Interpretação de texto e imagem: quando o aluno confunde legenda e cena
Interpretar texto e imagem exige mais do que localizar elementos: o aluno precisa comparar informações, reconhecer ações e inferir mensagens. Veja como diagnosticar dificuldades e ensinar essa leitura passo a passo.
Lembro bem de uma aula do 4º ano em que mostrei uma foto de uma biblioteca comunitária e pedi uma legenda. Um aluno, atento e esforçado, escreveu que a turma estava lendo histórias em voz alta. A foto mostrava crianças organizando livros numa mesa, com uma senhora ao lado. O erro não era de vocabulário: ele tinha lido a imagem pela sua expectativa, não pelo que estava nela.
Esse tipo de cena se repete quase todo semestre. O aluno sabe ler, reconhece as palavras, mas trata a imagem como enfeite ou como adivinhação. Quando o professor pergunta qual legenda combina com a foto, a turma se divide, porque cada um procurou uma coisa diferente. Este guia nasce dessa experiência: como diagnosticar onde está a falha e como ensinar a interpretar texto e imagem de forma integrada.
O que é interpretação de texto e imagem, explicado para o professor?
Interpretação de texto e imagem é a capacidade de construir sentido a partir de linguagens combinadas: um texto verbal, uma fotografia, uma ilustração, um cartaz, uma charge. Na prática, o aluno precisa identificar o que cada linguagem diz sozinha, o que ela acrescenta quando lida junto com a outra e qual é a intenção de quem produziu o conjunto. Uma legenda não repete a foto; ela seleciona o que importa. Um cartaz de saúde não descreve a doença; ele orienta uma ação.
Esse conceito aparece no currículo desde os anos iniciais. Na BNCC, a habilidade EF15LP18 trata da leitura de imagens em narrativas e textos informativos, e a EF02LP20 pede que o aluno do 2º ano relacione legendas e fotos. No 1º ano, a EF15LP04 trabalha a compreensão de como imagens complementam o sentido de um texto. Nos anos finais, a EF69LP03 aprofunda a análise da finalidade comunicativa de textos multimodais, como cartazes e campanhas. No Ensino Médio, a EM13LGG102 e a EM13LGG302 pedem análise de linguagens verbais e não verbais, com atenção ao sentido conotativo, e a EM13LP09 trata da relação entre texto, imagem e contexto de produção.
Em termos de matéria, o tema é central em Língua Portuguesa, mas atravessa também Arte, Ciências e Geografia, sempre que o aluno precisa ler mapas, gráficos ou fotografias. O ponto comum é que ler uma imagem exige a mesma disciplina de leitura de um parágrafo: observar, relacionar, hipotetizar e checar.
O que o aluno precisa saber antes?
As fichas pedagógicas do conceito mostram um padrão claro de pré-requisitos. Em praticamente todas as questões analisadas aparecem duas bases: interpretação de texto e interpretação de imagem. Em algumas, entra também compreensão de texto simples, análise de texto ou identificação de elementos visuais, como em questões do 1º ano que pedem a relação entre uma mesa de frutas e uma mensagem sobre alimentação. Nas questões do Ensino Médio, aparece ainda o pré-requisito de figuras de linguagem, sobretudo a conotação.
Para verificar se a turma tem essa base, sugiro três perguntas rápidas antes de qualquer prova. Primeira: o aluno consegue dizer, com as próprias palavras, o que a imagem mostra, sem interpretar? Segunda: consegue apontar uma informação que está só no texto e outra que está só na imagem? Terceira: consegue dizer por que uma legenda está errada, citando um detalhe da foto? Se a resposta for não na primeira, o problema é de observação. Se for não na segunda, é de relação. Se for não na terceira, é de justificativa. Cada falha pede uma intervenção diferente.
Também vale checar a base de leitura literária e de análise crítica. Muitas dificuldades com imagem são, na verdade, dificuldades com inferência. Para isso, os conteúdos de interpretação de texto literário e de análise crítica de texto ajudam a separar descrição, informação e avaliação, que é exatamente a separação que o aluno precisa fazer diante de uma foto.
Quais são os erros mais comuns e por que acontecem?
Ao analisar o erro típico das questões e o distrator mais provável, aparecem quatro padrões que se repetem. Eles não são aleatórios: cada um tem uma causa identificável e uma forma de intervenção.
