Autoconceito acadêmico em alemão: desempenho e comparação entre disciplinas
Estudos sobre alemão mostram relações entre desempenho e autoconceito, além de efeitos de comparação com outras disciplinas. Entenda o que esses achados sugerem — e o que ainda não permitem concluir — para a sala de aula.
Autoconceito acadêmico é a percepção que o estudante tem da própria capacidade em uma disciplina, como alemão. Estudos com alunos na Alemanha encontraram relações recíprocas entre desempenho e autoconceito dentro de cada área; também observaram contrastes entre matemática e disciplinas de linguagem. Esses resultados ajudam a pensar sobre comparação e confiança, mas não provam que elevar o autoconceito, por si só, aumente o desempenho.
O que faz um estudante se considerar capaz — ou incapaz — de aprender alemão, mesmo quando suas notas não contam a história toda? A pesquisa aponta relações entre desempenho, autoconceito e comparação com outras disciplinas. Também mostra por que essas relações dependem do contexto e das experiências emocionais do aluno.
Para o professor, a ideia central é prática: observar o resultado de uma atividade e também a interpretação que o estudante faz dele. A seguir, reunimos estudos recentes sobre alemão e aprendizagem de línguas para separar o que os pesquisadores encontraram do que pode ser uma aplicação útil na sala de aula.
O que é autoconceito acadêmico na aprendizagem de alemão e por que importa para o professor?
Autoconceito acadêmico é a percepção que o estudante tem da própria capacidade em uma área de aprendizagem. Em termos de sala de aula, é a resposta interna a perguntas como “consigo entender este texto?”, “sou bom em alemão?” ou “posso melhorar se continuar tentando?”. Não é a mesma coisa que uma nota, nem uma medida direta da habilidade real: é uma crença sobre si como aprendiz, que pode se relacionar ao desempenho e à motivação.
Essa percepção pode ser específica de uma disciplina. Um aluno pode sentir-se competente em alemão e inseguro em matemática, ou ter uma opinião diferente sobre a própria capacidade em inglês. O estudo de Arens examinou justamente como desempenho, autoconceito e valor intrínseco se relacionam em matemática, alemão e inglês, acompanhando estudantes do ensino secundário na Alemanha (Arens, 2023).
Na rotina escolar, o autoconceito aparece quando o estudante interpreta um erro, uma nota, uma comparação com colegas ou uma tarefa que conseguiu realizar. Também pode aparecer na disposição para participar, revisar uma resposta ou persistir diante de uma dificuldade. Isso não significa que o professor deva transformar toda atividade em conversa sobre autoestima. Significa que avaliar aprendizagem pode incluir atenção às mensagens que as tarefas e os comentários comunicam sobre a capacidade de cada aluno.
O que a pesquisa recente mostra sobre autoconceito e alemão?
Os estudos reunidos aqui não tratam todos da mesma pergunta. Alguns investigam relações entre desempenho e autoconceito em disciplinas escolares; outros observam como o contexto linguístico, as emoções ou o ajuste à escola podem se relacionar à maneira como os estudantes se percebem. Em conjunto, ajudam a pensar o tema sem reduzir a aprendizagem de alemão a uma nota isolada.
Desempenho e autoconceito podem se influenciar dentro de uma disciplina
Em uma pesquisa com 1.939 estudantes alemães do ensino secundário, acompanhados do 5º ao 7º ano, Arens e Niepel analisaram relações entre desempenho, autoconceito acadêmico e valor intrínseco em matemática, alemão e inglês. Dentro de cada domínio, encontraram relações recíprocas entre desempenho e autoconceito: os dois aspectos se relacionavam ao longo do tempo. Já as relações entre desempenho anterior e valor intrínseco posterior foram unidirecionais (Arens, 2023).
Para a prática, esse resultado é um lembrete de que a relação não precisa ser entendida como uma sequência simples em que primeiro vem uma nota e depois uma crença sobre capacidade, ou o contrário. No estudo, desempenho e autoconceito se relacionaram reciprocamente dentro da disciplina. Isso dá motivo para acompanhar ambos, sem presumir que uma pontuação explica por completo o que o estudante pensa sobre sua aprendizagem.
