Atividades de Morfossintaxe para a 3ª série do Ensino Médio com gabarito
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Alexandre Lombardi dos Santos 01 de outubro de 2026 9 min de leitura 51
Reuni questões de Morfossintaxe para a 3ª série do Ensino Médio, com gabarito comentado e foco em concordância, colocação pronominal, períodos e oralidade. Use como apoio para revisar conteúdos e planejar a aula.
Quando trabalho Morfossintaxe com a 3ª série do Ensino Médio, procuro aproximar a análise das formas e das relações entre palavras do uso que os estudantes fazem da língua. A revisão não precisa ficar restrita a decorar nomes: identificar sujeito e predicado, observar a concordância e perceber como os pronomes se posicionam ajuda a explicar escolhas concretas em frases e textos. Também aproveito esse estudo para retomar a organização dos períodos e a relação entre verbos e marcadores de tempo.
Na reta final do Ensino Médio, gosto de alternar exercícios objetivos com conversa sobre linguagem em situações reais. As questões desta sequência incluem tópicos gramaticais e itens de oralidade e argumentação, para apoiar uma revisão mais ampla de Língua Portuguesa. A seguir, compartilho possibilidades de encaminhamento e o gabarito comentado para você adaptar ao ritmo da sua turma.
O que o aluno de 3ª série precisa saber sobre Morfossintaxe
Na 3ª série, espero que o estudante consiga observar como as palavras se organizam na oração e como essa organização interfere na construção de sentidos. Isso inclui reconhecer sujeito e predicado, relacionar sujeito e verbo na concordância e identificar casos em que verbos impessoais, como “fazer” indicando tempo decorrido e “haver” com sentido de existir, permanecem no singular. Também é importante diferenciar período simples e composto a partir do número de orações, observar a colocação dos pronomes átonos e relacionar tempos verbais a marcadores temporais como “ontem”. Essa análise pode partir de frases isoladas, mas ganha consistência quando é conectada a textos e situações de comunicação. Por isso, junto à revisão gramatical, vale interpretar como a oralidade permite apresentar pontos de vista, fazer circular argumentos e participar de debates públicos. As questões a seguir contemplam esses conhecimentos e ajudam a verificar tanto a identificação de estruturas quanto a compreensão de seus usos.
O que ele precisa saber antes
Para acompanhar as questões, é útil que a turma já reconheça o verbo como núcleo que ajuda a localizar orações e saiba identificar, em frases simples, sujeito e predicado. A revisão também pede familiaridade com concordância entre sujeito e verbo, incluindo a noção de sujeito composto. Para a colocação pronominal, os estudantes precisam reconhecer pronomes pessoais átonos e compreender, ao menos, as posições de próclise e ênclise e a atração exercida por palavras negativas. Na parte de tempos verbais, convém retomar os tempos do indicativo e a leitura de marcadores temporais. Já as questões de oralidade partem da compreensão de textos argumentativos, das funções sociais da fala e da ideia de que argumentos podem ser apresentados oralmente ou por escrito.
Onde os alunos mais erram
Nas questões de concordância, um deslize comum é olhar apenas para um termo plural e concluir que o verbo também deve ir para o plural. Isso pode levar à escolha de “Fazem cinco anos”, embora “fazer”, quando indica tempo decorrido, seja impessoal e fique no singular. O movimento inverso também aparece: diante de um sujeito composto, como “Os alunos e a professora”, é preciso reconhecer que o verbo deve concordar no plural. A questão sobre predicado traz outra confusão possível: selecionar apenas o verbo, quando o predicado completo é “latiu alto”.
Na colocação pronominal, o distrator mais provável indicado para a questão é “Contaram-me”. A forma está adequada; a dificuldade está em não distinguir uma ênclise aceitável da próclise exigida pela palavra negativa em “Não o vi”. Em períodos, contar palavras ou avaliar se a frase é curta não resolve: é necessário identificar as orações a partir dos verbos e de sua organização. Na questão de tempos verbais, o marcador “ontem” orienta a leitura para o passado, então “conta” não combina com o contexto. Por fim, nos itens de oralidade, é importante não confundir ampliar o debate com eliminar divergências ou dispensar a participação social.
