Considere um rio de planície que recebe escoamento agrícola rico em nitrato e apresenta perda de vegetação…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Avaliar e prever efeitos de intervenções nos ecossistemas, e seus impactos nos seres vivos e no corpo humano, com base nos mecanismos de manutenção da vida, nos ciclos da matéria e nas transformações e transferências de energia, utilizando representações e simulações sobre tais fatores, com ou sem o uso de dispositivos e aplicativos digitais (como softwares de simulação e de realidade virtual, entre outros).
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Considere um rio de planície que recebe escoamento agrícola rico em nitrato e apresenta perda de vegetação ribeirinha. Proponha um plano de intervenção com etapas biológicas para reduzir nitrato e recuperar biodiversidade, prevendo efeitos sobre fluxo de energia, ciclos biogeoquímicos e riscos potenciais.
✍️ Questão dissertativa: veja abaixo a resposta esperada e a explicação.
Resposta esperada
Plano de intervenção (etapas e justificativas biológicas): 1) Estabelecer faixa ripária com espécies nativas (ex.: Salix spp., Alnus spp., gramíneas e arbustos locais) em mosaico — função: interceptar escoamento, promover retenção sedimentar e assimilação de NO3- por plantas (uptake) e raízes. Tempo inicial: 1–3 anos para estabelecimento e redução imediata do escoamento. 2) Construir zonas húmidas ribeirinhas intercaladas (leitos rasos com macrófitas como Typha spp., Juncus spp.) — função: promover desnitrificação anóxica em sedimento e zona rizosférica, transformando NO3- em N2 gasoso; também aumentam retenção de fósforo por adsorção e sedimentação. Expectativa: redução substancial de nitrato em meses a 2 anos. 3) Reativar corredores e microhabitats (piscinas, refúgios de madeira morta) para recuperar complexidade estrutural — função ecológica: aumentar nichos, restaurar fluxo de energia (produtores ? consumidores) e favorecer comunidade de invertebrados e peixes nativos. 4) Monitoramento e indicadores: medir concentração de NO3-, taxa de desnitrificação (15N ou proxies), oxigênio dissolvido, comunidades de macroinvertebrados (índice biológico) e cobertura vegetal anual; ajustar manejo conforme resultados. 5) Manejo adaptativo: controle de fontes difusas (boas práticas agrícolas, faixas de vegetação de amostragem), evitar monoculturas ripárias para reduzir vulnerabilidade a pragas e promover diversidade funcional. Previsões sobre processos: maior retenção de nutrientes por uptake vegetal e desnitrificação aumentará a qualidade da água e reduzirá eutrofização a jusante; a restauração estrutural aumenta produção primária local e transfere energia por sucessivas trocas tróficas, recuperando biodiversidade. Riscos potenciais e mitigação: zonas húmidas criadas podem gerar emissões localizadas de CH4 por metanogênese em sedimento anóxico—mitigar com desenho alternado de zonas oxigenadas e fluxo; risco de estabelecimento de espécies invasoras—usar propágulos nativos e monitorar remoção precoce; acumulação de contaminantes (P, pesticidas) no sedimento exigirá remoções periódicas ou fitoextração. Cronograma resumido: 0–1 ano planejamento e controle de fontes; 1–3 anos plantio ripário e construção de zonas húmidas; 3–10 anos consolidação da comunidade e avaliação de recuperação biológica. Resultados esperados: redução de NO3- e melhoria de índices biológicos em 2–5 anos, maior complexidade trófica e estabilidade ecológica a médio prazo.
Explicação
O plano apresentado aborda de maneira abrangente a recuperação da qualidade da água e da biodiversidade, integrando intervenções que visam tanto a redução de nitratos quanto a restauração do habitat. As etapas são fundamentadas em princípios ecológicos, como a desnitrificação e a promoção de diversidade funcional, que são essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Além disso, a consideração de riscos potenciais e a proposta de um manejo adaptativo demonstram uma abordagem proativa e sustentável.
Raio-X da questão
intervenção ecológica
avaliacao
ciclos biogeoquímicos · biodiversidade
Revisar os ciclos biogeoquímicos e a importância da vegetação ribeirinha.
O aluno pode falhar ao não considerar a interdependência entre os organismos e os ciclos biogeoquímicos ao propor a intervenção.
educacao_ambiental
pensamento_critico
cientifico
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