Contra-argumento em texto: por que tantos alunos escolhem o argumento principal
Em oito questões, o tropeço recorrente é confundir a posição defendida com a objeção ou com a resposta à objeção. Veja como diagnosticar essa leitura e ensinar o conceito em Português e Inglês.
Lembro bem de uma aula de 9º ano em que pedi aos alunos que encontrassem, num artigo de opinião, o trecho que respondia às críticas do autor. Quase toda a turma apontou o primeiro parágrafo, aquele que apresentava a tese com mais força. Não era um erro de desatenção: eles tinham lido o texto, reconheciam o argumento mais forte e acreditavam que era isso que a pergunta queria. Foi ali que percebi que o problema não era a leitura, mas a noção de que um texto argumentativo se move em direções diferentes.
Depois de anos corrigindo redações e provas, aprendi que essa cena se repete em quase toda turma. O aluno sabe dizer o que o autor defende, mas trava quando precisa separar a defesa da objeção e, principalmente, a objeção da resposta a ela. Este guia nasce dessa experiência e dos dados pedagógicos das questões que usamos para diagnosticar esse conceito. Vou mostrar o que é contra-argumento, o que o aluno precisa saber antes, os erros que se repetem e como intervir, além de oito questões comentadas.
O que é contra-argumento em texto, explicado para o professor
Contra-argumento é a ideia que se opõe a uma tese ou a um argumento já apresentado. Num texto argumentativo, ele aparece quando o autor reconhece uma objeção possível, seja ela uma crítica de outro grupo, um custo, um risco ou uma consequência negativa, e a traz para o texto. Em geral, ele vem introduzido por expressões como “alguns argumentam”, “por outro lado”, “críticos afirmam” ou “no entanto”. Mas o conector não é a regra: o que define o contra-argumento é a função, que é se contrapor, e não a palavra que o anuncia.
Vale distinguir três movimentos que os alunos costumam misturar. O argumento é a razão que sustenta a tese. O contra-argumento é a objeção que se opõe à tese. A refutação é a resposta do autor a essa objeção, quando ele a rebate. Num artigo sobre sacolas plásticas, por exemplo, a tese é “devemos reduzir o plástico”, o argumento é “reduzir o plástico diminui o desperdício”, o contra-argumento é “as medidas são caras e complicadas” e a refutação é “investir em itens reutilizáveis gera economia a médio prazo”. Quando o aluno confunde essas três peças, perde a estrutura inteira do texto.
Na escola, o conceito aparece principalmente no Ensino Fundamental II, quando o currículo passa a exigir a leitura e a produção de textos opinativos e argumentativos. Na BNCC, ele está ligado a habilidades de leitura de textos de opinião e de produção de argumentação, como EF67LP05 no 7º ano, EF08LP03 no 8º ano e EF69LP15 no 6º ano, além de EF89LP04 no 9º ano. No Ensino Médio e no ENEM, o mesmo raciocínio reaparece na habilidade EM13LP05, que trata da análise de argumentos e de sua refutação. Em Língua Inglesa, o conceito se manifesta pela compreensão de conectores e de relações de contraste, como indica a habilidade EF09LI14.
O que o aluno precisa saber antes?
Os pré-requisitos que aparecem nas fichas das questões formam uma escada. O primeiro degrau é a compreensão de texto argumentativo: o aluno precisa entender que um texto opinativo defende uma posição e não apenas relata fatos. O segundo é a identificação de argumentos e de pontos de vista, ou seja, distinguir quem diz o quê e com que finalidade. O terceiro é a percepção de relações de oposição entre ideias, que é justamente o que permite reconhecer que uma frase se volta contra outra. Em inglês, somam-se os conectores discursivos e as funções textuais, porque é o conector que sinaliza a mudança de direção.
Como verificar se a turma tem essa base? Uma forma simples é pedir que os alunos resumam, em uma frase, a opinião do autor e, em outra, a objeção que ele mesmo cita. Se muitos escrevem duas versões da tese, o problema está na identificação de argumentos. Se escrevem a objeção como se fosse a opinião do autor, o problema está na relação de oposição. Em inglês, uma atividade rápida é pedir que completem lacunas com conectores como however, on the other hand e in addition, observando se distinguem adição de contraste. Essa checagem de dois minutos costuma poupar uma aula inteira de reclamações sobre “pegadinhas”.