Como trabalhar em sala
Faça uma leitura diagnóstica curta: selecione algumas frases das questões e peça que os estudantes marquem verbos, sujeitos e predicados. A correção coletiva permite descobrir quais conceitos precisam de retomada antes de avançar.
Peça que justifiquem a escolha: em vez de apenas marcar uma alternativa, convide a turma a explicar por que “faz” permanece no singular ou por que “não” interfere na posição do pronome. A justificativa torna visível o raciocínio.
Compare frases em pares: escreva no quadro “Faz tempo que não o vejo” e “Os alunos e a professora chegaram cedo”. A turma pode localizar os sujeitos e discutir por que a concordância funciona de modo diferente em cada caso.
Conte orações com atenção aos verbos: peça aos estudantes que circulem os verbos e delimitem as orações em exemplos de período simples e composto. Em seguida, comparem a contagem com a estrutura, sem se apoiar apenas no tamanho da frase.
Conecte oralidade e argumentação: organize uma conversa breve sobre uma decisão de interesse coletivo, com apresentação de posições e razões. Combine escuta e respeito às divergências; depois, discuta como a fala pode fazer circular argumentos e favorecer a participação.
Questões prontas de Morfossintaxe para a 3ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
As questões abaixo permitem revisar conteúdos gramaticais e ampliar a conversa para a leitura e a oralidade. Em cada item, o comentário explica a resposta e o problema das alternativas incorretas.
1. Identifique a frase que apresenta um erro de concordância verbal:
✅ A) Fazem cinco anos que não a vejo. É a alternativa correta: “fazer”, indicando tempo decorrido, é impessoal e deve ficar no singular. A forma adequada é “Faz cinco anos que não a vejo”.
❌ B) Os alunos estudam para a prova. A frase está correta: “estudam” concorda com o sujeito plural “os alunos”.
❌ C) Ela e eu gostamos de ler. A frase está correta. O sujeito composto “Ela e eu” exige o verbo na primeira pessoa do plural: “gostamos”.
❌ D) Havia muitas pessoas na festa. A frase está correta. Com sentido de existir, “haver” é impessoal e fica no singular.
❌ E) As flores murcharam por falta de água. A frase está correta: o verbo “murcharam” concorda com o sujeito “as flores”.
2. Qual opção apresenta um erro de colocação pronominal?
❌ A) Ele me viu na escola. A próclise está adequada nessa frase; não há palavra que torne incorreta a posição do pronome.
❌ B) Contaram-me a verdade. A ênclise está adequada. A alternativa funciona como distrator porque pode parecer incorreta a quem generaliza a próclise, mas o erro está em outra opção.
❌ C) Nós nos encontramos no café. A colocação está adequada; o pronome “nos” retoma o sujeito “nós”.
✅ D) Não vi-o na festa. A palavra negativa “não” atrai o pronome para antes do verbo. A forma adequada é “Não o vi na festa”.
❌ E) Ela se machucou durante o jogo. A colocação está adequada; “se” retoma o sujeito “ela”.
3. Qual das opções abaixo é um período simples?
❌ A) O menino jogou bola e a menina correu. É período composto: há duas orações, com os verbos “jogou” e “correu”.
✅ B) Os alunos visitaram o museu de ciências. É período simples, pois apresenta uma oração organizada em torno do verbo “visitaram”.
❌ C) Ele gosta de estudar, mas ela prefere brincar. Há duas orações, organizadas em torno de “gosta” e “prefere”; por isso, é período composto.
❌ D) A casa é bonita, e o jardim é grande. Há duas orações: “A casa é bonita” e “o jardim é grande”.
❌ E) Quando a chuva parou, as crianças saíram para brincar. A frase apresenta mais de uma oração, com os verbos “parou”, “saíram” e “brincar”.
4. Qual das frases a seguir apresenta um erro de concordância verbal?
❌ A) Faz tempo que não o vejo. A frase está correta: “fazer”, indicando tempo decorrido, fica no singular.
❌ B) Havia muitas pessoas na festa. A frase está correta. “Haver”, com sentido de existir, é impessoal e permanece no singular.
✅ C) Os alunos e a professora chegou cedo. A concordância está incorreta porque o sujeito é composto. O adequado é “Os alunos e a professora chegaram cedo”.
