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Resto da divisão por 4: o erro de confundir sobra com múltiplo

Entenda como diagnosticar se a turma identifica o resto ou confunde sobra com múltiplos do divisor. Veja uma sequência de ensino e oito questões comentadas com erros reveladores.

Resto da divisão por 4: o erro de confundir sobra com múltiplo

Lembro bem de uma aula de quarta-feira no 5º ano. Eu tinha escrito no quadro os números 6, 10 e 14 e perguntei qual era o resto de cada um na divisão por 4. Uma aluna levantou a mão, muito segura, e respondeu: "zero, professora, porque 14 é múltiplo de 4?". Ela não estava chutando. Ela tinha visto a palavra múltiplo na lição anterior e aplicou a regra no lugar errado.

Em outro momento, um menino respondeu "dois" para o resto de 6 e "zero" para o de 16, e quando perguntei por que, ele disse que achava que o resto era sempre o número que faltava para chegar no próximo múltiplo. Essas duas cenas resumem o problema deste post: o aluno até sabe fazer a conta, mas confunde sobra com múltiplo, e o erro passa despercebido enquanto a turma não é observada com cuidado.

O que é resto da divisão por 4, explicado para o professor?

O resto da divisão de um número natural N por 4 é a quantidade que sobra depois de formarmos o maior número possível de grupos completos de 4. Como o divisor é 4, o resto só pode ser 0, 1, 2 ou 3. Se o resto fosse 4 ou mais, ainda caberia mais um grupo completo. Quando o resto é zero, o número é múltiplo de 4, ou seja, a divisão é exata. Quando o resto é diferente de zero, o número não é múltiplo de 4, e a sobra mostra exatamente quanto ficou de fora.

Um exemplo simples: 14 dividido por 4 forma 3 grupos completos (12) e sobra 2. Então o resto é 2, e 14 não é múltiplo de 4. Já 16 forma 4 grupos e não sobra nada: resto 0. Note que o quociente (3 no primeiro caso, 4 no segundo) não é o resto, e é justamente essa diferença que os alunos mais confundem.

No currículo, esse conteúdo aparece como aprofundamento da divisão. A habilidade EF04MA12 trata da construção de procedimentos de cálculo com multiplicação e divisão, e é nela que o aluno começa a lidar com sobras. Em seguida, a EF05MA08 pede que o estudante reconheça múltiplos e divisores e resolva problemas com essas ideias, o que exige entender restos com clareza. No 6º ano, a EF06MA04 consolida a noção de múltiplos e divisores de um número natural, e o resto volta com força em problemas de classificação e em algoritmos simples.

Na prática, o tema aparece em problemas de organização: caixas, filas, bilhetes, miçangas, potes. Sempre que há uma quantidade que precisa ser distribuída em grupos fixos, existe uma sobra, e é essa sobra que o aluno precisa aprender a enxergar como informação, e não como ruído.

O que o aluno precisa saber antes?

Os dados das fichas pedagógicas do GeraProva mostram um padrão claro. Quase todas as questões do conceito pedem como pré-requisito a divisão com resto, e várias pedem também operações básicas ou números naturais. Isso quer dizer que a dificuldade não está só no resto: ela depende de o aluno dominar a divisão como um todo, incluindo o quociente, a multiplicação e a subtração que aparecem no cálculo.

Como verificar se a turma tem essa base? Faça três perguntas de sondagem antes de qualquer questão mais elaborada: quanto é 23 dividido por 4, com quociente e resto? Quanto é 4 vezes 5 mais 2? Quanto é 30 menos 28? Se a turma tropeça em uma dessas, o problema não é o resto, é a base, e vale voltar a ela antes de avançar. Outra forma simples é pedir que os alunos formem grupos de 4 com 19 palitos e registrem quantos grupos formaram e quantos palitos sobraram. A conversa que surge desse registro costuma ser mais reveladora do que dez exercícios.

Vale também checar se o aluno sabe o que significa múltiplo. Muitos confundem múltiplo com resultado da tabuada e não percebem que todo múltiplo de 4 deixa resto zero. Essa relação é a chave para diferenciar os casos.

Quais são os erros mais comuns e por que acontecem?

