Concordância verbal e nominal: o sujeito plural que ainda deixa o verbo no singular
Nas questões do acervo, reaparece a dificuldade de fazer verbo, substantivo, artigo e adjetivo concordarem em número. Veja como diagnosticar a origem do erro e planejar intervenções.
Lembro bem de uma aula de 9º ano em que escrevi no quadro a frase “As portas da biblioteca reabriu hoje”. Perguntei à turma se estava certa. Metade levantou a mão dizendo que sim, porque “a biblioteca” era o sujeito e ali estava singular. Quando voltei ao sujeito e mostrei que quem reabriu foram as portas, o silêncio na sala foi quase cômico, e entendi que o problema não era falta de atenção: era uma leitura que parava no primeiro substantivo.
Desde então, passei a tratar concordância verbal e nominal como um diagnóstico, não como uma lista de regras para decorar. Quando um aluno erra, quero saber onde ele parou de procurar o sujeito, se confundiu o núcleo com o termo mais próximo, se não percebeu o plural escondido no adjetivo ou no particípio. Este guia reúne o que tenho observado e o que os dados pedagógicos das questões do GeraProva mostram sobre esse conceito.
O que é concordância verbal e nominal, explicado para o professor?
Concordância verbal é a adequação do verbo à pessoa e ao número do sujeito: “Os alunos chegaram cedo” e não “Os alunos chegou cedo”. Concordância nominal é a adequação de artigos, adjetivos, pronomes e particípios ao gênero e ao número do substantivo a que se referem: “as portas abertas” e não “as portas aberto”. Ambas fazem parte da norma-padrão e aparecem desde os primeiros anos do Ensino Fundamental, em forma simples, até o 9º ano, com frases mais longas, sujeitos compostos e construções de voz passiva.
No currículo, a concordância aparece dentro do eixo de análise linguística e de produção de textos, ligada à revisão e à reescrita. A BNCC trata do tema em diferentes anos, com ênfase crescente: nos anos iniciais, o foco é o reconhecimento de sujeito e verbo; nos anos finais, a revisão de concordância em textos próprios e alheios. Os códigos que costumam aparecer nas aulas são EF02LP01, EF35LP07, EF04LP06, EF05LP06, EF06LP06, EF07LP06, EF08LP04 e EF09LP04. Cada uma tem um recorte um pouco diferente, mas todas convergem para a mesma ideia: o aluno precisa localizar o termo que comanda a flexão e checar se o restante da frase responde a ele.
Na prática, o que mais ajuda é separar três movimentos: identificar o sujeito (o núcleo, não o termo mais próximo), verificar a pessoa e o número, e só então conferir o verbo e os termos nominais que dependem do substantivo. Sujeitos compostos, sujeitos posposto ao verbo, pronomes de tratamento e expressões como “um dos que” ou “cada um” são os pontos de maior tropeço. Ensinar esses casos explicitamente, com exemplos do próprio cotidiano da turma, faz muita diferença.
O que o aluno precisa saber antes?
Os dados das fichas técnicas mostram um padrão consistente: quase todas as questões do conceito exigem, como pré-requisito, a identificação de sujeito e verbo e o reconhecimento de singular e plural. Em algumas, aparecem também a concordância verbal básica e a concordância nominal básica como bases separadas. Isso significa que a concordância não se sustenta sozinha: ela depende de o aluno conseguir dizer, sem hesitar, qual é o sujeito de uma oração e se ele está no singular ou no plural.
Para verificar se a turma tem essa base, eu uso três perguntas rápidas antes de qualquer conteúdo novo. Peço que sublinhem o sujeito de cinco frases simples; depois, que digam se cada sujeito é singular ou plural; por fim, que troquem o sujeito por outro do mesmo número e observem se o verbo muda. Quem não consegue fazer essas três etapas ainda não está pronto para a concordância, e vale voltar a sujeito e predicado antes de avançar. Em turmas de 2º e 3º ano, isso costuma ser suficiente como diagnóstico; em 6º e 7º ano, a mesma checagem revela quem ainda confunde o sujeito com o complemento.
Quais são os erros mais comuns e por que acontecem?
