Dança contemporânea e sociedade: quando a turma vê só estética
Um guia para ensinar e diagnosticar como a dança contemporânea expressa questões sociais e políticas. Veja erros recorrentes, estratégias de aula e oito questões comentadas.
Na última vez que apliquei uma atividade sobre dança contemporânea, pedi que os alunos do 8º ano assistissem a um trecho de espetáculo e dissessem o que aquilo queria dizer. A resposta mais comum foi: "é bonito, eles se movem muito bem". Quando perguntei sobre o corpo cansado no chão, o figurino rasgado e a música em silêncio, a turma hesitou. Ninguém tinha ligado aqueles elementos a algo do mundo fora do palco.
Esse é um padrão que se repete em sala de aula. O aluno chega achando que dança é técnica, graça ou entretenimento, e a ideia de que uma coreografia pode falar de desigualdade, de política ou de cuidado com o meio ambiente soa estranha. Este guia nasce dessa observação: quero mostrar como diagnosticar essa visão reducionista, quais erros aparecem nas questões e como ensinar a conexão entre dança contemporânea e sociedade de forma progressiva.
O que é dança contemporânea e sociedade, explicado para o professor?
Dança contemporânea é uma linguagem artística que surgiu no século XX como ruptura com as formas codificadas do balé clássico e da dança moderna. Ela não segue um único método: pode dialogar com o balé, com o hip-hop, com danças populares e com a performance, e costuma valorizar a pesquisa do movimento, a improvisação e a relação com o espaço e o público. Quando falamos em dança contemporânea e sociedade, a ideia central é que essa arte pode refletir e questionar as relações sociais, políticas e culturais do seu tempo.
Na prática, isso aparece de muitas formas. Uma coreografia pode tratar de racismo, de migração, de desigualdade de gênero, de violência urbana ou de crise ambiental. Pode também usar o corpo como denúncia ou como afirmação de identidade, como acontece em trabalhos que incorporam danças de comunidades periféricas e tradições afro-brasileiras e indígenas. O ponto que mais interessa ao professor é este: o significado não está só no movimento bonito, mas no conjunto de escolhas (temas, gestos, música, cenografia, figurino, ocupação do espaço) que constroem uma mensagem.
No currículo, esse conteúdo aparece principalmente na disciplina de Arte, em diferentes anos. As questões do acervo que analisamos estão distribuídas entre o 4º, o 6º, o 7º, o 8º e o 9º ano. A Base Nacional Comum Curricular trabalha esse ponto em habilidades que envolvem analisar a dança como manifestação cultural e relacioná-la ao contexto de produção. As habilidades diretamente ligadas a este guia são EF69AR09, EF15AR08, EF69AR31 e EF69AR15. Repare que elas não pedem que o aluno saiba coreografar; pedem que ele leia a dança como produção de sentido na sociedade.
O que o aluno precisa saber antes?
Os pré-requisitos mapeados nas questões são conceitos básicos, mas fundamentais: a dança como expressão cultural, a própria noção de dança contemporânea, as relações sociais e políticas, e o contexto cultural da arte. Quando um aluno não domina esses pontos, ele tende a responder à pergunta "como a dança reflete questões sociais?" com uma resposta técnica, porque não tem outro repertório disponível.
Como verificar se a turma tem essa base? Eu costumo começar com uma pergunta aberta antes de qualquer conteúdo: "o que é dança para você?". Se as respostas giram em torno de ritmo, habilidade física ou diversão, é sinal de que a ideia de dança como linguagem ainda não está construída. Outro diagnóstico rápido é mostrar duas imagens, uma de balé de repertório e outra de uma performance contemporânea com corpos no chão, e pedir que os alunos descrevam o que cada uma "quer dizer". A diferença nas respostas costuma revelar o nível de repertório da turma.
Vale também checar a relação entre arte e contexto. Alunos que não percebem que obras são produzidas em um tempo e um lugar dificilmente vão associar uma coreografia a uma crise política. Se eles não sabem situar um espetáculo historicamente, a tarefa de interpretação social fica muito mais difícil.