Os erros mais comuns (e por que acontecem)
Nas questões que usamos para diagnóstico, alguns erros se repetem com regularidade. Em quatro das oito questões comentadas, o distrator mais escolhido é justamente o trecho que apresenta o argumento principal ou o posicionamento inicial do autor. Isso não é coincidência: o argumento principal é o trecho mais visível e o que o aluno mais reteve. Quando a pergunta pede a objeção, ele devolve a tese, porque é a parte do texto que ele entendeu melhor.
Erro 1: tomar o argumento principal pelo contra-argumento
Esse é o erro mais frequente. O aluno lê um trecho que afirma algo forte sobre o tema, como “a ampliação do horário estimula a autonomia”, e o identifica como resposta à crítica, apenas porque a ideia é contundente. A causa costuma ser a falta de atenção à função do trecho dentro do parágrafo. Para intervir, peça que o aluno pergunte, diante de cada trecho: “isto defende a tese ou se opõe a ela?”. Uma pergunta simples muda a leitura. Vale também trabalhar com textos em que o autor defende algo sem nenhuma objeção, para que o aluno veja que o contra-argumento não está em todo lugar.
Erro 2: confundir o contra-argumento com a refutação
Aqui o aluno percebe que há uma objeção, mas escolhe a resposta do autor a ela. Em questões de estrutura como a da sacola plástica, o trecho que refuta a crítica (“investir em itens reutilizáveis traz economia”) aparece logo depois da objeção e, por isso, é facilmente tomado por ela. A causa é a leitura linear: o aluno encontra a palavra que indica a discussão e para ali. A intervenção é mostrar que a objeção e a refutação são peças diferentes e que a pergunta, muitas vezes, quer a primeira, não a segunda. Um bom exercício é pedir que os alunos marquem, com cores diferentes, o trecho que objeta e o que responde.
Erro 3: ignorar o conector e a oposição implícita
Alguns alunos procuram apenas expressões como “no entanto” e “por outro lado”. Quando a objeção vem sem conector, como em “há quem diga que a medida é cara”, eles não a reconhecem. Em inglês, o problema se agrava: o aluno conhece o significado isolado de however ou on the other hand, mas não percebe que o conector é o único sinal de que a frase seguinte se opõe à anterior. A causa está na dependência excessiva da palavra-chave. A intervenção é trabalhar com frases em que o contraste está só no sentido, pedindo que o aluno explique, com as próprias palavras, qual ideia se opõe a qual.
Erro 4: escolher o trecho que apenas reforça a tese
Em questões de múltipla escolha, o distrator mais sedutor costuma ser uma frase favorável ao ponto de vista do autor, mas formulada de modo que pareça contrária a alguma coisa. Um exemplo que aparece nas fichas é a frase “exercícios ajudam a fortalecer os músculos”, que se apresenta como resposta a uma pergunta sobre contra-argumento mas é, na verdade, um benefício. A causa é a leitura apressada da alternativa, feita sem verificar se ela de fato contesta a opinião. A intervenção é pedir que o aluno, para cada alternativa, responda “esta frase concorda ou discorda da opinião?”. Essa pergunta, repetida, cria o hábito de checagem.
Erro 5: não relacionar a objeção à tese que ela enfrenta
Por fim, há alunos que identificam uma objeção corretamente, mas não percebem a qual tese ela se dirige. Em textos com mais de uma opinião em jogo, isso gera respostas erradas porque a objeção aparece no meio de outros argumentos. A causa é a leitura sem mapa do texto. A intervenção é pedir que o aluno faça um esquema simples com três colunas: tese, argumentos, objeções. Quando o aluno vê que a objeção tem um alvo, a questão deixa de parecer um enigma.
