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Duração do dia: por que alunos confundem rotação e translação

A duração do dia parece simples até o aluno misturar rotação, translação e inclinação do eixo. Reuni estratégias de ensino e leitura diagnóstica para trabalhar o conceito em diferentes etapas.

Duração do dia: por que alunos confundem rotação e translação

Na última semana de junho, pedi para uma turma de 5º ano que explicasse por que os dias ficam mais curtos no inverno. Uma aluna levantou a mão e respondeu, com toda a segurança do mundo, que a Terra gira mais devagar nessa época. Escrevi a frase no quadro, e a turma inteira acenou com a cabeça, como quem entendeu. Ninguém tinha entendido nada, e eu também não tinha percebido, porque a resposta soava lógica.

Esse episódio se repete em quase toda turma que eu acompanho quando o assunto é duração do dia. O aluno mistura dois movimentos da Terra, atribui o fenômeno ao movimento errado e, se ninguém corrigir, carrega essa confusão até o 8º ano e até o ENEM. Este guia nasce dessa experiência e de um levantamento que fizemos sobre sete questões validadas do conceito, com dados pedagógicos reais de cada uma. A ideia é mostrar onde o aluno tropeça, por quê, e como você pode diagnosticar e intervir antes que a confusão se fixe.

O que é duração do dia, explicado para o professor?

Duração do dia é o intervalo de tempo em que uma localidade recebe luz solar direta em um ciclo de 24 horas. Ela depende de dois fatores que o aluno costuma tratar como um só: a rotação da Terra, que determina a alternância entre dia e noite em cerca de 24 horas, e a translação, o movimento anual ao redor do Sol, que combinado com a inclinação do eixo terrestre (aproximadamente 23,5°) faz a quantidade de horas de luz variar ao longo do ano. A rotação explica por que existe o dia; a translação, junto com a inclinação, explica por que ele muda de tamanho.

No currículo, o tema aparece já no 4º ano, na habilidade EF04CI11, que trata da alternância dia-noite e da observação de fenômenos celestes. No 5º ano, a EF05CI11 aprofunda a relação entre movimento da Terra e variações ao longo do ano. No 6º ano, o conceito reaparece nas discussões de movimento e tempo. No 8º ano, a EF08CI13 pede que o aluno explique as causas das variações de duração do dia com base na inclinação do eixo. No Ensino Médio, as habilidades EM13CNT202 e EM13CNT205 exigem análise de dados e de situações concretas, como comparar cidades em hemisférios diferentes. Você pode consultar cada uma nas páginas de EF04CI11, EF05CI11, EF08CI13, EM13CNT202 e EM13CNT205.

Um exemplo que funciona bem na sala: pergunte se um dia em Recife de dezembro tem o mesmo número de horas de luz que um dia de junho. A maioria responde que sim, porque "o dia tem 24 horas". Essa resposta revela exatamente o ponto cego: o aluno pensa no ciclo de 24 horas e esquece que a fração iluminada desse ciclo muda com a época do ano.

O que o aluno precisa saber antes?

Nas fichas das questões, os pré-requisitos se repetem de forma consistente. Quase todas exigem o conceito de movimento da Terra, especialmente a rotação, e a noção de inclinação do eixo terrestre. Em algumas, aparecem também a unidade de tempo (horas, dias, semanas) e a própria ideia de duração do dia e da noite. Sem essa base, o aluno não consegue separar o que a rotação faz do que a translação faz.

Para verificar se a turma tem essa base, faça uma pergunta de diagnóstico antes de qualquer explicação sobre estações: "quanto tempo a Terra leva para dar uma volta em torno de si mesma?" e "quanto tempo ela leva para dar uma volta ao redor do Sol?". Se a turma responde 24 horas e um ano para as duas, há uma confusão de base; se responde 24 horas e 365 dias sem hesitar, o terreno está pronto. Também vale perguntar o que é inclinação, com um globo na mão: peça que um aluno mostre o ângulo do eixo.

O mais útil é usar um globo e uma lanterna. Gire o globo sobre o próprio eixo, mostrando a rotação, e depois leve-o ao redor da lanterna, mostrando a translação, sempre com o eixo inclinado. Esse gesto simples costuma desfazer confusões que nenhuma explicação verbal resolve.