O estudo também encontrou relações negativas entre desempenho anterior em matemática e autoconceitos e valores intrínsecos posteriores em alemão e inglês; e entre desempenhos anteriores em alemão e inglês e autoconceito e valor intrínseco posteriores em matemática. Os autores interpretam esse padrão como efeito de contraste entre matemática e linguagem. O achado não diz que aprender bem alemão prejudica necessariamente a autopercepção em matemática; descreve relações estatísticas entre domínios na amostra e no modelo analisado.
Comparações e contexto podem mudar a leitura que o aluno faz de si
Becker e colegas examinaram a composição socioeconômica da turma e da vizinhança como referências associadas à formação do autoconceito. O estudo abrangeu amostras de estudantes do 5º e do 9º ano. Nas análises que consideraram apenas o nível da vizinhança, condições socioeconômicas mais vantajosas prediziam negativamente o autoconceito geral, em matemática e em alemão no 5º ano. No 9º ano, essa relação permanecia apenas para matemática. Nas análises que incluíram simultaneamente turma e vizinhança, as condições vantajosas do bairro prediziam negativamente o autoconceito geral e em matemática no 5º ano (Becker, 2024).
O resultado é menos intuitivo do que a ideia de que um entorno com mais vantagens sempre levaria a uma percepção acadêmica mais positiva. A pesquisa lembra que o referencial de comparação importa: a literatura sobre o efeito “peixe grande em lago pequeno” descreve como o desempenho médio da turma pode afetar negativamente o autoconceito por meio da comparação social. Becker e colegas investigaram também a vizinhança, mostrando que analisar apenas uma escala de contexto pode levar a uma leitura incompleta.
Para o tema deste artigo, há um ponto de cautela: o resultado relacionado especificamente ao autoconceito em alemão aparece no 5º ano nas análises de vizinhança isoladas. Não é correto generalizá-lo para todas as idades, escolas ou aulas de alemão. O estudo é útil porque mostra que uma percepção de capacidade pode se formar em relação ao ambiente social, e não apenas a partir do desempenho individual.
O ajuste à escola e as crenças por disciplina também entram na história
Na Suíça, Ramseier e Neuenschwander acompanharam 388 estudantes em três momentos para investigar se o ajuste pessoa-ambiente percebido no 6º ano se relacionava à trajetória escolar posterior. O estudo considerou autoconceitos e expectativas de sucesso em matemática e alemão. O ajuste percebido predizia indiretamente, de forma negativa, a entrada em um percurso do ensino secundário não habilitante após o 9º ano; essa relação foi mediada pelos autoconceitos em matemática e alemão e pelas expectativas de sucesso em matemática (Ramseier, 2026).
Uma distinção importante é que o efeito presumido das expectativas de sucesso sobre o ingresso nesse percurso não foi significativo. Ou seja, não se deve tratar todas as crenças motivacionais como se tivessem o mesmo papel, nem transferir o resultado para uma decisão escolar brasileira. A pesquisa descreve um sistema educacional suíço e uma trajetória específica. Para o professor, a contribuição mais geral é a atenção ao modo como o estudante percebe o encaixe entre suas características e o ambiente escolar, em conjunto com crenças sobre disciplinas determinadas.
O estudo não investigou apenas alemão nem permite concluir que melhorar o autoconceito nessa disciplina, isoladamente, mudaria uma trajetória educacional. Ele coloca autoconceitos de alemão e matemática dentro de um modelo mais amplo de ajuste e percurso escolar. Essa diferença entre estudar uma associação e provar que uma intervenção causa uma mudança é importante ao interpretar pesquisas educacionais.
Aprender em uma língua que não é a de casa pode envolver emoções e dificuldades
Muller analisou relatos de dois estudantes do ensino primário em Luxemburgo, onde uma população diversa recebe escolarização em alemão, língua que não é a língua principal nem a falada em casa por esses jovens. Nas entrevistas, as descrições da experiência foram marcadas por orientações afetivas negativas, proficiência linguística baixa, dificuldades educacionais, desempenho acadêmico baixo e visões internalizadas de deficiência. A análise destaca repercussões emocionais e dificuldades associadas à desconexão entre os repertórios linguísticos dos estudantes e o regime linguístico escolar (Muller, 2025).
São dois estudos de caso qualitativos, não uma estimativa sobre todos os alunos multilíngues. Ainda assim, ajudam a enxergar uma dimensão que uma prova não captura sozinha: o que significa estudar conteúdos por meio de uma língua que o aluno ainda está desenvolvendo. A maneira como a escola organiza a língua de instrução pode fazer parte da experiência de aprendizagem, junto com a competência demonstrada em cada tarefa.
