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Inclusão social afrodescendentes: quando o aluno confunde inclusão com outras políticas

Um guia para ensinar e diagnosticar inclusão social afrodescendentes sem reduzir o tema à memorização. Analiso erros recorrentes nas questões, pré-requisitos, intervenções e usos avaliativos.

Inclusão social afrodescendentes: quando o aluno confunde inclusão com outras políticas

Lembro bem do dia em que fiz uma pergunta simples na turma do 9º ano: o que são políticas de inclusão social? Uma aluna levantou a mão e respondeu, com toda a segurança, que era "dar comida para os pobres". Outro colega completou dizendo que inclusão era "deixar todo mundo entrar na escola". Nenhum dos dois estava totalmente errado, mas nenhum dos dois falou de afrodescendentes, de desigualdade histórica ou de cotas.

Esse episódio se repete todo ano, e foi ele que me fez olhar com mais atenção para a fichas técnicas das questões que usamos no GeraProva. Quando organizei os dados, percebi um padrão claro: boa parte das dificuldades dos alunos não está em decorar fatos, mas em misturar conceitos parecidos. Inclusão social, políticas públicas, igualdade racial e ações afirmativas são lidos como se fossem a mesma coisa. Este guia é para você que quer diagnosticar essa confusão antes da prova e corrigi-la com calma.

O que é inclusão social afrodescendentes, explicado para o professor?

Inclusão social de afrodescendentes é o conjunto de ações, do Estado ou da sociedade, que buscam reduzir desigualdades históricas e garantir que a população negra tenha acesso efetivo a direitos como educação, saúde, trabalho e participação política. Ela parte de um diagnóstico: o Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão e, depois disso, não criou mecanismos para integrar essa população à vida social em condições de igualdade. Por isso, a inclusão não é apenas dar oportunidade a quem chega, mas corrigir o ponto de partida.

Na prática, aparecem exemplos concretos: cotas em universidades, bolsas de estudo, programas de tutoria para estudantes de escolas públicas, equipes de saúde instaladas em bairros com maior concentração de população negra e indicadores de acesso e permanência para avaliar resultados. Esses exemplos reaparecem nas questões do GeraProva, como na que trata de um município que combina bolsas, tutorias e atendimento de saúde.

No currículo, o tema aparece em mais de um lugar. No 5º ano, a habilidade EF05HI04 trata de identificar ações e grupos que promovem a inclusão de povos e culturas. No 9º ano, a habilidade EF09HI03 pede que o aluno analise políticas de inclusão social implementadas no Brasil recente, como as cotas e os programas de acesso ao ensino superior. No Ensino Médio e no ENEM, a competência EM13CHS606 cobra a análise crítica de políticas públicas e a comparação entre áreas de atuação do Estado. Ou seja, o mesmo conceito é retomado em três etapas com profundidade crescente.

A grande armadilha é que, em cada etapa, o aluno tende a reduzir o conceito a uma de suas partes. No 5º ano, vira "não discriminar". No 9º ano, vira "cota". No ENEM, vira "qualquer programa social". Essa redução é o que chamamos aqui de confusão, e é ela que este guia quer diagnosticar.

O que o aluno precisa saber antes?

Os dados da ficha técnica são bastante consistentes quanto aos pré-requisitos. Nas seis questões analisadas, os dois pré-requisitos mais citados são o conceito de inclusão social e o conhecimento sobre políticas públicas, seguidos de elementos como direitos civis, igualdade racial, diversidade cultural, dados estatísticos e história recente do Brasil. Quando o aluno não domina o conceito de inclusão, ele não consegue distinguir uma política de inclusão de uma medida qualquer.

Para verificar se a turma tem essa base, faça uma pergunta de diagnóstico antes de qualquer conteúdo novo: "Dê um exemplo de ação que ajuda afrodescendentes a terem as mesmas oportunidades que os outros e explique por quê". Respostas que citam apenas a palavra "ajuda" ou que falam em caridade indicam que o conceito ainda não está formado. Respostas que citam cotas, bolsas ou acesso à escola, mas sem relacionar com desigualdade histórica, indicam uma base parcial.