Erro 1: repetir o texto e ignorar a imagem
Em cerca de metade das questões, o erro típico é confundir o que já está escrito no texto com o que é complementado pela imagem. O aluno escolhe uma alternativa verdadeira, mas que não traz nenhuma informação nova. Na questão do 5º ano sobre a revista de ervas, por exemplo, a alternativa que repete a profundidade de 1 cm do texto é o distrator mais atraente, justamente porque é correta, só que não é o complemento pedido. A causa é a pressa: o aluno lê o enunciado, encontra uma frase conhecida e para. Intervenha pedindo que ele marque, no texto, o que já aparece, e só depois olhe a figura para procurar o que falta.
Erro 2: trocar um elemento da cena por outro
Nas questões do 2º e do 4º ano, o erro é escolher uma legenda que descreve parcialmente a cena: troca o número de crianças, troca a ação de organizar por ler ou guardar. O aluno enxerga a cena de forma genérica e não confere cada elemento. A causa é a leitura global sem checagem. A intervenção mais eficaz é a checagem em voz alta: "quem aparece? o que está fazendo? onde?". Se o aluno cobrir uma das três perguntas, a legenda cai.
Erro 3: confundir sentido literal e conotativo
No Ensino Médio, o erro mais frequente é ler a imagem de forma literal quando ela pede sentido figurado. Em uma questão sobre uma venda sobre uma cabeça humana, o distrator mais provável é a leitura literal do objeto, quando a imagem sugere omissão de informações. A causa é a ausência de repertório sobre metáforas e figuras. A intervenção é mostrar, lado a lado, uma imagem literal e uma conotativa, e pedir que o aluno explique a diferença. Para essa etapa, ajuda muito o trabalho com emoções na arte, em que a cor e a forma carregam sentido além do que é representado.
Erro 4: tomar a imagem por enfeite ou por alarme
O erro mais difícil de corrigir aparece nas questões de finalidade comunicativa. Na questão do cartaz de saúde, o aluno tende a escolher a alternativa que exagera o risco, como se a imagem fosse um alerta de catástrofe, ou a que transforma a orientação numa convocação geral. A causa é a leitura emocional: o aluno responde ao tom de urgência, não à função do texto. A intervenção é perguntar qual ação o texto pede ao leitor. Se o texto orienta, a finalidade é orientar, não alarmar.
Como ensinar passo a passo?
A sequência que funciona na sala de aula parte do concreto e chega ao inferencial. Eu costumo organizar em cinco etapas, usando as dicas de resolução que aparecem nas fichas do conceito: observar, comparar, relacionar, justificar e transferir.
Primeiro, observe a imagem sem o texto. Peça que os alunos descrevam o que veem, em frases completas, sem interpretar. Esse momento treina a percepção e revela quem não percebe os elementos básicos. Segundo, leia o texto sem a imagem e peça que o aluno resuma a informação principal. Terceiro, junte os dois e pergunte o que a imagem acrescenta. A pergunta-chave é: "o que eu só descubro quando olho a figura?". Quarto, peça a justificativa: toda resposta precisa apontar um detalhe concreto, como "a foto mostra o irmão ao lado do bolo". Quinto, transfira: entregue uma imagem nova, de outro contexto, e peça que o aluno faça a mesma operação.
Uma atividade simples para o 2º ano é a legenda coletiva. Você projeta uma foto da escola, a turma propõe três legendas, e a classe vota em qual descreve a cena com precisão. As legendas vagas, como "um dia legal", perdem. As precisas, como "duas crianças organizam livros na biblioteca", ganham. Com isso, o critério de precisão fica visível, e o aluno aprende a reconhecê-lo. Para o Ensino Fundamental II, o mesmo exercício vira análise de cartaz: qual ação o texto pede, a quem se dirige, por que usa aquela imagem?
No Ensino Médio, acrescente a comparação entre sentido literal e conotativo. Peça que os alunos reescrevam uma imagem conotativa em linguagem literal e observem o que se perde. Essa perda é justamente o sentido que a figura carrega.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento?
Nem toda questão serve para todo fim. Nas fichas do conceito, algumas questões são marcadas como boas para diagnóstico e outras como melhores para prova final. Isso importa porque o professor precisa saber o que está medindo. Questões de abertura, com enunciado curto e tempo baixo, funcionam bem no diagnóstico inicial, porque mostram rapidamente quem já lê a imagem com precisão. Questões de progressão, com nível de leitura médio e poder de discriminação médio, servem para a prova do bimestre, porque separam quem apenas identifica elementos de quem relaciona e justifica.
