Polissemia da palavra banco: o contexto que mais confunde os alunos
A palavra “banco” pode nomear um assento ou uma instituição financeira, e o contexto é a pista decisiva. Veja como identificar confusões, ensinar o conceito e usar oito questões para diagnosticar a turma.
Lembro bem da aula em que escrevi no quadro a frase “Sofia sentou-se no banco do pátio” e, logo abaixo, “Sofia foi ao banco pagar a conta da mãe”. Perguntei o que significava a palavra nas duas frases. Uma aluna levantou a mão e respondeu, com toda a segurança, que nos dois casos era um lugar para sentar. Ela não estava chutando: para ela, a palavra tinha um único sentido, e o contexto da segunda frase simplesmente não entrou na conta.
Esse episódio se repete todo ano, em turmas diferentes e em séries diferentes. Quando a gente pensa que o aluno já domina o vocabulário, aparece um texto em que a mesma palavra muda de sentido e a resposta desmorona. Este guia é o que eu gostaria de ter tido antes: uma explicação do conceito, os erros que aparecem de forma previsível e oito questões comentadas para você diagnosticar sua turma.
O que é polissemia da palavra banco, explicado para o professor?
Polissemia é o fenômeno em que uma mesma palavra possui dois ou mais sentidos relacionados, e o contexto define qual deles está em uso. A palavra banco é um dos exemplos mais clássicos e mais úteis em sala, porque os sentidos são facilmente reconhecíveis pelos alunos: assento público (o banco da praça, o banco de madeira sob a árvore), instituição financeira (o banco onde se paga uma conta, se guarda dinheiro, se pede um empréstimo) e, em um nível mais avançado, banco de dados ou banco de reservas no esporte. Ou seja, o aluno não precisa aprender duas palavras diferentes; precisa aprender que uma só carrega vários sentidos possíveis.
Vale distinguir polissemia de homonímia, porque os dois conceitos aparecem juntos e confundem muito. Na polissemia, os sentidos têm alguma relação entre si (todo banco de praça e todo banco financeiro são, de algum modo, lugares onde as pessoas ficam ou se reúnem para uma função específica). Na homonímia, as palavras são diferentes em origem e apenas coincidem na forma, como manga (fruta) e manga (parte da roupa). Para o 1º, 3º e 5º ano, o foco costuma ser a polissemia, e o banco funciona muito bem como exemplo de palavra que muda de sentido sem mudar de forma.
Onde isso aparece no currículo? Na BNCC, a habilidade de reconhecer o sentido de palavras pelo contexto é trabalhada desde os primeiros anos. No 1º ano, a leitura de palavras e a associação entre vocabulário e significado estão na habilidade EF01LP19, que aparece nas questões de identificação de palavras com dois sentidos em situações cotidianas. No 3º ano, a compreensão de textos e a identificação de sentidos em contexto ganham densidade, e isso se conecta à habilidade EF35LP05. No 5º ano, a análise de sentidos de palavras e expressões em textos, incluindo a polissemia, está na habilidade EF05LP02, e é aqui que o banco costuma aparecer com mais frequência em provas e atividades. As oito questões deste guia estão distribuídas entre o 1º, o 3º e o 5º ano, e a maioria é do 5º.
O que o aluno precisa saber antes?
Antes de a criança perceber a polissemia, ela precisa dominar dois pré-requisitos. O primeiro é o próprio significado de palavras: se o aluno não sabe o que é um assento, uma agência ou uma conta, ele não tem como associar os sentidos. O segundo é a noção de contexto textual, isto é, a habilidade de olhar para as palavras ao redor para decidir qual sentido está em jogo. Em praticamente todas as fichas que analisei para o conceito, esses dois pré-requisitos aparecem juntos: significado de palavras e contexto textual.
Uma forma simples de verificar a base da turma é pedir que os alunos expliquem, com as próprias palavras, o que é um banco em três frases diferentes, sem que você diga que é a mesma palavra. Quem responde sem hesitar “é um lugar para sentar” na primeira frase, “é onde se guarda dinheiro” na segunda e não consegue relacionar as duas, tem o vocabulário mas ainda não tem a noção de polissemia. Quem não consegue nem nomear o sentido de uma das frases, precisa retomar o significado de palavras antes de avançar.