Ao cruzar os erros típicos registrados nas questões, aparece um padrão claro: em praticamente todas elas, o erro é confundir o número do sujeito com o do verbo ou do termo nominal, usando formas incompatíveis entre si. Vou detalhar os três erros que mais observo, e que também aparecem como distratores prováveis.
Erro 1: o verbo concorda com o termo mais próximo, não com o sujeito
Este é o erro que abriu este texto. Quando há um complemento no singular antes do verbo, o aluno tende a flexionar o verbo pelo substantivo mais perto: “A entrega dos pacotes atrasaram”. O distrator típico desse erro é justamente a forma no singular, porque ela parece natural quando o olho pega o termo imediatamente anterior. A causa é a leitura linear: o aluno lê da esquerda para a direita e encerra a análise no primeiro substantivo. A intervenção que funciona é pedir que ele risque os termos preposicionados (“dos pacotes”, “da biblioteca”) antes de decidir a flexão, deixando o sujeito isolado. Quando a frase fica “A entrega atrasaram”, o erro se torna visível.
Erro 2: a flexão nominal fica no singular quando o substantivo está no plural
Nas fichas, o erro de concordância nominal aparece com frequência em artigos, adjetivos e particípios: “os estandes colorida”, “os resultados obtido”, “as apresentação musicais”. O aluno tende a conferir o plural apenas no primeiro elemento da expressão e a deixar os demais no singular. A causa é a automatização da leitura: quando a palavra é familiar, o olho passa por ela sem checar o número. A intervenção mais eficaz é o treino de “pluralizar em bloco”: pedir que o aluno reescreva a expressão inteira no plural e leia em voz alta, percebendo o som que está errado.
Erro 3: o sujeito posposto ao verbo confunde o aluno
Quando o sujeito vem depois do verbo, como em “Chegou os convidados” ou “Faltaram cadeiras”, o aluno que procura o sujeito antes do verbo não o encontra e aplica uma regra errada, geralmente deixando o verbo no singular por padrão. Esse erro aparece em questões de 7º e 8º ano, onde a frase é um pouco mais longa e a inversão é usada de propósito. A causa é a dependência de uma ordem canônica, sujeito-verbo, que o aluno assume como única. A intervenção é mostrar a inversão em manchetes, em anúncios e em falas reais, e pedir que o aluno pergunte “quem chegou?” ou “o que faltou?” para achar o sujeito.
Como ensinar passo a passo?
A sequência que eu uso começa sempre com o que o aluno já domina, a identificação de sujeito e verbo, e só depois introduz a flexão. A dica de resolução que aparece com mais força nas questões é justamente essa: observe a concordância verbal e nominal entre sujeito e predicado, sem pular etapas. Transformei isso em cinco passos que funcionam em sala.
Primeiro, identifique o núcleo do sujeito: pergunte ao verbo “quem?” e marque a palavra que responde. Segundo, risque os termos preposicionados que aparecem entre o sujeito e o verbo, porque eles confundem o número. Terceiro, verifique se o sujeito é singular, plural ou composto, e se está antes ou depois do verbo. Quarto, conjugue o verbo na pessoa e no número do sujeito e confira se a forma escolhida é a que você está usando. Quinto, percorra os termos nominais dependentes (artigos, adjetivos, particípios e pronomes) e pluralize-os quando o substantivo que eles acompanham for plural.
Na aula, faço isso com frases em três níveis. No início, frases curtas com sujeito simples; depois, frases com sujeito composto, como “o menino e a menina”; por fim, frases com inversão e com termos interpostos. Em cada nível, peço que a turma diga o passo em voz alta antes de escrever, porque a verbalização é o que torna o raciocínio visível para mim e para eles. Uma atividade que funciona bem é a revisão coletiva de um texto real de um colega, anonimizado, em que a turma aponta e corrige as discordâncias usando os cinco passos.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento?
As fichas técnicas indicam o papel de cada questão na prova e o seu poder de discriminação, e isso ajuda a decidir o que usar em cada momento. Questões de tempo curto e nível de leitura médio ou baixo servem bem para diagnóstico rápido e para abertura de uma sequência, porque mostram em poucos minutos quem já domina o básico. Questões de tempo médio, com texto mais longo e análise de duas ou três frases, costumam ter poder de discriminação alto e são as melhores para separar quem entendeu o conceito de quem apenas decorou a regra.