Quais são os erros mais comuns, e por que acontecem?

Ao analisar o erro típico das questões, três padrões aparecem repetidamente. Em cerca de metade delas, o erro é confundir rotação com translação, atribuindo a variação da duração do dia ao movimento de rotação. Em outras, o aluno acredita que a variação vem da distância da Terra ao Sol. E em algumas, a confusão é sobre a velocidade: o aluno imagina que a Terra gira mais rápido ou mais devagar em certas épocas do ano. Cada um desses erros tem uma causa diferente e exige uma intervenção diferente.

Confundir rotação com translação

Este é o erro mais frequente e o mais persistente. A causa é linguística e intuitiva: os dois movimentos são "voltas" da Terra, e o aluno tende a agrupá-los. Quando perguntado sobre a duração do dia no inverno, ele responde com o movimento que lhe parece ligado a "dia", ou seja, a rotação. A intervenção que funciona é nomear os dois movimentos com perguntas diferentes: "em quanto tempo a Terra gira sobre si?" (um dia) e "em quanto tempo dá a volta no Sol?" (um ano). Só depois disso você associa a variação sazonal à translação combinada com a inclinação.

Atribuir a variação à distância ao Sol

Esse é o distrator mais sedutor em questões de estações e duração do dia. A intuição diz que, quanto mais perto do Sol, mais quente e mais iluminado o lugar fica. A causa real é que a distância da Terra ao Sol varia pouco ao longo da órbita e não explica a inversão entre hemisférios. Para intervir, compare dois hemisférios no mesmo momento: se a distância fosse o fator, os dois teriam dias iguais em junho, o que contraria a observação. Esse contraste costuma convencer os alunos mais céticos.

Achar que a Terra muda de velocidade

Aqui a causa é a crença de que algo precisa mudar para que o dia mude de tamanho. O aluno não consegue imaginar uma variação sem uma causa dinâmica, e a velocidade de rotação parece a resposta mais natural. A intervenção é mostrar que a rotação é constante e que o que varia é a posição do eixo em relação ao Sol. Um lembrete em forma de pergunta ajuda: "se a rotação mudasse, o relógio do GPS estaria errado?". A pergunta soa informal, mas abre a discussão sobre por que a rotação é estável.

Como ensinar passo a passo?

A sequência que proponho tem cinco etapas, pensadas para turmas de 4º a 8º ano, com adaptações de profundidade.

Primeiro, faça o diagnóstico com a pergunta dos dois movimentos, como descrito acima. Ele leva cinco minutos e orienta o restante da aula.

Segundo, apresente os dois movimentos com o globo e a lanterna, separadamente. Gire o globo sobre o eixo, depois leve-o ao redor da lanterna, sempre com o eixo inclinado. Peça aos alunos que descrevam o que cada movimento faz com o dia e com o ano.

Terceiro, introduza a inclinação. Mantenha o eixo inclinado e mostre que, durante a translação, um hemisfério fica mais tempo voltado para a lanterna em certa época. Use a expressão "parte da Terra mais iluminada" e evite falar em "mais perto do Sol".

Quarto, faça a comparação entre hemisférios, usando dados de duas cidades como Recife e Lisboa, em junho e em dezembro. Peça que os alunos prevejam quais dias são mais longos antes de mostrar os dados. A previsão errada é valiosa: ela revela o erro que você precisa trabalhar.

Quinto, feche com uma atividade curta de aplicação, de preferência uma questão de diagnóstico, e registre quem ainda mistura os movimentos. Esses alunos merecem uma segunda rodada com o globo, em grupo pequeno.

Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento?

Nem toda questão serve para o mesmo fim, e isso muda muito o resultado. As questões de abertura, com enunciado direto e resposta de lembrança, costumam ter poder de discriminação médio e tempo curto. São boas para verificar se o aluno lembra que a rotação dura cerca de 24 horas, mas não revelam se ele entende a causa da variação. Para isso, use questões de progressão, com enunciado interpretativo ou situacional, que exigem comparar dados ou explicar um fenômeno.