Em um diagnóstico rápido, observe também se o aluno percebe que o texto está mudando de assunto. Muitas crianças leem a segunda frase e continuam pensando na primeira, como se a palavra tivesse ficado “presa” no sentido anterior. Esse comportamento é um sinal claro de que o contexto ainda não é usado de forma ativa.
Quais são os erros mais comuns, e por que acontecem?
Analisando as oito questões validadas do conceito, alguns padrões se repetem com força. Em quase todas, o erro típico vem de confundir os sentidos da palavra ou de não considerar o contexto em que ela aparece. Mas essa frase genérica esconde comportamentos diferentes, e cada um pede uma intervenção diferente.
Erro 1: Fixar o primeiro sentido e aplicá-lo a tudo
É o erro mais frequente no 5º ano. O aluno aprende que banco é “aquele lugar onde se senta” e aplica esse sentido a todas as ocorrências, mesmo quando a frase fala de pagamento ou de dinheiro. A causa é cognitiva: o primeiro significado que a criança aprende tende a se tornar o padrão. Nas questões de análise, como a que pergunta o sentido de “banco” em cada caso, o distrator que repete o mesmo sentido nas duas ocorrências é justamente o que mais atrai esses alunos. A intervenção é pedir que o aluno sublinhe a palavra e escreva ao lado, em uma palavra, o que ela significa naquela frase, e depois repetir o exercício com a segunda ocorrência, comparando as duas.
Erro 2: Inverter a ordem dos sentidos
Aqui o aluno reconhece os dois sentidos, mas os associa às ocorrências erradas, porque não acompanhou a sequência do texto. Em uma questão de avaliação, em que a criança precisa dizer o que “banco” significa primeiro e depois, o distrator que troca a ordem dos sentidos quase sempre é escolhido por quem leu com pressa. A causa é a leitura desatenta, não a falta de vocabulário. A intervenção é trabalhar a leitura lenta: ler a frase em voz alta, marcar com um traço qual é a primeira ocorrência e qual é a segunda, e só então responder.
Erro 3: Confundir polissemia com ausência de sentido
Em questões mais abstratas, como as de identificar polissemia em diferentes contextos, alguns alunos acham que a palavra só “tem um sentido” e que os outros usos são erro de quem escreveu. Quando perguntamos sobre “banco de areia” ou “banco de dados”, essas crianças tendem a rejeitar a resposta porque não reconhecem a expressão. A causa é a visão de que o dicionário é uma lista fechada e de que o uso ordinário é o único válido. A intervenção é mostrar, com exemplos do cotidiano da turma, que a mesma palavra aparece em outras expressões, e pedir que os alunos criem frases com “banco” em sentidos diferentes.
Erro 4: Prender-se a uma expressão e generalizar
Esse erro aparece quando a criança lê “banco de madeira” e passa a associar qualquer “banco” a madeira, ou quando lê “banco de dados” e não consegue mais separar o sentido de sistema de informações. A palavra que acompanha o banco vira uma pista falsa. A intervenção é separar a palavra da expressão: pedir que o aluno identifique qual é o sentido de “banco” sozinho e depois leia a expressão inteira, para perceber que o adjetivo ou o complemento apenas especifica, não muda a base do sentido.
Erro 5: Usar o contexto da frase errada
Em textos com várias ocorrências da palavra, algumas crianças buscam o contexto mais próximo, e não o contexto que de fato define o sentido. Por exemplo, lêem “banco” perto de “pagar” e imaginam o sentido financeiro mesmo quando a frase fala de sentar-se. Isso acontece porque o aluno ainda não aprendeu a ler o parágrafo inteiro como unidade de sentido. A intervenção é trabalhar com trechos cada vez maiores, pedindo que a criança diga quais palavras do texto ajudam a decidir o sentido.
Como ensinar passo a passo?
A sequência que funciona melhor na minha prática começa com o concreto e avança para a análise. Em cada etapa, a dica de resolução que usamos nas fichas é a mesma que a turma deve internalizar: analise o contexto para identificar o significado correto da palavra, e compare os sentidos quando houver mais de um uso.