Para o simulado, use questões com enunciado completo e situação realista, como a da legenda de foto ou a do cartaz de saúde, porque elas exigem leitura autônoma e transferem bem para o formato do exame. Para a lição de casa e a atividade, as questões com depende_imagem são úteis, porque obrigam o aluno a olhar a figura de novo, fora da pressão da sala. Já as questões de conotação, mais difíceis e com maior exigência de repertório, são melhores para a discussão em grupo do que para a nota individual.
Um cuidado: o tempo de resolução de cada questão varia de curto a médio. Questões curtas não são necessariamente fáceis, mas não devem ocupar mais de dois minutos de um aluno de 6º ano. Se a questão exige mais, ela precisa estar separada da avaliação rápida.
O que ensinar antes deste conceito?
Antes de trabalhar a relação entre texto e imagem, a turma precisa ter feito um percurso de leitura que, nas fichas, aparece como pré-requisito recorrente. Em primeiro lugar, a interpretação de texto literário, que ensina a distinguir o que é dito do que é sugerido. Em segundo, quando há textos em outra língua no material, a compreensão de texto em inglês, que treina a inferência a partir do contexto, a mesma habilidade que a imagem exige. Em terceiro, a análise crítica de texto, que separa descrição de avaliação. E, por fim, a Relação entre imagem e texto, que é o pré-requisito mais direto: sem ela, a imagem continua sendo enfeite.
Para onde este conceito leva?
Interpretar texto e imagem é porta de entrada para outros conteúdos. A leitura de emoções na arte depende da capacidade de perceber como cor, forma e composição produzem sentido, o que é exatamente a habilidade de observar uma foto com atenção. A importância das legendas, que parece simples, é central em jornalismo, em livros didáticos e nas redes sociais, onde o texto curto orienta toda a leitura de uma imagem. A relação entre verbal e não verbal aparece com força nas charges, em que o desenho e a frase precisam ser lidos juntos para que a crítica funcione. E o uso de metáforas, tão presente no Ensino Médio, depende de o aluno perceber que a imagem pode dizer uma coisa e significar outra.
Na prática, o aluno que aprende a ler uma foto com precisão tende a ler melhor um gráfico, um mapa ou uma campanha publicitária. A habilidade se transfere, e é isso que torna o conceito tão útil para o planejamento anual.
Quais são as ligações com outros temas?
Nas questões analisadas, o conceito se conecta a temas transversais como saúde e multiculturalismo. A questão do cartaz de saúde trabalha prevenção e responsabilidade coletiva; a da reportagem sobre a estética de Brasília trabalha identidade cultural e design brasileiro. Essas conexões ajudam o professor a justificar o uso das questões em projetos interdisciplinares.
No campo socioemocional, a habilidade mais recorrente nas fichas é o pensamento crítico. Ler uma imagem com atenção é resistir a respostas automáticas, conferir cada elemento e admitir quando a primeira impressão estava errada. Algumas questões também trabalham tomada de decisão, como a das frutas e verduras, em que o aluno precisa escolher a interpretação mais coerente com a mensagem. Esse trabalho é valioso porque treina a pessoa a não aceitar a primeira leitura de um cartaz, uma propaganda ou uma notícia.
Quais são as 8 questões comentadas sobre interpretação de texto e imagem?
A seguir estão as oito questões validadas do conceito. Em cada uma, a alternativa correta está marcada com ✅ e as erradas com ❌, com a explicação do motivo de cada erro. Ao final de cada questão, a ficha técnica completa aparece com os dados pedagógicos.
Questão 1: revista Plantar Bem, guia de ervas (5º ano)
Revista Plantar Bem traz neste mês um guia simples para cultivar ervas em casa. O texto explica quatro etapas: semear colocando a semente a cerca de 1 cm abaixo da superfície do solo; regar diariamente; proteger as mudas do sol forte; colher as folhas jovens quando tiverem cerca de 5 cm de altura. Ao lado do texto, há uma ilustração em quatro quadros que mostra: um jardineiro semeando, um regador vertendo água sobre o solo, uma sombrinha posicionada sobre as mudas e um garfinho colhendo folhas.