Como ensinar passo a passo
A sequência que funciona na minha prática começa pela tese. Antes de qualquer conceito técnico, peço que a turma diga, em voz alta, a opinião de um texto curto. Em seguida, pergunto se alguém no texto discorda dessa opinião. Esse primeiro momento, de apenas detectar oposição, já prepara o terreno. Depois, apresento o vocabulário: argumento, contra-argumento e refutação, com exemplos do próprio texto da turma, e não de manuais.
O terceiro passo é a dica de resolução que aparece nas fichas: identificar o trecho que se contrapõe à tese. Eu transformo isso numa pergunta que os alunos repetem como mantra: “o que este trecho faz com a opinião do autor?”. Se a resposta for “reforça”, não é contra-argumento; se for “contesta”, é. No quarto passo, trabalho a distinção entre objeção e refutação, que é o ponto mais difícil. Sugiro textos em que o autor cita uma crítica e responde a ela, para que o aluno veja as duas peças lado a lado.
Quando a turma já separa as peças, passo para a produção. Peço que cada aluno escreva um parágrafo com tese, argumento, objeção e refutação, usando conectores de contraste. Essa atividade revela rapidamente quem entendeu a estrutura e quem apenas reconhece palavras-chave. Por fim, fecho com a leitura de um texto real e com a pergunta de que lado a crítica vem, para que o aluno aplique o conceito fora do exercício.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento
Nem toda questão serve para todo momento. Nas fichas que usamos, as questões com estilo interpretativo e tempo de resolução médio funcionam melhor como diagnóstico, porque exigem que o aluno releia o texto e justifique sua escolha. Já as questões de estilo direto e tempo curto são úteis para avaliação rápida e para checar se a turma acompanhou uma explicação. As que apresentam nível de leitura baixo servem bem para começar uma unidade; as de nível alto, para fechar o assunto com alunos mais avançados.
O poder de discriminação também orienta a escolha. Questões com poder de discriminação alto separam bem quem domina o conceito de quem apenas reconhece palavras, e por isso valem para simulado. Questões de discriminação médio, que são a maioria aqui, funcionam bem em atividades e lições, porque permitem discutir por que cada alternativa está errada. Em termos de papel na prova, as questões de progressão testam se o aluno consegue avançar da leitura à análise; as de consolidação, se ele retém o conceito depois de trabalhado; e as de abertura, se ele entende o ponto de partida. Na prática, uma prova bem montada mistura os três.
Para diagnóstico, recomendo começar com uma questão interpretativa de tempo médio e observar não só a resposta, mas a justificativa. Se o aluno acerta por motivo errado, o diagnóstico é o mesmo que o de quem erra. Para atividades, use as questões que permitem comentar as alternativas erradas em sala. E para simulado, prefira as de discriminação alta, que mostram com mais clareza quem já consolidou o conceito.
O que ensinar antes
O conceito de contra-argumento se apoia em outros que precisam estar firmes. O primeiro é a identificação de argumento: sem reconhecer uma razão que sustenta uma tese, o aluno não tem como perceber a razão que a contesta. Esse trabalho deve vir antes de qualquer discussão sobre objeções.
Em inglês, o caminho passa pela compreensão de texto em inglês, porque o aluno precisa entender o sentido global de um parágrafo antes de identificar o conector que marca a oposição. Sem essa base, o conector vira apenas uma palavra decorada. A leitura do texto em inglês deve ser feita com foco na função de cada frase, não apenas no vocabulário.
Também é necessário trabalhar a interpretação de texto argumentativo, que ensina a distinguir tese e justificativa, um passo indispensável para não confundir a objeção com a tese. Em seguida, vale estudar a argumentação em inglês e a estrutura argumentativa, que dão ao aluno um modelo de como as peças se organizam num parágrafo.
Por fim, a argumentação em textos retoma a diferença entre tese, dado e opinião, que é a confusão mais comum antes mesmo de se chegar ao contra-argumento. Um aluno que mistura dado com opinião dificilmente separará objeção de refutação. Por isso, esse conteúdo costuma ser o último a ser consolidado.