Uma segunda verificação é separar políticas públicas de inclusão de outras políticas. Peça para a turma classificar uma lista misturada: cota universitária, reforma de estradas, programa de bolsas, campanha de vacinação, lei de proteção à cultura afro. O aluno que coloca tudo na mesma categoria ainda não compreendeu que inclusão tem um alvo específico. Esse exercício é curto, leva cerca de dez minutos e costuma revelar a confusão com precisão.

Por fim, observe o pré-requisito de dados estatísticos. Alunos que não leem percentuais têm dificuldade em entender por que um dado como "15% da população se declara afrodescendente" é relevante para a análise. Para eles, o número parece apenas um detalhe, e não um argumento para justificar políticas.

Os erros mais comuns (e por que acontecem)

Ao cruzar os erros típicos das fichas com os distratores mais escolhidos, aparecem três padrões que se repetem em várias questões. Vou detalhar cada um, porque cada um pede uma intervenção diferente.

Erro 1: tratar inclusão como qualquer ação social

Em várias questões, o erro típico é confundir ações de inclusão com medidas gerais que não têm relação com a população afrodescendente. O aluno escolhe a alternativa que soa "social" ou "bondosa", sem checar se ela atinge o grupo em questão. Nas questões de 5º ano, isso aparece quando o aluno escolhe respostas como "ignorar a cultura afro" ou "desconsiderar a história afro" por achar que são neutras. A causa mais provável é a falta de um critério de comparação: ele não sabe o que a inclusão deve produzir, então qualquer coisa parece adequada.

A intervenção que funciona é trabalhar com um critério explícito. Peça que o aluno responda sempre a mesma pergunta diante de cada alternativa: essa medida amplia o acesso de afrodescendentes a um direito, ou apenas fala sobre eles? A pergunta é simples, mas obriga a pensar no alvo da política, e não apenas no tom da resposta.

Erro 2: confundir igualdade formal com igualdade real

Esse é o erro mais sofisticado e aparece em questões de nível de leitura médio ou alto. O aluno aceita como correto um critério aparentemente neutro, como selecionar apenas por desempenho, sem perceber que ele pode manter desigualdades históricas. Em uma das questões analisadas, o distrator que propõe selecionar estudantes por desempenho, sem considerar desigualdades raciais de acesso, atrai alunos que acreditam que "tratar todos igual" já é justo. A causa é conceitual: o aluno ainda não distingue igualdade de oportunidades formal e material, que é justamente o centro da ideia de inclusão.

Para intervir, use exemplos de corrida: se um grupo começa cem metros atrás, dar a mesma largada não iguala a chegada. Esse tipo de analogia costuma funcionar bem com alunos do 9º ano e cria a ponte para a noção de desigualdade histórica.

Erro 3: transferir ou deslocar a responsabilidade

Outro padrão recorrente é o aluno escolher respostas que jogam a responsabilidade para indivíduos ou para as famílias, como se a inclusão fosse um problema privado. Em questões que tratam de racismo no ambiente escolar, esse distrator é atraente porque parece lógico. A causa é a visão individualista do problema: o aluno não enxerga que instituições, como a escola e o Estado, também têm papel a cumprir.

A intervenção sugerida é discutir a diferença entre racismo individual e racismo institucional. Peça exemplos de práticas da escola que, mesmo sem intenção explícita, reproduzem desigualdades, como currículo que só fala de um tipo de herói ou critérios de avaliação que favorecem alguns estudantes.

Como ensinar passo a passo

A sequência que recomendo parte do diagnóstico e avança para a aplicação. Primeiro, faça a pergunta inicial sobre um exemplo de inclusão e registre as respostas no quadro, sem corrigir ainda. Segundo, apresente a definição de inclusão como correção de desigualdades históricas, usando dados reais sobre a população afrodescendente. Terceiro, faça o exercício de classificação de políticas, separando as que têm alvo específico das que são gerais. Quarto, trabalhe a distinção entre igualdade formal e material com a analogia da corrida. Quinto, apresente uma política concreta, como um programa de bolsas e tutoria, e peça que os alunos identifiquem quais áreas ela articula, educação, saúde, cultura, e quais indicadores avaliariam seus resultados. Sexto, feche com uma atividade de produção, em que cada aluno escreve um parágrafo defendendo uma política de inclusão para a sua escola.