Primeiro, apresente duas frases curtas em que a palavra aparece com sentidos diferentes, sem nomear o fenômeno. Peça que os alunos digam o que a palavra significa em cada uma. Não corrija ainda; apenas registre as respostas no quadro. Em geral, as crianças percebem a diferença sozinhas quando comparam as duas listas, e é nesse momento que a palavra polissêmica ganha nome.
Depois, apresente o conceito de polissemia com um exemplo que a turma já conhece e chame a atenção para a relação entre os sentidos. Mostre que o banco da praça e o banco financeiro compartilham a ideia de um lugar onde as pessoas se reúnem para uma função. Isso ajuda a diferenciar polissemia de homonímia de forma intuitiva.
Em seguida, faça a leitura de um texto curto com várias ocorrências da palavra. Peça que os alunos sublinhem todas as vezes em que aparece e escrevam, na margem, o sentido de cada uma. Esse é o momento em que a compreensão de contexto se torna visível, porque a criança precisa justificar a escolha com trechos do texto.
Na sequência, proponha uma atividade de produção: cada aluno escreve duas frases usando “banco” em sentidos diferentes, e os colegas tentam identificar o sentido de cada uma. Esse exercício é ótimo para revelar quem ainda confunde os sentidos e quem já domina a ideia de contexto.
Por fim, retome a palavra em uma avaliação curta. Use questões de identificação de sentido e de comparação de ocorrências. Se a turma errar sistematicamente o mesmo distrator, volte à etapa de leitura lenta e de separação entre palavra e expressão antes de avançar para outras palavras polissêmicas, como manga, cabo ou vela.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento?
Nem toda questão serve para o mesmo objetivo, e a escolha depende do momento da aula. Nas oito questões que compõem este guia, o objetivo pedagógico varia entre diagnóstico e avaliação, e isso faz diferença na hora de montar a sequência.
Para diagnóstico, use questões de tempo de resolução médio e nível de leitura médio, que exijam que o aluno perceba o contexto sem depender de cálculo, como a que pergunta o sentido de “banco” em duas frases de uma história curta. Essas questões têm poder de discriminação alto ou médio e revelam o padrão de erro da turma. Elas servem muito bem para prova, atividade, lição de casa e simulado.
Para avaliação rápida ou abertura de prova, prefira questões diretas e de tempo curto, como a que pede a palavra que pode ser lugar para sentar e lugar para guardar dinheiro. Essas questões têm baixo nível de leitura e funcionam como aquecimento. Elas podem ser boas para diagnóstico inicial, mas costumam ter poder de discriminação baixo, então não as use sozinhas para medir o domínio do conceito.
Questões de análise, em que o aluno precisa comparar dois ou mais sentidos e identificar a ordem em que aparecem, têm tempo de resolução maior e poder de discriminação médio a alto. São as melhores para a progressão da prova, porque separam quem apenas memorizou os sentidos de quem entende como o contexto os define. Essas questões devem ser usadas depois que a turma já passou pela etapa de leitura lenta.
Vale notar também que algumas questões dependem do texto para serem respondidas, enquanto outras são completas em si mesmas. Quando o enunciado depende do texto, cole o texto junto da questão na prova impressa; caso contrário, o aluno não tem como responder. Em atividades de lição de casa, prefira as questões com enunciado completo, porque o aluno pode resolvê-las sem a sua mediação.
O que ensinar antes?
Antes de trabalhar a polissemia, vale garantir que a turma domina o significado de palavras em geral. Esse é o pré-requisito mais citado nas fichas e aparece em quase todas as questões. Se a criança não sabe o que é um assento, uma agência ou uma conta, ela não consegue comparar os sentidos. Para uma abordagem mais completa dessa base, leia nosso texto sobre significado de palavras, que trata justamente da diferença entre o sentido possível de uma palavra e o sentido que ela assume em um contexto específico.
Depois do significado de palavras, trabalhe a compreensão de contexto textual, que é o segundo pré-requisito recorrente. Essa etapa envolve pedir que os alunos localizem as palavras que ajudam a definir o sentido de outra. Em seguida, aí sim, apresente a polissemia como a situação em que um mesmo termo tem sentidos relacionados. Seguir essa ordem evita que a criança trate a polissemia como mais um item a decorar.