Ligações com outros temas
O contra-argumento é um tema que atravessa várias disciplinas. Em Língua Portuguesa, ele conversa com a produção de textos de opinião e com a redação dissertativa-argumentativa. Em Língua Inglesa, dialoga com os conectores e com a leitura de textos autênticos. Essa transversalidade permite que o professor de inglês e o de português planejem juntos uma unidade sobre argumentação, reforçando o mesmo raciocínio nas duas línguas.
Há também um tema transversal que aparece em várias das questões: cidadania e ética. Quando o aluno aprende a reconhecer uma objeção legítima a uma opinião, ele aprende a respeitar o ponto de vista do outro sem abandonar o seu. Nas questões sobre transporte e sacolas plásticas, por exemplo, a objeção vem de estudantes e de leitores, não de adversários abstratos. Isso ajuda a discutir na sala que discordar é parte da vida pública.
No campo socioemocional, as habilidades mais trabalhadas são o pensamento crítico e a tomada de decisão. Reconhecer uma objeção exige distanciamento da própria posição, e essa é uma habilidade que o aluno leva para além da prova. O tema da saúde também aparece em duas questões, sobre exercícios físicos e redes sociais, o que abre espaço para discutir hábitos e escolhas com a turma.
Quanto ao contexto de aplicação, a maioria das questões trata de situações do cotidiano: a rua, a escola, a família, a cidade. Esse é um ponto a favor do conceito, porque o aluno reconhece a objeção quando ela fala de algo que ele vive. Já uma das questões tem contexto abstrato, sobre conectores em inglês, e por isso exige mais apoio do professor.
8 questões comentadas sobre contra-argumento em texto
Questão 1: trecho que exemplifica a refutação dos críticos do teletrabalho
Dado ilustrativo: em sessão recente da Câmara Municipal, vereadores discutiram o impacto do teletrabalho na economia urbana. O prefeito defendeu que o aumento do teletrabalho enfraquece o comércio local, pois afasta consumidores dos centros. Ele sustentou sua posição com dados que indicam queda de 45% no faturamento de estabelecimentos centrais em empresas que adotaram home office. Críticos argumentam, porém, que a expansão do trabalho remoto gera oportunidades de negócio em regiões periféricas, ao descentralizar a demanda. Para conciliar interesses, sugeriu-se estabelecer incentivos fiscais para pequenos comércios em bairros, de modo a equilibrar os impactos econômicos.
Analise o texto-base e identifique o trecho que exemplifica o movimento de refutação empregado pelos críticos do teletrabalho?
- ❌ A) O trecho "O prefeito defendeu que o aumento do teletrabalho enfraquece o comércio local, pois afasta consumidores dos centros." — Apresenta o posicionamento inicial do prefeito, não refutação.
- ❌ B) O trecho "Dado ilustrativo: em sessão recente da Câmara Municipal, vereadores discutiram o impacto do teletrabalho na economia urbana." — É contexto descritivo de abertura, não um movimento argumentativo.
- ❌ C) O trecho "Ele sustentou sua posição com dados que indicam queda de 45% no faturamento de estabelecimentos centrais em empresas que adotaram home office." — É sustentação da tese inicial, não contra-argumentação.
- ❌ D) O trecho "Para conciliar interesses, sugeriu-se estabelecer incentivos fiscais para pequenos comércios em bairros, de modo a equilibrar os impactos econômicos." — Exemplifica negociação, não refutação.
- ✅ E) O trecho "Críticos argumentam, porém, que a expansão do trabalho remoto gera oportunidades de negócio em regiões periféricas, ao descentralizar a demanda." — Refuta o argumento inicial ao apresentar contra-argumento que rebate a tese do prefeito.
A alternativa correta é a E, porque é o único trecho que se volta explicitamente contra a tese do prefeito. O distrator mais escolhido é a A, justamente porque reproduz o argumento principal, que é o trecho mais visível do texto. Quando o aluno confunde a afirmação inicial com a refutação, o que revela é que ainda não separou a tese da objeção. A pergunta que resolve é: este trecho defende o prefeito ou se opõe a ele? Esta questão é ótima para diagnóstico porque exige releitura e justificativa.