Quanto ao papel na prova, as questões do conceito aparecem como abertura (para ver a base), progressão (para checar a aplicação) e consolidação (para verificar o domínio em contexto). Todas as oito estão marcadas como aplicáveis a prova, atividade, lição de casa, diagnóstico, simulado e avaliação rápida, com exceção de duas que não são indicadas para simulado. Na minha rotina, uso as de abertura na primeira semana, as de progressão depois do primeiro bloco de exercícios e as de consolidação ao fim da unidade. Isso permite ajustar o ensino antes que o erro se fixe. Para gerar esse tipo de sequência com rapidez, o gerador de provas do GeraProva monta exercícios nesses formatos a partir do conceito e do ano da turma, e você pode começar com o cadastro grátis.
O que ensinar antes desse conceito?
Antes da concordância verbal, o aluno precisa dominar a própria noção de concordância verbal em sua forma mais simples, reconhecendo que o verbo acompanha o sujeito em pessoa e número. Esse é o pré-requisito que aparece de forma explícita nas fichas e que sustenta todas as etapas seguintes. Sem ele, a discussão sobre sujeito composto ou inversão vira um conjunto de exceções sem base. Por isso, costumo começar cada unidade fazendo a checagem de sujeito e verbo descrita acima e só avanço quando a maior parte da turma responde bem.
Para onde este conceito leva?
A concordância é a base de outros conteúdos de norma-padrão. Ela se conecta diretamente a norma-padrão, que o aluno precisa compreender para reconhecer quando uma forma é aceita na escrita formal e quando é variação de fala. Também se liga a Concordância e ortografia, porque muitos erros de flexão aparecem junto com trocas ortográficas no final das palavras, como “-am” e “-ão”, e a revisão precisa tratar os dois juntos.
Outro desdobramento importante é a reescrita de frases. Quando o aluno aprende a reconhecer o sujeito e a flexionar corretamente, ele consegue reescrever frases com mais segurança, mudando a ordem sem perder a correção. Veja como esse trabalho se encadeia no artigo sobre reescrita de frases, que trata de como o erro de sentido e de conectivos se relaciona com a flexão. Por fim, o uso de pronomes relativos depende da mesma análise de sujeito: no “que” ou no “quem”, o aluno precisa identificar a qual termo o pronome se refere e fazer o verbo concordar com ele. Esse vínculo é tratado em detalhe no artigo sobre uso de pronomes relativos.
Quais as ligações com outros temas?
Nos dados das fichas, o tema transversal que mais aparece nas questões é a vida cotidiana da escola: cartazes, relatórios, jornal mural, feira cultural, projetos de jardinagem. Isso é bom, porque mostra ao aluno que a concordância não é um exercício isolado, mas uma ferramenta para comunicar com clareza ao público da escola. A habilidade socioemocional mais presente é a tomada de decisão, e ela aparece naturalmente quando o aluno precisa escolher entre duas formas e justificar a escolha, ou quando revisa um texto coletivo e decide o que mudar. Em algumas questões, a habilidade mobilizada é o pensamento crítico, porque o aluno precisa comparar trechos e apontar o que está certo e o que está errado.
Quanto ao contexto de aplicação, as questões variam entre o cotidiano (cartazes, convites, mensagens), o histórico (um relatório de naturalistas do século XIX, que serve para trabalhar a norma em texto informativo) e o abstrato (frases isoladas, com foco na regra). Recomendo alternar esses contextos na sala: o cotidiano engaja, o histórico aproxima a norma de textos reais e o abstrato permite isolar o conceito para o diagnóstico. Quando a turma só vê frases abstratas, a concordância parece um exercício sem utilidade; quando vê só textos, o foco na regra se perde.
8 questões comentadas sobre concordância verbal e nominal
A seguir, comento as oito questões do conceito. Em cada uma, mostro a resposta correta, o motivo de cada alternativa estar certa ou errada e o que o erro revela sobre o aluno. Ao final de cada uma aparece a ficha técnica com os dados pedagógicos.
Questão 1 — A biblioteca reabriu seus portas: qual forma corrige o trecho?