Analise o texto e a descrição da ilustração e identifique qual informação a imagem complementa ao texto.
- ❌ A) Indica a profundidade de 1 cm para plantar as sementes — a profundidade já é informada no texto, não é novidade trazida pela ilustração.
- ❌ B) Demonstra a medida de 5 cm para o tamanho das folhas — o tamanho de 5 cm já está explicitado no texto, não é acrescentado pela figura.
- ✅ C) Exibe o instrumento usado para regar as mudas — o texto menciona regar diariamente, mas a ilustração mostra especificamente o uso do regador.
- ❌ D) Sugere o horário mais adequado para colher as folhas — não há indicação de horário na ilustração nem no texto; é informação ausente.
- ❌ E) Mostra o número de dias entre semear e colher — a ilustração não apresenta nenhum dado sobre intervalo de dias entre as etapas.
O erro que esta questão revela é a tendência a escolher a alternativa que repete o texto. O aluno que marca A ainda não separou informação explícita de complemento visual.
Questão 2: duas crianças e uma senhora na biblioteca (4º ano)
Na foto, duas crianças e uma senhora organizam livros doados sobre uma mesa, na biblioteca do bairro.
Qual legenda combina com a foto?
- ❌ A) Duas crianças e uma senhora leem livros doados. — a alternativa troca a ação de organizar pela ação de ler.
- ❌ B) Uma criança e uma senhora organizam livros doados. — a alternativa troca duas crianças por uma criança.
- ✅ C) Duas crianças e uma senhora organizam livros doados. — a legenda correta informa quem aparece na foto e o que essas pessoas fazem.
- ❌ D) Duas crianças e uma senhora guardam livros doados. — a alternativa troca a ação de organizar pela ação de guardar.
- ❌ E) Três crianças e uma senhora organizam livros doados. — a alternativa acrescenta uma criança que não aparece na foto.
Esta questão mostra quem faz checagem elemento por elemento. O aluno que marca B costuma ter lido a cena de forma global, sem contar as pessoas.
Questão 3: meu irmão e o bolo com velas (2º ano)
Na foto, meu irmão aparece sorrindo ao lado de um bolo com velas acesas. A família canta parabéns.
Qual legenda diz quem está ao lado do bolo?
- ❌ A) Minha avó — troca o irmão pela avó, que aparece apenas como a pessoa que tem o celular, não como quem está ao lado do bolo.
- ❌ B) A família — troca a pessoa que aparece ao lado do bolo pelo grupo que canta parabéns.
- ❌ C) As velas — escolhe um objeto que está no bolo em vez da pessoa que aparece ao lado dele.
- ✅ D) Meu irmão — a foto mostra o irmão sorrindo ao lado do bolo. Por isso, a legenda correta é “Meu irmão”.
- ❌ E) O bolo — repete o objeto que está na foto, mas não responde quem está ao lado dele.
O erro que esta questão revela é a confusão entre o elemento central da cena e outros elementos próximos. O aluno que marca A costuma se prender a um detalhe, não à relação espacial.
Questão 4: campanha de adoção tardia (ENEM 2020)
ENEM - 2020 Nessa campanha publicitária, a imagem da família e o texto verbal unem-se para reforçar a ideia de que
Nessa campanha publicitária, a imagem da família e o texto verbal unem-se para reforçar a ideia de que
- ❌ A) A família que adota é mais feliz. — a campanha não afirma que a família que adota é mais feliz, mas sim que a adoção tardia é positiva.
- ✅ B) A adoção tardia é muito positiva. — a opção correta, pois a campanha enfatiza os benefícios da adoção tardia, mostrando que é uma escolha positiva.
- ❌ C) As famílias preferem adotar bebês. — a campanha não menciona a preferência por adotar bebês, mas sim a adoção de adolescentes, o que torna essa opção incorreta.
- ❌ D) A adoção de adolescentes é mais simples. — a simplicidade da adoção de adolescentes não é abordada na campanha, que foca nos aspectos positivos da adoção tardia.
- ❌ E) Os filhos adotivos são companheiros dos pais. — embora a relação entre pais e filhos adotivos seja importante, a campanha não enfatiza que os filhos adotivos são companheiros dos pais.
