Durante um momento de silêncio, um jovem afirma que sente inquietação ao perceber que precisa escolher seu…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Durante um momento de silêncio, um jovem afirma que sente inquietação ao perceber que precisa escolher seu caminho sem poder depender sempre da opinião dos outros. — Na perspectiva heideggeriana, essa inquietação pode ser interpretada como
- A) medo, entendido como reação diante de um perigo concreto que obriga o sujeito a evitar decisões difíceis.
- B) desespero, entendido como estado final em que o sujeito perde a capacidade de agir e já não consegue escolher seu caminho.
- C) angústia, compreendida como experiência que revela ao sujeito sua liberdade e a responsabilidade de escolher.
- D) alienação, interpretada como afastamento do sujeito de sua autenticidade por depender do julgamento coletivo.
- E) culpa, vista como sentimento moral que surge quando o sujeito desrespeita regras sociais e precisa se corrigir.
✅ Resposta correta: alternativa C
Resolução passo a passo
- A questão pede a interpretação heideggeriana de uma inquietação que surge ao perceber que é preciso escolher o próprio caminho sem depender sempre da opinião alheia.
- Em Ser e Tempo, Heidegger distingue a angústia (Angst) do medo. O medo tem sempre um objeto determinado, um perigo concreto que vem de fora. A angústia, ao contrário, não tem objeto intramundano definido: o que ameaça é o próprio ser-no-mundo, e a angústia revela ao sujeito sua possibilidade mais própria, isto é, sua liberdade.
- A alternativa C descreve exatamente isso: a angústia revela ao sujeito sua liberdade e a responsabilidade de escolher. Ao perceber que não pode se apoiar sempre nos outros (no "a gente", no impessoal), o jovem se depara com a sua própria existência como projeto a ser assumido.
- Por que as outras estão erradas:
- - A: descreve o medo, que tem perigo concreto e objeto definido, o oposto do que Heidegger chama de angústia.
- - B: o desespero não é o estado final da angústia nem uma perda da capacidade de agir; na leitura heideggeriana a angústia é uma disposição fundamental, não um colapso.
- - D: a alienação remete ao domínio do impessoal, que é justamente o que a angústia desvela e permite superar; não é a interpretação da inquietação em si.
- - E: a culpa, em Heidegger, está ligada à consciência e ao ser-culpado da existência, não a desrespeito de regras sociais, então a definição moral apresentada não corresponde ao seu pensamento.
- Conclusão: a alternativa correta é a C, que coincide com o gabarito oficial.
💡 Dica: Procure o conceito que liga inquietação, liberdade e responsabilidade.
Alternativa por alternativa
O aluno confunde angústia com medo, supondo que a inquietação tem um perigo concreto e identificável que leva a evitar decisões.
Por que engana: Confundir angústia com medo ou culpa.
O aluno entende que a inquietação leva ao desespero como estado final de paralisia, sem perceber que, em Heidegger, a angústia é uma disposição que revela a liberdade e não uma perda definitiva da capacidade de agir.
Corresponde ao conceito heideggeriano solicitado: a angústia desvela a condição de liberdade e a necessidade de assumir as próprias escolhas.
O aluno associa a inquietação à dependência do julgamento coletivo e a toma como alienação, quando a questão fala justamente da tentativa de escolher sem depender dos outros, o que aponta para autenticidade e não para alienação.
O aluno aplica a ideia de culpa moral de senso comum, ligando a inquietação ao descumprimento de regras sociais, o que não corresponde à noção heideggeriana de culpa ligada à existência.
Raio-X da questão
Angústia heideggeriana.
Relacionar texto e c
Liberdade existencial. · Responsabilidade por escolher.
Existencialismo de Heidegger.
Confundir angústia com medo ou culpa.
Projeto de vida.
Autonomia.
Filosofia existencia
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