceito, o erro típico envolve confundir a figura ou a ideia correta com outra próxima: líderes religiosos internacionais com brasileiros, lideranças religiosas com ativistas sem vínculo religioso claro, organizações com líderes. Em duas questões, o problema é a confusão entre solidariedade e individualismo. Em uma, a dificuldade está em separar a meritocracia do princípio da diferença. E em outra, o aluno trata a motivação da ação como se a ação não tivesse dimensão ética.

Confundir líderes internacionais com brasileiros

Esse é o erro mais frequente nas questões de Ensino Religioso. A causa é que muitos alunos conhecem nomes famosos do mundo, como o Dalai Lama ou o Papa Francisco, e os tomam como referência automática quando a pergunta fala em justiça social. A intervenção que funciona é montar, em aula, um mapa com três colunas: líderes brasileiros, líderes estrangeiros e a atuação de cada um. Peça que o aluno preencha a coluna de atuação antes de olhar o nome, porque isso o obriga a pensar no contexto e não na fama.

Confundir solidariedade com individualismo

Aqui está o erro que deu origem ao título deste post. Alunos que chegam do 8º ano dizem que o ideal é "cada um cuidar de si" porque associam responsabilidade pessoal a não se importar com o outro. A causa é um conceito de sucesso individual que eles não conseguem conectar ao bem comum. A intervenção que tenho usado é perguntar: quem se beneficia quando seu vizinho tem acesso à escola? Depois, mostre que a solidariedade não elimina o esforço individual, apenas o orienta para o coletivo. Na questão sobre princípios éticos, a alternativa de individualismo extremo aparece como distrator, justamente porque atrai quem ainda não separou as duas ideias.

Confundir meritocracia com princípio da diferença

No ENEM, o erro típico é acreditar que todos devem ter as mesmas oportunidades sem considerar desigualdades históricas. O aluno lê "igualdade" e marca a alternativa que fala em mérito absoluto. A causa é a crença de que o esforço individual explica todo resultado. A intervenção: trabalhe com um exemplo concreto, como duas crianças que começam a corrida em posições diferentes. Pergunte se a corrida é justa se ambas partirem do mesmo ponto, quando uma já havia percorrido metade do caminho antes. Só então apresente o princípio da diferença de Rawls, que admite desigualdades apenas quando beneficiam os menos favorecidos.

Tratar a motivação como se fosse a ação

Em uma questão de situação cotidiana, sobre moradores que se organizam para melhorar a iluminação do bairro, alguns alunos respondem que a cooperação "não envolve valores", porque não há motivação individual explícita no texto. A causa é a expectativa de que toda ação ética venha com justificativa declarada. A intervenção é pedir que o aluno identifique o bem compartilhado presente no texto e explique por que agir em conjunto para ele já é uma escolha ética, independentemente das intenções de cada pessoa.

Como ensinar passo a passo

A sequência que tem funcionado melhor nas minhas turmas segue cinco movimentos. Primeiro, parta de uma situação concreta do bairro ou da escola, como a falta de iluminação, a fila na unidade de saúde ou o acesso desigual a computadores. Segundo, peça que os alunos descrevam quem é prejudicado e quem se beneficia, sem usar ainda nenhum termo técnico. Terceiro, apresente o conceito de justiça social como a pergunta que emerge dessa situação: todos conseguem participar em igualdade real? Quarto, traga um líder religioso ou uma figura filosófica que tenha enfrentado uma situação parecida, e compare as ações. Quinto, feche com uma atividade de produção, em que o aluno escreve um parágrafo defendendo uma ação coletiva com base em um valor ético.

A dica de resolução que aparece nas fichas, de pensar em líderes conhecidos por sua luta social e de refletir sobre os valores éticos em diferentes contextos, funciona bem como fechamento de cada etapa. Ela força o aluno a voltar ao repertório e a relacionar teoria com contexto, que é justamente onde os erros se concentram.

Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento

Nem toda questão serve para o mesmo propósito. Os dados das fichas mostram um padrão útil. As questões de tempo curto e nível de leitura baixo, como as que pedem para lembrar ou identificar um líder, têm papel de abertura ou consolidação e servem bem para diagnóstico rápido, avaliação rápida e lição de casa. Elas têm poder de discriminação médio, o que significa que separam razoavelmente bem quem domina o conteúdo de quem não domina, mas não identificam nuances.