Os erros mais comuns (e por que acontecem)
Ao reunir as oito questões do conceito, percebi um padrão claro: em praticamente todas elas, a alternativa errada mais atraente é aquela que reduz a dança à estética, ao entretenimento ou à técnica. Em outras palavras, o erro típico não é ignorância sobre dança, é uma leitura que separa forma e conteúdo. Esse é o motivo do título deste guia.
Confundir dança contemporânea com técnica ou estética
Esse é o erro mais recorrente. Nas questões sobre por que a dança reflete questões sociais, a alternativa que fala em foco apenas na técnica ou em movimentos bonitos aparece como distrator forte. A causa é que, na escola, a dança costuma ser avaliada pela execução: fazer certo, lembrar a sequência, ter boa postura. Quando o critério de avaliação é a precisão, o aluno transfere essa lógica para a leitura de obras. Como intervir? Peça que os alunos descrevam uma coreografia sem usar palavras sobre técnica (força, equilíbrio, rotação) e só com palavras sobre sentido (o que o corpo parece dizer, de quem ele fala, contra o quê). A descrição muda rapidamente de eixo.
Achar que dança é só entretenimento
Outro erro frequente é a visão da dança como diversão, especialmente em questões sobre protesto e reivindicação. Alunos que associam dança a festa, show ou festival têm dificuldade em aceitar que a mesma linguagem possa servir a uma denúncia. A causa, em geral, é o repertório de referências: se a dança que o aluno conhece é de programa de TV, o entretenimento vira a categoria natural. Intervenção útil: apresente exemplos de dança usados em manifestações, em ocupações e em espetáculos que tratam de violência, e pergunte se o público ali estava se divertindo ou pensando.
Acreditar que a dança é apolítica ou sempre neutra
Em algumas questões, a alternativa "é sempre apolítica e neutra" ou "deve ser apolítica" atrai alunos que têm uma ideia de arte como algo que fica acima do mundo. Esse erro costuma aparecer com mais força no 8º ano, quando o aluno começa a pensar em posicionamento, mas ainda não tem vocabulário para separar opinião de propaganda. A intervenção aqui pode ser conceitual: discutir que toda escolha estética carrega uma visão de mundo, e que a neutralidade também é uma posição.
Ver a dança como algo isolado, sem contexto
Um distrator que aparece bastante é o da dança "isolada e sem contexto" ou "só usada em festivais". A causa é a falta de repertório sobre produção artística. Alunos que não conhecem o contexto de criação não percebem que uma coreografia responde a uma situação concreta. Intervenção: escolha um espetáculo e pesquise, junto com a turma, em que momento histórico e em que comunidade ele foi criado. Quando o contexto aparece, a leitura social fica evidente.
Ler a dança como mera narrativa, sem opinião
Uma variação mais sutil é a alternativa que aceita que a dança conta uma história, mas nega que ela defenda ideias. Esse erro mostra que o aluno reconhece a função narrativa, mas não a função crítica. Ele é comum nas questões de interpretação mais elaboradas, e a intervenção passa por distinguir narrar de posicionar: contar uma história sobre a desigualdade é diferente de sugerir que ela deve ser combatida.
Como ensinar passo a passo
A sequência que mais funciona na minha experiência começa pelo corpo e termina na sociedade. Não é uma regra rígida, mas uma progressão que evita o salto de "dança é bonita" para "dança é crítica social" sem mediação.
Passo 1 – Experiência corporal. Comece com uma atividade em que os alunos se movimentem em resposta a um tema (peso, espaço compartilhado, silêncio). Não é para avaliar habilidade, é para que eles percebam que o movimento transmite sentido antes de qualquer explicação.