Essa sequência leva de três a quatro aulas, dependendo da turma. O ponto crítico está no segundo e no quarto passos, porque são aqueles em que a confusão costuma se desfazer. Se a turma ainda confunde política de inclusão com medida genérica depois do passo três, volte ao critério de alvo antes de avançar.

Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento

Nem toda questão serve para todo momento, e os dados da ficha técnica ajudam a escolher. As questões de nível de leitura médio, com estilo interpretativo e tempo de resolução médio, funcionam bem como diagnóstico e como parte de provas. Elas exigem que o aluno compreenda o enunciado e escolha entre alternativas plausíveis, sem exigir cálculo. Já as questões de estilo comparativo e nível de leitura alto, com papel de desafio, são mais adequadas para simulados e para turmas que já passaram pela fase de conceitos básicos, porque discriminam melhor os alunos que dominam o tema.

Questões de tempo curto e enunciado direto, como as que pedem para identificar uma ação de inclusão, são ótimas para avaliação rápida e para diagnóstico inicial, pois revelam em poucos segundos se o conceito básico está presente. Porém, têm poder de discriminação médio e não devem ser usadas sozinhas para medir compreensão mais profunda.

Para lição de casa, a recomendação dos dados é não usar essas questões, já que elas dependem de discussão em sala. Prefira atividades de produção curta, em que o aluno precisa justificar a escolha. Na prova, uma boa combinação é uma questão direta para checar o conceito e uma questão comparativa para medir a análise, de preferência no mesmo bloco temático.

Uma observação importante: em todas as questões analisadas, o tema transversal é cidadania e ética, e a habilidade socioemocional trabalhada é o pensamento crítico ou a empatia. Isso significa que a avaliação não deve medir apenas memorização de nomes de leis, mas a capacidade de julgar medidas à luz de direitos e de situações concretas.

O que ensinar antes

Antes de trabalhar inclusão social afrodescendentes, vale garantir alguns conceitos de base. O primeiro é a própria noção de inclusão social, entendida como processo de garantir participação plena de grupos historicamente excluídos, e não apenas como convivência ou tolerância. Sem essa definição, o aluno não consegue separar ações de inclusão das demais.

O segundo conceito é o de políticas públicas. Um estudante precisa entender que uma política pública é uma decisão do Estado, com objetivo, público-alvo e forma de avaliação. Quando ele entende isso, passa a perguntar quem é o beneficiário de cada medida, o que facilita muito a distinção pedida nas questões. Para aprofundar essa relação, sugiro o texto sobre políticas públicas e inclusão, que trabalha justamente a ideia de que respeitar diferenças não elimina a necessidade de políticas específicas.

O terceiro conceito é o de igualdade racial. É aqui que o aluno precisa distinguir igualdade racial de igualdade de oportunidade genérica. Muitos erros das questões de 9º ano e de ENEM vêm dessa confusão: o estudante acredita que, se todos têm as mesmas leis, a igualdade racial já está garantida. Trabalhar essa diferença antes das questões reduz muito o erro de deslocamento de responsabilidade e o erro de igualdade formal.

Esses três conceitos formam a base para qualquer questão sobre o tema. Se algum deles estiver fraco na turma, a intervenção deve começar por ele, e não pelas questões de nível alto.

Ligações com outros temas

O tema da inclusão social afrodescendente conversa diretamente com outros conteúdos. Em História, ele se liga ao pós-abolição e às políticas que, durante muito tempo, excluíram a população negra do acesso à terra, ao trabalho formal e à escola. Em Sociologia, dialoga com os conceitos de desigualdade, estratificação social e racismo estrutural. Em Geografia, pode ser conectado à análise de bairros com maior concentração de população negra e menor acesso a serviços de saúde, como aparece em uma das questões do ENEM analisadas.

Do ponto de vista transversal, o tema é de cidadania e ética, e isso permite trabalhar com projetos interdisciplinares em que os alunos investigam políticas de inclusão na própria cidade. Essa pesquisa local costuma ser o momento em que a confusão se desfaz de vez, porque o aluno vê, com dados do município, a diferença entre uma ação de inclusão e uma ação genérica.

Em termos socioemocionais, as habilidades mais trabalhadas são pensamento crítico e empatia. A primeira aparece na capacidade de questionar aparências de neutralidade; a segunda, na compreensão de como a exclusão afeta a vida de outras pessoas. Trabalhar as duas juntas ajuda o aluno a não tratar a inclusão como um tema abstrato.

