Ordem na reta numérica: quando o aluno escolhe um número sem olhar a posição
Um diagnóstico de ordem na reta numérica baseado em questões reais: veja como identificar confusões entre posição, ordem crescente, negativos, frações e decimais. Aprenda a intervir antes de avançar.
Lembro bem de uma aula do 3º ano em que pedi para a turma localizar o 60 entre 50 e 70 numa reta desenhada no quadro. Quase metade dos alunos apontou o 70, outros marcaram o 50, e um menino levantou a mão com a convicção de quem acerta tudo: 'professora, é o 40, porque é o que tem menos'. Ninguém estava chutando sem motivo; cada um tinha uma regra própria, e nenhuma delas era a regra da reta.
Esse tipo de cena se repete em turmas de 1º, 2º, 5º, 7º e 8º ano, mudando só os números e a complexidade. O aluno escolhe um valor que aparece no enunciado, ou o maior, ou o primeiro que lhe parece 'do meio', sem parar para olhar onde ele está em relação aos outros. Este guia nasce dessa observação: ordem na reta numérica é um conceito que parece simples de longe e que, de perto, revela muito sobre como a criança pensa os números.
O que é ordem na reta numérica, explicado para o professor?
Ordem na reta numérica é a capacidade de posicionar números sobre uma reta orientada, em que os valores crescem da esquerda para a direita. Um número menor fica sempre à esquerda de um número maior, e a distância entre eles, quando a reta está em escala, expressa a diferença de valor. Parece óbvio para quem já domina o tema, mas exige que o aluno pense em três coisas ao mesmo tempo: a ordem dos valores, a orientação da reta e a posição relativa de cada número em relação aos demais.
Esse conceito aparece no currículo brasileiro desde os primeiros anos. No 1º ano, a criança trabalha a sequência numérica e a comparação simples, que a BNCC desenvolve na habilidade EF01MA05. No 2º ano, a ordenação de números aparece em EF02MA01, e no 3º ano a leitura de posições na reta se consolida em EF03MA04 e a ordenação de números em EF03MA01. No 5º ano, a reta passa a receber frações e decimais, conforme EF05MA05. No 7º ano, a reta acolhe números negativos e racionais, em EF07MA10. Por fim, no 8º ano, a localização de racionais e irracionais em EF08MA10 fecha o percurso.
Ou seja: o mesmo conceito cresce em complexidade. Para o 1º ano, trata-se de dizer o que vem antes e depois. Para o 8º ano, trata-se de posicionar 0,8, -1,5 e outros valores com precisão. Quando o professor percebe que o problema é a mesma lógica aplicada a números mais difíceis, fica mais fácil diagnosticar onde a turma travou.
O que o aluno precisa saber antes de localizar números na reta?
Os pré-requisitos mais recorrentes nas questões validadas são a contagem crescente, a leitura de reta numérica e a comparação de números. Nos anos mais avançados, entram os números negativos e positivos, as frações e os decimais. Para verificar se a turma tem essa base, uma boa estratégia é pedir que os alunos digam, sem olhar para nenhuma reta, qual número vem imediatamente depois de 39, ou qual é maior entre 0,4 e 0,25. Se hesitarem, o problema não está na reta: está na base de comparação.
Outro sinal de alerta é a dificuldade com orientação. Muitos alunos confundem esquerda e direita quando a reta está desenhada na horizontal, sobretudo se ela não começa em zero. Vale testar pedindo que apontem onde está o menor de dois números sem que a reta mostre o zero. Se a criança aponta para o lado errado, a dúvida é de orientação, e ensinar fração ou decimal por cima dela só vai aumentar a confusão.
Os erros mais comuns (e por que acontecem)
Ao reunir as oito questões validadas do conceito, alguns padrões se repetem com clareza. Em praticamente todas, o erro não é aleatório: o aluno aplica uma regra que funciona em outro contexto e a transporta para o lugar errado. Vamos aos principais.