Um estudo sobre aprendizes de inglês em países de língua alemã acrescenta uma pista sobre emoções, mas não investigou o autoconceito em alemão. Entre 768 participantes de níveis secundário e superior, quase 40% relataram sentir-se diferentes ao usar inglês. O prazer em aprender a língua se associou a autopercepções positivas ao usá-la, enquanto níveis elevados de ansiedade se associaram a autopercepções negativas (Resnik, 2025). É uma evidência sobre inglês em contextos de língua alemã, útil como referência para pensar emoções, mas não deve ser apresentada como resultado direto sobre aprendizagem de alemão.
Os estudos lado a lado: o que cada pesquisa investigou?
Os estudos abaixo cobrem perguntas e contextos diferentes. A tabela ajuda a separar os resultados diretamente ligados ao alemão dos que contribuem como referência sobre aprendizagem de línguas, emoções ou contextos escolares.
| Estudo | O que investigou | O que relata | Contexto |
|---|---|---|---|
| Arens, 2023 | Relações entre desempenho, autoconceito e valor intrínseco em matemática, alemão e inglês. | Relações recíprocas entre desempenho e autoconceito dentro de cada domínio; contrastes entre matemática e linguagens. | 1.939 estudantes do ensino secundário na Alemanha, acompanhados do 5º ao 7º ano. |
| Becker, 2024 | Composição socioeconômica da turma e da vizinhança e autoconceito acadêmico. | Relação negativa entre condições vantajosas da vizinhança e autoconceito em alemão no 5º ano nas análises de vizinhança isoladas. | Amostras do 5º e 9º anos; contexto alemão indicado pelo estudo. |
| Ramseier, 2026 | Ajuste pessoa-ambiente percebido, autoconceitos, expectativas e trajetória escolar. | Mediação da relação com autoconceitos em matemática e alemão e expectativas de sucesso em matemática. | 388 estudantes suíços, três momentos; percurso do 6º ao 9º ano. |
| Muller, 2025 | Experiência vivida da política de educação em língua alemã. | Relatos de dificuldades, baixa proficiência, efeitos emocionais e desconexão entre repertório linguístico e língua de instrução. | Dois estudantes do ensino primário em Luxemburgo; entrevistas qualitativas. |
| Resnik, 2025 | Emoções, inteligência emocional e autopercepções ao usar uma língua estrangeira. | Prazer associado a autopercepções positivas e ansiedade a autopercepções negativas ao usar inglês. | 768 aprendizes de inglês, dos níveis secundário e superior, em países de língua alemã. |
O que há em comum e onde os estudos divergem?
Um ponto em comum é que a percepção de capacidade não aparece isolada. Os estudos a relacionam a desempenho, comparação entre disciplinas, composição do contexto, ajuste percebido à escola ou experiência emocional de aprender em uma língua. Isso reforça a utilidade de olhar para o aluno em uma área específica e para as condições em que ele está aprendendo, em vez de tratar o autoconceito como um traço fixo ou uma avaliação geral da pessoa.
Há também diferenças importantes. Arens observa relações ao longo do tempo entre desempenho e autoconceito dentro de domínios, enquanto Becker analisa referências sociais da turma e da vizinhança. Ramseier investiga um modelo de trajetória escolar suíço; Muller explora a experiência de dois estudantes em uma escola que usa alemão como língua de instrução. São abordagens diferentes, portanto seus achados não devem ser somados como se respondessem à mesma pergunta.
Os resultados também não apontam para uma regra única sobre o que aumenta ou diminui o autoconceito. As associações variam por disciplina, idade, nível de análise e contexto. A pesquisa não resolve, por exemplo, qual intervenção em sala de aula melhora especificamente o autoconceito em alemão no Brasil. Também não permite afirmar que uma percepção positiva, sozinha, produza melhores notas. O que oferece é um mapa de fatores que vale a pena observar e testar com cuidado.
O que isso significa para a sala de aula de alemão?
Os estudos não prescrevem um método único de ensino. As propostas abaixo são aplicações pedagógicas possíveis, inspiradas nas questões que as pesquisas levantam; não devem ser confundidas com intervenções avaliadas pelos estudos citados.