Questão 2: qual argumento funciona como contra-argumento à tarifa de ônibus
Dados ilustrativos: Em um telejornal local, o prefeito de Vila Serena defendeu o aumento da tarifa de ônibus como medida necessária para financiar a modernização da frota e a melhoria da frequência dos veículos. Ele argumentou que a tarifa antiga não cobria os altos custos de manutenção e que a receita extra iria financiar obras de mobilidade urbana. Em seguida, uma representante de associação de estudantes afirmou que o reajuste prejudica quem depende do transporte diariamente para estudar e trabalhar.
Analise o texto-base e identifique qual argumento funciona como contra-argumento à proposta de aumento da tarifa de ônibus na cidade.
- ❌ A) Defender que o aumento é essencial para modernizar a frota — Esse argumento apoia o aumento da tarifa, não o contraria.
- ✅ B) Argumentar que o reajuste prejudica quem depende do transporte diariamente — Esse argumento apresenta uma objeção à proposta, funcionando como contra-argumento.
- ❌ C) Afirmar que a tarifa antiga não cobria os custos de manutenção — Esse argumento justifica o aumento, não o refuta.
- ❌ D) Sustentar que o reajuste permitirá aumentar a frequência dos ônibus — Esse argumento, apresentado pelo prefeito, apoia o aumento da tarifa, não o contesta.
- ❌ E) Argumentar que a receita extra financiará obras de mobilidade urbana — Esse argumento apresenta benefício do aumento, não uma objeção.
A resposta correta é a B, pois a fala da estudante aponta um prejuízo concreto do reajuste para quem usa o ônibus todo dia. O distrator mais provável é a A, que foi escrita para soar como objeção mas, na verdade, reforça a proposta. Quando o aluno escolhe a A, normalmente está se guiando pelo tema “modernização” e não pela função da frase. Um bom modo de corrigir é perguntar, para cada alternativa, de que lado da discussão ela está.
Questão 3: trecho com o contra-argumento da jornalista sobre hábitos sustentáveis
Quem nunca se sentiu frustrado com a quantidade de lixo plástico acumulado em casa nos últimos meses? Em artigo de opinião para o jornal local, a jornalista Mariana Silva defende a adoção de hábitos sustentáveis. Ela argumenta que pequenas ações diárias, como recusar canudos e levar sacolas próprias, reduzem significativamente o desperdício. Alguns leitores, no entanto, afirmam que essas medidas são complicadas e demandam tempo e dinheiro. Para rebater essa crítica, a autora ressalta que investir em itens reutilizáveis traz economia a médio prazo e ainda protege o meio ambiente. Por fim, Mariana conclui que, se cada cidadão fizer sua parte, será possível construir uma sociedade mais consciente e limpa.
Analise o texto-base e identifique qual trecho apresenta o contra-argumento utilizado pela autora para refutar críticas à adoção de hábitos sustentáveis?
- ❌ A) No trecho "Quem nunca se sentiu frustrado com a quantidade de lixo plástico acumulado em casa nos últimos meses?" identifica o gancho inicial. — Esse trecho funciona como introdução, não como contra-argumento.
- ❌ B) No trecho "Alguns leitores, no entanto, afirmam que essas medidas são complicadas e demandam tempo e dinheiro." identifica o ponto de vista contrário sem ainda ser refutado. — Esse trecho expõe a objeção dos leitores, mas não a refutação da autora.
- ❌ C) No trecho "Por fim, Mariana conclui que, se cada cidadão fizer sua parte, será possível construir uma sociedade mais consciente e limpa." identifica a conclusão da autora. — Esse trecho apresenta a conclusão do texto, não o contra-argumento.
- ❌ D) No trecho "Ela argumenta que pequenas ações diárias, como recusar canudos e levar sacolas próprias, reduzem significativamente o desperdício." identifica o argumento principal. — Esse trecho apresenta o argumento inicial da autora, não o contra-argumento.
- ✅ E) No trecho "Para rebater essa crítica, a autora ressalta que investir em itens reutilizáveis traz economia a médio prazo e ainda protege o meio ambiente." identifica o contra-argumento da autora. — Esse trecho mostra a refutação das críticas, apresentando o contra-argumento sobre economia e proteção ambiental.