❌ D) Ela e eu gostamos de estudar. A frase está correta: “gostamos” concorda com o sujeito composto.
❌ E) A criança e o cachorro brincam no parque. A frase está correta; o sujeito composto pede o verbo no plural, como em “brincam”.
5. Na frase “O cachorro latiu alto”, qual é o predicado?
❌ A) O cachorro. Esse trecho é o sujeito da oração, não o predicado.
❌ B) Latiu. É o verbo e faz parte do predicado, mas não corresponde ao predicado completo da frase.
✅ C) Latiu alto. É o predicado: informa a ação atribuída ao sujeito e inclui o verbo e o termo que o acompanha.
❌ D) O alto. Esse trecho não constitui o predicado da frase; a expressão não apresenta a ação atribuída ao sujeito.
❌ E) Cachorro latiu. A opção inclui parte do sujeito e o verbo, mas não delimita corretamente o predicado completo, que é “latiu alto”.
6. Qual das frases abaixo apresenta um erro de uso de tempos verbais?
❌ A) Quando eu cheguei, ele já tinha ido embora. A combinação situa a partida antes de outra ação passada e está adequada.
❌ B) Eu vou ao cinema amanhã. O marcador “amanhã” combina com a referência a uma ação futura; a frase está adequada.
❌ C) Ela disse que tinha visto o filme. A forma “tinha visto” está adequada para indicar uma ação anterior ao ato de dizer.
❌ D) Se eu soubesse disso, eu não comeria. A construção está adequada: “soubesse” e “comeria” formam uma relação condicional compatível.
✅ E) Ontem, ele conta a história. O marcador “ontem” situa a ação no passado, mas “conta” está no presente. Para manter a concordância temporal, o adequado é “Ontem, ele contou a história”.
7. Em uma cidade brasileira, estudantes produziram uma série de podcasts sobre a instalação de um novo terminal de ônibus. Nos episódios, moradores com opiniões diferentes apresentaram argumentos, responderam a perguntas do público e indicaram as fontes dos dados utilizados. Após a divulgação dos programas, o número de participantes na audiência pública da Câmara Municipal aumentou, e os vereadores passaram a discutir propostas apresentadas pelos moradores. Com base no texto, como a oralidade influenciou a formação da opinião pública sobre a instalação do terminal de ônibus?
❌ A) Substituiu informações verificáveis por opiniões individuais sobre a medida. O texto informa que as fontes dos dados foram indicadas; não houve substituição das informações verificáveis por opiniões sem apoio.
❌ B) Impossibilitou divergências ao divulgar apenas uma posição sobre a medida. O texto relata a participação de moradores com opiniões diferentes, portanto não houve divulgação de uma única posição.
❌ C) Eliminou a necessidade de participação presencial nas decisões públicas. O texto informa que a participação na audiência pública aumentou. Os podcasts não eliminaram essa participação.
✅ D) Ampliou a circulação de argumentos e favoreceu o debate público sobre a medida. Os podcasts divulgaram diferentes posições, abriram espaço para perguntas e contribuíram para a participação na audiência e a discussão de propostas.
❌ E) Transferiu aos especialistas a decisão sobre a medida discutida. A situação destaca moradores e vereadores, não a transferência da decisão para especialistas.
8. Qual é a relação entre oralidade e argumentação em debates filosóficos?
❌ A) A oralidade não tem relação com a argumentação. A fala pode ser usada para apresentar, organizar e defender argumentos; por isso, as duas estão relacionadas.
✅ B) A oralidade é essencial para a apresentação e defesa de argumentos. Em debates, a fala permite expor pontos de vista e sustentar razões diante de outras pessoas.
❌ C) A argumentação deve ser sempre escrita. Argumentar não é exclusivo da escrita: também é possível apresentar e defender ideias oralmente.
❌ D) A oralidade confunde os argumentos apresentados. A fala pode tornar argumentos compreensíveis e organizá-los; não os confunde necessariamente.
❌ E) A oralidade apenas serve para divertir os ouvintes. A oralidade também cumpre funções argumentativas, informativas e de participação social.
Use este material como apoio e adapte a sequência ao que sua turma precisa retomar. As questões podem ser reorganizadas ou combinadas com outros exercícios para compor uma revisão mais próxima dos objetivos da sua aula.