No início do semestre, o comitê de comunicação escolar revisou os textos nos quais anunciava a volta das atividades na biblioteca. Em um rascunho, encontrou esta frase: “A biblioteca reabriu seus portas e estará aberta das 8 h até as 18 h.” O grupo discutiu ajustes para adequá-la à norma-padrão, corrigindo usos de concordância entre artigo, substantivo e pronome, além de uniformizar o registro formal dos horários.
Analise o texto-base e identifique a forma que corrige adequadamente o trecho “reabriu seus portas”, segundo a norma-padrão.
- ❌ A) Substituir “reabriu seus portas” por “reabriu seu portas” — mantém erro de concordância de gênero: “seu” não concorda com o feminino “portas”.
- ❌ B) Substituir “reabriu seus portas” por “reabriram seu portas” — apresenta erros de concordância verbal e de concordância entre pronome e substantivo.
- ❌ C) Substituir “reabriu seus portas” por “reabriram suas portas” — altera incorretamente o sujeito no plural, quebrando a concordância verbal com “A biblioteca”.
- ✅ D) Substituir “reabriu seus portas” por “reabriu suas portas” — o pronome possessivo “suas” concorda em gênero e número com “portas”, atendendo à norma-padrão.
- ❌ E) Substituir “reabriu seus portas” por “reabriu suas porta” — gera discordância de número: “porta” no singular não corresponde a “suas” no plural.
O erro que esta questão revela é o de olhar apenas para o verbo ou para o pronome, sem conferir o substantivo que os comanda. A distratora C é a mais provável justamente porque inverte o sujeito e parece “resolver” o problema, mas quebra a relação verbal. Quando o aluno escolhe C, geralmente está fixado na ideia de que o plural deve ir para o verbo, sem perceber que o sujeito é “a biblioteca”.
Questão 2 — Os participante do grupo decidiu: qual reescrita mantém o sentido?
Pesquisam, debatem e anotam sugestões em grandes folhas de papel coladas na parede. Alunos revisam os textos do jornal mural semanal da escola e discutem ajustes antes da publicação. No debate, chama atenção a frase: "Os participante do grupo decidiu publicar mais textos sobre cultura local." Surgem dúvidas sobre concordância verbal e correção gramatical, pois os termos precisam refletir número e sentido adequados.
Identifique a opção que reescreve corretamente a frase destacada, mantendo o sentido original.
- ❌ A) Os participantes do grupo decidiram a publicar mais textos sobre cultura local — introduz preposição desnecessária que altera a regência do verbo, comprometendo a correção gramatical.
- ❌ B) Os participantes do grupo decide publicar mais textos sobre cultura local — mantém verbo no singular, discordando do sujeito plural.
- ❌ C) Os participantes do grupo decidir publicar mais textos sobre cultura local — emprega infinitivo sem flexão verbal, alterando a estrutura prevista para concordância verbal.
- ❌ D) Os participante do grupo decidiram publicar mais textos sobre cultura local — a flexão verbal está correta, mas “participante” permanece no singular, ainda discordando do determinante plural “Os”.
- ✅ E) Os participantes do grupo decidiram publicar mais textos sobre cultura local — adequa a concordância entre sujeito plural e verbo no plural, preservando o sentido original.
Esta questão é interessante porque o distrator D é quase correto: o verbo está flexionado, mas o substantivo não. O aluno que escolhe D costuma corrigir só o que “soa” errado e não revisa o conjunto. A intervenção aqui é pedir que releia a frase completa após qualquer correção, conferindo cada termo que depende do sujeito.
Questão 3 — Qual trecho do relatório está com concordância correta?
Folhas de papel colorido cobrem a mesa da sala de aula enquanto o professor distribui relatórios de um projeto de jardinagem comunitária. Os estudantes anotaram observações sobre o crescimento das plantas e a organização dos documentos. A seguir, apresentam-se cinco trechos extraídos desses relatórios:
1. As plantas cresceu rápido e saudável, surpreendendo a equipe. 2. A equipe de estudantes registraram todas as fases com fotos e anotações. 3. O desenho das espécies nativas trazem detalhes sobre formato e cor. 4. Cada projeto, com suas metas bem definidas, ajudam no planejamento. 5. Os relatórios foram organizados em pastas temáticas.
