Esporte adaptado: por que o aluno confunde inclusão com falta de adaptação
Um guia para diagnosticar o que a turma entende sobre esporte adaptado. Analiso erros, pré-requisitos e usos pedagógicos de oito questões para planejar intervenções inclusivas em Educação Física.
Lembro bem da aula em que um aluno do 7º ano levantou a mão e perguntou, com toda a naturalidade: "professora, então esporte adaptado é aquele que não tem regra?". A turma inteira riu, mas a pergunta era séria e revelava um mal-entendido que eu via se repetir a cada turma nova. Para ele, adaptar significava simplificar até desaparecer com o jogo.
Quando comecei a montar avaliações com foco nesse tema, percebi que o erro não era isolado. Muitos alunos confundem inclusão com ausência de adaptação, ou então acham que adaptar é apenas dar uma regra a menos. Este guia nasce dessa observação de sala e dos dados pedagógicos que o GeraProva registra sobre cada questão validada do conceito.
O que é esporte adaptado, explicado para o professor?
Esporte adaptado é a prática esportiva modificada em seus materiais, espaço, regras ou formas de participação para que pessoas com diferentes condições físicas, sensoriais ou intelectuais possam jogar com segurança e autonomia. A adaptação não elimina o esporte: ela ajusta o jogo para que a experiência seja possível e significativa para quem participa. A boccia, praticada com bolas e que pode ser jogada sentado, é um exemplo clássico. Outro é o tênis de mesa com mesa ajustada para o uso de cadeira de rodas.
No currículo, o tema aparece em Educação Física nas séries finais do ensino fundamental, especialmente no 6º, 7º e 9º anos. A BNCC trata do assunto ao falar de práticas corporais, de inclusão e de respeito às diferenças. Você pode consultar as habilidades diretamente: EF67EF07, EF67EF06, EF67EF08, EF67EF09 e EF89EF10. Cada uma toca um pedaço do conceito, desde a participação de todos nas práticas corporais até as adaptações possíveis em diferentes modalidades.
Vale distinguir esporte adaptado de esporte paralímpico. O paralímpico é uma competição de alto rendimento com regras próprias e classificação funcional. O esporte adaptado, na escola, é uma ferramenta pedagógica: o objetivo é participar, conviver e aprender, não necessariamente competir em nível elevado. Essa diferença de propósito aparece de forma recorrente nas questões que analisamos.
O que o aluno precisa saber antes?
Os dados de pré-requisitos das questões do conceito se repetem com clareza. Quase todas pedem uma base em dois pontos: o conceito geral de esporte adaptado e a compreensão de que existem diferentes tipos de deficiência e de limitação física. Sem a primeira, o aluno não sabe o que está sendo perguntado. Sem a segunda, ele não consegue imaginar por que uma adaptação serve a uma pessoa e não a outra.
Um terceiro pré-requisito aparece de forma menos evidente, mas é decisivo: a importância da inclusão no esporte. Em várias questões, a alternativa correta depende de entender que o objetivo é ampliar a participação, e não criar uma competição à parte. Quando esse conceito falta, o aluno tende a escolher respostas que parecem tecnicamente razoáveis, mas que contrariam o espírito da inclusão.
Para verificar se a turma tem essa base, faça uma pergunta de entrada antes de começar o conteúdo: "cite duas adaptações que você conhece e explique para quem elas servem". Se a maioria responder em termos de regras a menos, ou não souber responder, o diagnóstico está feito e você sabe por onde começar. Essa verificação rápida costuma economizar uma aula inteira de conteúdo que não encaixa.
Os erros mais comuns (e por que acontecem)
Nas oito questões analisadas, os erros se concentram em alguns padrões. O mais frequente é tratar a adaptação como sinônimo de simplificação, ou seja, achar que adaptar é tirar exigências do jogo. Em quatro das oito questões, o distrator mais escolhido é uma alternativa que mantém o esporte tradicional como se ele já fosse inclusivo. O aluno acredita que basta a modalidade ser "leve" para ser adequada.
Erro 1: confundir inclusão com exclusão
Em algumas questões, a palavra inclusão aparece, mas o aluno lê a alternativa ao contrário. A escolha mais provável é a que fala em aumentar a exclusão, justamente porque o termo confunde. A causa costuma ser leitura apressada somada a pouca vivência do conceito. A intervenção que funciona é pedir que o aluno explique, com as próprias palavras, o objetivo de cada adaptação antes de olhar as alternativas.