Quais são as ligações com outros temas?
A polissemia da palavra banco não fica restrita à aula de Língua Portuguesa. Ela conversa com temas transversais de cidadania e de convivência. Quando o aluno percebe que o dinheiro e a vida cotidiana aparecem em uma palavra tão simples quanto banco, ele começa a entender como a linguagem se relaciona com o mundo prático. Em turmas do 5º ano, isso abre espaço para discutir o que é uma conta, para que serve uma agência e por que é importante saber ler esses avisos e documentos.
Do ponto de vista socioemocional, as questões de análise de sentido exigem pensamento crítico. A criança precisa parar, comparar e justificar, em vez de responder pelo impulso. Esse exercício de pausa é valioso em qualquer disciplina. Já as questões mais diretas, de tomada de decisão, ensinam que nem toda resposta óbvia é a certa e que vale verificar o contexto antes de escolher.
Quanto ao contexto de aplicação, as questões sobre o banco são majoritariamente cotidianas, porque a palavra faz parte da vida das crianças: a praça, a conta de luz, a escola. Uma questão tem contexto mais abstrato, a que pede a identificação da polissemia em diferentes contextos sem um texto de apoio, e ela funciona melhor depois que a turma já trabalhou com exemplos concretos.
8 questões comentadas sobre polissemia da palavra banco
A seguir estão as oito questões validadas do conceito, com o enunciado, as alternativas, a explicação do gabarito e o que o erro revela sobre o aluno. Use-as como diagnóstico, como exercício de revisão ou como modelo para criar as suas. A ficha técnica completa de cada uma aparece logo abaixo do comentário.
Questão 1: o banco da praça e o banco da conta
Na escola, Sofia sentou-se em um banco do pátio para lanchar. Depois, passou em frente ao banco onde sua mãe foi pagar uma conta. A professora explicou que a mesma palavra pode ter sentidos diferentes. Na segunda vez, a palavra “banco” indica o quê?
- ✅ A) uma instituição financeira — Na segunda vez, “banco” é o lugar onde a mãe foi pagar uma conta. Por isso, indica uma instituição financeira.
- ❌ B) um espaço para brincar — O pátio pode ser usado para brincar, mas o segundo banco é apresentado como lugar de pagamento.
- ❌ C) um assento do pátio — Este é o sentido da primeira ocorrência de “banco”, não da segunda. Quem escolhe esta alternativa aplicou o primeiro sentido à frase seguinte.
- ❌ D) uma mesa de madeira — O texto fala de um banco no pátio, mas não diz que ele é uma mesa. Esta alternativa revela confusão entre o objeto e a função.
- ❌ E) um lugar para lanchar — Essa ideia está ligada ao primeiro banco, usado por Sofia durante o lanche. A criança aplicou o contexto da frase anterior.
O que o erro revela: quando o aluno escolhe C ou E, provavelmente ainda não usa o contexto da segunda frase para redefinir o sentido. É o erro de fixar o primeiro sentido.
Questão 2: a palavra que serve para sentar e para guardar dinheiro
Qual palavra pode ser um lugar para sentar e também um lugar para guardar dinheiro?
- ❌ A) cachorro — Cachorro é um animal, não um lugar para sentar ou guardar dinheiro.
- ❌ B) caderno — Caderno serve para escrever, mas não é um lugar para sentar nem para guardar dinheiro.
- ❌ C) mesa — Mesa serve para apoiar objetos, mas não é um lugar para guardar dinheiro. Esta é a alternativa que mais atrai os alunos, porque a mesa também é associada a sentar.
- ❌ D) carro — Carro serve para andar de um lugar a outro, mas não é um lugar para guardar dinheiro.
- ✅ E) banco — Banco pode ser um lugar para sentar ou um lugar para guardar dinheiro.
O que o erro revela: a escolha de C mostra que o aluno sabe que a palavra precisa ter uma função de lugar, mas não percebeu que a resposta exige dois sentidos ao mesmo tempo. É uma boa pista para trabalhar a ideia de que uma palavra pode guardar mais de uma função.