A alternativa E é a correta, mas repare que ela descreve a refutação, e não a objeção. Isso é justo, porque a pergunta pede o trecho em que a autora se posiciona contra a crítica. O distrator mais provável é o D, que traz o argumento principal e que o aluno costuma tomar como resposta por ser o trecho mais forte do parágrafo. O erro revela que o aluno ainda lê o texto à procura de afirmações fortes, e não de movimentos de oposição.
Questão 4: qual conector introduz o contra-argumento na lacuna do texto em inglês
A public school in Recife is considering replacing part of its parking area with a shaded space for bicycles. Supporters argue that the change could reduce car traffic and encourage students to adopt more sustainable habits. ________, some families say that the school should first improve public transportation in the neighborhood, because not all students can cycle to school. The student council is preparing a proposal that considers both perspectives.
Considering the relationship between the two viewpoints in the text, which phrase best completes the blank and introduces the counter-argument?
- ❌ A) In addition, — Esse conector acrescenta uma informação que segue na mesma direção da ideia anterior; não introduz uma perspectiva contrária.
- ❌ B) In conclusion, — Esse conector sinaliza uma conclusão, geralmente apresentada após o desenvolvimento dos argumentos. A lacuna, porém, introduz uma nova perspectiva antes da síntese final.
- ❌ C) As a result, — Esse conector indica consequência ou resultado. No texto, a segunda oração não é consequência da primeira, mas apresenta uma ressalva independente.
- ❌ D) For example, — Esse conector introduz um exemplo ou caso específico, mas a oração seguinte apresenta a posição de um grupo diferente.
- ✅ E) On the other hand, — A expressão “On the other hand,” introduz uma perspectiva diferente ou contrária à ideia apresentada anteriormente. No texto, ela conecta os argumentos favoráveis à criação do espaço para bicicletas à preocupação de algumas famílias com o transporte público.
A resposta é a E, porque “On the other hand” é o conector que marca contraste entre duas perspectivas. O distrator mais escolhido é justamente o E em sua versão de aluno, ou seja, o aluno que reconhece que há contraste mas não sabe qual conector o expressa, e acaba escolhendo por palpite. Quando o aluno erra, o problema costuma ser a confusão entre conectores de adição, consequência e conclusão. A dica é treinar a pergunta: esta frase soma, conclui ou se opõe?
Questão 5: contra-argumento para um artigo sobre exercícios físicos
Você está escrevendo um artigo sobre os benefícios de exercícios físicos. Qual seria um contra-argumento para incluir?
- ❌ A) Exercícios físicos são sempre agradáveis. — A frase afirma que os exercícios são agradáveis; não apresenta uma dificuldade ou crítica a eles.
- ❌ B) A falta de exercícios pode levar a doenças. — A frase mostra uma consequência negativa de não se exercitar e, portanto, apoia a prática de exercícios.
- ✅ C) Fazer exercícios é caro. — Essa ideia questiona os benefícios dos exercícios ao apontar que o custo pode ser um obstáculo para algumas pessoas.
- ❌ D) Exercícios ajudam a fortalecer os músculos. — A frase apresenta outro benefício dos exercícios, não um motivo contrário a eles.
- ❌ E) Exercícios melhoram a saúde mental. — A frase apresenta um benefício dos exercícios, não uma ideia que questione seus benefícios.
A alternativa C é a correta, porque apresenta uma razão contrária à defesa dos exercícios. O distrator mais provável é o D, que é um benefício, mas o aluno pode confundir “argumento favorável” com “contra-argumento” quando a frase fala do mesmo assunto. O erro mostra que o aluno ainda associa o tema à posição, e não à função. Esta questão é boa para avaliação rápida, por ser direta e de leitura simples.
Questão 6: trecho que corresponde ao contra-argumento do autor sobre bibliotecas
Dados ilustrativos: pesquisa recente aponta que 68% dos moradores evitam a biblioteca por causa do horário restrito. Em um artigo de opinião, um estudante defende a ampliação do funcionamento desses espaços urbanos.