Erro 2: achar que existe uma única adaptação para todas as deficiências
Esse erro aparece principalmente nas questões sobre ginástica adaptada. O aluno imagina que basta uma solução genérica. Na prática, cada deficiência e cada limitação pede ajustes próprios. Para intervir, use exemplos concretos: a mesma atividade de ginástica pode exigir apoio diferente para quem tem limitação de membros inferiores e para quem tem deficiência visual.
Erro 3: escolher o esporte pela sua fama, não pela sua adaptabilidade
Em várias questões de aplicação, o aluno escolhe a modalidade mais conhecida, como futebol, basquete ou vôlei, porque ela é familiar, e não porque se adapta à situação descrita. Esse erro revela que o aluno ainda não distingue um esporte adaptado de um esporte comum. A saída é trabalhar com uma lista de modalidades e perguntar, para cada uma, que adaptação ela aceita e quais condições precisa.
Erro 4: ignorar o espaço e os materiais disponíveis
Nas questões com contexto doméstico ou de espaço pequeno, o aluno ignora a restrição do enunciado e escolhe uma modalidade que exige quadra, piscina ou aparelhos. O erro acontece por leitura incompleta do enunciado: o aluno se fixa no esporte e esquece a condição. Oriente-o a sublinhar as restrições antes de ler as alternativas.
Como ensinar passo a passo
Uma sequência que funciona bem começa pela vivência e só depois chega ao conceito formal. Primeiro, proponha uma atividade em que parte da turma joga com uma regra tradicional e outra parte joga com uma adaptação simples, como usar bolas mais leves ou jogar sentado. Peça que os alunos comparem a experiência. A conversa após o jogo costuma revelar, sozinha, o principal ponto do conteúdo.
Na segunda etapa, apresente os tipos de adaptação: de material, de espaço, de regra e de forma de participação. Use exemplos reais e mostre que uma mesma modalidade pode receber mais de um tipo de ajuste. Essa é a etapa em que você corrige a ideia de que adaptar é apenas tirar regras. Em seguida, trabalhe a ginástica adaptada e os diferentes tipos de ginástica, reforçando que cada uma serve a públicos distintos.
Na terceira etapa, use casos. Descreva um aluno com uma limitação específica e peça que a turma proponha uma modalidade e a forma de participação. Essa atividade exercita a criação e a tomada de decisão, duas habilidades que aparecem com frequência nas questões de nível mais alto. Por fim, feche com uma reflexão sobre o papel de cada um na inclusão, conectando o conteúdo à convivência da turma.
Durante todo o processo, mantenha a linguagem simples e evite termos técnicos antes de o aluno ter a vivência. O conceito se fixa melhor quando ele percebe, no próprio corpo e na própria turma, o que significa adaptar.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento?
A escolha da questão depende do momento da aula. Para um diagnóstico inicial, questões de nível de leitura baixo e tempo curto ajudam a mapear o que a turma já sabe sem cansar os alunos. Algumas questões do conceito são boas para diagnóstico e para avaliação rápida, justamente por serem diretas e não exigirem cálculo, que aqui não existe.
Para verificar a fixação ao final de uma unidade, use questões de aplicação, com contexto de cotidiano, em que o aluno precise escolher uma modalidade ou propor uma adaptação. Essas questões têm poder de discriminação médio a alto e ajudam a separar quem entendeu o conceito de quem apenas memorizou o termo. Para atividades e lição de casa, questões situacionais funcionam bem porque permitem que o aluno pense com calma.
Os dados mostram que o papel na prova varia bastante. Há questões de abertura, boas para começar a avaliação com tranquilidade, e questões de desafio, que exigem análise e criação. Use as de desafio com moderação, reservando-as para o fim da prova ou para avaliações mais longas. Em simulados, prefira as que cobrem a habilidade de forma completa, porque elas dão um retrato mais fiel do domínio do conceito.
Uma recomendação prática: monte a prova com uma progressão. Comece por duas ou três questões diretas, siga com as interpretativas e feche com uma situacional ou de criação. Assim você avalia a turma inteira sem punir quem está começando.