Passo 2 – Observação de obras. Mostre dois ou três trechos de dança contemporânea com temas sociais diferentes. Peça que descrevam o que veem sem usar termos técnicos. Anote as respostas no quadro e observe quantas vezes aparecem palavras como "triste", "forte", "juntos", "contra". Esse levantamento é um diagnóstico valioso.
Passo 3 – Dança como expressão cultural. Apresente a ideia de que dança é uma forma de linguagem, produzida em certo tempo e lugar. Relacione com manifestações populares que a turma conhece, como danças de comunidade, festas e rituais, para mostrar que o corpo sempre carregou cultura.
Passo 4 – Dança contemporânea e questões sociais. Aqui entram os exemplos de obras que tratam de desigualdade, racismo, migração, meio ambiente. Trabalhe o contexto de produção e peça que os alunos identifiquem a ideia central de cada trabalho. Use o recurso de leitura de dança contemporânea como ponto de partida para desfazer a confusão entre liberdade de movimento e falta de técnica.
Passo 5 – Criação e posicionamento. Proponha que pequenos grupos criem uma sequência curta sobre um problema social da comunidade escolar. O objetivo não é a qualidade técnica, mas a escolha de movimentos que comunicam uma ideia. Depois, o grupo apresenta e explica suas escolhas, e a turma comenta o que foi transmitido.
Passo 6 – Fechamento com análise escrita. Peça um texto curto em que o aluno analise uma obra, relacionando forma e contexto social. Esse é o momento de checar se a leitura social se consolidou.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento
Nem toda questão serve para todo momento, e isso vale muito para a dança, que é um conteúdo fácil de avaliar de forma superficial. As fichas do conjunto mostram que a maioria das questões tem tempo de resolução médio e nível de leitura médio, sem exigir cálculo, o que as torna adequadas para interpretação textual e visual. O poder de discriminação oscila entre médio e alto: as questões de interpretação mais elaboradas, que pedem análise e não reconhecimento, separam melhor os alunos que compreenderam o conceito dos que apenas memorizaram.
Para diagnóstico, funcionam bem as questões que mapeiam a visão inicial da turma, como a que pergunta como a dança pode refletir questões atuais. Elas mostram quem associa dança a política e quem ainda não faz essa ligação. Para a prova, valem as questões de progressão, que exigem relacionar forma e contexto. Para lição de casa e atividade, as questões situacionais, com um exemplo do cotidiano, funcionam bem porque o aluno pode voltar ao texto com calma. Nas questões do conjunto, a maioria serve para prova, atividade e lição, e é boa para diagnóstico; nenhuma foi marcada como ideal para simulado ou avaliação rápida, o que sugere que, para esse conceito, o melhor uso é o da leitura mais demorada.
Se você monta sua prova no gerador de provas do GeraProva, vale escolher questões de diferentes papéis: uma de diagnóstico no início, duas de progressão no meio e uma de desafio no fim. Isso permite acompanhar a evolução da turma em vez de avaliar só o resultado final.
O que ensinar antes
Os conceitos que o acervo mostra como pré-requisitos são dança como expressão cultural e dança contemporânea. Sem eles, a conversa sobre sociedade fica sem chão. A ordem recomendada é começar pela ideia de que a dança é linguagem e cultura, depois apresentar a dança contemporânea como uma de suas formas, com suas rupturas e suas pesquisas. Só então entra a relação com questões sociais e políticas.
Um cuidado importante: não trate a dança contemporânea como um estilo que "é mais livre" e, por isso, dispensa técnica. Esse equívoco leva o aluno a achar que qualquer movimento vale, e ele perde a noção de que a escolha de cada gesto é deliberada. Tenho um texto sobre a dança contemporânea que aprofunda essa confusão e que vale ler antes de planejar a aula.
Ligações com outros temas
O tema transversal mais presente nas questões é o multiculturalismo, principalmente nas questões em que a dança aparece como reflexo da diversidade cultural. Outras questões se ligam à cidadania e à ética, quando tratam de protesto, reivindicação e posicionamento diante de problemas sociais. Esses temas permitem integrar a aula de Arte com Geografia, História e Sociologia, sem perder o foco na linguagem artística.