Escolher um número do enunciado sem verificar a posição pedida
Esse é o erro típico mais frequente nas questões de localização simples, como a que pede o número entre 50 e 70. O aluno vê os números listados, identifica um deles e o marca, sem conferir se a condição do enunciado é atendida. Nas questões que apresentam a reta com vários pontos, o distrator mais provável costuma ser justamente um dos valores dados, repetido como resposta. A causa é a leitura apressada: o aluno procura um número conhecido em vez de procurar a posição. A intervenção que mais funciona é fazer o aluno dizer em voz alta a condição antes de olhar as alternativas: 'eu preciso de um número maior que 50 e menor que 70'.
Confundir esquerda e direita na reta
Em questões de 1º ano, o distrator mais escolhido é o que inverte a posição relativa de dois números, como afirmar que 25 fica à direita de 30. A criança sabe que 25 é menor que 30, mas não transfere esse saber para a orientação espacial. Muitas vezes ela pensa a reta como uma régua em que o 'primeiro' fica do lado de cá, e não pela regra de que o menor está à esquerda. A intervenção é trabalhar com a reta física antes da reta desenhada: pedir que os alunos fiquem em fila, do menor para o maior valor de uma tarefa com cartões, e só depois transpor isso para o papel.
Ordenar pelo primeiro algarismo ou pela quantidade de dígitos
Nas questões de ordenação com números de dois ou quatro dígitos, o erro mais comum é comparar apenas o primeiro algarismo, ou colocar primeiro os números com mais dígitos. Diante de 1203, 1150, 1210, 1100 e 1199, muitos alunos olham o '1' inicial e tratam todos como iguais, e a ordem sai aleatória. Quando a questão pede ordenação, o aluno que erra costuma inverter a lógica de 'do menor para o maior', colocando primeiro o maior. A intervenção é comparar pares com a pergunta 'qual é maior e por quê?', forçando o aluno a olhar a casa das centenas, depois as dezenas e, por fim, as unidades.
Tratar números negativos como se fossem positivos
No 7º ano, o erro se desloca para os sinais. Diante de -1,25, -3/4, 1/2 e 1,25, o aluno frequentemente coloca o número com maior valor absoluto mais à direita, ou ignora o sinal e ordena como se todos fossem positivos. Há ainda a confusão de achar que -1,25 é maior que -0,75 porque 1,25 é maior que 0,75. A causa é a transferência da lógica dos naturais para os negativos, sem a noção de que, quanto mais negativo, menor o valor. A intervenção mais eficaz é usar termômetros e saldos bancários, contextos em que o aluno já tem intuição de que -10 é pior que -2.
Misturar frações, decimais e a reta
No 5º ano, a reta recebe frações como 1/4, 2/5 e 3/4 ao lado de decimais como 0,3 e 0,625. O aluno tenta comparar tudo como se fosse número natural, e a ordem falha. Quando pergunta qual ponto fica entre 0,5 e 3/4, muitos não percebem que 1/2 é igual a 0,5, e que 3/4 é igual a 0,75. A causa é a falta de equivalência entre representações. A intervenção mais segura é converter tudo para decimais antes de posicionar, ou para frações de mesmo denominador, e só então localizar na reta.
Como ensinar ordem na reta numérica, passo a passo
A sequência que costumo usar em sala tem quatro movimentos, e a ordem importa. Primeiro, o concreto: alunos ordenando objetos, cartões com números ou pessoas por altura, sempre com um critério explícito. Depois, a reta sem números: uma linha com dois extremos marcados, e a turma decidindo onde colocar um valor intermediário. Em seguida, a reta com alguns números marcados, em que o aluno precisa localizar um valor faltante usando a ordem. Por fim, a reta com escala e números não inteiros, quando a distância passa a importar.
Em cada etapa, vale a dica de resolução que aparece nas fichas: para localizar um número, olhe para os dois vizinhos imediatos e pergunte se ele fica no meio deles. Para o número imediatamente à direita de outro, procure o próximo valor na ordem crescente, e não o maior da lista. Para ordenar, compare sempre dois números por vez, começando pela maior casa decimal ou pela maior ordem de grandeza. Essas instruções parecem simples, mas, quando o aluno as internaliza, ele para de chutar e passa a justificar.