"Devido à relevância cultural desses espaços, ampliar o horário beneficiaria todos os cidadãos." "Esse investimento valorizaria o patrimônio comunicativo da comunidade." "Usuários poderiam acessar livros fora do período de trabalho." "Por outro lado, alguns argumentam que o custo de manutenção extra poderia superar os benefícios." "No entanto, a longo prazo o retorno cultural compensaria o gasto adicional."
Analise o texto e identifique o segmento que corresponde ao contra-argumento apresentado pelo autor.
- ❌ A) "Devido à relevância cultural desses espaços, ampliar o horário beneficiaria todos os cidadãos." — É tese inicial do autor, não contra-argumento, pois defende a ampliação do horário.
- ❌ B) "Usuários poderiam acessar livros fora do período de trabalho." — Também reforça o ponto de vista do autor, não traz objeção ou ressalva.
- ❌ C) "Esse investimento valorizaria o patrimônio comunicativo da comunidade." — Apresenta mais um argumento favorável, não contraposição à opinião principal.
- ❌ D) "No entanto, a longo prazo o retorno cultural compensaria o gasto adicional." — É refutação ao contra-argumento, e não o próprio contra-argumento apresentado.
- ✅ E) "Por outro lado, alguns argumentam que o custo de manutenção extra poderia superar os benefícios." — Introduz oposição à proposta, apresentando objeção que caracteriza contra-argumento.
A resposta é a E, pois ela traz a objeção propriamente dita. O distrator mais provável é o D, e o interessante aqui é que ele é uma resposta ao contra-argumento, não o contra-argumento em si. O aluno que escolhe a D mostra que reconhece a discussão, mas não separa objeção de refutação. Vale insistir nessa distinção, porque é a confusão mais comum nesse tipo de questão.
Questão 7: frase que contesta a opinião de Lucas sobre redes sociais
Em um debate, Lucas defende que as redes sociais fazem bem aos adolescentes. Qual frase é um contra-argumento à opinião de Lucas?
- ❌ A) As redes sociais ajudam a manter as amizades. — É um argumento a favor da opinião de Lucas, não contra ela.
- ✅ B) Elas podem causar problemas de saúde mental. — Mostra um prejuízo das redes sociais aos adolescentes; por isso contesta a opinião de Lucas.
- ❌ C) A televisão pode atrapalhar o sono das crianças. — Fala de um problema da televisão, não das redes sociais; não contesta a opinião de Lucas.
- ❌ D) Elas são uma forma de comunicação rápida. — É um argumento a favor da opinião de Lucas, não contra ela.
- ❌ E) Jogos de videogame podem prender demais a atenção. — Fala dos videogames, não das redes sociais; não contesta a opinião de Lucas.
A alternativa B é a correta, por apresentar um prejuízo direto das redes sociais. O distrator mais provável é a A, que trata de redes sociais e por isso é atraente, mas que na verdade é um benefício. Note que há também distratores que mudam o assunto, como C e E. Isso mostra que o aluno precisa verificar dois critérios ao mesmo tempo: se a frase fala do tema certo e se ela se opõe à opinião. Esta questão funciona bem na abertura de uma unidade, por ser curta e direta.
Questão 8: o argumento que refuta a crítica sobre custos da biblioteca aos sábados
Dados ilustrativos: Pesquisa junto a estudantes revela que 78% afirmam dificuldades de concentração em estudo remoto. Em carta enviada à direção escolar, um aluno defende a adoção de biblioteca aberta aos sábados. O autor sustenta que a ampliação do horário estimula a autonomia na pesquisa acadêmica e oferece ambiente silencioso para os estudos. Em resposta a críticas sobre altos custos de manutenção, ele argumenta que a ampliação gera economia a longo prazo ao reduzir a necessidade de aulas extras e cursos particulares. Por fim, destaca que espaços de estudo compartilhado fortalecem o senso de comunidade na escola.
Analise o texto-base e identifique qual das opções a seguir apresenta o contra-argumento empregado pelo autor para refutar críticas.