Questão 3: a palavra repetida com sentidos diferentes
Em uma reportagem sobre a revitalização de uma praça, jovens aguardavam o ônibus para participar de uma oficina. Enquanto esperavam, alguns se sentaram no banco da praça. Depois, entraram em uma agência para conversar com um funcionário do banco sobre uma conta coletiva para financiar novas atividades culturais. Com base no texto, qual palavra foi empregada duas vezes com sentidos diferentes?
- ✅ A) banco — A palavra “banco” aparece com dois sentidos no texto: no primeiro caso, indica o assento da praça; no segundo, indica a instituição financeira. Trata-se de polissemia, isto é, uma mesma palavra apresenta sentidos relacionados e definidos pelo contexto.
- ❌ B) ônibus — A palavra “ônibus” aparece apenas uma vez e nomeia o veículo usado pelos jovens para chegar à oficina. O texto não emprega essa palavra em outro contexto.
- ❌ C) praça — A palavra “praça” aparece apenas uma vez e se refere ao espaço público que foi revitalizado. Não há uma segunda ocorrência com sentido diferente.
- ❌ D) conta — A palavra “conta” aparece apenas uma vez e se refere ao serviço financeiro mencionado na agência. Não há outra ocorrência que produza sentido distinto. Esta é a alternativa mais escolhida, porque “conta” está ligada ao contexto financeiro e chama a atenção do aluno.
- ❌ E) jovens — A palavra “jovens” aparece apenas uma vez e designa as pessoas que aguardavam o ônibus. O texto não apresenta outro emprego que permita identificar mudança de sentido.
O que o erro revela: quem escolhe D está respondendo a partir do tema financeiro, sem verificar se a palavra foi repetida. É o erro de não comparar as ocorrências, e a intervenção é pedir que o aluno conte quantas vezes cada palavra aparece antes de responder.
Questão 4: a ordem dos sentidos no texto de Lucas
— Você vai ao banco hoje? — perguntou Sofia a Lucas, que precisava pagar a conta de luz. Mais tarde, Lucas sentou-se em um banco de madeira, à margem do rio, para observar a água. Qual é o sentido de “banco” em cada caso?
- ❌ A) Nos dois casos, assento de madeira. — Este distrator usa o sentido da segunda ocorrência também para a primeira, confundindo o banco da conta com o banco para sentar.
- ❌ B) Primeiro, a conta de luz; depois, a agência. — Este distrator confunde o estabelecimento financeiro com a conta que seria paga e o assento com a agência mencionada na primeira situação.
- ✅ C) Primeiro, estabelecimento financeiro; depois, assento de madeira. — Na primeira ocorrência, Lucas precisa ir ao banco para pagar uma conta, indicando um estabelecimento financeiro. Na segunda, ele se senta em um banco de madeira, indicando um assento.
- ❌ D) Primeiro, assento de madeira; depois, estabelecimento financeiro. — Este distrator troca a ordem dos sentidos apresentados no texto.
- ❌ E) Nos dois casos, estabelecimento financeiro. — Este distrator repete o primeiro sentido e ignora que Lucas se sentou em um banco de madeira na segunda ocorrência.
O que o erro revela: a alternativa A é a mais escolhida, e isso mostra que o aluno fixou o último sentido lido e o aplicou a tudo. É o mesmo padrão do erro de Sofia na primeira questão, agora com mais uma camada de leitura.
Questão 5: o banco do parque e o banco da mãe
— Vamos sentar no banco? — convidou Chico, apontando para o assento de madeira sob a árvore do parque. Júlia largou o livro, correu até ali e suspirou de alívio. Mais tarde, ao sair da feira, eles passaram pelo banco onde a mãe trabalhava. Lá, ela explicou como transforma depósitos em dinheiro disponível para as pessoas. Enquanto esperavam, Júlia folheava o livrinho de figurinha e Chico observava o movimento de clientes entrando e saindo. Analise o texto e identifique em cada ocorrência da palavra "banco" os sentidos que ela assume.
- ❌ A) Instituição financeira e assento público — Inverte as ocorrências: na frase inicial refere-se a assento, não a instituição financeira.