As questões de análise, com nível de leitura alto e tempo médio, como a que pede a justificativa de Rawls, têm papel de desafio, poder de discriminação alto e se encaixam em provas e simulados. Elas exigem cruzar conceitos e são as mais úteis para identificar quem está pronto para avançar. Já as questões situacionais, com foco na progressão, funcionam como ponte: aplicadas em atividades, mostram se o aluno consegue transportar o conceito para uma situação do cotidiano. Use as questões de baixo tempo no início do bimestre, as de análise no fim e as situacionais no meio, para acompanhar a evolução.

O que ensinar antes

Antes de justiça social, a turma precisa dominar alguns conceitos que aparecem como pré-requisito em várias fichas. O primeiro é o de liderança religiosa, que deve ser distinguido de líder político ou ativista sem vínculo religioso. O segundo é o papel dos líderes religiosos, que pode ser trabalhado com o material sobre o papel dos líderes religiosos, ajudando o aluno a entender a diferença entre orientação e imposição. Os demais pré-requisitos são direitos humanos, desigualdade social, filosofia política e princípios éticos. Sem o conceito de desigualdade social, a justiça social vira um slogan. Sem princípios éticos, a solidariedade vira apenas sentimento.

Para onde este conceito leva

Dominar justiça social abre caminho para vários outros temas. Um deles é a relação entre líderes religiosos e a luta por igualdade, que você pode aprofundar com o texto sobre líder religioso e justiça social. Outro é a ética aplicada, que mostra como princípios morais se traduzem em ações coletivas, abordado no material sobre ética e justiça social. Também se conectam os direitos humanos, a ética e a moral, e a desigualdade social. Entre eles, o caminho mais produtivo costuma ser o de justiça e direitos humanos, explorado em justiça e direitos humanos, porque ajuda o aluno a perceber que a igualdade de direitos é uma condição para a justiça, não um detalhe dela.

Ligações com outros temas

Justiça social é um tema transversal de cidadania e ética, e as fichas o marcam como ligado à habilidade socioemocional de pensamento crítico. Isso significa que o trabalho com o conceito não deve se restringir a responder questões, mas a desenvolver a capacidade de questionar situações injustas e de argumentar com base em valores. Em projetos interdisciplinares com Geografia, Português e Matemática, a discussão pode ganhar dados concretos, como mapas de renda ou índices de acesso a serviços. O contexto de aplicação mais comum nas questões é o cotidiano, o que facilita conectar o tema à vida dos alunos.

8 questões comentadas sobre justiça social

As questões a seguir cobrem do 4º ano ao ENEM e foram escolhidas para mostrar a progressão do conceito. Em cada uma, a alternativa correta está marcada com ✅ e as erradas com ❌, com a explicação de por que cada uma falha e o que o erro revela sobre o aluno. Ao final de cada questão, a ficha técnica completa aparece para você consultar pré-requisitos, tempo de resolução e aplicações.

Questão 1 — líder religioso brasileiro na ditadura militar (7º ano)

Durante a ditadura militar, um arcebispo de Olinda e Recife denunciou a pobreza, defendeu os direitos humanos e apoiou pessoas perseguidas por suas opiniões políticas. Por sua atuação, ficou conhecido como um religioso comprometido com a justiça social.

Qual líder religioso brasileiro é descrito no texto?

  • ❌ A) Dalai Lama — é uma liderança religiosa tibetana, mas não atuou como arcebispo em Pernambuco nem está ligado ao contexto da ditadura militar brasileira.
  • ❌ B) Papa Francisco — é associado à defesa dos pobres e da justiça social, mas não é brasileiro nem foi o arcebispo de Olinda e Recife descrito no texto.
  • ❌ C) Mahatma Gandhi — defendeu a justiça e os direitos humanos, mas foi um líder indiano ligado à independência da Índia, não um arcebispo brasileiro.
  • ✅ D) Dom Helder Câmara — foi arcebispo de Olinda e Recife e ficou conhecido por denunciar a pobreza, defender os direitos humanos e criticar a violência e as injustiças durante a ditadura militar brasileira.
  • ❌ E) Martin Luther King Jr. — lutou contra o racismo nos Estados Unidos, mas não era brasileiro nem atuou em Olinda e Recife.

O erro mais provável aqui é marcar o Dalai Lama, que costuma ser o primeiro nome lembrado quando se fala em líder religioso defensor da paz. Quem marca essa alternativa mostra que associa liderança religiosa a prestígio internacional, e não ao contexto brasileiro descrito no texto.

Questão 2 — princípio da diferença de Rawls (ENEM)

Segundo o princípio proposto por John Rawls, qual justificativa ético-política sustenta políticas compensatórias para mitigar a desigualdade de acesso a tecnologias entre grupos historicamente desfavorecidos?