1. Separe a evidência de aprendizagem da impressão global do aluno
Como aplicação, após uma tarefa de compreensão oral, leitura ou produção escrita, convide o estudante a identificar uma coisa que conseguiu fazer e um próximo passo. Imagine uma turma em que alguns alunos dizem “sou ruim em alemão” depois de errar uma resposta. Em vez de confirmar ou negar o rótulo, o professor pode retomar evidências concretas: que trecho compreenderam, que estratégia usaram e qual parte ainda exige prática. Essa conversa não substitui a avaliação; ajuda a tornar a avaliação mais específica do que um julgamento geral de capacidade.
2. Evite transformar a comparação entre colegas em medida de valor
Como aplicação, mostre critérios de sucesso ligados à tarefa, em vez de organizar a participação em torno de quem sabe mais rápido. Por exemplo, numa atividade de vocabulário, a turma pode acompanhar o próprio progresso entre uma tentativa e outra. Becker e colegas investigaram relações entre contexto e autoconceito, e a literatura que contextualiza seu estudo descreve processos de comparação social. Isso não prova que toda comparação seja prejudicial, mas recomenda atenção ao que a dinâmica da aula faz os alunos entenderem sobre sua capacidade.
3. Ajude a distinguir dificuldades linguísticas de dificuldades de conteúdo
Como aplicação, se um aluno não responde a uma pergunta sobre um tema trabalhado, verifique se a barreira está na compreensão do conteúdo, na língua da instrução ou em ambas. Imagine um estudante que consegue explicar uma ideia oralmente com apoio, mas tem dificuldade para expressá-la por escrito em alemão. Uma tarefa com etapas — compreender, organizar a ideia e formular a resposta — pode ajudar o professor a observar o que já está acessível e o que ainda precisa de apoio. Essa proposta dialoga com a experiência descrita em Luxemburgo, sem presumir que a situação seja idêntica no Brasil.
4. Faça perguntas breves sobre a experiência emocional de aprender
Como aplicação, inclua uma pergunta simples de autoavaliação: “O que nesta atividade deu segurança?” ou “Em que momento você ficou travado?”. Não é necessário transformar a aula em atendimento terapêutico. O objetivo é obter pistas para ajustar o ritmo, a preparação e as oportunidades de participação. O estudo de Resnik trata de aprendizes de inglês, não de alemão, mas seus resultados associam prazer e ansiedade a diferentes autopercepções ao usar a língua. Portanto, essa aplicação é uma hipótese pedagógica razoável, não uma conclusão específica sobre o alemão.
5. Observe o autoconceito por disciplina, não apenas como confiança geral
Como aplicação, faça registros separados sobre a percepção do aluno em leitura, compreensão oral ou escrita, se essas dimensões forem adequadas ao seu planejamento. Um estudante pode sentir-se capaz em uma modalidade e inseguro em outra. A pesquisa de Arens trata de domínios escolares diferentes e mostra relações específicas por área; não testa essa divisão dentro das modalidades do alemão. Ainda assim, separar observações evita que uma dificuldade localizada vire o rótulo amplo “não consegue aprender línguas”.
6. Combine devolutiva com uma oportunidade concreta de nova tentativa
Como aplicação, ao devolver uma atividade, indique um passo de revisão que o aluno possa executar e ofereça uma ocasião para usá-lo. Por exemplo, depois de corrigir uma produção curta, o estudante pode revisar uma estrutura trabalhada e comparar as duas versões. A ideia é tornar visível a relação entre estratégia, esforço e aprendizagem, sem prometer que uma nova tentativa sempre elevará o autoconceito ou a nota. Os estudos apresentados não testaram essa prática em aulas brasileiras de alemão; ela é uma maneira de operacionalizar a atenção às relações entre desempenho e percepção de capacidade.
O que muda no contexto brasileiro?
Os estudos citados foram conduzidos na Alemanha, Suíça, Luxemburgo e em países de língua alemã, e seus sistemas escolares e condições de aprendizagem não são automaticamente equivalentes aos brasileiros. Em particular, os achados sobre percursos escolares suíços ou política linguística luxemburguesa não descrevem regras, etapas ou políticas do Brasil. O cuidado principal é usar as pesquisas como lentes para formular perguntas, não como retrato direto das escolas brasileiras.