Recomendo também uma pausa obrigatória antes de cada alternativa: pedir que o aluno cubra as opções e escreva, no próprio caderno, a condição do enunciado. Isso reduz muito o erro de escolher o número mais conhecido, e cria o hábito de checagem que vai servir também em frações e decimais.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento
Nem toda questão de ordem na reta serve ao mesmo propósito. As fichas técnicas mostram diferenças claras. Questões de localização direta, como a do número entre dois extremos no 3º ano, têm baixo poder de discriminação e tempo de resolução de cerca de um minuto: são ótimas para abrir uma aula, verificar rapidamente se a turma lembra o básico, ou compor uma avaliação rápida. Já as questões de ordenação com números de quatro dígitos, como a do 3º ano com 1203 e 1199, têm peso pedagógico médio e funcionam bem como consolidação ou abertura de prova.
As questões de situação cotidiana, como as medições de um reservatório ou de um painel de nível, têm tempo de resolução médio, nível de leitura médio e papel de progressão. Elas exigem interpretar o enunciado antes de ordenar, e por isso discriminam melhor alunos que dominam a reta de quem apenas decora a sequência. São indicadas para atividades, lições de casa, simulados e diagnósticos mais profundos. A questão de 5º ano com P, Q, R, S e T, por exemplo, serve para diagnóstico de frações e decimais, porque força a conversão entre representações.
Uma regra prática: use questões de baixo peso para o início de uma unidade, para ver o que a turma já traz, e questões de progressão ou situacionais ao final, para medir se o conceito se sustenta quando o contexto muda. Se a turma acerta tudo na localização simples e erra na situacional, o problema não é a reta; é a leitura do enunciado ou a transferência do conceito para outro contexto.
O que ensinar antes de ordem na reta numérica?
Antes de a reta fazer sentido, a criança precisa dominar os números naturais: saber contar, reconhecer a sequência e entender que cada número tem um antecessor e um sucessor. Esse é o alicerce de tudo o que vem depois. A noção de ordem crescente de números, que é o cerne da reta, precisa estar consolidada: o aluno deve conseguir dizer que 47 é menor que 52 e por quê, sem recorrer a adivinhação. Sem isso, a reta vira um desenho sem sentido.
Quando a turma chega a frações e números decimais, o desafio muda de natureza. É preciso entender que 0,4 e 0,40 são o mesmo número, que 1/2 equivale a 0,5, e que o tamanho de uma fração depende do denominador. Para esse trecho do caminho, vale revisitar o material sobre frações e números decimais, que trata justamente da confusão entre centésimos e décimos. A reta numérica também depende da noção de reta numérica em si, em que o aluno compreende que a linha tem orientação e escala.
Nos anos finais, entram os números inteiros negativos. A criança precisa aceitar que existem valores abaixo do zero e que eles se organizam de forma contraintuitiva: -5 é menor que -2, apesar de 5 ser maior que 2. Essa passagem é delicada e merece tempo próprio, com contextos reais como temperatura e saldo.
Para onde ordem na reta numérica leva?
O conceito é porta de entrada para vários outros. A ordem crescente de números reaparece em praticamente todos os tópicos de número, e é a base para a ordem crescente de números, que trata da inversão com negativos e de valores próximos. A comparação de números naturais, que parece básica, continua sendo usada na ordenação de faixas de valores em problemas maiores.
Na sequência natural do currículo, vem a comparação de frações, em que o erro de denominador costuma ser o principal obstáculo, como mostra o material sobre comparação de frações. Logo depois, a comparação de números decimais exige atenção às casas decimais, e a ordenação de números decimais aparece quando a turma precisa ordenar listas inteiras de valores com vírgula.
Ou seja, quem domina a reta com números inteiros tem um caminho muito mais curto para entender decimais e frações. E quem não domina a reta vai sentir o problema em todo o restante da matemática escolar.
Quais as ligações com outros temas?
Ordem na reta numérica se conecta a temas transversais como consumo consciente e medição do cotidiano. As questões que usam medições de reservatórios, painéis de nível e temperaturas são uma oportunidade de discutir com a turma o que significa 'abaixo da referência' e como registramos informações do mundo real. Isso dá sentido ao conceito e ajuda o aluno a enxergar a matemática como ferramenta, e não só como exercício.
No plano socioemocional, as fichas destacam atenção aos detalhes, pensamento crítico e tomada de decisão. Esses são exatamente os traços que a reta exige: checar a condição, não aceitar a primeira resposta, justificar a escolha. Em aula, isso vira um exercício de paciência. O aluno que se apressa costuma errar; o que pausa e confere costuma acertar. Vale transformar essa observação em conversa com a turma, sem rotular ninguém.