O que ensinar antes?
Antes do esporte adaptado, vale garantir a base em três conceitos que o acervo mostra como pré-requisito. O primeiro é a inclusão social, que dá sentido ao porquê da adaptação. Sem entender que incluir é garantir participação, o aluno tende a ver a adaptação como favor ou como perda de qualidade. Trabalhe esse conceito com situações do cotidiano escolar, como o recreio e os grupos de trabalho.
O segundo é a inclusão social no esporte. Aqui o aluno precisa perceber que a competição pode, sim, excluir, e que o esporte adaptado existe para corrigir esse efeito. Esse ponto é central para responder corretamente as questões em que a alternativa errada fala em aumentar a competitividade ou em diminuir o interesse.
O terceiro é o estudo dos tipos de ginástica. Como várias questões envolvem ginástica adaptada, o aluno precisa conhecer as diferentes modalidades para saber qual delas se aplica a cada público. Sem esse repertório, ele não consegue comparar as alternativas com segurança.
Ligações com outros temas
O esporte adaptado tem forte ligação com o tema transversal de saúde, já que a prática corporal acessível é uma questão de bem-estar para todos. Ele também dialoga com a convivência e o respeito às diferenças, o que abre espaço para trabalhar com outras disciplinas, como Ciências, ao tratar do funcionamento do corpo, e Língua Portuguesa, ao produzir textos sobre inclusão.
No campo socioemocional, as questões do conceito exercitam principalmente a tomada de decisão, o pensamento crítico, a empatia e a criatividade. A empatia aparece quando o aluno precisa se colocar no lugar de quem tem uma limitação. A criatividade surge nas questões em que é preciso propor uma adaptação nova para um espaço ou material específico. Essas habilidades são tão importantes quanto o conteúdo em si, e vale nomeá-las durante a aula.
Quanto ao contexto de aplicação, a maior parte das questões é de cotidiano, o que facilita a conexão com a vida dos alunos. Use isso a seu favor: peça que relatem experiências de jogos em casa, no bairro ou na escola, e discuta o que poderia ser adaptado ali.
8 questões comentadas sobre esporte adaptado
A seguir estão oito questões validadas sobre o conceito. Para cada uma, comentamos a alternativa correta e explicamos por que as demais estão erradas, além do que o erro revela sobre o aluno. Use-as como modelo de análise ou aplique-as diretamente na sua turma.
Questão 1: Como a ginástica pode ser adaptada para pessoas com deficiência?
Como a ginástica pode ser adaptada para pessoas com deficiência?
- ❌ A) Não pode ser adaptada. — Sempre é possível adaptar atividades, então essa afirmação é falsa e revela uma visão de que a deficiência encerra a prática.
- ❌ B) Apenas exercícios de força. — Diversos tipos de exercícios podem ser adaptados, e limitar a adaptação a uma categoria mostra compreensão parcial do tema.
- ✅ C) Adaptações específicas para cada deficiência. — Cada tipo de deficiência requer adaptações específicas, e essa é a resposta que reconhece a diversidade das necessidades.
- ❌ D) Só pode ser feita em grupo. — Pode ser feita individualmente ou em grupo, e a alternativa confunde formato de prática com adaptação.
- ❌ E) Não requer acompanhamento profissional. — Acompanhamento profissional é essencial para adaptações, e a alternativa desconsidera a segurança do praticante.
O erro mais provável é a alternativa B, e ele revela que o aluno associa adaptação a um tipo único de exercício, sem pensar na variedade de deficiências. A intervenção é mostrar, com exemplos, que a mesma ginástica pode exigir ajustes diferentes conforme a condição de cada um.
Questão 2: Qual a importância de criar esportes adaptados na escola?
Qual a importância de criar esportes adaptados na escola?
- ❌ A) Aumenta a competitividade — O foco deve ser na inclusão, não na competição, e a alternativa inverte o propósito do esporte adaptado.
- ✅ B) Promove a inclusão — Garante que todos tenham acesso às atividades, que é exatamente o objetivo central da adaptação escolar.
- ❌ C) Diminui o interesse — Pode aumentar o interesse ao incluir todos, e a alternativa desconsidera o efeito positivo da participação ampliada.