- ❌ B) Assento espacial e instituição financeira — O termo "banco" não designa espaço sideral; o sentido espacial é inadequado. Esta alternativa é a mais escolhida, porque o aluno tenta criar uma categoria que o texto não sugere.
- ✅ C) Assento público e instituição financeira — No primeiro uso, "banco" é o assento de madeira; no segundo, refere-se à instituição financeira.
- ❌ D) Conjunto de dados e assento público — Não há referência a "banco de dados" no texto; o primeiro uso é de assento.
- ❌ E) Banco de peixes e instituição financeira — Não aparece no texto menção a cardumes ou bancos de peixes; sentido marinho é irrelevante.
O que o erro revela: a escolha de B mostra um aluno que percebe que há dois sentidos, mas não consegue nomeá-los com precisão. A intervenção é trabalhar com o vocabulário de sentido, pedindo que a criança descreva cada uso com palavras do próprio texto.
Questão 6: a ordem certa dos usos de banco
Nas primeiras horas, Alice caminhava pelas ruas do centro com sua mochila. Ela entrou no banco para resolver pendências financeiras. Depois, foi ao parque e encontrou Pedro sentado em um banco de madeira. Eles conversaram sobre o dever de casa. O que significa a palavra “banco” em cada parte do texto?
- ❌ A) Primeiro uso: assento de madeira; segundo uso: instituição financeira. — A criança percebe os dois significados, mas troca a ordem em que aparecem no texto.
- ✅ B) Primeiro uso: instituição financeira; segundo uso: assento de madeira. — Na primeira parte, “banco” é o lugar onde Alice resolve pendências financeiras. Na segunda, é o assento de madeira do parque.
- ❌ C) Primeiro uso: assento de madeira; segundo uso: assento de madeira. — A criança se prende à expressão “banco de madeira” e aplica esse significado às duas ocorrências.
- ❌ D) Primeiro uso: agência financeira; segundo uso: agência financeira. — A criança se prende à ideia de dinheiro da primeira ocorrência e repete esse significado na segunda. Esta é a alternativa mais escolhida.
- ❌ E) Primeiro uso: instituição financeira; segundo uso: lugar do parque. — A criança identifica corretamente o primeiro significado, mas troca o objeto “banco” pelo lugar onde ele está.
O que o erro revela: a escolha de D é um sinal de que o aluno ainda não separou os dois usos e repete o sentido que mais lhe chamou atenção. É um bom caso para trabalhar a leitura de cada ocorrência isoladamente.
Questão 7: o banco que é assento público
Naquela tarde ensolarada, Lucas precisava pagar a conta e foi ao banco mais próximo de sua casa. Depois, decidiu visitar o parque central e, cansado, descansou sentado em um banco sob a árvore mais frondosa. No dia seguinte, na escola, o professor solicitou que os alunos formassem duplas em frente ao banco de reservas da quadra. Durante o jogo de futebol, um dos substitutos permaneceu no banco ao lado do técnico, observando a partida. Mais tarde, no museu, Lucas acessou o banco de dados para pesquisar sobre arte rupestre. Analise o texto-base e identifique em qual trecho a palavra 'banco' tem o sentido de 'assento público'.
- ❌ A) "No dia seguinte, na escola, o professor solicitou que os alunos formassem duplas em frente ao banco de reservas da quadra." — Refere-se ao banco onde ficam os suplentes no esporte, não assento público.
- ❌ B) "Mais tarde, no museu, Lucas acessou o banco de dados para pesquisar sobre arte rupestre." — Refere-se a um sistema de informações (banco de dados), não um assento público.
- ✅ C) "Depois, decidiu visitar o parque central e, cansado, descansou sentado em um banco sob a árvore mais frondosa." — Nesse trecho, "banco" indica um assento público no parque.
- ❌ D) "Naquela tarde ensolarada, Lucas precisava pagar a conta e foi ao banco mais próximo de sua casa." — Refere-se a instituição financeira, não a assento público.
- ❌ E) "Durante o jogo de futebol, um dos substitutos permaneceu no banco ao lado do técnico, observando a partida." — Indica o banco de reservas esportivas, não um assento público em via pública. Esta é a alternativa mais escolhida, porque o aluno associa o banco a um lugar de sentar, mas se prende ao contexto do jogo.