Nas fichas técnicas, o erro típico aparece de forma repetida: confundir o quociente com o resto ou simplesmente não calcular o resto corretamente. Em várias questões, o distrator mais escolhido é o que mistura essas duas ideias ou que troca um número de sobra por um múltiplo. Abaixo estão os três erros que mais vejo em sala.

Confundir sobra com múltiplo

Este é o erro do título deste post e o mais frequente. O aluno aprende que múltiplos de 4 são 4, 8, 12, 16 e associa a palavra à ideia de "número bonzinho". Quando perguntado sobre o resto de 14, responde zero, porque o número "parece" pertencer à família do 4. A causa é aprendizagem por memorização de listas, sem a compreensão de que múltiplo significa resto zero. Como intervir: peça que o aluno desenhe grupos de 4 bolinhas para 14 e conte o que sobra. Quando ele vê as duas bolinhas sozinhas no desenho, a ideia de sobra fica concreta. Depois, faça a correspondência explícita: múltiplo é quando a sobra é zero.

Usar o quociente no lugar do resto

Aqui o aluno calcula corretamente quantos grupos completos formou, mas entrega esse número como resposta. Em 14 por 4, ele responde 3, esquecendo os 2 que sobraram. Em várias questões do conceito, a alternativa com o quociente aparece como distrator, e ela é muito escolhida justamente porque o cálculo "deu certo" na primeira etapa. A causa é a pressa e a ausência de uma pergunta de conferência. Como intervir: ensine uma checagem de duas linhas. Multiplique o quociente pelo divisor, some o resto e confirme se dá o número original. Para 14: 3 vezes 4 é 12, mais 2 dá 14. Se a conta não fecha, algo está errado.

Trocar o resto pelo número que falta para o próximo múltiplo

Esse é o erro mais sutil. O aluno calcula quanto falta para chegar ao próximo múltiplo de 4 e entrega esse valor como resto. Para 6, o próximo múltiplo é 8, faltam 2, e ele responde 2, o que dá certo por acaso. Mas para 13, o próximo múltiplo é 16, faltam 3, e a resposta correta é 1. A causa é a generalização de um caso que funciona por coincidência. Como intervir: proponha pares de números em que as duas ideias divergem, como 13 e 15, e deixe os alunos compararem os resultados. A divergência convence mais do que qualquer explicação verbal.

Há ainda um erro de leitura que aparece em questões situacionais: o aluno não identifica qual número está sendo pedido, se o total, o grupo ou o resto. Por isso, sempre que a questão tiver contexto, leia o enunciado em voz alta com a turma e pergunte o que a questão quer que se descubra.

Como ensinar passo a passo?

A sequência que funciona melhor na minha experiência começa no concreto e termina na abstração, e as dicas de resolução das fichas seguem exatamente essa lógica: calcule a sobra de cada número e compare com a sobra pedida.

Primeiro passo: material concreto. Distribua 15 tampinhas para cada dupla e peça que formem grupos de 4. Registre quantos grupos completos surgiram e quantas tampinhas ficaram de fora. Repita com outros totais, sempre anotando a dupla de valores: grupos e sobra.

Segundo passo: registro em tabela. Monte com a turma uma tabela com colunas para número, grupos completos, sobra e se é múltiplo de 4. Preencha para 8, 9, 10, 11 e 12. O padrão aparece: a sobra cicla entre 0, 1, 2 e 3, e volta a zero a cada múltiplo.

Terceiro passo: a regra da sobra. Ensine a conferência multiplicando e somando, como descrito acima. Repita até que a checagem seja automática.

Quarto passo: problemas de grupos com restos iguais. Este é o ponto em que o conceito fica útil. Pergunte: se 6, 10 e 14 deixam sobra 2 quando divididos por 4, qual outro número deixaria a mesma sobra? Os alunos percebem que basta somar 4 de cada vez a partir da sobra. Essa ideia de padrão antecipa o raciocínio que aparece no 6º ano.

Quinto passo: contexto. Use situações reais, como a organização de uma feira, de uma fila de alunos ou de um estoque. A pergunta muda de "quanto é" para "o que vai sobrar", e a sobra passa a ter sentido.

Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento?

Os dados pedagógicos das oito questões ajudam a escolher o instrumento certo. A maioria delas está classificada para diagnóstico, prova e atividade, e o papel na prova é de progressão, ou seja, elas são pensadas para ir do mais simples ao mais complexo. Isso significa que você pode organizar sua avaliação começando por uma questão de cálculo direto e terminando por uma de análise de padrões.