- ❌ D) Aumenta a exclusão — Deve reduzir a exclusão, não aumentar. Esta é a alternativa mais escolhida pelos alunos, e o erro revela confusão entre os termos inclusão e exclusão.
- ❌ E) Limita as opções — Deve ampliar as opções de prática, e a alternativa apresenta o efeito contrário ao que a adaptação busca.
A alternativa D costuma atrair alunos que leem rápido e se confundem com o vocabulário. A causa é pouca vivência do conceito de inclusão. Para intervir, peça que o aluno explique a palavra com suas palavras antes de escolher.
Questão 3: Qual tipo de ginástica é mais indicada para pessoas com limitações físicas?
Qual tipo de ginástica é mais indicada para pessoas com limitações físicas?
- ❌ A) Ginástica artística — Pode ser exigente e não adaptada, o que a torna pouco indicada para quem tem limitações.
- ❌ B) Ginástica rítmica — Exige habilidades específicas e não é sempre adaptável, então não responde à necessidade descrita.
- ✅ C) Ginástica adaptada — Foi criada para atender às necessidades de quem possui limitações, sendo a resposta direta à pergunta.
- ❌ D) Ginástica de alto impacto — Não é recomendada para pessoas com limitações, pela sobrecarga que impõe ao corpo.
- ❌ E) Aeróbica intensa — Pode ser prejudicial para quem tem limitações físicas, por exigir esforço elevado.
Esta é uma questão de abertura, com tempo curto e leitura baixa, e serve bem para diagnóstico. O erro mais provável, a alternativa A, mostra que o aluno ainda não separa a ginástica convencional da adaptada. Uma boa intervenção é perguntar, para cada modalidade, quem ela foi pensada para atender.
Questão 4: Qual proposta identifica um esporte adaptado adequado para uma turma com estudante de pouca mobilidade?
Na aula de Educação Física, a turma vai conhecer esportes adaptados para incluir um estudante com pouca mobilidade nos braços e nas pernas. A professora quer escolher uma modalidade que possa ser praticada por alunos com diferentes condições físicas. Qual proposta identifica um esporte adaptado adequado a essa situação e explica corretamente sua importância para a turma?
- ❌ A) Futebol, pois a velocidade da partida garante a participação de todos os estudantes, sem necessidade de mudanças nas regras. — O futebol pode receber adaptações, mas a velocidade e as regras tradicionais não garantem, sozinhas, a participação de estudantes com pouca mobilidade.
- ❌ B) Canoagem, pois o uso de barcos torna desnecessário adaptar equipamentos, espaço e formas de participação na escola. — A canoagem pode exigir adaptações nos barcos, nos equipamentos, no espaço e nos procedimentos de segurança, e dizer o contrário está incorreto. Esta é a alternativa mais escolhida pelos alunos, e o erro revela a crença de que certos esportes dispensam adaptação.
- ❌ C) Basquete, pois somente estudantes que conseguem correr e saltar devem participar de atividades esportivas coletivas. — Essa justificativa exclui estudantes com diferentes condições físicas e contraria o objetivo dos esportes adaptados.
- ✅ D) Boccia, pois pode ser jogada com adaptações e favorece a participação, a precisão dos movimentos e a inclusão dos estudantes. — A boccia é um esporte adaptado de precisão, praticado com bolas e que pode ser realizado sentado, o que permite a participação de pessoas com diferentes condições de movimento. Além disso, estimula a convivência, a estratégia e a inclusão.
- ❌ E) Natação, pois a água elimina qualquer dificuldade de movimento e permite que todos participem sem acompanhamento ou materiais específicos. — A água pode facilitar alguns movimentos, mas não elimina todas as dificuldades nem dispensa acompanhamento, segurança e adaptações. A afirmação é absoluta e incorreta.
Esta questão exige que o aluno justifique a escolha, não apenas que a identifique. O erro B, que aparece como distrator mais provável, mostra que o aluno ainda acredita em modalidades que "não precisam de adaptação". A intervenção é discutir com a turma por que nenhuma modalidade está isenta de ajustes.
Questão 5: Qual é uma alternativa de esporte adaptado que pode ser praticado em casa?