O contexto de aplicação mais frequente nas questões é o cotidiano escolar e social, o que facilita a conexão com a realidade do aluno. Quando você leva um exemplo da própria escola, como uma política de acesso a um projeto ou um debate sobre currículo, a aula ganha sentido e a confusão diminui.

6 questões comentadas sobre inclusão social afrodescendentes

As questões a seguir foram validadas e cobrem diferentes séries, níveis de leitura e papéis na prova. Para cada uma, comento as alternativas e o que a escolha errada revela sobre o raciocínio do aluno. Ao final de cada uma, há a ficha técnica completa.

Questão 1 — políticas de inclusão e suas consequências (9º ano)

A partir de 2003, o Brasil criou políticas de inclusão social para afrodescendentes, como cotas em universidades e programas de bolsas de estudo. Essas medidas buscavam diminuir desigualdades históricas e ampliar as oportunidades educacionais desse grupo.

Qual foi uma das principais consequências dessas políticas de inclusão social?

  • ❌ A) Criação de novas universidades públicas em todo o país. — Este distrator confunde a ampliação do acesso às universidades com o aumento da quantidade de instituições públicas. As políticas citadas facilitavam a entrada dos estudantes, mas não tinham como principal consequência criar universidades.
  • ❌ B) Redução completa das diferenças econômicas entre afrodescendentes. — As políticas contribuíram para ampliar oportunidades educacionais, mas não eliminaram por completo as desigualdades econômicas existentes.
  • ❌ C) Melhoria geral da saúde pública para toda a população. — O foco das medidas apresentadas era ampliar oportunidades educacionais e combater desigualdades sociais, não melhorar diretamente a saúde pública de toda a população.
  • ✅ D) Ampliação do acesso de afrodescendentes ao ensino superior. — As cotas e as bolsas de estudo facilitaram a entrada de mais afrodescendentes nas universidades. Assim, a principal consequência foi a ampliação do acesso ao ensino superior, e não a criação de novas universidades.
  • ❌ E) Garantia de igualdade imediata entre todos os grupos sociais. — Este distrator exagera o efeito das políticas, pois medidas de inclusão podem reduzir desigualdades, mas não eliminam imediatamente todas as diferenças sociais.

O que esta questão revela: o aluno que escolhe a alternativa C está tratando a inclusão como melhoria geral, não como medida com alvo específico. Esse é exatamente o erro que o exercício de classificação de políticas busca corrigir.

Questão 2 — áreas articuladas em um programa de igualdade racial (ENEM)

Em 2024, um município brasileiro criou um programa de promoção da igualdade racial. O plano prevê a ampliação de bolsas e tutorias para estudantes negros em escolas públicas, além da instalação de equipes de saúde da família em bairros com maior concentração de população negra e menor acesso a atendimento médico. O documento também informa que essas medidas devem ser acompanhadas por indicadores de acesso e permanência, para avaliar seus resultados.

Ao comparar as políticas públicas descritas no texto, quais áreas foram articuladas pelo município como estratégia de promoção da igualdade racial?

  • ❌ A) Cultura e lazer comunitário — Este distrator decorre da generalização de que a promoção da igualdade racial necessariamente envolve valorização cultural e atividades recreativas. Embora essas áreas possam receber políticas públicas, elas não aparecem no programa apresentado.
  • ❌ B) Habitação e infraestrutura urbana — Este distrator surge da interpretação equivocada de que a menção a bairros com menor acesso a serviços médicos se refere a obras urbanas ou políticas habitacionais. O texto trata especificamente da expansão do atendimento de saúde.
  • ❌ C) Segurança e proteção patrimonial — Este distrator confunde políticas de igualdade racial com ações de segurança pública e proteção de bens. O texto não apresenta policiamento, prevenção da violência ou proteção patrimonial como medidas do programa.
  • ❌ D) Apoio financeiro e empreendedorismo — Este distrator resulta da associação indevida entre políticas de inclusão racial e medidas econômicas que não são mencionadas no texto. O programa descrito não prevê apoio a empresas nem incentivo ao empreendedorismo.
  • ✅ E) Educação e saúde — O texto menciona, de forma direta, bolsas e tutorias para estudantes negros, medidas relacionadas à educação, e a instalação de equipes de saúde da família em áreas com menor acesso médico, medidas relacionadas à saúde. Portanto, as duas áreas articuladas no programa são educação e saúde.