Identifique no texto-base o trecho em que a concordância nominal e verbal está correta.
- ❌ A) A equipe de estudantes registraram todas as fases com fotos e anotações — sujeito singular exige “registrou”, não “registraram”.
- ❌ B) O desenho das espécies nativas trazem detalhes sobre formato e cor — sujeito singular (“O desenho”) exige “traz”, não “trazem”.
- ❌ C) As plantas cresceu rápido e saudável, surpreendendo a equipe — erro de concordância verbal (“cresceu” em vez de “cresceram”) e nominal (“saudável” em vez de “saudáveis”).
- ✅ D) Os relatórios foram organizados em pastas temáticas — sujeito plural “relatórios” e forma verbal passiva “foram organizados” concordam em número, sem erro nominal.
- ❌ E) Cada projeto, com suas metas bem definidas, ajudam no planejamento — sujeito singular (“Cada projeto”) exige “ajuda”, não “ajudam”.
A alternativa A é a mais escolhida pelos alunos, e o motivo é o que já discutimos: a equipe é o termo mais visível, e a presença do plural “estudantes” puxa o verbo. Quem erra aqui precisa de treino para identificar o núcleo do sujeito, que é “equipe”, e não o termo preposicionado.
Questão 4 — Essa ações contribui: qual correção mantém o sentido?
Já reparou como uma praça bem cuidada pode transformar uma comunidade? Um grupo de voluntários organiza mutirões mensais para recuperar a praça central. Nas últimas edições, pintou-se bancos, plantou-se flores e nivelou-se o solo. Além disso, colocou-se novas luminárias. Essas ações contribui para a sensação de segurança e bem-estar dos moradores.
Analise o texto-base e identifique a alternativa que corrige, sem alterar o sentido, o erro de concordância verbal presente no último período.
- ❌ A) Essas ações contribui para a sensação de segurança e bem-estar dos moradores — mantém o verbo no singular, em desacordo com o sujeito plural “ações”.
- ✅ B) Essas ações contribuem para a sensação de segurança e bem-estar dos moradores — o verbo “contribuem” concorda corretamente com o sujeito plural “ações”, mantendo o sentido original.
- ❌ C) Essas ações contribuiu para a sensação de segurança e bem-estar dos moradores — o verbo no pretérito “contribuiu” não mantém o tempo verbal do texto que está em presente.
- ❌ D) Essa ações contribuem para a sensação de segurança e bem-estar dos moradores — o determinante “Essa” não concorda em gênero e número com o substantivo plural “ações”.
- ❌ E) Essas ação contribuem para a sensação de segurança e bem-estar dos moradores — o substantivo “ação” está no singular, em desacordo com o determinante e o contexto.
Esta questão mostra bem a diferença entre verbo e termos nominais: há dois problemas possíveis no mesmo período, e o aluno precisa separar a flexão verbal da nominal. O distrator A é o mais provável porque o aluno não percebe que o sujeito é plural quando o verbo parece “natural” no singular. Peço que a turma leia a frase trocando “essas ações” por “a ação” e pela forma plural, e perceba qual soa melhor.
Questão 5 — Qual frase sobre a feira está de acordo com a norma-padrão?
Na escola, a turma revisou frases usadas nos cartazes da feira cultural. Leia as frases sobre a feira. Qual frase está de acordo com a norma-padrão?
- ❌ A) As criança visitaram os estandes coloridos — há erro de concordância nominal: o substantivo deve ficar no plural, como o artigo “as”.
- ✅ B) As crianças visitaram os estandes coloridos — a frase está correta porque o verbo “visitaram” combina com “as crianças”, e “os estandes coloridos” está no plural e no masculino.
- ❌ C) As crianças visitou os estandes coloridos — há erro de concordância verbal: o verbo deve ficar no plural para combinar com “as crianças”.
- ❌ D) As crianças visitaram os estandes colorida — há erro de concordância nominal: o adjetivo deve ser “coloridos”, para combinar com “estandes”.
- ❌ E) As crianças visitaram o estandes coloridos — há erro de concordância nominal: o artigo deve ser “os”, pois “estandes” está no masculino e no plural.