Para o diagnóstico inicial, prefira questões de tempo de resolução médio, com enunciado simples e exigência de cálculo, como a que pede o resto de 14 dividido por 3 em um fluxograma. Elas identificam quem domina a operação. Para a prova, use questões com poder de discriminação alto, que separam quem entendeu de quem apenas memorizou o procedimento. Essas são as que envolvem análise de conjuntos de números com a mesma sobra.

Para a avaliação rápida, o ideal são questões de leitura baixa e cálculo direto, que cabem em poucos minutos. Para o simulado, escolha as que exigem análise e raciocínio de padrão, pois exigem mais tempo e preparam para o formato das provas externas. Lembre que algumas questões não servem para avaliação rápida, e isso não é defeito: elas pedem mais tempo e mais interpretação.

Uma recomendação prática: não avalie só com questões de cálculo. Misture questões de procedimento com questões de padrão, porque o erro de confundir sobra com múltiplo só aparece de verdade quando o aluno precisa justificar uma escolha entre alternativas parecidas.

O que ensinar antes?

Antes do resto, o aluno precisa dominar a divisão com resto, que é o pré-requisito que aparece em todas as fichas. Se o estudante ainda não separa quociente e resto com segurança, qualquer atividade sobre sobras vira adivinhação.

Logo em seguida vem a multiplicação e adição, porque a conferência do resto depende de multiplicar o divisor pelo quociente e somar a sobra. Um aluno que tropeça na tabuada não consegue verificar as próprias respostas.

Por fim, os números naturais precisam estar consolidados: o aluno deve compreender a sequência, a ordem e a ideia de quantidade. Sem isso, o padrão de restos que se repete a cada 4 unidades não faz sentido.

Para onde este conceito leva?

O resto da divisão por 4 é uma porta de entrada para temas mais avançados. A primeira ponte é a divisão com resto em contextos mais complexos, em que o aluno precisa escolher entre quociente, resto e arredondamento conforme o problema.

A segunda ponte é a noção de divisores e divisão exata. Quando o resto é zero, o divisor divide o número exatamente, e isso é a base para entender divisibilidade, fatoração e máximo divisor comum, que aparecem mais adiante.

Também é nessa fase que surge a ideia de congruência, que muitos professores apresentam como "números que deixam o mesmo resto". Essa linguagem aparece em alguns materiais do 6º ano e prepara o aluno para a aritmética modular, que é uma ferramenta útil em problemas de calendário e de senhas.

Ligações com outros temas

No plano transversal, o resto aparece em problemas de organização de espaços, de alimentos e de tempo. Um mesmo exercício pode servir para discutir planejamento de uma campanha de arrecadação, como nas questões de potes e de caixas, e para conversar sobre desperdício e aproveitamento.

No campo socioemocional, as fichas indicam dois eixos principais: pensamento crítico e tomada de decisão. Quando o aluno precisa verificar se uma resposta faz sentido, ele exercita o senso crítico. Quando precisa escolher entre alternativas parecidas e justificar a escolha, treina a tomada de decisão. Esses dois eixos são o que mais aproveito nas aulas, porque transformam a conta em conversa.

O contexto de aplicação mais comum é o cotidiano: caixas, feiras, filas, estoques. Algumas questões são mais abstratas, como a do fluxograma, e servem para mostrar ao aluno que a mesma lógica aparece em programas de computador. Vale alternar os contextos ao longo do ano, para que o conceito não fique preso a um único tipo de problema.

8 questões comentadas sobre resto da divisão por 4

A seguir estão as oito questões validadas do conceito. Para cada uma, o gabarito está marcado com ✅, e as alternativas erradas vêm com ❌ e a explicação de por que o aluno não deve escolhê-las. Em seguida, veja o que o erro revela sobre quem o cometeu. A ficha técnica completa de cada questão aparece no final do bloco.

Questão 1: bilhetes na feira da escola

Na feira da escola, os bilhetes são colocados em caixas conforme a sobra da divisão do número por 6. O bilhete 29 vai para a caixa da sobra 5. Sem contar o bilhete 29, quais três bilhetes também vão para essa caixa?

