Em uma campanha institucional, uma empresa divulga que paga “salário justo”, oferece contratos formais e adota…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Identificar, analisar e discutir as circunstâncias históricas, geográficas, políticas, econômicas, sociais, ambientais e culturais de matrizes conceituais (etnocentrismo, racismo, evolução, modernidade, cooperativismo/desenvolvimento etc.), avaliando criticamente seu significado histórico e comparando-as a narrativas que contemplem outros agentes e discursos.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma campanha institucional, uma empresa divulga que paga “salário justo”, oferece contratos formais e adota um código de ética. Ao mesmo tempo, trabalhadores relatam metas excessivas, jornadas prolongadas e medo constante de demissão. Em comentário sobre a situação, uma professora lembra Alysson Mascaro: para entender o capitalismo, não basta olhar para a forma jurídica da relação; é preciso considerar como a produção social organiza a exploração. Com base no texto-base e na leitura de Alysson Mascaro, essa situação evidencia que a aparência de legalidade nas relações de trabalho pode ocultar qual característica central do capitalismo?
- A) A formalização do contrato é suficiente para garantir justiça nas relações de trabalho, pois a existência de regras e códigos éticos impede que a exploração continue operando no cotidiano produtivo.
- B) O caso mostra principalmente um desvio moral individual dos gestores, já que a origem do problema estaria na falta de ética pessoal e não na estrutura social do capitalismo.
- C) A exploração do trabalho permanece como traço estrutural, mesmo quando a relação aparece como formalmente justa e legal, porque o direito pode organizar e legitimar a forma contratual sem eliminar a assimetria material entre capital e trabalho.
- D) A situação evidencia que a legalidade trabalhista cria, por si só, relações sem conflito entre capital e trabalho, tornando desnecessária qualquer crítica à estrutura produtiva.
- E) A empresa revela que a exploração diminuiu de modo decisivo, porque jornadas longas e metas excessivas passam a ser compensadas pela regularidade do vínculo formal e pelo discurso institucional de responsabilidade.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- O texto-base contrapõe a aparência jurídica (salário justo, contratos formais, código de ética) à realidade vivida pelos trabalhadores (metas excessivas, jornadas longas, medo de demissão). Passo 2: Segundo a leitura de Alysson Mascaro citada, a forma jurídica não basta para compreender o capitalismo; é preciso olhar para a maneira como a produção social organiza a exploração. Passo 3: Portanto, a característica central que a aparência de legalidade pode ocultar é a exploração do trabalho como traço estrutural da produção capitalista, que persiste mesmo quando a relação é formalmente legal. Passo 4: A alternativa C expressa exatamente isso: o direito organiza e legitima a forma contratual, mas não elimina a assimetria material entre capital e trabalho. Passo 5: A alternativa A está errada porque confunde formalização com justiça material, já que regras e códigos não impedem a exploração. Passo 6: A alternativa B está errada porque reduz o problema a desvio moral individual, desconsiderando a dimensão estrutural destacada no texto. Passo 7: A alternativa D está errada porque afirma a ausência de conflito, o que contradiz a ideia de assimetria entre capital e trabalho. Passo 8: A alternativa E está errada porque conclui que a exploração diminuiu, algo que o próprio relato dos trabalhadores desmente. Passo 9: Concordo com o gabarito oficial, que é a letra C.
💡 Dica: Não confunda legalidade com justiça material.
Alternativa por alternativa
Acredita que a existência de contrato formal e de regras éticas garante, por si só, relações justas, tomando a legalidade como sinônimo de justiça material.
Por que engana: Achar que contrato formal elimina exploração
Atribui a situação a falhas morais de gestores específicos, pensando que bastaria mudar a conduta pessoal para resolver o problema, sem perceber a dimensão estrutural da exploração.
Responde exatamente ao comando: reconhece que a legalidade aparente não suprime a exploração e destaca a assimetria material entre capital e trabalho, em linha com Mascaro.
Entende que a legalidade trabalhista elimina o conflito entre capital e trabalho, quando o texto mostra justamente que a assimetria persiste apesar das normas.
Interpreta o discurso institucional e a formalização do vínculo como prova de redução da exploração, ignorando os relatos de metas excessivas e medo de demissão presentes no texto.
Raio-X da questão
Exploração estrutural no capitalismo
Verificar leitura cr
Capitalismo · Direito como mediação social
Forma jurídica e relações de produção
Achar que contrato formal elimina exploração
Trabalho e direitos humanos
Pensamento crítico
Filosofia do ensino
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