O que esta questão revela: o aluno que escolhe a alternativa C costuma associar inclusão a segurança, um reflexo de tratar políticas sociais como ações de controle. A leitura cuidadosa do texto, que o enunciado de nível alto exige, é o ponto que separa os alunos que dominam o tema.

Questão 3 — ações que promovem a inclusão de afrodescendentes (5º ano)

Identifique ações que promovem a inclusão de afrodescendentes na sociedade.

  • ✅ A) Criação de cotas em universidades. — Cotas são uma ação afirmativa essencial.
  • ❌ B) Aumento de impostos. — Aumento de impostos não promove inclusão.
  • ❌ C) Proibição de manifestações culturais. — Proibir manifestações não promove inclusão.
  • ❌ D) Eliminação de políticas sociais. — Eliminar políticas sociais prejudica a inclusão.
  • ❌ E) Restrição de acesso ao mercado de trabalho. — Restrição de acesso não é inclusiva.

O que esta questão revela: o distrator mais escolhido é a eliminação de políticas sociais, o que mostra que o aluno ainda não vê a política pública como instrumento de inclusão, mas como algo que pode ser retirado sem consequências. Aqui, a intervenção é retomar o conceito de alvo específico.

Questão 4 — a importância do dado sobre a população afrodescendente (9º ano)

Diversos dados do IBGE indicam que 15% da população brasileira se declara afrodescendente. Qual a importância desse dado para a análise da inclusão social dessa população?

  • ❌ A) Reforça a ideia de que a sociedade é homogênea. — Essa alternativa ignora a diversidade da população brasileira.
  • ✅ B) Demonstra a necessidade de políticas de inclusão. — A inclusão é primordial para garantir direitos a essa população.
  • ❌ C) Sugere que não há desigualdade social no Brasil. — A desigualdade é uma realidade e deve ser abordada.
  • ❌ D) Indica que a população negra tem mais direitos que a branca. — Isso é uma generalização incorreta.
  • ❌ E) Mostra que a cultura afrodescendente não é relevante. — A cultura afrodescendente é fundamental na formação da identidade brasileira.

O que esta questão revela: o distrator mais provável é a alternativa A, que sugere homogeneidade. O aluno que a escolhe ainda não conecta dados estatísticos à análise de desigualdade, e essa é uma boa oportunidade para trabalhar leitura de percentuais.

Questão 5 — medida para enfrentar invisibilidade cultural e racismo institucional (5º ano)

Em uma escola pública, uma pesquisa realizada com estudantes revelou que 62% dos alunos afrodescendentes consideram insuficiente a presença de contribuições africanas e afro-brasileiras nas aulas. Além disso, 48% afirmaram já ter presenciado ou sofrido situações de discriminação racial no ambiente escolar. O conselho escolar pretende elaborar uma medida de inclusão que enfrente tanto a invisibilidade cultural quanto o racismo institucional, em conformidade com o princípio de educação para as relações étnico-raciais.

Considerando os dados da pesquisa e os objetivos do conselho escolar, qual medida enfrenta de modo mais direto as causas do problema identificado?

  • ❌ A) Concentrar a história africana em uma celebração anual, sem alterar o currículo regular. — Este distrator reduz a valorização cultural a uma ação episódica. Uma atividade anual não modifica a organização permanente do currículo nem prepara a escola para enfrentar o racismo institucional.
  • ❌ B) Manter o currículo atual, evitando temas raciais para preservar a neutralidade escolar. — Este distrator expressa o erro de confundir neutralidade com igualdade. Ao evitar o debate racial, a escola mantém a invisibilidade cultural e não enfrenta as discriminações registradas na pesquisa.
  • ❌ C) Transferir às famílias a responsabilidade por combater discriminações ocorridas na escola. — Este distrator desloca para as famílias uma responsabilidade institucional da escola. A instituição deve prevenir, identificar e enfrentar o racismo em suas práticas e relações cotidianas.
  • ✅ D) Implementar uma política curricular antirracista, com participação estudantil e formação docente contínua. — A medida correta articula a revisão do currículo, a valorização das contribuições africanas e afro-brasileiras, a participação dos estudantes e a preparação dos professores para enfrentar situações de racismo. Assim, não se limita a uma ação pontual nem transfere a responsabilidade para os indivíduos; ela atua sobre as dimensões cultural e institucional do problema apresentado no texto-base.
  • ❌ E) Selecionar estudantes por desempenho, sem considerar desigualdades raciais de acesso. — Este distrator representa o erro de adotar uma igualdade apenas formal. Critérios aparentemente neutros podem conservar desigualdades históricas quando ignoram as condições diferenciadas de acesso e participação.