  • ❌ A) 12, 18 e 24 — Esses números deixam sobra 0 na divisão por 6. O erro é escolher números divisíveis por 6, em vez de números com sobra 5.
  • ❌ B) 11, 17 e 24 — Os dois primeiros números estão corretos, mas 24 deixa sobra 0, não sobra 5. O erro é contar 24 como se estivesse na mesma caixa.
  • ❌ C) 12, 17 e 23 — 17 e 23 deixam sobra 5, mas 12 deixa sobra 0. O erro é trocar 11 por 12, que é o número seguinte na lista.
  • ❌ D) 11, 18 e 23 — 11 e 23 deixam sobra 5, mas 18 deixa sobra 0. O erro é escolher 18 por ele estar entre os números que deixam sobra 5.
  • ✅ E) 11, 17 e 23 — Os números 11, 17 e 23 deixam sobra 5 quando divididos por 6: 11 = 6 + 5, 17 = 12 + 5 e 23 = 18 + 5. O número 29 também deixa sobra 5, mas não deve ser contado porque o enunciado pede os bilhetes sem contar o 29.

O que o erro revela: quem escolhe a alternativa B ou D costuma calcular a sobra de apenas um número e generalizar para os outros, ou se deixa levar pela proximidade numérica. A questão é ótima para diagnosticar se o aluno realmente calcula cada resto.

Questão 2: grupos de folhas com o mesmo resto

Na escola, Ana separou folhas em grupos de 4 e observou o que sobrava. Qual grupo de números deixa o mesmo resto quando cada número é dividido por 4?

  • ❌ A) 6, 10 e 15 deixam o mesmo resto. — Ao dividir por 4, os restos são 2, 2 e 3. Portanto, os restos não são todos iguais.
  • ❌ B) 6, 11 e 14 deixam o mesmo resto. — Ao dividir por 4, os restos são 2, 3 e 2. Portanto, os restos não são todos iguais.
  • ❌ C) 6, 10 e 16 deixam o mesmo resto. — Ao dividir por 4, os restos são 2, 2 e 0. O número 16 não deixa resto.
  • ❌ D) 5, 10 e 14 deixam o mesmo resto. — Ao dividir por 4, os restos são 1, 2 e 2. Portanto, os restos não são todos iguais.
  • ✅ E) 6, 10 e 14 deixam o mesmo resto. — Ao dividir 6, 10 e 14 por 4, sobra 2 em todos os casos: 6 = 4 + 2, 10 = 8 + 2 e 14 = 12 + 2.

O que o erro revela: o aluno que escolhe a alternativa B costuma confundir a sequência de números com a sequência de restos, e o aluno que escolhe C costuma tratar múltiplo como resto zero, justamente o erro central deste post.

Questão 3: o fluxograma dos múltiplos de 3

Considere o seguinte fluxograma descrito em palavras: Início, ler um número natural N, calcular o resto da divisão de N por 3, se o resto for 0, mostrar "múltiplo de 3"; caso contrário, mostrar "não é múltiplo de 3", fim. Se N = 14, qual será a mensagem mostrada?

  • ❌ A) múltiplo de 3 — Errada, pois 14 dividido por 3 deixa resto 2, não 0.
  • ✅ B) não é múltiplo de 3 — Correta, pois 14 na divisão por 3 deixa resto 2, então não é múltiplo de 3.
  • ❌ C) múltiplo de 2 — Errada, pois essa não é uma das saídas do fluxograma descrito.
  • ❌ D) resto igual a 3 — Errada, pois o resto de uma divisão por 3 não pode ser 3.
  • ❌ E) não é número natural — Errada, pois 14 é um número natural e o fluxograma aceita esse valor.

O que o erro revela: a escolha da alternativa A indica que o aluno leu a condição do fluxograma sem calcular o resto. É um bom exemplo de questão que mistura a ideia de resto com a leitura de um algoritmo.

Questão 4: os dias de análise de Carla

"Notei um padrão", comentou Carla ao organizar os registros de ponto dos funcionários. Ela percebeu que, ao dividir o número do dia do mês pelo divisor 7, o resto era sempre igual. Nos dias selecionados para análise, os valores foram: 8, 15, 22 e 29 (dados fictícios). Analise o texto-base e identifique o resto comum ao dividir cada um daqueles dias por 7.