O contexto de aplicação varia de questões abstratas, mais comuns no 1º e 2º ano, a situações cotidianas, mais frequentes no 7º ano. Quando o professor alterna esses contextos, a turma desenvolve a flexibilidade de transferir o conceito, o que é justamente o que as avaliações mais recentes buscam medir.
8 questões comentadas sobre ordem na reta numérica
A seguir, as oito questões validadas do conceito, cada uma com o gabarito comentado e o que o erro revela. As fichas técnicas completas aparecem logo após cada questão.
Questão 1 (3º ano): qual número está entre 50 e 70?
Em uma reta numérica, os pontos marcados são 40, 50, 60 e 70.
— Qual número está entre 50 e 70?
- ❌ A) 40 — o aluno confundiu a sequência da reta numérica e escolheu um número próximo do conjunto, mas que não fica entre 50 e 70.
- ✅ B) 60 — resposta exata ao comando. O número 60 está entre 50 e 70 na reta numérica.
- ❌ C) 60 e 70 — o aluno achou que qualquer número mostrado após 50 poderia servir, mas o enunciado pede apenas um número entre 50 e 70, e a resposta deve ser única.
- ❌ D) 70 — o aluno ampliou indevidamente a ideia de estar na mesma sequência e marcou um extremo superior, embora 70 seja limite e não esteja entre 50 e 70.
- ❌ E) 50 — o aluno olhou apenas para um dos números citados no enunciado e marcou um extremo, sem perceber que a pergunta pede um número entre 50 e 70.
O que o erro revela: quando o aluno escolhe um extremo ou um número qualquer do conjunto, ele ainda não transformou a condição do enunciado em uma regra de posição. Vale pedir que ele diga a condição em voz alta antes de responder.
Questão 2 (8º ano): qual número está imediatamente à direita de 0,8?
Em uma reta numérica desenhada no quadro, foram marcados os números -1,5; 0; 0,8; 1,2 e 2.
— Qual número está imediatamente à direita de 0,8 na reta numérica?
- ❌ A) 0 — o aluno localiza um número que aparece no enunciado, mas não verifica a posição dele em relação a 0,8 na reta numérica.
- ❌ B) 2 — o aluno escolhe o maior número listado, como se a pergunta pedisse o extremo da reta, e não o vizinho imediato à direita de 0,8.
- ✅ C) 1,2 — corresponde ao número que vem imediatamente depois de 0,8 na ordem crescente da reta numérica.
- ❌ D) 0,8 — o aluno confunde o ponto de referência com o número pedido e repete o valor dado no enunciado, sem avançar para o número seguinte na reta.
- ❌ E) -1,5 — o aluno trata qualquer número marcado na reta como possível resposta, sem considerar a ordem crescente e a posição relativa ao 0,8.
O que o erro revela: a escolha da alternativa A, o zero, mostra que o aluno ainda usa o zero como referência de tudo, e não como um ponto dentro de uma sequência ordenada.
Questão 3 (1º ano): ordene 72, 12, 90 e 45 do menor para o maior.
Ordene os números 72, 12, 90 e 45 do menor para o maior.
- ✅ A) 12, 45, 72, 90 — esta é a ordem correta do menor para o maior.
- ❌ B) 90, 72, 45, 12 — essa ordem é do maior para o menor.
- ❌ C) 72, 90, 12, 45 — essa ordem não está correta.
- ❌ D) 45, 90, 12, 72 — essa ordem não está correta.
- ❌ E) 12, 90, 72, 45 — 12 é o menor, mas a ordem está errada.
O que o erro revela: a inversão da alternativa B, do maior para o menor, é o distrator mais provável. Ele indica que o aluno ainda não fixou a direção da ordem crescente.
Questão 4 (2º ano): ordene 32, 21 e 43 do menor para o maior.
Ordene os números 32, 21 e 43 do menor para o maior.
- ✅ A) 21, 32, 43 — 21 é o menor, seguido por 32 e 43.
- ❌ B) 43, 32, 21 — essa ordem está errada.