Na aula, a turma estudou esportes adaptados. Para uma prática em casa, sem piscina, quadra ou aparelhos grandes, o professor recomendou usar bolas de meia e um espaço pequeno para realizar uma modalidade adaptada. Qual é uma alternativa de esporte adaptado que pode ser praticado em casa nessa situação?
- ❌ A) Basquete tradicional em ginásio — O basquete tradicional não é uma modalidade adaptada nessa alternativa e normalmente precisa de quadra, cesta e espaço amplo. Esta é a alternativa mais escolhida, e o erro revela que o aluno ignora o contexto do espaço.
- ❌ B) Corrida comum em pista esportiva — A corrida comum não apresenta adaptação para pessoas com deficiência, e a pista não corresponde ao espaço disponível em casa.
- ❌ C) Voleibol tradicional em quadra escolar — O voleibol tradicional não é, por si só, uma modalidade adaptada e exige quadra com espaço e equipamentos específicos.
- ❌ D) Natação adaptada em piscina pública — A natação adaptada é um esporte adaptado, mas precisa de piscina pública ou outro local apropriado, contrariando a prática em casa descrita.
- ✅ E) Bocha adaptada com bolas de meia — A bocha adaptada pode ser praticada em espaço pequeno e com materiais simples, como bolas de meia, atendendo às condições apresentadas.
Aqui o aluno precisa cruzar a modalidade com as restrições do enunciado. O erro típico é escolher o esporte que conhece sem checar o espaço. Peça que sublinhem as condições antes de olhar as alternativas.
Questão 6: Qual proposta apresenta um esporte adaptado para um estudante que usa cadeira de rodas?
Na aula de Educação Física, a turma precisa escolher uma atividade para incluir um estudante que usa cadeira de rodas. A atividade deve permitir sua participação com segurança, usando adaptações no espaço, nos materiais ou nas regras. Qual proposta apresenta um esporte adaptado e explica uma forma de garantir a participação do estudante com mobilidade reduzida?
- ❌ A) Futebol de campo com regras mantidas para jogadores em pé. — A proposta não adapta o esporte para a mobilidade reduzida, pois mantém a exigência de deslocamento em pé.
- ✅ B) Tênis de mesa com mesa adaptada para permitir o uso de cadeira de rodas. — A mesa pode ser ajustada para oferecer espaço adequado à cadeira, permitindo que o estudante alcance a bola e participe das jogadas com segurança.
- ❌ C) Basquete tradicional sem alterações na quadra ou nos equipamentos. — A proposta mantém o esporte tradicional e não modifica espaço, materiais ou regras para atender ao estudante.
- ❌ D) Vôlei de praia sem rede, mantendo a disputa em pé. — Retirar a rede não resolve a necessidade de participação, porque a atividade ainda exige deslocamentos sem adaptação adequada. Esta é a alternativa mais escolhida, o que mostra que o aluno acredita que simplificar o jogo basta.
- ❌ E) Corrida de rua sem apoio, exigindo deslocamento a pé. — A atividade não oferece apoio nem recurso de adaptação e impede a participação nas mesmas condições.
Esta é uma questão de criação e de poder de discriminação alto. Ela separa bem quem entende que adaptar é ajustar a forma de participar de quem apenas retira elementos do jogo.
Questão 7: Quais três práticas corporais receberão adaptações na apresentação inclusiva?
Na aula de Educação Física, a turma vai organizar uma apresentação inclusiva. Para garantir a participação de estudantes com diferentes deficiências, o professor planejou adaptações no futebol, na natação e na dança, como mudanças nos materiais, nas regras e no espaço. Com base no texto, liste as três práticas corporais que receberão adaptações para possibilitar a participação de todos.
- ❌ A) Ciclismo, atletismo e natação — A natação é citada no texto, mas ciclismo e atletismo não são. A alternativa não apresenta as três práticas solicitadas. Esta é a alternativa mais escolhida, e o erro indica leitura parcial do enunciado.
- ✅ B) Futebol, natação e dança — O texto afirma diretamente que as adaptações serão feitas no futebol, na natação e na dança.
- ❌ C) Vôlei, tênis de mesa e parkour — Nenhuma dessas modalidades aparece no texto como prática escolhida.
- ❌ D) Boxe, futebol e vôlei — O futebol aparece no texto, mas boxe e vôlei não fazem parte das práticas escolhidas.