Esta questão de nível de leitura mais simples revela que o erro do aluno raramente é falta de conhecimento da regra, e sim de leitura apressada. A alternativa A, mais escolhida, mostra que o aluno passa por cima do sujeito e confere apenas a palavra mais visível. Vale pedir que a turma marque os três pares de termos concordantes em cada frase antes de escolher.
Questão 6 — Qual forma corrige o particípio e o verbo em "O resultado obtido"?
Em 1884, naturalistas britânicos coletaram amostras de solo em cavernas do interior de Minas Gerais para estudar a evolução da vegetação. No laboratório, analisaram pólen fossilizado e observaram variações que indicavam fases úmidas e secas ao longo dos séculos. O relatório preliminar descreveu cuidadosamente cada etapa do procedimento e ressaltou: “O núcleo de extração foi coletado conforme normas; porém, faltou indicação precisa da profundidade”. Posteriormente, publicaram uma nota informando: “Os resultados obtido foi consistente com expectativas”.
Analise o texto-base e identifique em qual alternativa a forma nominal e a forma verbal destacadas no último período foram corrigidas adequadamente.
- ❌ A) Os resultados obtidos foram consistente com as expectativas — corrige o particípio e o verbo, mas o adjetivo permanece no singular, sendo incorreto em concordância nominal.
- ✅ B) Os resultados obtidos foram consistentes com as expectativas — mantém sujeito plural e ajusta o particípio e o verbo ao número, além de incluir artigo definido.
- ❌ C) Os resultados obtidos foi consistente com as expectativas — o adjetivo concorda, mas o verbo permanece no singular, falhando na concordância verbal.
- ❌ D) O resultado obtido foi consistente com as expectativas — apesar de concordar, muda o sujeito de plural para singular, distorcendo o sentido original do texto.
- ❌ E) O resultado obtido foram consistentes com as expectativas — altera o sujeito para singular, mas mantém o verbo no plural, criando erro de concordância verbal.
O erro mais revelador desta questão é o da alternativa A: o aluno corrige uma forma e deixa a outra para trás. Isso aparece com muita frequência em textos de história e ciências, em que o vocabulário técnico distrai a atenção da flexão. A intervenção é pedir que o aluno pluralize o sujeito, o verbo e cada adjetivo ou particípio, um por um, e verifique o resultado no conjunto.
Questão 7 — Qual expressão tem concordância nominal e verbal corretas?
— Estamos organizando as apresentação musicais e o concurso de poesia para a festa cultural, explicou a professora. Ela também lembrou que cada participante precisa trazer seu instrumento e os poemas escolhidos. Na última reunião, vários aluno demonstraram entusiasmo e enviou suas ideias através de um grupo de mensagens. Além disso, foi combinado que a comissão responsável pelos decoração e iluminação se reunirá hoje. Os convites já foi distribuídos e os patrocinadores confirmaram presença.
Analise o texto e identifique a expressão em que a concordância nominal e verbal está correta.
- ✅ A) cada participante precisa trazer seu instrumento e os poemas escolhidos — concordância verbal (singular) e nominal (instrumento singular, poemas plural) estão corretas conforme o texto.
- ❌ B) Os convites já foi distribuídos e os patrocinadores confirmaram presença — erro de concordância verbal: “foram” deveria concordar com o sujeito plural “convites”.
- ❌ C) a comissão responsável pelos decoração e iluminação se reunirá hoje — erro de concordância nominal: “decoração” deveria estar no plural para concordar com “pelos”.
- ❌ D) vários aluno demonstraram entusiasmo e enviou suas ideias através de um grupo de mensagens — erro de concordância nominal (“aluno” deveria estar no plural) e verbal (“enviaram” para concordar com “alunos”).
- ❌ E) Estamos organizando as apresentação musicais e o concurso de poesia para a festa cultural — erro de concordância nominal: “apresentação” deveria estar no plural para concordar com “musicais”.
Nesta questão, o distrator B é o mais escolhido, porque “convites” é um sujeito plural que o aluno não associa ao verbo quando o verbo vem depois e com o auxiliar “foi”. A correção passa por identificar o núcleo e perceber que o particípio também precisa flexionar. É uma boa questão para mostrar que a concordância verbal e a nominal andam juntas no mesmo período.