- ❌ C) 32, 21, 43 — essa ordem não está correta.
- ❌ D) 21, 43, 32 — essa ordem está incorreta.
- ❌ E) 32, 43, 21 — essa ordem está errada.
O que o erro revela: quando o aluno escolhe D, ele coloca o 21 primeiro, mas inverte os dois maiores. Isso sugere que ele comparou apenas o primeiro critério e não completou a ordenação.
Questão 5 (7º ano): a sequência das etiquetas na reta com negativos e positivos.
O painel mostra que o nível está abaixo da referência, mas como organizaremos as etiquetas? — perguntou uma moradora durante a atualização do mural da estação comunitária.
Para facilitar a leitura, as medições são registradas em uma reta numérica, na qual o zero representa o nível de referência. Valores negativos ficam à esquerda do zero e valores positivos, à direita. Naquela manhã, foram anotadas quatro medições, em metros: a etiqueta P corresponde a -1,25; a etiqueta Q, a -3/4; a etiqueta R, a 1/2; e a etiqueta S, a 1,25. As etiquetas serão colocadas no mural seguindo a posição de seus números, da esquerda para a direita.
Analise as medições registradas no texto e identifique a sequência correta das etiquetas na reta numérica, da esquerda para a direita.
- ❌ A) Da esquerda para a direita, S, R, Q e P — erro de inverter a reta numérica: essa sequência apresenta os valores do maior para o menor.
- ✅ B) Da esquerda para a direita, P, Q, R e S — -1,25 < -3/4, pois -3/4 equivale a -0,75. Depois vêm 1/2, ou 0,5, e 1,25.
- ❌ C) Da esquerda para a direita, Q, P, R e S — erro de ordenação de negativos: entre -1,25 e -0,75, o número -1,25 fica mais à esquerda.
- ❌ D) Da esquerda para a direita, Q, R, P e S — erro de comparação incompleta: -1,25 é negativo e deve ficar à esquerda de 1/2, que equivale a 0,5.
- ❌ E) Da esquerda para a direita, P, R, Q e S — erro de sinal: um número positivo, como 1/2, não pode ficar à esquerda de um número negativo, como -3/4.
O que o erro revela: as alternativas C e E mostram a dificuldade com negativos. Quem escolhe C trata -1,25 e -0,75 como se o de maior valor absoluto fosse maior; quem escolhe E ignora que negativos vêm antes de positivos.
Questão 6 (5º ano): qual ponto fica entre 0,5 L e 3/4 L?
Na escola, cinco marcas mostram a quantidade de água em um reservatório: P = 1/4 L, Q = 0,3 L, R = 2/5 L, S = 0,625 L e T = 3/4 L. Qual ponto fica entre 0,5 L e 3/4 L?
- ❌ A) O ponto T — T = 3/4 L = 0,75 L, que é o limite superior, não um valor entre os limites.
- ❌ B) O ponto Q — Q = 0,3 L, que também é menor que 0,5 L.
- ✅ C) O ponto S — 0,5 L é igual a 0,500 L. Como 0,500 < 0,625 < 0,750, o ponto S fica entre 0,5 L e 3/4 L.
- ❌ D) O ponto P — P = 1/4 L = 0,25 L, que é menor que 0,5 L.
- ❌ E) O ponto R — R = 2/5 L = 0,4 L, que é menor que 0,5 L.
O que o erro revela: a alternativa A mostra que o aluno confunde o limite com o intervalo. A alternativa C é a correta justamente porque exige a conversão de frações para decimais.
Questão 7 (3º ano): ordene 1203, 1150, 1210, 1100 e 1199.
Ordene os números a seguir do menor para o maior: 1203, 1150, 1210, 1100, 1199.
- ❌ A) 1100, 1150, 1203, 1199, 1210 — a ordem não está correta.
- ✅ B) 1100, 1150, 1199, 1203, 1210 — essa é a ordem correta do menor para o maior.
- ❌ C) 1210, 1203, 1199, 1150, 1100 — a ordem está invertida.
- ❌ D) 1150, 1100, 1210, 1199, 1203 — a ordem está errada.
- ❌ E) 1199, 1210, 1203, 1150, 1100 — mais uma vez, a ordem não está certa.