Nas fichas técnicas, as questões de maior poder de discriminação foram justamente as que pedem a explicação qualitativa da variação sazonal, com tempo de resolução médio e nível de leitura médio. São ótimas para diagnóstico, para prova e para atividade em sala. As questões de dados, com tabela de latitudes, também servem para simulado, porque exigem leitura de tabela e raciocínio em etapas, mas dependem de texto de apoio, então não funcionam bem como avaliação rápida isolada.

Uma regra prática: use questões de lembrança como aquecimento e como verificação de base; use questões situacionais como diagnóstico principal; use questões com dados para consolidar e para preparar o aluno para o ENEM, onde o formato interpretativo é regra. Nenhuma das questões validadas serve bem para lição de casa sozinha, porque a maioria precisa da mediação do professor para ser resolvida sem dúvidas.

O que ensinar antes deste conceito?

Antes de falar em duração do dia, o aluno precisa ter clareza sobre o movimento da Terra, em especial a diferença entre rotação e translação. Se essa distinção não estiver firme, qualquer explicação sobre estações e duração do dia vira memorização de frases. Vale dedicar uma aula inteira a esse ponto, com o globo, antes de avançar.

Em seguida, trabalhe a inclinação do eixo terrestre. Ela é a peça que transforma o movimento de translação em variação de duração do dia, e é justamente o conceito que os alunos mais esquecem. Mostre o ângulo de aproximadamente 23,5° e peça que o aluno explique, com as próprias palavras, o que ele faz com a luz recebida.

Também é preciso garantir a noção de rotação da Terra como causa da alternância dia-noite e a noção de unidade de tempo, para que o aluno consiga comparar 24 horas com um ano sem se perder. Esses pontos parecem óbvios, mas são justamente os que mais aparecem como pré-requisitos ausentes nas fichas.

Para onde este conceito leva?

O conceito de duração do dia é a porta de entrada para o movimento de rotação em níveis mais avançados. Quando o aluno entende que a rotação determina o ciclo de 24 horas, ele consegue relacionar esse movimento com fenômenos como a alternância dia-noite em diferentes longitudes, a noção de fuso horário e a própria medição do tempo. O movimento de rotação aparece aqui como consequência natural da discussão, e não como um tópico separado.

No Ensino Médio, essa base sustenta a análise de dados de latitude e de fotoperiodismo, como na questão do ENEM sobre plantas de dia longo, em que o aluno precisa relacionar a duração da luz à resposta biológica. Sem o conceito de duração do dia bem construído, o aluno tem dificuldade em interpretar tabelas que combinam astronomia e biologia.

Quais as ligações com outros temas?

O tema transversal dominante nas questões validadas é ciência e tecnologia, com aplicações em calendários, agricultura, planejamento de horários e no próprio funcionamento de sensores de luz. Ao pedir que o aluno pense em por que a agricultura planta em certas épocas, você conecta a duração do dia a uma prática real, e a discussão fica mais concreta.

Do ponto de vista socioemocional, as questões trabalham principalmente o pensamento crítico, porque o aluno precisa desconfiar da resposta intuitiva. Algumas questões exigem tomada de decisão, por exemplo, escolher a explicação mais adequada entre alternativas plausíveis. Esse exercício vale mais do que a resposta em si: ensina o aluno a não aceitar a primeira explicação que parece lógica, como aquela aluna do 5º ano que atribuiu o inverno à velocidade da Terra.

O contexto de aplicação é predominantemente científico, mas você pode puxar o gancho para o cotidiano: quem trabalha de madrugada, quem mora em cidades de latitudes diferentes, quem acompanha a previsão de nascer e pôr do sol. O aluno percebe que o tema não está só no livro.

7 questões comentadas sobre duração do dia

A seguir, as sete questões validadas do conceito, com o gabarito comentado e o que o erro revela sobre o aluno. Use-as como modelo, adaptando o nível de exigência à sua turma.

Qual é a duração aproximada de um dia na Terra, considerando o movimento de rotação?

Qual é a duração aproximada de um dia na Terra, considerando o movimento de rotação?

  • ❌ A) 12 horas — 12 horas é a metade do que realmente dura um dia.
  • ✅ B) 24 horas — Um dia na Terra corresponde a aproximadamente 24 horas.
  • ❌ C) 18 horas — 18 horas não é o tempo total de rotação da Terra.
  • ❌ D) 36 horas — 36 horas é um tempo muito maior do que a rotação da Terra.
  • ❌ E) 30 horas — 30 horas é um tempo incorreto para a rotação da Terra.