  • ❌ A) 4 — Resto 4 aparece em 11 ou 18, não correspondendo aos valores mencionados.
  • ✅ B) 1 — 8, 15, 22 e 29 divididos por 7 deixam resto 1, conforme observação de Carla.
  • ❌ C) 3 — Resto 3 surge em dias como 10 ou 17, diferentes dos dias analisados.
  • ❌ D) 2 — Resto 2 seria, por exemplo, em 9 ou 16, não nos dias fornecidos.
  • ❌ E) 0 — Resto 0 ocorre quando o número é múltiplo de 7; nenhum dos dias listados é múltiplo de 7.

O que o erro revela: a alternativa A costuma aparecer quando o aluno chuta um resto sem calcular. Essa questão tem poder de discriminação alto e é muito útil para separar quem sabe calcular de quem apenas reconhece o padrão visualmente.

Questão 5: os potes da campanha de arrecadação

Durante a preparação de uma campanha de arrecadação, voluntários separam potes de alimentos em caixas com 6 potes cada. Em três dias, chegaram 8, 14 e 20 potes. Em cada caso, eles montaram todas as caixas completas possíveis e guardaram os potes que não couberam em uma caixa para a próxima entrega. Ao observar os registros, uma voluntária percebeu que esses três totais formam um grupo: ao serem organizados em caixas de 6, sempre sobra a mesma quantidade de potes. Para conferir a ideia, ela procurará outro total que possa entrar nesse grupo. Analise os totais apresentados e identifique a quantidade de potes que também deixará o mesmo resto na divisão por 6.

  • ❌ A) A quantidade de 29 potes. — Erro de escolher um número seguinte sem testar a divisão. Ao dividir 29 por 6, sobram 5 potes.
  • ✅ B) A quantidade de 26 potes. — Ao dividir 26 por 6, formam-se 4 caixas completas e sobram 2 potes, como ocorre com 8, 14 e 20.
  • ❌ C) A quantidade de 30 potes. — Erro de confundir caixa completa com mesmo resto. Ao dividir 30 por 6, não sobra nenhum pote.
  • ❌ D) A quantidade de 27 potes. — Erro de continuar a sequência sem verificar o resto. Ao dividir 27 por 6, sobram 3 potes.
  • ❌ E) A quantidade de 28 potes. — Erro de considerar apenas que o número é próximo dos demais. Ao dividir 28 por 6, sobram 4 potes.

O que o erro revela: a escolha de C mostra que o aluno tratou a palavra completa como sinônimo de resto zero, a mesma confusão entre múltiplo e sobra que atravessa todo o conceito.

Questão 6: o treino de natação

No treino de natação, o gráfico mostra 9, 13, 17, 21 e 25 metros percorridos em cada volta. Observe o gráfico. De acordo com o gráfico, qual é o resto da divisão desses números por 4?

  • ❌ A) 0 — 0 seria resto de números múltiplos de 4, mas isso não ocorre no gráfico.
  • ✅ B) 1 — Todos os números do gráfico deixam resto 1 quando divididos por 4.
  • ❌ C) 2 — Os valores não deixam resto 2 na divisão por 4.
  • ❌ D) 3 — Os valores não deixam resto 3 na divisão por 4.
  • ❌ E) 4 — O resto não pode ser igual ao divisor.

O que o erro revela: quem escolhe A está ligando o conceito de resto zero à ideia de número "redondo", e quem escolhe E esquece que o resto é sempre menor que o divisor. Boa questão para o momento de lembrança, em que o aluno precisa recordar a definição.

Questão 7: a sequência de caixas de livros

Numa campanha de doação, as caixas registradas no gráfico têm 7, 12, 17 e 22 livros. Observe o gráfico. Com base nos dados, qual número também pode entrar na sequência, mantendo o mesmo resto na divisão por 5?

  • ❌ A) 25 — 25 é múltiplo de 5 e deixa resto 0, não 2.
  • ❌ B) 26 — 26 deixa resto 1 quando dividido por 5.
  • ✅ C) 27 — 27 deixa resto 2, como 7, 12, 17 e 22.
  • ❌ D) 28 — 28 deixa resto 3 na divisão por 5.
  • ❌ E) 29 — 29 deixa resto 4 na divisão por 5.