Aqui o aluno precisa unir o que a imagem mostra ao que o texto afirma. O distrator A é o mais provável porque generaliza uma emoção sem sustentação na campanha.
Questão 5: mesa com frutas e verduras (1º ano)
Se uma imagem mostra uma mesa cheia de frutas e verduras, qual pode ser a interpretação que essa imagem traz para um texto?
- ✅ A) Alimentos saudáveis são essenciais para uma boa saúde. — essa alternativa está correta, pois a imagem sugere a variedade e a importância dos alimentos saudáveis.
- ❌ B) Frutas e verduras são apenas decorativas. — essa alternativa é incorreta, já que a imagem destaca a utilidade dos alimentos.
- ❌ C) Comer frutas e verduras é uma má escolha. — essa alternativa é incorreta, pois a imagem promove a ideia de uma alimentação saudável.
- ❌ D) As frutas e verduras devem ser evitadas. — essa alternativa é incorreta, já que a imagem incentiva o consumo desses alimentos.
- ❌ E) Frutas e verduras são apenas para dietas. — essa alternativa é incorreta, pois a imagem sugere que esses alimentos são importantes para todos.
É uma questão de abertura, com leitura curta. O erro que ela revela é a leitura negativa ou restritiva da imagem, como se a figura pudesse ser decorativa.
Questão 6: cartaz do Ministério da Saúde sobre gripe (6º ano)
Durante a circulação do vírus Influenza A (H1N1), um cartaz do Ministério da Saúde foi afixado em escolas e unidades de atendimento: “Febre, tosse, dor de garganta e dores no corpo podem ser sinais de gripe. Ao apresentar esses sintomas, procure uma unidade de saúde. Para reduzir a transmissão, lave as mãos frequentemente com água e sabão, cubra o nariz e a boca ao tossir ou espirrar e evite compartilhar objetos pessoais.”
Considerando as informações e a finalidade comunicativa do cartaz, qual objetivo social orienta a produção desse texto?
- ❌ A) Informando a população sobre a iminência de uma pandemia de gripe. — esse distrator introduz uma previsão que não está presente no texto-base.
- ❌ B) Descrevendo a situação do país em relação à circulação da gripe. — esse distrator confunde a finalidade instrucional do cartaz com a descrição de um cenário nacional.
- ✅ C) Orientando a população sobre os sintomas da gripe e os procedimentos para evitar a contaminação. — o cartaz apresenta sintomas associados à gripe e recomenda ações concretas para reduzir a transmissão.
- ❌ D) Convocando a população para realizar exames de detecção da gripe. — esse distrator transforma a orientação para procurar uma unidade de saúde em uma convocação geral para exames.
- ❌ E) Alertando a população para o risco de morte causado pela gripe. — esse distrator atribui ao texto um alerta sobre mortalidade, informação que não aparece no cartaz.
Esta questão separa quem lê a finalidade de quem lê o tom. O aluno que marca B tende a confundir descrição com orientação.
Questão 7: a venda sobre a cabeça humana (ENEM 2013)
ENEM - 2013 Analisando-se as informações verbais e a imagem associada a uma cabeça humana, compreende-se que a venda
Analisando-se as informações verbais e a imagem associada a uma cabeça humana, compreende-se que a venda
- ❌ A) Representa a amplitude de informações que compõem a internet, às quais temos acesso em redes sociais e sites de busca. — a alternativa fala sobre a amplitude de informações, mas não aborda a omissão, que é o foco da questão.
- ✅ B) Faz uma denúncia quanto às informações que são omitidas dos usuários da rede, sendo empregada no sentido conotativo. — a alternativa correta, pois denuncia a omissão de informações na internet, usando o sentido conotativo da imagem.
- ❌ C) Diz respeito a um buraco negro digital, onde estão escondidas as informações buscadas pelo usuário nos sites que acessa. — a ideia de um buraco negro digital não se relaciona com a omissão de informações, mas sim com a dificuldade de acesso a dados.
- ❌ D) Está associada a um conjunto de restrições sociais presentes na vida daqueles que estão sempre conectados à internet. — embora mencione restrições sociais, não aborda a omissão de informações, que é central na imagem.
- ❌ E) Remete às bases de dados da web, protegidas por senhas ou assinaturas e às quais o navegador não tem acesso. — foca nas bases de dados protegidas, mas não discute a omissão de informações.
