— Este gesto de procurar a chave também pode entrar na dança? — perguntou uma visitante ao ler os painéis de…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Explorar elementos constitutivos do movimento cotidiano e do movimento dançado, abordando, criticamente, o desenvolvimento das formas da dança em sua história tradicional e contemporânea.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Este gesto de procurar a chave também pode entrar na dança? — perguntou uma visitante ao ler os painéis de uma exposição. Um deles descrevia bailes de salão do início do século XX, nos quais os pares seguiam percursos combinados e mantinham posturas previstas. Outro apresentava uma obra atual: a artista observou pessoas chegando ao prédio, selecionou gestos de espera, procura e desvio, modificou durações, direções e intensidades e os apresentou sem música. A curadoria evitou chamar a segunda obra de cópia do baile. Em vez disso, propôs que o público percebesse como regras de convivência, espaços e escolhas artísticas interferem nos modos de dançar. Analise as informações dos painéis e determine o texto que melhor responde à visitante, considerando os sentidos históricos e artísticos do movimento.
- A) Reconhece que alterar gestos cotidianos impede relacioná-los a modos de dançar de outros tempos.
- B) Reconhece que os percursos do baile provam que toda dança exige pares e música.
- C) Reconhece que a obra atual deve reproduzir os percursos do baile para adquirir valor artístico.
- D) Reconhece que gestos cotidianos podem tornar-se dança ao serem reorganizados, sem apagar os contextos das práticas.
- E) Reconhece que qualquer gesto cotidiano já é dança, mesmo sem alteração de duração, direção ou intensidade.
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- O enunciado descreve dois momentos. No primeiro, bailes de salão do início do século XX seguem percursos combinados e posturas previstas. No segundo, uma artista atual pega gestos cotidianos (espera, procura, desvio), altera durações, direções e intensidades e os apresenta sem música. A curadoria não chama a obra de cópia do baile e afirma que regras de convivência, espaços e escolhas artísticas interferem nos modos de dançar.
- A pergunta da visitante é se o gesto de procurar a chave pode entrar na dança. A resposta que os painéis sustentam é que sim: gestos do cotidiano podem virar dança quando são reorganizados artisticamente. Isso corresponde exatamente à alternativa D.
- A alternativa D também respeita o outro ponto do texto, pois diz que isso ocorre sem apagar os contextos das práticas. A curadoria valoriza justamente a relação entre a obra atual e as regras históricas do baile.
- Por que as outras estão erradas. A afirma que alterar gestos impede relacioná-los a danças de outros tempos, mas o texto sugere justamente que a comparação com o baile ajuda o público a perceber as regras de convivência. B afirma que os percursos provam que toda dança exige pares e música, o que é uma generalização que o texto não faz e que a obra sem música contradiz. C diz que a obra atual precisa reproduzir os percursos do baile para ter valor, mas a curadoria rejeita a ideia de cópia. E diz que qualquer gesto cotidiano já é dança sem nenhuma alteração, o que ignora a ideia central de reorganização artística que o painel apresenta.
- Conclusão: a melhor resposta para a visitante é a alternativa D, que une a possibilidade de o gesto cotidiano virar dança com a preservação dos contextos históricos das práticas.
💡 Dica: Reflita sobre as diferenças históricas e artísticas dos gestos na dança.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que modificar um gesto do dia a dia rompe qualquer vínculo com danças de outras épocas. Ele ignora que a curadoria propõe justamente essa comparação para mostrar como as regras de convivência influenciam os modos de dançar.
O aluno supõe que os percursos do baile demonstram uma regra universal de que toda dança precisa de pares e música. Essa generalização não aparece no painel e é contrariada pela obra atual, que é apresentada sem música.
O aluno acredita que a obra atual só tem valor artístico se repetir os percursos do baile. Isso contraria a recusa explícita da curadoria em tratar a obra como cópia.
A obra transforma gestos funcionais por meio de escolhas de tempo, espaço e intensidade, relacionando-os criticamente a formas de dança situadas em contextos distintos.
O aluno entende que qualquer gesto cotidiano já é dança por natureza, dispensando qualquer reorganização artística. Essa visão apaga a ideia central do painel, que atribui o caráter de dança à escolha e reorganização feitas pela artista.
Raio-X da questão
gestos na dança e contexto histórico artístico
diagnostico
interpretação de textos artísticos · história da dança
estude a relação entre movimento, contexto histórico e expressão artística
Confundir gestos cotidianos com movimentos artísticos sem considerar o contexto histórico e artístico.
multiculturalismo
pensamento_critico
literario
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