  • ❌ A) Princípio da igualdade formal entre cidadãos — igualdade formal não se traduz em igualdade real de oportunidades e não justifica compensações.
  • ❌ B) Princípio da meritocracia absoluta — meritocracia ignora contextos históricos de desigualdade, não justificando políticas compensatórias.
  • ✅ C) Princípio da diferença (priorizar os menos favorecidos) — Rawls afirma que desigualdades são aceitáveis apenas se beneficiarem os menos favorecidos; medidas que ampliem o acesso tecnológico a grupos desfavorecidos são justificadas por esse princípio.
  • ❌ D) Princípio da eficiência econômica total — visa otimização e não aborda a mitigação de desigualdades sociais.
  • ❌ E) Princípio da liberdade irrestrita de mercado — liberdade de mercado não justifica políticas compensatórias, pois não aborda desigualdade.

Esta questão concentra o erro de confundir o princípio da diferença com a meritocracia. O aluno que marca a alternativa B acredita que, se todos têm as mesmas regras, o resultado é justo, e isso indica que ele ainda não percebeu que a igualdade formal não garante condições iguais de partida.

Questão 3 — princípio ético que orienta o projeto de vida (8º ano)

Qual princípio ético, presente em famílias, tradições religiosas ou culturas, pode apoiar a construção de um projeto de vida orientado para justiça social e responsabilidade com o outro?

  • ❌ A) Apoiar apenas projetos que beneficiam comunidades religiosas específicas — exclui a solidariedade e a responsabilidade social, fundamentais para a justiça ampla.
  • ❌ B) Priorizar o sucesso pessoal em detrimento das necessidades dos outros — esse foco no individualismo contradiz os princípios de justiça social e responsabilidade coletiva.
  • ❌ C) Individualismo extremo, onde cada um se preocupa apenas consigo mesmo — ignora a responsabilidade social e o apoio mútuo, essenciais para a justiça.
  • ❌ D) Ações punitivas contra os que não seguem as regras da comunidade — punir os outros desrespeita o princípio da solidariedade e promove injustiça social.
  • ✅ E) Solidariedade — enfatiza apoio mútuo e ações coletivas, guiando escolhas e objetivos pessoais que promovem igualdade, cuidado e responsabilidade social.

Aqui o distrator mais forte é a alternativa A, porque fala em projetos e comunidades, o que soa coletivo. O aluno que a escolhe percebeu que a resposta envolve grupos, mas ainda não distinguiu pertencimento religioso de compromisso universal com o outro.

Questão 4 — justiça social nas comunidades carentes (9º ano)

Durante uma aula de ética, o professor apresenta o conceito de justiça social. Como isso se aplica na realidade das comunidades carentes?

  • ❌ A) Desigualdade — contraria o conceito de justiça social.
  • ✅ B) Igualdade de oportunidades — a justiça social visa promover igualdade de oportunidades.
  • ❌ C) Exclusão social — a exclusão vai contra os princípios de justiça social.
  • ❌ D) Indiferença — a indiferença não contribui para a justiça social.
  • ❌ E) Conformismo — o conformismo não promove mudanças sociais necessárias.

A alternativa A é o distrator mais provável, e ela revela um equívoco interessante: alguns alunos acreditam que a ausência de oportunidades nas comunidades carentes é uma condição natural, e não um problema a ser corrigido. Quando isso aparece, vale perguntar à turma quem decide o que é natural e quem é afetado por essa decisão.

Questão 5 — líder sul-africano contra o apartheid (6º ano)

Na África do Sul, durante o apartheid, um arcebispo cristão defendeu o fim da separação racial e participou de ações pela igualdade e pelos direitos humanos. Com base no texto, selecione o líder religioso que atuou contra o apartheid e defendeu a igualdade racial.

  • ❌ A) Irmã Dulce — pode atrair quem associa justiça social ao trabalho de ajuda aos pobres, mas não corresponde ao líder sul-africano que combateu o apartheid.
  • ❌ B) Papa Francisco — pode atrair quem relaciona a defesa dos direitos humanos a um líder cristão atual, mas não é o arcebispo sul-africano indicado no texto.
  • ✅ C) Desmond Tutu — foi um arcebispo sul-africano que combateu o apartheid e defendeu a igualdade racial e os direitos humanos.
  • ❌ D) Dalai Lama — pode atrair quem associa a defesa da paz e da igualdade a uma liderança religiosa, mas não corresponde ao arcebispo cristão da África do Sul descrito.
  • ❌ E) Maomé — é uma importante liderança religiosa, mas não é o arcebispo cristão sul-africano que atuou contra o apartheid.

