— Meu visto dura o mesmo que o contrato — disse um operário, ao entrar no ônibus que leva ao alojamento…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e caracterizar as dinâmicas das populações, das mercadorias e do capital nos diversos continentes, com destaque para a mobilidade e a fixação de pessoas, grupos humanos e povos, em função de eventos naturais, políticos, econômicos, sociais, religiosos e culturais, de modo a compreender e posicionar-se criticamente em relação a esses processos e às possíveis relações entre eles.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
— Meu visto dura o mesmo que o contrato — disse um operário, ao entrar no ônibus que leva ao alojamento coletivo. Ele trabalha em um canteiro ligado a um novo porto e a uma zona franca em uma cidade-estado da península Arábica. Segundo o sindicato de origem dos trabalhadores, cerca de 65% dos habitantes locais são estrangeiros contratados por 18 a 24 meses, vindos do sul da Ásia e do leste da África. Ao fim do vínculo, a autorização de residência expira em 30 dias; a troca de empregador exige aval da empresa; e a reunião familiar é limitada. Já fundos internacionais que compram imóveis na região recebem permissão de residência por até 10 anos. Enquanto mercadorias e investimentos circulam com poucas barreiras, parte da população permanece temporária e politicamente invisível, embora indispensável ao funcionamento da cidade. Com base no texto, aplique a noção aristotélica de cidadania para interpretar a diferença de tratamento entre trabalhadores migrantes e investidores no lugar descrito.
- A) Reconhecer que cidadania se reduz ao local de moradia, tornando residente e cidadão categorias equivalentes.
- B) Reconhecer que cidadania é participação deliberativa, mantendo como não cidadãos os que não integram decisões da polis.
- C) Reconhecer que cidadania é prêmio por contribuição econômica, atribuindo mais direitos a quem investe mais capital.
- D) Reconhecer que cidadania é condição humana universal, devendo ser idêntica para todos que circulam pelo território.
- E) Reconhecer que cidadania depende de assimilação cultural, independentemente de regras políticas e jurídicas.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Identifique a noção aristotélica. Na Política, Aristóteles define o cidadão (polítes) como aquele que participa das funções deliberativas e judiciárias da pólis, isto é, que governa e é governado em alternância. Ser residente não basta; o critério é a participação nas decisões coletivas. Passo 2: Aplique ao texto. Os trabalhadores migrantes vivem e trabalham no território, são indispensáveis ao funcionamento da cidade, mas não participam das decisões: têm autorização temporária, expirada em 30 dias após o vínculo, dependem do aval da empresa para trocar de empregador e têm reunião familiar limitada. Os investidores recebem residência por até 10 anos, um tratamento mais favorável, mas o texto não os descreve como participantes deliberativos da vida política. A diferença mostra que o acesso à permanência segue o valor econômico, e não a participação política. Passo 3: Conclua. A alternativa B é a correta, pois reconhece que quem não integra as decisões da pólis não é cidadão, o que explica a invisibilidade política dos migrantes descrita no texto. Passo 4: Por que as outras estão erradas. A: morar no território não torna alguém cidadão, pois residência e cidadania não são equivalentes. C: Aristóteles não vincula cidadania a capital econômico; o mérito político não se compra com investimento. D: para Aristóteles a cidadania é própria da pólis e não uma condição humana universal que se estenda a todos que circulam pelo território. E: a assimilação cultural não é critério aristotélico; o que define o cidadão é a participação política, e não a adoção de costumes locais.
💡 Dica: Analise o texto e relacione com o conceito aristotélico de cidadania.
Alternativa por alternativa
O aluno acredita que basta morar no local para ser cidadão, confundindo residência com participação política.
No texto, migrantes trabalham e residem sem voz pública; em Aristóteles, cidadão é quem participa do deliberar e governar.
O aluno transfere a lógica de mercado para a política e acha que quem investe mais capital merece mais direitos, como se a cidadania fosse uma recompensa econômica.
O aluno entende cidadania como direito universal da pessoa humana, sem perceber a distinção aristotélica entre o homem em geral e o cidadão da pólis.
O aluno associa pertencimento à cidadania à integração cultural e à adoção de costumes locais, ignorando que Aristóteles define o cidadão pela participação política.
Raio-X da questão
noção aristotélica de cidadania
diagnostico
conceito de cidadania · contexto migratório e social
estude o conceito de cidadania segundo Aristóteles e suas implicações sociais
Confundir cidadania com mera residência ou direitos econômicos sem considerar participação política e social.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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