O que o erro revela: a alternativa A, com 1203 antes de 1199, mostra que o aluno compara apenas as centenas e as dezenas e para na casa das unidades, sem considerar a ordem completa.
Questão 8 (1º ano): onde está o 25 em relação ao 30 na reta?
Na reta numérica, onde está o número 25 em relação ao 30?
- ❌ A) 25 fica no meio da reta — a criança pode achar que 25 está no meio da reta, em vez de comparar sua posição com 30.
- ❌ B) 25 fica no começo da reta — a criança pode confundir a posição relativa dos números com o começo da reta.
- ❌ C) 25 e 30 são iguais — a criança pode confundir os algarismos e pensar que os dois números têm o mesmo valor.
- ✅ D) 25 está à esquerda de 30 — na reta numérica, os números menores ficam à esquerda dos números maiores. Como 25 é menor que 30, 25 fica à esquerda de 30.
- ❌ E) 25 está à direita de 30 — a criança pode inverter a ordem dos números na reta e achar que 25 fica à direita de 30.
O que o erro revela: o distrator E, que inverte a posição, é o mais escolhido. Ele indica que a criança ainda não associou a ordem crescente à orientação da reta.
Perguntas frequentes
Com que idade o aluno deve localizar números na reta?
A localização de números na reta começa no 1º ano, de forma intuitiva, com sequências e comparações simples, conforme a habilidade EF01MA05. Nos anos seguintes, a complexidade cresce: o 2º e o 3º ano trabalham a ordenação, o 5º ano inclui frações e decimais, e o 7º e o 8º ano acrescentam negativos e racionais. Não há uma idade fixa para dominar tudo, mas o professor deve esperar que a base de comparação esteja consolidada antes de avançar.
Por que tanta criança escolhe um número do enunciado sem olhar a posição?
Porque a leitura é rápida e o número conhecido é tentador. O aluno procura algo familiar em vez de procurar a posição pedida. A saída é trabalhar a condição do enunciado antes de olhar as alternativas: pedir que o aluno repita em voz alta o que a questão exige. Esse pequeno hábito reduz muito o erro.
Como saber se a turma domina a ordem crescente antes de ensinar a reta?
Faça perguntas sem reta: qual número vem depois de 39, qual é maior entre 0,4 e 0,25, qual fica no meio entre 20 e 30. Se a turma hesita, a base de comparação ainda não está pronta. Nesse caso, vale revisar a ordem crescente de números antes de avançar para a reta.
Negativos devem ser ensinados na reta ou em contextos como temperatura?
Os dois, mas nessa ordem: primeiro os contextos concretos, como temperatura e saldo bancário, que dão intuição sobre o que é 'pior' ou 'menor'. Depois, a reta, que formaliza essa intuição. Ensinar a reta antes dos contextos costuma gerar a regra decorada e o erro de achar que -5 é maior que -2.
Qual a diferença entre uma questão de localização e uma de ordenação?
A localização pede a posição de um número em relação a outros, como o vizinho ou o intervalo. A ordenação pede a sequência completa de vários números. A primeira costuma ter tempo de resolução menor e baixo poder de discriminação; a segunda exige mais atenção e discrimina melhor. Ambas são úteis, mas servem a momentos diferentes da aula.
Como usar essas questões na prática sem perder tempo?
Use as questões de localização simples como aquecimento de dez minutos e as situacionais como atividade mais longa. Monte uma lista com essas oito questões e, a cada aula, escolha uma para diagnosticar. Se quiser criar variações com o mesmo nível de dificuldade, o gerador de provas do GeraProva ajuda a montar versões novas em poucos minutos, e você pode começar com o cadastro grátis.
Se você passou pela cena do aluno que aponta o número errado com toda a convicção, saiba que isso é diagnóstico, não fracasso. Use o erro como ponto de partida, monte suas próximas questões com a ficha técnica em mãos e veja como a turma responde quando o conceito finalmente encaixa. Experimente o cadastro grátis no GeraProva e crie sua próxima avaliação de reta numérica.
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Questões deste artigo com resolução completa
- Em uma reta numérica, os pontos marcados são 40, 50, 60 e 70. — Qual número está entre 50 e 70?
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- Na reta numérica, onde está o número 25 em relação ao 30?
Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Reta numérica, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