O distrator mais provável é o Dalai Lama, que reaparece nas questões de líderes como um nome de prestígio. Isso reforça o padrão já visto na primeira questão: o aluno se apoia em nomes conhecidos antes de ler o contexto.

Questão 6 — nomeando o líder da África do Sul (5º ano)

A professora contou que um líder religioso da África do Sul enfrentou o apartheid e defendeu direitos iguais para todas as pessoas. Quem foi esse líder religioso?

  • ❌ A) Nelson Mandela — uma importante liderança sul-africana contra o apartheid, mas não um líder religioso.
  • ❌ B) Dalai Lama — uma liderança religiosa conhecida por defender a paz, mas que não corresponde à descrição.
  • ✅ C) Desmond Tutu — foi um líder religioso sul-africano que lutou contra o apartheid e defendeu a igualdade de direitos.
  • ❌ D) São Francisco — associado ao cuidado com as pessoas e com a natureza, mas de outro período histórico.
  • ❌ E) Martin Luther King — lutou pelos direitos iguais, mas em outro país e contexto.

O erro típico aqui é confundir líderes religiosos com líderes políticos. Nelson Mandela aparece como distrator porque foi decisivo contra o apartheid, mas o aluno precisa notar que a pergunta pede especificamente um líder religioso. Essa distinção é um bom momento para revisar o conceito de liderança religiosa.

Questão 7 — líder religioso brasileiro e justiça social (4º ano)

Cite um líder religioso que contribuiu para a justiça social no Brasil.

  • ✅ A) Dom Helder Câmara — foi um defensor dos direitos humanos e da justiça social.
  • ❌ B) Igreja Universal — focou em práticas diferentes, não especificamente justiça social.
  • ❌ C) Pastor Valdemiro Santiago — conhecido por sua atuação religiosa, não por justiça social.
  • ❌ D) Pe. José de Anchieta — embora importante, seu foco era na evangelização.
  • ❌ E) Círculo Bíblico — não é um líder, mas um grupo de estudo.

O distrator mais provável é a Igreja Universal, que é uma instituição e não uma pessoa. A confusão entre líder e organização é um erro típico dos anos iniciais, e vale trabalhar com a turma a diferença entre quem lidera e o grupo que é liderado.

Questão 8 — cooperação entre moradores e relação ética (ENEM)

Em um bairro brasileiro, moradores perceberam que a iluminação insuficiente de algumas ruas dificultava a circulação noturna. Eles organizaram reuniões, dividiram tarefas e reivindicaram melhorias junto ao poder público. Após a instalação de novos pontos de luz, a circulação tornou-se mais segura para todos. A situação permite analisar como uma ação coletiva pode expressar valores éticos na vida comunitária.

Com base no texto, qual relação ética é expressa pela cooperação entre os moradores?

  • ❌ A) A cooperação expressa competição, pois a segurança depende da vitória de alguns sobre outros — a competição pressupõe disputa entre participantes, elemento ausente no texto, que descreve organização conjunta e reivindicação comum.
  • ❌ B) A cooperação revela neutralidade moral, pois resultados coletivos não envolvem escolhas éticas — a neutralidade moral negaria a dimensão valorativa da decisão de agir em conjunto para promover uma condição compartilhada de segurança.
  • ❌ C) A cooperação manifesta individualismo, pois cada morador prioriza exclusivamente sua própria proteção — o individualismo enfatiza interesses particulares, enquanto o texto destaca tarefas compartilhadas e uma melhoria destinada a todos.
  • ❌ D) A cooperação representa obediência, pois agir eticamente significa seguir ordens previamente estabelecidas — obediência envolve cumprir determinações de uma autoridade, mas o texto apresenta iniciativa e organização dos próprios moradores.
  • ✅ E) A cooperação manifesta solidariedade, pois orienta ações conjuntas para proteger um bem compartilhado — a solidariedade relaciona-se ao reconhecimento de necessidades comuns e à disposição para agir coletivamente em benefício de todos. No texto, os moradores cooperam, dividem tarefas e buscam uma melhoria que favorece a comunidade, sem que sejam informadas motivações individuais específicas.

A alternativa A é o distrator mais provável, porque a palavra "vitória" chama atenção e leva o aluno a pensar em disputa. O erro revela que ele associa cooperação a competição e não consegue ver que agir juntos por um bem comum é uma forma de compromisso ético, mesmo sem uma motivação individual declarada no texto.