Do ponto de vista socioemocional, a habilidade trabalhada nas questões é o pensamento crítico. Ao analisar uma coreografia sobre desigualdade, o aluno precisa sustentar uma interpretação com base em evidências, reconhecer que outras leituras são possíveis e defender a sua. Isso aproxima a aula de Arte do exercício de argumentação que aparece em todas as áreas.
Os contextos de aplicação são majoritariamente cotidianos: o aluno é levado a pensar em apresentações que assiste, em manifestações que vê na cidade e em produções que circulam nas redes. Essa aproximação com a vida real facilita a leitura, porque o repertório já existe, mesmo que não seja nomeado como arte.
8 questões comentadas sobre dança contemporânea e sociedade
Questão 1: dança contemporânea e questões sociais na cultura brasileira
Ao estudar a influência da dança contemporânea na cultura brasileira, um aluno afirma que esta dança reflete as questões sociais e políticas atuais. Que aspectos podem ser mencionados para apoiar essa argumentação?
- ❌ A) Foco apenas na técnica de dança. — a técnica é importante, mas não é o único foco da dança contemporânea. Quem escolhe essa alternativa está preso à ideia de dança como execução.
- ❌ B) Uso de movimentos tradicionais apenas. — movimentos tradicionais são incorporados, mas não são a única influência, e a alternativa exclui a inovação que caracteriza a linguagem.
- ✅ C) Reflexão sobre temas sociais. — a dança contemporânea muitas vezes aborda questões sociais e políticas, que é exatamente o argumento do aluno.
- ❌ D) Inspiração em danças estrangeiras. — embora influenciada, a dança contemporânea tem raízes locais, e a alternativa desloca o foco para a origem, não para o conteúdo social.
- ❌ E) Dança apenas para entretenimento. — a dança contemporânea também é forma de protesto e reflexão; esta alternativa é o erro típico de reduzir a dança ao lazer.
O que esta questão revela: se o aluno escolhe a alternativa A, ele ainda enxerga a dança pela técnica. Se escolhe E, ele tem a visão de entretenimento. Esse é o distrator mais provável, e ele indica que a noção de dança como linguagem social ainda não está construída.
Questão 2: performance de dança contemporânea em museu
Você viu uma performance de dança contemporânea em um museu. Como essa dança pode expressar mensagens sociais?
- ❌ A) Usa apenas movimentos técnicos. — movimentos técnicos não são o foco principal, e a alternativa confunde meio com finalidade.
- ❌ B) Foca apenas na estética. — a estética é importante, mas a mensagem é central; alunos que escolhem esta opção acreditam que beleza e crítica são coisas separadas.
- ❌ C) Reflete a cultura popular. — pode refletir cultura, mas a pergunta pede a expressão de mensagens sociais, que é outra dimensão.
- ✅ D) Aborda questões sociais. — dança contemporânea muitas vezes critica questões sociais, e a performance em museu é um espaço típico dessa crítica.
- ❌ E) É sempre improvisada. — pode ter elementos de improvisação, mas não é sempre, e a alternativa generaliza uma característica possível.
O que esta questão revela: a escolha da alternativa C mostra que o aluno confunde cultura popular com crítica social. Ele entende que a dança fala de algo do cotidiano, mas não que essa fala pode ser uma denúncia. É uma confusão útil para trabalhar em sala, porque mostra o que falta na leitura.
Questão 3: a dança contemporânea no Brasil e as questões sociais atuais
Analise como a dança contemporânea no Brasil reflete questões sociais atuais.
- ❌ A) Foca apenas na técnica — a dança contemporânea é mais expressiva do que técnica, e a alternativa repete o erro de tomar execução como finalidade.
- ❌ B) Ignora temas sociais — trabalha questões sociais de forma intensa, e esta alternativa é o oposto do que a dança faz no contexto brasileiro.