Também é necessário considerar que o alemão pode ocupar posições diferentes no cotidiano dos estudantes no Brasil. Para alguns, pode ser uma língua estrangeira aprendida em contexto escolar; para outros, pode estar ligado à história familiar ou a experiências comunitárias. Os resumos fornecidos não investigam especificamente essas situações no Brasil. Por isso, ao avaliar uma turma, vale perguntar que contato os alunos têm com a língua e que repertórios já trazem, sem presumir que todos começam do mesmo ponto.
Uma adaptação prudente é observar, em conjunto, desempenho em tarefas, percepção de capacidade e experiência de participação. Isso pode ser feito por meio de perguntas breves, atividades de baixa pressão e devolutivas específicas, desde que sejam adequadas ao contexto local. São possibilidades de aplicação, não resultados comprovados pelos estudos para escolas brasileiras. Se a decisão envolver uma intervenção institucional, formação docente ou avaliação de impacto, é importante buscar pesquisas realizadas em contextos comparáveis e examinar os estudos completos.
Quais são os limites desta leitura?
Este artigo se baseia nos resumos de estudos recentes disponibilizados, não na leitura integral dos trabalhos. Os resumos permitem apresentar objetivos, alguns aspectos do método e resultados relatados, mas não oferecem todos os detalhes necessários para avaliar instrumentos, análises, limitações específicas ou a força de cada conclusão.
Ficam em aberto perguntas relevantes para a prática: como o autoconceito em alemão muda ao longo do tempo em estudantes brasileiros? Que estratégias de ensino o influenciam, e em quais condições? Como separar a confiança na própria capacidade do domínio efetivo da língua? E quais resultados se repetiriam em diferentes etapas escolares e perfis linguísticos no Brasil? Os estudos descritos não respondem diretamente a essas questões.
Faria sentido consultar os artigos completos quando a escola ou o professor precisar decidir sobre uma intervenção, comparar instrumentos de avaliação ou compreender detalhes metodológicos antes de aplicar os resultados a um grupo específico. Essa leitura permitiria examinar com mais precisão como cada estudo definiu e mediu autoconceito, além de verificar os limites que os resumos não apresentam.
Como o GeraProva ajuda com este assunto?
O GeraProva pode ajudar a criar provas e atividades com questões alinhadas aos conteúdos que você está trabalhando, facilitando a preparação de diferentes formas de verificar a aprendizagem. A ferramenta não mede autoconceito por si só nem substitui a conversa e a observação do professor; pode ser um apoio para organizar avaliações e acompanhar o que a turma já consegue fazer em alemão. Conheça o gerador de provas do GeraProva ou faça seu cadastro grátis.
Perguntas frequentes sobre autoconceito acadêmico e alemão
Autoconceito acadêmico é a mesma coisa que autoestima?
Não exatamente. Neste contexto, autoconceito acadêmico é a percepção que o estudante tem da própria capacidade em um domínio de aprendizagem, como alemão ou matemática. Ele pode ser positivo em uma disciplina e mais baixo em outra. Os estudos de Arens e de Ramseier examinam autoconceitos ligados a áreas específicas, não apenas uma avaliação geral de si. Por isso, ao conversar com um aluno, pode ser mais útil perguntar como ele se sente em relação a uma tarefa concreta do que concluir, a partir de uma resposta, que sua autoestima geral é baixa ou alta.
Uma nota baixa em alemão significa que o aluno tem autoconceito baixo?
Não necessariamente. Nota e autoconceito são aspectos relacionados, mas não idênticos. Arens encontrou relações recíprocas entre desempenho e autoconceito dentro de cada domínio ao longo do tempo, o que não significa que uma nota isolada revele toda a percepção do estudante. O aluno pode reconhecer uma dificuldade pontual e ainda acreditar que consegue melhorar; também pode obter um resultado satisfatório e continuar inseguro. Uma forma de aplicação é combinar os resultados da atividade com uma pergunta específica sobre o que o estudante considera fácil, difícil ou possível de aprimorar.
Comparar alunos pode afetar a percepção de capacidade?
Processos de comparação social fazem parte da explicação do efeito “peixe grande em lago pequeno”, discutido no estudo de Becker e colegas: o desempenho médio da turma pode afetar negativamente o autoconceito. A pesquisa também investigou referências ligadas à vizinhança e encontrou relações que variaram por ano escolar e por análise. Isso não permite concluir que toda comparação entre estudantes seja prejudicial. Como aplicação, o professor pode priorizar critérios claros e progresso individual, evitando tratar a posição relativa na turma como uma medida completa da capacidade de aprender alemão.