A questão é de lembrança e serve para verificar a base. O aluno que marca 12 horas costuma confundir o dia com o período claro, e o que escolhe 18 ou 30 horas em geral não tem referência fixa do tempo de rotação. Esse erro revela que a noção de duração do dia não está ancorada no movimento de rotação.

Por que a duração do dia varia ao longo do ano em uma cidade do Hemisfério Sul?

Explique qualitativamente por que a duração do dia varia ao longo do ano em uma cidade do Hemisfério Sul: qual é a causa principal desse fenômeno?

  • ❌ A) A duração do dia é a mesma em todas as épocas do ano no Hemisfério Sul. — Essa afirmação está errada, pois a duração do dia varia ao longo do ano devido à inclinação axial.
  • ✅ B) A inclinação do eixo da Terra (~23,5°) em relação ao plano da órbita faz variar a incidência solar, alterando a duração do dia. — A inclinação axial faz um hemisfério receber luz mais direta em determinadas épocas, aumentando as horas de luz; não é a distância ao Sol que causa a variação de duração do dia.
  • ❌ C) A velocidade da rotação da Terra muda diariamente, alterando a duração do dia. — A velocidade de rotação é constante, a variação é causada pela inclinação da Terra.
  • ❌ D) A duração do dia varia apenas devido à proximidade da Terra com o Sol. — A variação não é causada pela proximidade, mas pela inclinação do eixo.
  • ❌ E) Os eclipses solares influenciam diretamente a duração do dia em cidades do Hemisfério Sul. — Eclipses não afetam a duração do dia, apenas bloqueiam a luz solar temporariamente.

Esta é a questão de maior poder de discriminação do conjunto. O aluno que escolhe a alternativa D está atribuindo o fenômeno à distância ao Sol, o erro mais recorrente em progressão. A alternativa C revela a crença na variação da velocidade de rotação, e a E mostra que o aluno tenta encontrar eventos celestes espetaculares para explicar um fenômeno cotidiano.

Em que situação a duração do dia varia de forma oposta entre dois hemisférios?

Uma escola de Recife (PE) e outra de Lisboa (Portugal) registraram a duração do período claro em diferentes meses. Em junho, Recife apresentou dias mais curtos e Lisboa, dias mais longos. Em dezembro, ocorreu o contrário: os dias foram mais longos em Recife e mais curtos em Lisboa. As duas escolas consideraram o horário local e repetiram as medições por vários anos. Esse padrão se repete anualmente.

Com base nos dados e considerando que a Terra realiza o movimento de translação ao redor do Sol, qual fator geométrico explica a variação oposta na duração dos dias entre os dois hemisférios?

  • ✅ A) Inclinação do eixo de rotação da Terra. — O eixo de rotação da Terra é inclinado em relação ao plano de sua órbita. Durante a translação, essa inclinação faz com que, em determinados períodos, um hemisfério receba iluminação solar por mais tempo e com maior incidência, enquanto o outro receba iluminação por menos tempo. Por isso, em junho, os dias são mais longos no hemisfério norte e mais curtos no hemisfério sul; em dezembro, ocorre o inverso. A translação participa do ciclo anual, mas o fator geométrico que produz a diferença entre os hemisférios é a inclinação do eixo.
  • ❌ B) Atração gravitacional da Lua. — A interação gravitacional entre a Lua e a Terra está relacionada principalmente às marés, não à variação anual da duração dos dias nos hemisférios.
  • ❌ C) Formato esférico da Terra. — O formato aproximadamente esférico contribui para diferenças de iluminação conforme a latitude, mas, sozinho, não explica a inversão anual observada entre junho e dezembro.
  • ❌ D) Distância variável ao Sol. — A distância entre a Terra e o Sol varia pouco ao longo da órbita e não determina que os hemisférios tenham estações opostas nem diferentes durações de dia ao mesmo tempo.
  • ❌ E) Rotação diária da Terra. — A rotação explica a alternância entre dia e noite em um período aproximado de 24 horas, mas não explica a mudança anual na duração desses períodos entre os hemisférios.