O que esta questão revela: o distrator mais provável é a alternativa D, que pode parecer excessiva ou "pesada" para o aluno. Quando ele a descarta, geralmente é porque ainda não entende o racismo como problema institucional e não apenas como atitude individual.

Questão 6 — ação para promover a inclusão de afrodescendentes (5º ano)

Identifique uma ação para promover a inclusão de afrodescendentes na sociedade.

  • ✅ A) Apoiar políticas públicas. — Políticas públicas são essenciais para a inclusão.
  • ❌ B) Ignorar a cultura afro. — Ignorar não promove a inclusão.
  • ❌ C) Limitar o acesso à educação. — Limitar acesso perpetua a exclusão.
  • ❌ D) Desconsiderar a história afro. — Desconsiderar não ajuda na inclusão.
  • ❌ E) Restringir a participação política. — Restrições não promovem inclusão.

O que esta questão revela: o distrator mais provável é a alternativa B, o que indica que o aluno pode confundir o silenciamento cultural com neutralidade. A intervenção aqui é mostrar que ignorar uma cultura também é uma forma de excluí-la.

Perguntas frequentes

Como diferenciar uma política de inclusão de uma política social comum?

A diferença principal está no alvo e na intenção. Uma política social comum pode atender a toda a população, como um programa de transporte público. Uma política de inclusão tem como alvo grupos historicamente excluídos, como a população afrodescendente, e busca corrigir desigualdades de acesso a direitos. Na sala, use a pergunta: esta medida foi pensada para um grupo que sofreu exclusão específica? Se a resposta for sim, provavelmente se trata de inclusão.

Por que meus alunos escolhem sempre a alternativa mais "bonita" ou genérica?

Isso costuma acontecer quando o aluno não tem critério para avaliar as alternativas. Sem critério, ele escolhe pela impressão de adequação. A saída é ensinar um critério explícito, como o de alvo da política ou o de correção de desigualdade, e pedir que o aluno justifique a escolha por escrito. Com o tempo, a justificativa substitui a impressão.

Cotas raciais são a única forma de inclusão social?

Não. Cotas são uma das ações afirmativas, mas a inclusão também se faz por bolsas de estudo, programas de tutoria, políticas de saúde em bairros com maior concentração de população negra, reformulação curricular e combate ao racismo institucional. As questões de prova costumam cobrar justamente esse entendimento amplo, e aluno que reduz a inclusão a cotas tende a errar as questões de análise.

Como trabalhar racismo institucional sem gerar conflito na turma?

Comece pelo conceito, com exemplos neutros da própria instituição escolar, como critérios de avaliação ou escolhas de conteúdo. Evite pedir que os alunos se identifiquem como racistas ou não racistas. O foco deve ser a análise de práticas e de estruturas, e não o julgamento de pessoas. Essa abordagem reduz a resistência e mantém o debate no nível do conceito.

Essas questões servem para ENEM?

As questões de ENEM deste conceito são de nível de leitura alto e estilo comparativo, por isso são ótimas para simulados. Já as questões de 5º e 9º ano servem para diagnóstico e avaliação escolar, e funcionam como preparação para os níveis seguintes. Use a progressão: primeiro o conceito, depois a análise.

Como começar se os alunos não têm nenhuma base sobre o tema?

Comece com uma pergunta aberta e um exemplo do cotidiano, como uma política de acesso que a escola conhece. Depois, apresente a definição de inclusão com dados simples. Antes de avançar para questões comparativas, garanta que a turma consegue classificar políticas com alvo específico. Se precisar, retome os textos sobre inclusão social e igualdade racial antes de aplicar a avaliação.

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