Perguntas frequentes

Justiça social é o mesmo que caridade?

Não. A caridade é uma ação pontual de ajuda a quem precisa, e pode ser feita sem alterar as causas da desigualdade. A justiça social busca transformar as estruturas que produzem a exclusão, como acesso desigual à educação, à saúde e ao emprego. Uma ação caridosa pode ser parte de um projeto de justiça social, mas não o substitui. Em sala, uma boa forma de mostrar a diferença é comparar a entrega de uma cesta básica com a criação de uma política que garanta renda mínima por lei.

Como explicar justiça social para alunos do 4º ano?

Use uma situação concreta da escola. Pergunte se todos conseguem ver o quadro do fundo da sala da mesma forma e o que aconteceria se só os alunos da frente pudessem ver. A partir daí, pergunte o que seria justo fazer. Você pode então dizer que a justiça social é garantir que todos consigam participar da vida da comunidade, mesmo quando começam em posições diferentes. Líderes como Dom Helder Câmara entram como exemplos de pessoas que lutaram para que isso acontecesse.

Por que os alunos confundem solidariedade com individualismo?

Porque muitos aprendem o valor do esforço pessoal de forma absoluta, e entendem que cuidar de si é a única responsabilidade possível. Quando a solidariedade aparece, ela soa como abrir mão de algo, e não como uma forma de viver melhor em comunidade. A intervenção mais eficaz é mostrar que o interesse individual depende do coletivo: a segurança de cada um depende da iluminação da rua, da saúde do vizinho e da escola do bairro.

Como usar as questões deste post em uma avaliação?

As questões de tempo curto e nível de leitura baixo, como as de identificação de líderes, servem para abrir a avaliação ou fazer um diagnóstico rápido no início do bimestre. As de análise, como a que trata do princípio da diferença, são mais adequadas a provas e simulados, porque exigem cruzar conceitos. Se você quiser montar uma prova com essas questões e outras de acordo com o seu plano de aula, pode usar o gerador de provas do GeraProva.

Justiça social tem relação com direitos humanos?

Tem, e é uma relação de dependência. Não há justiça social sem que os direitos humanos sejam reconhecidos a todos, e os direitos humanos só se tornam reais quando as condições materiais de exercê-los existem. Por isso, em sala, vale sempre perguntar: esse direito está garantido na prática para quem está em desvantagem?

Qual a diferença entre igualdade formal e justiça social?

A igualdade formal é a garantia de que a lei trata todos da mesma maneira. A justiça social vai além e considera que, diante de desigualdades históricas, tratar todos igualmente pode perpetuar a injustiça. O princípio da diferença de Rawls é um dos argumentos que sustentam essa distinção, ao admitir desigualdades que beneficiem os menos favorecidos.

Se você quer transformar essas questões e esses diagnósticos em provas, atividades e simulados prontos para a sua turma, cadastre-se gratuitamente no cadastro grátis do GeraProva e comece a montar seu material em poucos minutos. Bom trabalho em sala!

Encontrou um erro neste conteúdo? Veja nossa política editorial e avise a gente.

Monte uma prova com questões como estas

O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.

Criar minha prova

Questões deste artigo com resolução completa

  1. Durante a ditadura militar, um arcebispo de Olinda e Recife denunciou a pobreza, defendeu os direitos humanos…
  2. Segundo o princípio proposto por John Rawls, qual justificativa ético-política sustenta políticas…
  3. Qual princípio ético, presente em famílias, tradições religiosas ou culturas, pode apoiar a construção de um…
  4. Durante uma aula de ética, o professor apresenta o conceito de justiça social. Como isso se aplica na…
  5. Na África do Sul, durante o apartheid, um arcebispo cristão defendeu o fim da separação racial e participou de…
  6. A professora contou que um líder religioso da África do Sul enfrentou o apartheid e defendeu direitos iguais…
  7. Cite um líder religioso que contribuiu para a justiça social no Brasil.
  8. Em um bairro brasileiro, moradores perceberam que a iluminação insuficiente de algumas ruas dificultava a…

Fontes

Artigos relacionados

0 comentários

Nome
E-mail (não é publicado)
Comentário
Questões resolvidas Resolução passo a passo, gabarito e o erro de cada alternativa316.363 questões
Ver todas as questões →
Ocorreu um erro inesperado. Recarregar X

Rejoining the server...

Rejoin failed... trying again in seconds.

Failed to rejoin.
Please retry or reload the page.

The session has been paused by the server.

Failed to resume the session.
Please retry or reload the page.