Esta questão de análise situacional tem a alternativa A como correta e a rotação (E) como o distrator mais provável. O aluno que escolhe a rotação mostra que associa a variação do dia ao movimento diário, exatamente o erro de confundir os dois movimentos. A alternativa D revela o apelo da explicação pela distância.

Isso é resultado de qual fator? Dia e noite com durações diferentes ao longo do ano.

Maria observou que em sua cidade, o dia e a noite têm durações diferentes ao longo do ano. Isso é resultado de qual fator?

  • ❌ A) Mudanças de clima. — Clima não determina a duração do dia e da noite.
  • ✅ B) Movimento de translação da Terra. — A translação e a inclinação do eixo influenciam essa variação.
  • ❌ C) Rotação da Terra. — A rotação é responsável pela alternância dia/noite, não pela variação.
  • ❌ D) Posição da Lua. — A Lua não influencia diretamente na duração do dia e da noite.
  • ❌ E) Atividade humana. — Atividades humanas não alteram a duração do dia e da noite.

Questão de compreensão, adequada ao 4º ano. O aluno que marca a rotação (C) entende o dia como fenômeno diário e não consegue relacioná-lo à variação anual. Vale aproveitar a resposta para perguntar à turma o que muda de um mês para outro, o que leva naturalmente à translação.

O dia e a noite têm durações diferentes: qual é a principal razão para essa variação?

Durante uma viagem em família, você percebe que o dia e a noite têm durações diferentes ao longo do ano. Qual é a principal razão para essa variação?

  • ❌ A) Porque a Terra gira mais rápido em algumas épocas. — A velocidade de rotação da Terra não muda ao longo do ano.
  • ✅ B) Por causa da inclinação do eixo da Terra. — A inclinação do eixo da Terra provoca variações nas estações e na duração do dia.
  • ❌ C) Devido à distância da Terra ao Sol. — A distância da Terra ao Sol não varia significativamente ao longo do ano.
  • ❌ D) Porque a Terra é maior em algumas épocas. — A Terra tem um tamanho fixo, não muda ao longo do ano.
  • ❌ E) Por causa das fases da Lua. — As fases da Lua não afetam a duração do dia e da noite.

O distrator mais provável aqui é a alternativa A, a crença de que a Terra muda de velocidade. A alternativa D, sobre o tamanho da Terra, é claramente absurda e serve como controle: se o aluno a escolhe, provavelmente não está lendo o enunciado com atenção. A alternativa C mostra a sedução da distância ao Sol.

Qual é a duração de um dia completo na Terra, considerando a rotação em torno de seu eixo?

Qual é a duração de um dia completo na Terra, considerando a rotação em torno de seu eixo?

  • ❌ A) 12 horas — 12 horas é metade do tempo total de rotação.
  • ✅ B) 24 horas — 24 horas é o tempo necessário para uma rotação completa da Terra.
  • ❌ C) 48 horas — 48 horas é o dobro do tempo total de rotação.
  • ❌ D) 30 horas — 30 horas não corresponde ao tempo de rotação da Terra.
  • ❌ E) 1 semana — Uma semana é muito mais que o tempo de rotação da Terra.

Questão de lembrança, com tempo curto, muito útil como abertura de avaliação. O distrator mais provável é a alternativa D, o que indica que o aluno não tem referência numérica estável para a rotação. A escolha de 1 semana (E) aparece quando o aluno confunde a unidade de tempo com o período do movimento, e reforça a necessidade de trabalhar a unidade de tempo como pré-requisito.

O que pode ser concluído sobre a variação da duração do dia nas latitudes altas?

Em um estudo sobre fotoperiodismo, pesquisadores compararam a duração média do período de luz em diferentes latitudes e observaram a resposta de uma planta de dia longo, que floresce quando recebe pelo menos 14 horas de luz por dia. Os dados foram organizados assim:

Latitude | Luz no verão | Luz no inverno | Floração no verão
0° | 12 h | 12 h | Não
30° | 13 h 20 min | 10 h 40 min | Não
60° | 18 h | 6 h | Sim
75° | 24 h | 0 h | Sim

A duração do período de luz foi considerada o principal fator ambiental associado à floração observada.

Com base nos dados e na resposta da planta ao fotoperíodo, o que pode ser concluído sobre a variação da duração do dia ao longo do ano?