O que o erro revela: as alternativas com 25 e 26 mostram que o aluno não identificou o resto comum, e as demais mostram que ele provavelmente escolheu pelo padrão de sequência, sem conferir a sobra. Questão de leitura baixa, boa para avaliação rápida.

Questão 8: as miçangas da Joana

— Sobrou sempre o mesmo tanto! — comentou Joana, que ajuda a tia a montar kits de miçangas para uma feira. Cada caixinha deve ter 6 miçangas, todas iguais. Para não errar, Joana testou algumas quantidades antes de separar: com 29 miçangas, ela completou 4 caixinhas e sobraram 5 miçangas; com 41 miçangas, ela completou 6 caixinhas e sobraram 5 miçangas; com 53 miçangas, ela completou 8 caixinhas e sobraram 5 miçangas. Agora, a tia de Joana quer escolher outras quantidades de miçangas para comprar, de modo que, ao formar caixinhas de 6, a sobra seja a mesma observada nos testes. Analise os testes do texto e identifique o conjunto de quantidades que, ao ser dividido em grupos de 6, deixa sempre a mesma sobra.

  • ❌ A) 66, 72, 78 e 84 — Todos são múltiplos de 6 e deixam sobra 0; o erro é confundir sobra com quantidade de caixinhas.
  • ❌ B) 65, 72, 77 e 84 — 72 e 84 são múltiplos de 6 e deixam sobra 0; o erro é misturar números com sobras diferentes.
  • ❌ C) 64, 70, 76 e 82 — Esses números deixam sobra 4 ao dividir por 6, não a mesma sobra mostrada nos testes.
  • ✅ D) 65, 71, 77 e 83 — Todos são do tipo 6k + 5, então ao dividir por 6 deixam sobra 5, como nos testes do texto.
  • ❌ E) 65, 71, 78 e 83 — Apenas 78 é múltiplo de 6 e deixa sobra 0; o erro é não verificar a sobra de todos os números.

O que o erro revela: quem escolhe B costuma olhar para os números isoladamente e perder de vista a sobra comum, além de confundir múltiplos com números de sobra qualquer. Questão de poder de discriminação alto, muito útil para simulado.

Perguntas frequentes

Resto zero significa que o número é múltiplo?

Sim. Quando a divisão por 4 deixa resto zero, o número é múltiplo de 4 e a divisão é exata. Essa é a relação que mais precisa ser explicitada para os alunos, porque muitos tratam múltiplo e resto como ideias separadas. Peça que anotem os dois conceitos lado a lado e que verifiquem exemplos com a mesma tabela.

O resto pode ser maior que o divisor?

Não. O resto de uma divisão por 4 é sempre menor que 4, ou seja, 0, 1, 2 ou 3. Se a conta der resto 4 ou mais, significa que ainda cabia um grupo completo e o quociente deve ser aumentado. Essa verificação é um ótimo hábito para qualquer aluno.

Como explicar a diferença entre quociente e resto sem confundir?

Use a imagem de caixas: o quociente é quantas caixas completas você encheu, e o resto é quanto ficou fora delas. Desenhar a situação ajuda muito. Depois, use a conferência de multiplicar e somar para mostrar que os dois números juntos recuperam o original.

Por que alguns alunos acertam a conta e erram a questão?

Porque o erro, muitas vezes, não está no cálculo, e sim na leitura: o aluno não percebe o que a questão pede, se o total, o grupo ou a sobra. Por isso, leia os enunciados em voz alta e pergunte o que se procura antes de calcular. Nas questões situacionais deste conceito, isso faz diferença real.

Que tipo de questão usar para saber se a turma realmente entendeu?

Questões de análise de padrão, como a das miçangas ou a dos potes, revelam melhor a compreensão, porque exigem que o aluno compare vários números e não apenas calcule um. Use também questões que pedem justificativa. Quem entende o conceito consegue explicar por que uma alternativa é errada.

Esse conteúdo é só para o 4º ano?

Não. Ele começa no 4º ano com a divisão e a noção de sobra, avança no 5º ano com múltiplos e padrões de restos, e se consolida no 6º ano com múltiplos, divisores e algoritmos simples. Por isso, vale retomar o tema em todas essas séries, sempre adaptando a complexidade.

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