O que fazer quando o aluno aprende alemão em uma língua que não fala em casa?
Os relatos analisados por Muller em Luxemburgo mostram que a distância entre os repertórios linguísticos dos estudantes e a língua de instrução pode acompanhar dificuldades educacionais e repercussões emocionais. O estudo é qualitativo e reúne dois casos, portanto não descreve todos os alunos multilíngues nem o contexto brasileiro. Como aplicação, o professor pode verificar se a barreira está no conteúdo, na língua usada para ensiná-lo ou nos dois, e oferecer modos de demonstrar compreensão enquanto o aluno desenvolve proficiência. É importante não confundir uma dificuldade de expressão na língua de instrução com falta de conhecimento sobre o tema.
As emoções influenciam como o estudante se percebe ao usar uma língua?
O estudo de Resnik e colegas encontrou, entre aprendizes de inglês em países de língua alemã, associações entre emoções e autopercepções: o prazer em aprender a língua se relacionou a percepções positivas ao usá-la, enquanto níveis elevados de ansiedade se relacionaram a percepções negativas. A pesquisa não investigou diretamente o alemão, então não se deve apresentar esses resultados como prova específica sobre essa língua. Como aplicação, perguntas breves sobre segurança, interesse ou ansiedade podem ajudar o professor a entender como os alunos vivenciam uma atividade, sem transformar emoções em diagnóstico ou explicação única do desempenho.
Esses estudos provam que aumentar o autoconceito melhora as notas?
Não. Os resumos descrevem relações entre desempenho e autoconceito, além de associações com contexto, ajuste percebido e emoções, mas não estabelecem uma regra geral de causa e efeito para aulas de alemão no Brasil. Arens encontrou relações recíprocas dentro de domínios em um estudo longitudinal; outros trabalhos investigaram perguntas e populações diferentes. Isso sugere que desempenho e crenças sobre capacidade merecem ser observados juntos, mas não prova que uma atividade específica para elevar o autoconceito produza melhores notas. Para afirmar efeito de uma intervenção, seria necessário avaliar uma intervenção apropriada em um contexto definido.
Referências
- Arens, A. Katrin; Niepel, Christoph (2023). Formação do autoconceito acadêmico e do valor intrínseco em três domínios e entre eles: ampliando o modelo recíproco de quadro de referência interno/externo (Formation of Academic Self-Concept and Intrinsic Value within and across Three Domains: Extending the Reciprocal Internal/External Frame of Reference Model). British Journal of Educational Psychology. Link.
- Becker, Dominik; Fleischmann, Moritz; Wessling, Katarina; Nagengast, Benjamin; Trautwein, Ulrich (2024). Vivendo no Grande Lago: a vizinhança como referencial para a formação do autoconceito acadêmico (Living in the Big Pond: Adding the Neighborhood as a Frame of Reference for Academic Self-Concept Formation). AERA Open. Link.
- Ramseier, Lukas; Neuenschwander, Markus P. (2026). O efeito longitudinal do ajuste pessoa-ambiente percebido sobre as trajetórias escolares e o papel mediador dos autoconceitos e das expectativas de sucesso (The Longitudinal Effect of Perceived Person-Environment Fit on Academic Trajectories and the Mediating Role of Self-Concepts and Expectations of Success). European Journal of Psychology of Education. Link.
- Muller, Sarah (2025). Integrando a experiência vivida da língua às abordagens discursivas de políticas: uma investigação sobre os relatos de estudantes do ensino primário de Luxemburgo acerca da política de educação em língua alemã (Integrating the Lived Experience of Language with Discursive Approaches to Policy: An Exploration of Luxembourgish Primary School Students' Accounts of German Language Education Policy). Language Policy. Link.
- Resnik, Pia; Panicacci, Alex; Dewaele, Jean-Marc (2025). Como a inteligência emocional como traço e as emoções moldam as autopercepções dos aprendizes na língua-alvo (How Trait Emotional Intelligence and Emotions Shape Learners' Self-Perceptions in the Target Language). Language Learning Journal. Link.
Se você ensina alemão, experimente observar não só o que seus alunos acertam, mas também como explicam para si mesmos o que conseguem fazer. Essa escuta pode ser um bom ponto de partida para planejar o próximo passo de aprendizagem.
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