O que o erro revela: a escolha de E mostra que o aluno reconhece a ideia de sentar, mas não separa o lugar público do lugar esportivo. É um bom exemplo de como o contexto do esporte pode puxar a leitura para outro sentido.
Questão 8: a polissemia do banco sem texto de apoio
Identifique a polissemia na palavra 'banco' em diferentes contextos: instituição financeira e assento.
- ✅ A) Dinheiro e assento — “Banco” pode indicar uma instituição ligada ao dinheiro e também um lugar para sentar.
- ❌ B) Assento em parque — Essa resposta indica apenas o sentido de lugar para sentar, não o sentido de instituição financeira.
- ❌ C) Banco de dados — Essa expressão mostra um uso de “banco” ligado a dados, mas não apresenta os dois contextos pedidos. Esta é a alternativa mais escolhida, porque o aluno reconhece uma expressão conhecida e a toma como resposta completa.
- ❌ D) Banco de areia — Essa expressão indica uma formação de areia, não os sentidos de instituição financeira e assento.
- ❌ E) Tabela em jogo — Essa resposta fala de uma tabela em um jogo e não indica os dois sentidos de “banco” pedidos.
O que o erro revela: a escolha de C mostra que o aluno confunde polissemia com a simples presença de uma expressão com a palavra. É o erro de achar que basta encontrar “banco” em outro uso para ter identificado a polissemia, sem verificar se os dois sentidos pedidos estão presentes.
Perguntas frequentes
A polissemia é a mesma coisa que homonímia?
Não. Na polissemia, os sentidos de uma palavra são relacionados entre si, como o banco da praça e o banco da agência, que compartilham a ideia de um lugar em que as pessoas se reúnem para uma função. Na homonímia, as palavras têm origens diferentes e apenas coincidem na forma, como manga (fruta) e manga (parte da roupa). Para o 1º, 3º e 5º ano, o banco é um excelente exemplo de polissemia.
Em que ano devo começar a trabalhar a polissemia?
A ideia de sentido de palavras pode começar cedo, já no 1º ano, com associações simples entre vocabulário e função dos objetos, como acontece na questão da palavra que serve para sentar e guardar dinheiro. A análise de sentidos em textos, com comparação de ocorrências, ganha força no 3º e no 5º ano, quando os alunos já leem trechos mais longos.
Por que meus alunos sempre escolhem o primeiro sentido que aprenderam?
Porque o primeiro significado aprendido tende a se tornar o padrão da criança, e ela aplica esse sentido a todas as ocorrências da palavra sem verificar o contexto. Isso é um comportamento esperado, não um sinal de falta de inteligência. A intervenção é pedir que o aluno sublinhe cada ocorrência e escreva, ao lado, o sentido que ela tem naquela frase.
Como saber se a turma já domina a polissemia?
Use duas ou três questões de análise, com tempo de resolução médio, que exijam comparar os sentidos de uma mesma palavra em frases diferentes. Se a maioria acertar e justificar com trechos do texto, o conceito está consolidado. Se os erros se concentrarem em um mesmo distrator, o padrão indica onde intervir.
Posso usar essas questões em uma avaliação rápida?
Sim, principalmente as questões de enunciado direto, de tempo curto e nível de leitura baixo, que funcionam bem como avaliação rápida ou abertura de prova. Para medir domínio mais profundo, prefira as questões de análise, que têm poder de discriminação maior. Você pode montar essas avaliações no gerador de provas do GeraProva, e se ainda não tem conta, o cadastro grátis leva poucos minutos.
Qual a diferença entre a dica de resolução e a intervenção em sala?
A dica de resolução é o que o aluno deve fazer diante da questão, como comparar os sentidos da palavra no texto. A intervenção é o que você faz quando o erro se repete, como pedir a leitura lenta, separar a palavra da expressão ou trabalhar com trechos maiores. Uma complementa a outra: a dica orienta a resposta, e a intervenção corrige o padrão.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Conhecimento do alfabeto do português do Brasil/Ordem alfabética/Polissemia, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
