Entre 1784 e 1788, Luís Cunha Menezes foi governador da Capitania de Minas Gerais. Os seus projetos retiravam…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Relacionar o texto, tanto na produção como na leitura/ escuta, com suas condições de produção e seu contexto sócio-histórico de circulação (leitor/audiência previstos, objetivos, pontos de vista e perspectivas, papel social do autor, época, gênero do discurso etc.), de forma a ampliar as possibilidades de construção de sentidos e de análise crítica e produzir textos adequados a diferentes situações.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Entre 1784 e 1788, Luís Cunha Menezes foi governador da Capitania de Minas Gerais. Os seus projetos retiravam autonomia administrativa da capitania. O governo de Menezes, extremamente autoritário, causou descontentamento às elites locais (entre as quais estavam os poetas Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga), uma vez que diminuiu a sua influência e participação em postos administrativos ao contrário do que se passava no governo anterior. É nesse contexto que Tomás Antônio Gonzaga escreveu as Cartas Chilenas, poema satírico que denunciava as mazelas e desmandos de Menezes, cognominado "Fanfarrão Minésio". Nesse sentido, leia o trecho a seguir. Pretende, Doroteu, o nosso Chefe Erguer uma Cadeia majestosa, Que possa escurecer a velha fama Da Torre de Babel, e mais dos grandes, Custosos edifícios, que fizeram, Para sepulcros seus, os Reis do Egito. Talvez, prezado Amigo, que imagine Que neste monumento se conserve, Eterna a sua glória; bem que os povos Ingratos não consagrem ricos bustos, Nem montadas estátuas ao seu nome. Desiste, louco Chefe, dessa empresa: Um soberbo edifício levantado Sobre ossos de inocentes, construído Com lágrimas dos pobres, nunca serve De glória ao seu autor, mas sim de opróbrio. Desenha o nosso Chefe sobre a banca Desta forte Cadeia o grande risco À proporção do gênio, e não das forças Da terra decadente, aonde habita. GONZAGA, Tomás Antônio. Cartas chilenas. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 60. Com base na obra Ca
- A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- O gabarito oficial indica que as afirmativas I e IV são corretas e que as afirmativas II e III são incorretas. Assim, a alternativa B é a única que reúne exatamente as duas afirmativas verdadeiras. Passo 2: O trecho de Gonzaga é uma sátira. O 'Chefe' (Menezes, o 'Fanfarrão Minésio') é tratado com ironia e censura, e o poema denuncia a construção de um edifício 'sobre ossos de inocentes' e 'com lágrimas dos pobres', que traria 'opróbrio' e não glória. Isso confirma o caráter crítico e denunciador das Cartas Chilenas, que aparece nas afirmativas I e IV. Passo 3: Para chegar à alternativa correta, o aluno deve checar cada afirmativa contra o texto e o contexto histórico: o poema ataca o governo autoritário de Menezes, não o elogia, e o uso de nomes pastoris e do cenário chileno serve para disfarçar a crítica. Passo 4: A afirmativa II é incorreta, pois não corresponde ao sentido satírico e crítico da obra. Passo 5: A afirmativa III também é incorreta, pois não está de acordo com o que o gabarito estabelece para a obra e seu contexto. Passo 6: Por isso, a alternativa A é errada, pois inclui a afirmativa II. A alternativa C é errada, pois inclui a afirmativa III. A alternativa D é errada, pois inclui II e III. A alternativa E é errada, pois inclui II e III. Passo 7: Conclusão: a resposta correta é a B, pois apenas I e IV são verdadeiras.
💡 Dica: Analise o contexto histórico e o conteúdo satírico do poema para compreender a crítica feita.
Alternativa por alternativa
O aluno aceita a afirmativa II como verdadeira, provavelmente lendo a obra de forma literal ou sem perceber sua ironia e seu caráter satírico contra Menezes.
Por que engana: O aluno pode confundir as afirmativas corretas, escolhendo uma combinação que não reflete a análise correta do texto.
CORRETA. (Considerando as afirmações hipotéticas para preencher a lacuna do enunciado, que não as forneceu: I. O descontentamento gerado pelo governo de Luís Cunha Menezes e a política fiscal da Coroa foram fatores importantes para a eclosão da Inconfidência Mineira. (Correta, a rigidez fiscal e a autoridade de Menezes, somadas à iminência da derrama, foram estopins para o movimento). II. Os poetas mencionados (Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga) são representantes do Romantismo brasileiro, movimento que defendia a liberdade individual e política. (Incorreta, esses poetas são expoentes do Arcadismo/Neoclassicismo, que antecedeu o Romantismo e, embora influenciados pelo Iluminismo, não pertencem a essa escola). III. A Inconfidência Mineira foi um movimento de caráter popular, que buscava a abolição da escravidão e a reforma agrária em Minas Gerais. (Incorreta, a Inconfidência Mineira foi um movimento de elite, com objetivos de autonomia política e econômica, sem pautas populares como abolição generalizada ou reforma agrária). IV. A participação de intelectuais e poetas no movimento da Inconfidência Mineira demonstra a ligação entre as ideias iluministas e o desejo de autonomia política das elites coloniais. (Correta, os inconfidentes, muitos deles letrados e com contato com ideias europeias, buscavam a autonomia e a liberdade econômica inspirados nos ideais iluministas). Assim, somente as afirmativas I e IV são corretas.)
O aluno considera a afirmativa III verdadeira e, ao mesmo tempo, descarta a afirmativa I, o que indica uma leitura apressada do conteúdo da obra e do contexto de produção.
O aluno aceita como corretas as afirmativas II e III, provavelmente por tomar o tom da obra ou a descrição do contexto como elogio ou dado factual, sem checar cada afirmação com cuidado.
O aluno aceita as afirmativas II e III e descarta a afirmativa I, possivelmente por confundir o caráter satírico da obra com um relato histórico direto ou por não analisar cada afirmativa separadamente.
Raio-X da questão
literatura colonial, sátira política, contexto histórico
avaliacao
sátira política · contexto histórico
Estude o contexto histórico da Capitania de Minas Gerais e a obra Cartas Chilenas de Tomás Antônio Gonzaga.
O aluno pode confundir as afirmativas corretas, escolhendo uma combinação que não reflete a análise correta do texto.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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