Segundo Aristóteles, a virtude ética surge da prática habitual. Indique uma consequência direta dessa ideia…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar os fundamentos da ética em diferentes culturas, tempos e espaços, identificando processos que contribuem para a formação de sujeitos éticos que valorizem a liberdade, a cooperação, a autonomia, o empreendedorismo, a convivência democrática e a solidariedade.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Segundo Aristóteles, a virtude ética surge da prática habitual. Indique uma consequência direta dessa ideia para a formação do caráter em comunidades que enfrentam rápidas transformações sociais.
- A) As instituições devem ignorar a prática habitual, pois isso não afeta a ética.
- B) A virtude se consolida pela repetição; instituições e práticas educativas devem adaptar-se para preservar hábitos éticos diante da mudança.
- C) Os hábitos éticos não se alteram com mudanças sociais.
- D) A formação do caráter se dá apenas pela educação formal, sem influência do cotidiano.
- E) A elaboração de normas deve ser baseada apenas em teorias, sem prática.
✅ Resposta correta: alternativa B
Resolução passo a passo
- Aristóteles, na Ética a Nicômaco, sustenta que a virtude ética (ethiké aretê) não é inata nem surge do simples conhecimento teórico, mas se adquire pelo hábito, isto é, pela repetição de ações virtuosas até que se tornem disposições estáveis do caráter. Somos justos praticando atos justos, corajosos praticando atos corajosos.
- A questão pede uma consequência direta dessa ideia para a formação do caráter em comunidades que passam por transformações rápidas. Se o caráter se forma pela prática repetida, então, quando o contexto muda rapidamente, os hábitos que sustentam a virtude podem se enfraquecer. Por isso, a consequência direta é que instituições e práticas educativas precisam se adaptar para continuar oferecendo ocasiões de prática virtuosa.
- A alternativa B expressa exatamente essa consequência: a virtude se consolida pela repetição e as instituições devem adaptar-se para preservar hábitos éticos diante da mudança. Ela está correta e coincide com o gabarito.
- Por que as outras estão erradas:
- A) Contraria diretamente Aristóteles, pois ignorar a prática habitual significaria ignorar o próprio mecanismo de formação do caráter.
- C) Ignora a premissa aristotélica de que os hábitos são adquiridos e, portanto, sensíveis ao ambiente e às práticas vividas.
- D) Nega a influência do cotidiano, que para Aristóteles é central, já que o caráter se forma pela repetição de atos na vida real.
- E) Separa a norma da prática, o que é incompatível com a ética aristotélica, que é uma ética voltada à ação e à phronesis (sabedoria prática).
- Conclusão: a alternativa B é a única que deriva logicamente da tese de que a virtude surge do hábito, e o gabarito oficial está correto.
💡 Dica: Pense nas implicações da prática habitual na formação do caráter.
Alternativa por alternativa
O aluno entende que as instituições podem desconsiderar a prática cotidiana, supondo que a ética depende apenas de normas abstratas ou de ideias já prontas.
Por que engana: Confundir a ideia de que a prática habitual não influencia a ética, desconsiderando a importância da repetição na formação do caráter.
Aristóteles define virtude como hábito (Ética a Nicômaco). Rompimento de rotinas formadoras por transformações sociais exige recriar práticas que promovam atos virtuosos para manter o caráter ético.
O aluno supõe que os valores morais são fixos e imunes ao contexto social, como se o caráter fosse uma essência permanente que independe das transformações vividas.
O aluno associa a formação do caráter exclusivamente à escola ou ao ensino formal, esquecendo que, para Aristóteles, o hábito se constrói na vivência cotidiana.
O aluno acredita que normas éticas podem ser criadas somente por teorias, sem considerar que a ética aristotélica se realiza na ação e na prática concreta.
Raio-X da questão
virtude ética e caráter
diagnostico
virtude ética · formação do caráter
Revisar a relação entre prática habitual e formação do caráter segundo Aristóteles.
Confundir a ideia de que a prática habitual não influencia a ética, desconsiderando a importância da repetição na formação do caráter.
cidadania_etica
pensamento_critico
cotidiano
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