- ❌ E) Basquete, skate e rugby — Essas modalidades podem ser adaptadas em outros contextos, mas não são citadas no texto como parte da apresentação planejada.
Esta questão testa a leitura atenta do texto-base. O erro mais provável indica que o aluno não localizou as práticas no enunciado e chutou com base em uma lembrança parcial. Use-a para treinar a localização de informação antes da interpretação.
Questão 8: Qual modalidade pode ser praticada em um cômodo pequeno, com adaptação dos movimentos ao espaço?
Em uma atividade de Educação Física, Lara precisa escolher uma prática para fazer sozinha em um cômodo pequeno de sua casa. Ela não pode usar bola, mesa, rede ou piscina e deve adaptar os movimentos ao espaço disponível. Qual modalidade pode ser praticada nessas condições, com adaptação dos movimentos ao espaço pequeno?
- ❌ A) Futebol — O futebol normalmente exige uma bola e espaço para conduzi-la, então não atende às condições apresentadas.
- ❌ B) Natação — A natação depende de piscina ou de outro espaço com água suficiente, recurso que não está disponível.
- ❌ C) Basquete — O basquete utiliza bola e costuma exigir espaço para deslocamentos e arremessos.
- ✅ D) Yoga — A yoga pode ser praticada individualmente, em espaço pequeno e sem bola, mesa, rede ou piscina, com movimentos adaptáveis ao ambiente.
- ❌ E) Tênis de mesa — O tênis de mesa necessita de mesa, rede, raquetes e bola, materiais e espaço que não estão disponíveis. Esta é a alternativa mais escolhida, e o erro revela a tendência de escolher o esporte pela familiaridade, não pela adequação às condições.
Esta questão é situacional e exige que o aluno cruze as restrições com as características de cada modalidade. Ela funciona bem como lição de casa, porque permite pensar com calma e, depois, discutir as respostas em aula.
Perguntas frequentes
Esporte adaptado é o mesmo que esporte paralímpico?
Não. O esporte paralímpico é uma competição de alto rendimento com regras próprias, classificação funcional e calendário específico. O esporte adaptado, na escola, é uma ferramenta pedagógica voltada à participação e à convivência. Muitas modalidades paralímpicas servem de referência para adaptações escolares, mas o objetivo na aula é incluir, não formar atletas de competição.
Preciso ter materiais especiais para dar aula de esporte adaptado?
Nem sempre. Muitas adaptações usam materiais simples, como bolas de meia, cones, cordas e fitas. O essencial é pensar na adaptação de espaço, material ou regra, e não na compra de equipamentos caros. Uma boa prática é envolver os próprios alunos na criação das adaptações, o que reforça o senso de pertencimento.
Como adaptar um jogo sem tirar a graça da atividade?
A adaptação deve preservar o objetivo central do jogo. Se a turma joga futebol, por exemplo, você pode ajustar o tamanho do campo, o número de toques ou a forma de marcar pontos, mantendo a disputa e a diversão. Pergunte aos alunos o que eles acham que deve ser mantido e o que pode mudar. Essa conversa costuma gerar as melhores soluções.
Como avaliar um aluno sem deixá-lo em desvantagem?
Use avaliações que observem o processo de participação e a compreensão do conceito, e não apenas o desempenho motor. Questões escritas e orais sobre adaptação, inclusão e escolha de modalidades permitem avaliar o aprendizado sem depender de capacidade física específica. Sempre adapte também o instrumento de avaliação quando necessário.
Por que tantos alunos confundem inclusão com falta de regras?
Porque, na experiência cotidiana, a palavra regra costuma ser associada a exigência e a exclusão. O aluno imagina que, se o jogo tem regras, ele está fora do alcance de quem tem limitações. Mostrar que as regras podem ser ajustadas, em vez de abandonadas, ajuda a corrigir essa ideia.
Quais atividades simples posso fazer na primeira aula sobre o tema?
Comece com uma vivência de jogo em duas versões, uma tradicional e outra adaptada, e termine com uma roda de conversa sobre a experiência. Essa atividade cria um repertório comum para todo o conteúdo seguinte e costuma ser a melhor forma de introduzir o conceito sem sobrecarregar a turma.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Esportes de marca, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