- ❌ A) A afirmação de que a ampliação do horário estimula a autonomia na pesquisa acadêmica. — Esse é um argumento principal, não refuta críticas de custo.
- ✅ B) A justificativa de que a ampliação gera economia a longo prazo ao reduzir a necessidade de aulas extras. — Esse é o contra-argumento que refuta a crítica sobre altos custos de manutenção.
- ❌ C) A constatação de que 78% dos estudantes revelam dificuldades de concentração em estudo remoto. — É dado introdutório que justifica a proposta, não um contra-argumento.
- ❌ D) A justificativa de que oferece ambiente silencioso para os estudos. — Trata-se de argumento de benefício, não de refutação ao custo.
- ❌ E) A sustentação de que espaços de estudo compartilhado fortalecem o senso de comunidade. — É outro argumento de benefício, não refuta diretamente a objeção financeira.
A resposta correta é a B, porque é a única que responde diretamente à crítica de custo. O distrator mais escolhido é a A, que é o argumento principal e aparece em destaque no texto. Quando o aluno cai nessa armadilha, está confundindo o que o autor defende com o que o autor responde. A pergunta que destrava a questão é: esta frase responde a alguma crítica ou apenas diz por que a proposta é boa?
Perguntas frequentes
Contra-argumento e refutação são a mesma coisa?
Não. O contra-argumento é a objeção que se opõe à tese ou a um argumento. A refutação é a resposta do autor a essa objeção, quando ele a rebate. Num texto bem estruturado, é comum que o autor apresente primeiro a crítica e depois a refutação. Para o aluno, a diferença é importante porque, em muitas questões, a pergunta quer a objeção e o distrator é a resposta, ou o contrário. Vale ensinar as duas peças separadamente antes de juntá-las.
Como saber se uma frase é contra-argumento sem conector?
Pergunte se a frase se opõe à tese ou a um argumento do texto. Se ela diz que algo é um problema, um custo, um risco ou uma limitação da proposta, provavelmente é uma objeção, mesmo sem palavras como “no entanto”. Esse critério funciona melhor do que procurar conectores, porque muitos autores introduzem objeções sem sinalizá-las explicitamente. Treine os alunos com frases em que o contraste está apenas no sentido.
O contra-argumento sempre aparece no meio do texto?
Não necessariamente. Em textos curtos, ele costuma aparecer depois da tese e antes da conclusão, porque o autor precisa mostrar que enfrenta as críticas. Em textos mais longos, pode surgir em qualquer parágrafo de desenvolvimento. Há também textos em que o contra-argumento é apenas insinuado, por exemplo quando o autor diz que “muitos acreditam que” algo é impossível. Por isso, não convém ensinar uma posição fixa.
Como diferenciar contra-argumento de exemplo negativo?
O exemplo negativo ilustra um problema, mas pode não estar se opondo a uma tese. Já o contra-argumento se volta contra a opinião defendida. A distinção aparece com clareza quando comparamos duas frases: “o desperdício de plástico é grande” (exemplo) e “a medida é cara e complicada” (objeção à proposta). Só a segunda contesta a posição de quem defende a medida. Peça que os alunos façam essa pergunta: esta frase contesta a proposta ou apenas descreve um problema?
Por que os alunos escolhem sempre o argumento principal?
Porque ele é o trecho mais visível e o mais retido na leitura. Além disso, o argumento principal costuma estar em destaque, com linguagem forte, e o aluno o associa ao “tema do texto”. Quando a pergunta pede a objeção, ele devolve a tese, porque é a parte que entendeu melhor. A solução é treinar a leitura com perguntas de função, e não apenas de conteúdo.
Como usar o GeraProva para trabalhar esse conceito?
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Se você já percebeu que seus alunos leem o texto inteiro e ainda escolhem a tese quando a pergunta pede a objeção, este conceito merece uma unidade só para ele. Experimente o gerador do GeraProva, monte um diagnóstico com duas ou três questões desta lista e veja onde a sua turma realmente trava. Depois, a intervenção fica muito mais simples, porque você sabe exatamente qual peça está faltando.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Estratégia de leitura: identificação de teses e argumentos Apreciação e réplica, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