Questão 8 — Qual frase do 2º ano está gramaticalmente correta?
Qual das opções abaixo apresenta uma frase gramaticalmente correta?
- ✅ A) O menino comeu a maçã e a banana — a frase está correta, pois possui concordância e pontuação adequada.
- ❌ B) A menina e o menino vai ao parque — a frase está incorreta, pois o verbo “vai” deve concordar com o sujeito composto “a menina e o menino”, ou seja, deve ser “vão”.
- ❌ C) Eles gosta de jogar futebol — a frase está incorreta, pois o verbo “gosta” não concorda com “eles”; o correto é “gostam”.
- ❌ D) Eu viu o cachorro na rua — a frase está incorreta, pois o verbo “viu” deve ser “vi”, na primeira pessoa.
- ❌ E) As criança brinca no parque — a frase está incorreta, pois “criança” está no plural e o verbo deve ser “brincam”, mantendo o plural também no determinante.
Esta questão de abertura mostra bem o que o diagnóstico precisa revelar logo no início: se o aluno reconhece sujeito e verbo em frases simples. A distratora B é a mais provável porque o sujeito composto confunde a leitura e a turma tende a tomar o verbo pelo último elemento. Como o nível de leitura é baixo, ela funciona como primeira checagem de base antes de qualquer conteúdo mais avançado.
Perguntas frequentes de professores
Devo ensinar a regra ou os casos especiais primeiro?
Ensine primeiro a regra geral, sujeito e verbo concordam em pessoa e número, com frases simples. Os casos especiais, como sujeito composto, inversão e expressões com “um dos que”, devem vir depois, em níveis, para que o aluno tenha uma base sólida antes das exceções. Introduzir os casos especiais cedo demais costuma gerar a sensação de que tudo é exceção, e o aluno desiste de procurar o sujeito.
Por que meus alunos acertam na prova e erram na escrita?
Porque, na prova, o aluno lê a frase com atenção máxima, e na escrita ele produz sem revisar. A concordância é uma habilidade de revisão, que exige parar e conferir. Recomendo que a turma tenha um momento fixo de releitura do próprio texto, com a pergunta “quem faz a ação?” feita em voz alta para cada verbo.
Os alunos de 9º ano ainda precisam de atividades de concordância?
Sim, porque os erros mais sofisticados, como a concordância com sujeito posposto e com termos nominais distantes, aparecem justamente nos textos mais longos que eles produzem. As questões do 9º ano em que a biblioteca “reabriu seus portas” mostram que o erro persiste quando o texto ganha complexidade. Vale usar atividades de revisão de textos reais da própria escola.
Como saber se a turma está pronta para avançar?
Use uma questão de diagnóstico de tempo curto no início de cada bloco. Se a maior parte acerta a identificação do sujeito e do verbo, avance para a concordância nominal. Se errar em massa, volte à base. Essa checagem rápida poupa semanas de aula em conteúdo que os alunos não estão prontos para usar.
O que fazer quando um aluno sempre concorda pelo termo mais próximo?
Peça que ele risque os termos preposicionados antes de decidir a flexão, deixando o sujeito isolado. Em seguida, peça que pergunte “quem?” ao verbo. Esse treino concreto costuma funcionar mais do que a explicação teórica, porque mostra ao aluno onde está o erro dele, sem julgamento.
A concordância é um conteúdo só de gramática ou também de texto?
É os dois. A gramática fornece a regra, mas o uso acontece no texto, na revisão de frases e na escolha de formas em contexto. Por isso, o melhor é trabalhar a concordância dentro de textos reais, como cartazes, relatórios e jornais da escola, e não apenas em frases soltas. Se quiser montar essas atividades de forma rápida, o gerador de provas do GeraProva ajuda, e você pode começar com o cadastro grátis.
Se você quer testar hoje mesmo uma sequência de diagnóstico de concordância com a sua turma, comece pequeno: uma frase de abertura, uma de progressão e uma de consolidação. Monte no GeraProva, aplique, e veja em qual ponto os alunos realmente travam. O erro deles é a sua melhor pista para o próximo passo.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Morfologia/Morfossintaxe, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