O erro que esta questão revela é a leitura literal de um objeto que, no contexto, funciona como metáfora. O aluno que marca A ainda não percebeu o sentido conotativo.
Questão 8: a estética brasiliense nos móveis de Sérgio Rodrigues (ENEM 2021)
ENEM - 2021 A revolução estética brasiliense empurrou os designers de móveis dos anos 1950 e início dos 1960 para o novo. Induzidos a abandonar o gosto rebuscado pelo colonial, a trocar Ouro Preto por Brasília, eles criaram um mobiliário contemporâneo que ainda hoje vemos nas lojas e nas salas de espera de consultórios e escritórios, Colada no uso de madeiras nobres, como o jacarandá e a peroba, e em materiais de revestimento como o couro e a palhinha, desenvolveu-se uma tendência feita de linhas retas e curvas suaves, nos moldes da capital no Cerrado.
CHAVES, D. Disponível em: www.veja.abril.com.br. Acesso em: 29 jul. 2010. Na reportagem sobre os 50 anos de Brasília, de Débora Chaves, com a reprodução fotográfica de cadeiras e poltronas de Sérgio Rodrigues, verifica-se que os elementos da estética brasiliense
Na reportagem sobre os 50 anos de Brasília, de Débora Chaves, com a reprodução fotográfica de cadeiras e poltronas de Sérgio Rodrigues, verifica-se que os elementos da estética brasiliense
- ❌ A) Aparecem definidos nas linhas retas dos objetos. — embora as linhas retas sejam uma característica, não definem toda a estética brasiliense, que também inclui curvas suaves.
- ❌ B) Expressam o desenho rebuscado por meio das linhas. — o estilo brasiliense é caracterizado pela simplicidade, não pelo desenho rebuscado, que é o oposto do que se busca.
- ❌ C) Mostram a expressão assimétrica das linhas curvas suaves. — as linhas curvas suaves são uma parte da estética, mas não representam a totalidade da expressão visual.
- ❌ D) Apontam a unidade de matéria-prima utilizada em sua fabricação. — a unidade de matéria-prima é importante, mas a questão foca na simplificação das informações visuais.
- ✅ E) Surgem na simplificação das informação visuais de cada composição. — a simplificação das informações visuais é uma característica central do design brasiliense, refletindo a estética moderna.
Esta questão exige que o aluno cruze o texto verbal com a fotografia dos móveis. O distrator C é o mais provável porque o aluno enxerga as curvas e para aí, sem relacionar à síntese visual.
Perguntas frequentes
Como saber se a turma já sabe interpretar imagens?
Peça que descrevam uma foto em frases completas, sem interpretar, e depois que apontem uma informação que só está na imagem. Se a turma consegue as duas coisas, a base está presente. Se só descreve o óbvio ou repete o texto, o trabalho deve começar pela observação.
A imagem sempre complementa o texto?
Nem sempre. Em algumas situações ela repete, em outras contradiz ou ironiza. O aluno precisa identificar qual dessas relações está em jogo antes de responder. Por isso, a pergunta que mais ajuda é: a imagem acrescenta, repete ou contradiz o que foi dito?
Qual a diferença entre legenda e descrição?
A legenda seleciona o que é mais importante na foto e a sintetiza em uma frase curta. A descrição detalha tudo o que aparece. Em sala, peça que o aluno primeiro descreva e depois reduza a descrição a uma legenda, para ver o que foi cortado.
Como lidar com o aluno que sempre escolhe a alternativa mais longa?
Esse hábito costuma indicar que o aluno confunde detalhe com precisão. Trabalhe com questões em que a alternativa correta é curta e a errada é longa e cheia de adjetivos, e discuta por que a precisão vence a extensão.
Imagens conotativas são adequadas para o Ensino Fundamental?
Sim, em forma simples. Uma mão segurando uma flor pode significar cuidado; uma porta fechada pode significar bloqueio. O importante é mostrar que a imagem pode dizer algo além do que mostra, antes de chegar às metáforas mais complexas do Ensino Médio.
Como usar essas questões sem virar treino mecânico?
Use a justificativa como foco. Em vez de perguntar qual a letra correta, peça que o aluno aponte o detalhe da imagem que sustenta a resposta. Assim a questão mede compreensão, não memorização de padrão.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Formação do leitor literário/Leitura multissemiótica, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