  • ❌ A) A floração ocorre quando a planta recebe menos luz. — O distrator contradiz tanto a condição experimental, de pelo menos 14 horas de luz, quanto a ocorrência de floração registrada no verão das latitudes altas.
  • ❌ B) Em todas as latitudes, a duração diária permanece constante. — O distrator desconsidera a variação registrada nos dados. Embora a duração seja próxima de 12 horas no equador, ela muda consideravelmente entre verão e inverno nas latitudes mais elevadas.
  • ❌ C) Em latitudes altas, há dias muito longos no inverno. — O distrator inverte a relação sazonal apresentada na tabela: nas latitudes altas, os dias muito longos ocorrem no verão, enquanto o inverno apresenta poucas horas ou nenhuma hora de luz.
  • ✅ D) Em latitudes altas, há dias muito longos no verão. — Os dados mostram que a diferença entre a duração do dia no verão e no inverno aumenta com a latitude. Nas latitudes de 60° e 75°, o verão apresenta 18 e 24 horas de luz, respectivamente, enquanto o inverno apresenta períodos muito curtos ou inexistentes de luz. Como a planta floresce quando recebe pelo menos 14 horas de luz, a floração observada nessas latitudes está associada aos dias longos do verão, caracterizando uma resposta fotoperiódica.
  • ❌ E) No equador, a duração diária varia mais durante o ano. — O distrator atribui ao equador a maior variação, mas os dados mostram que nessa região o período de luz permanece em 12 horas, enquanto a variação aumenta com a latitude.

Esta questão exige ler uma tabela e combinar astronomia com biologia, por isso tem nível de leitura médio e cobertura dupla de habilidades. O distrator mais provável é a alternativa E, que atribui ao equador a maior variação. O aluno que a escolhe não observou que a amplitude sazonal cresce com a latitude, e não que ela é máxima na linha do equador. A alternativa B reflete a ideia de que o dia é sempre igual.

Perguntas frequentes

A duração do dia é a mesma no mundo todo?

Não. A duração do dia depende da latitude e da época do ano. No equador, ela fica próxima de 12 horas o ano inteiro, com variação pequena. Nas latitudes altas, a diferença entre verão e inverno é muito grande, podendo chegar a dias com 24 horas de luz ou a períodos sem luz solar. Por isso, comparar cidades de hemisférios diferentes é uma forma eficaz de mostrar a variação.

Por que a rotação não explica a variação da duração do dia?

Porque a rotação é praticamente constante e dura cerca de 24 horas. Ela explica a alternância entre dia e noite, mas não muda de um mês para outro. A variação da quantidade de luz ao longo do ano depende da posição do eixo da Terra em relação ao Sol durante a translação. Essa distinção é o ponto central que o aluno precisa dominar.

Qual a diferença entre rotação e translação para o aluno?

A rotação é o giro da Terra sobre o próprio eixo, com duração de aproximadamente 24 horas, e produz o dia e a noite. A translação é o movimento da Terra ao redor do Sol, com duração de um ano, e junto com a inclinação do eixo produz as estações e a variação da duração do dia. Uma forma simples de lembrar: rotação dá o dia; translação dá o ano.

Como ensinar duração do dia sem usar muitos recursos?

Um globo e uma lanterna bastam. Gire o globo sobre o eixo, depois leve-o ao redor da lanterna mantendo o eixo inclinado. Peça que os alunos prevejam quais cidades têm dias mais longos em determinada data antes de mostrar os dados. Essa combinação de gesto, previsão e comparação costuma funcionar melhor do que uma explicação longa no quadro.

Esse conteúdo cai no ENEM?

Sim, principalmente de forma interpretativa, com tabelas, textos e situações que exigem combinar física, geografia e biologia. As questões do ENEM tendem a pedir que o aluno analise dados de latitude e de fotoperiodismo, como na questão comentada acima. Por isso, vale trabalhar tabelas e comparações desde o Ensino Fundamental, e não apenas a memorização de definições.

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Se você percebeu alguma dessas confusões na sua sala, não precisa resolver tudo de uma vez: comece pelo diagnóstico dos dois movimentos com o globo e veja quem ainda mistura rotação e translação. Quando tiver esse mapa, o restante da sequência fica muito mais fácil de conduzir. Bom trabalho na sala!

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