- ✅ C) Reflete a diversidade cultural — a dança incorpora diferentes influências culturais, e essa diversidade é uma forma de tratar a sociedade brasileira.
- ❌ D) É exclusivamente individual — a dança contemporânea pode ser coletiva e colaborativa; muitas obras dependem de grupos.
- ❌ E) Baseia-se em danças tradicionais — inova e transforma tradições em novas linguagens, e esta alternativa apaga a dimensão de invenção.
O que esta questão revela: é uma questão de desafio, com poder de discriminação alto, e o distrator mais provável é o E. Alunos que escolhem E acreditam que contemporâneo é o mesmo que tradicional recontado, sem ruptura. Essa leitura é um bom ponto de partida para discutir o que significa "contemporâneo".
Questão 4: dança contemporânea, desigualdade e política
Analise como a dança contemporânea aborda questões sociais e políticas.
- ❌ A) Ignorando as questões sociais. — a dança contemporânea frequentemente aborda questões sociais, e a alternativa nega justamente o que a questão pede analisar.
- ❌ B) Focando apenas na estética. — a estética é importante, mas as mensagens sociais são centrais; este é o distrator mais provável, porque a estética parece uma resposta segura para quem não viu o conteúdo político.
- ✅ C) Promovendo reflexões sobre desigualdade. — muitas obras refletem sobre desigualdades sociais, e esta é a leitura que a questão busca.
- ❌ D) Apenas reproduzindo movimentos históricos. — a dança contemporânea busca inovar e refletir o presente, e reproduzir o passado é o contrário da proposta.
- ❌ E) Desconsiderando a cultura popular. — a dança contemporânea muitas vezes se inspira na cultura popular, e a alternativa inverte essa relação.
O que esta questão revela: a escolha da alternativa B indica que o aluno ainda não aceita que a estética possa carregar política. Ele vê as duas coisas como opostas. Esse é o erro que mais precisa de intervenção conceitual, com exemplos em que forma e mensagem são indissociáveis.
Questão 5: coreografia sobre desigualdade social e meio ambiente
Em uma apresentação escolar, um grupo de estudantes criou uma coreografia sobre a desigualdade social e o cuidado com o meio ambiente. Os movimentos, a música e as imagens mostradas no palco ajudavam a transmitir suas ideias ao público. Com base no texto, analise como a dança pode refletir questões sociais e políticas em suas expressões.
- ❌ A) A dança pode servir apenas para divertir o público durante apresentações. — reduz a função da dança ao entretenimento e ignora que a coreografia do texto transmite ideias sobre problemas sociais.
- ❌ B) A dança pode mostrar somente os sentimentos pessoais de quem se apresenta. — confunde expressão pessoal com reflexão sobre questões coletivas como desigualdade social e cuidado ambiental. É o distrator mais provável.
- ❌ C) A dança pode usar movimentos bonitos sem precisar abordar temas do cotidiano. — valoriza apenas a beleza e desconsidera que a apresentação trata de problemas presentes na vida social.
- ❌ D) A dança pode acompanhar uma história sem defender nenhuma ideia sobre a sociedade. — reconhece a narrativa, mas elimina a possibilidade de crítica social.
- ✅ E) A dança pode comunicar críticas e ideias sobre problemas da sociedade por meio de movimentos, temas e apresentações. — a coreografia descrita usa a dança para tratar de desigualdade e meio ambiente, expressando opiniões e chamando a atenção para assuntos sociais.
O que esta questão revela: a alternativa B mostra que o aluno entende a dança como expressão íntima, sem perceber que ela pode ser coletiva. Vale discutir com a turma a diferença entre falar de si e falar do mundo a partir de si.
Questão 6: a dança como protesto e reivindicação
Analise como a dança pode refletir questões sociais contemporâneas.
- ❌ A) Não possui relação com política. — a dança frequentemente aborda questões políticas, e a alternativa nega essa relação de forma absoluta.
- ❌ B) É sempre apolítica e neutra. — a dança pode ser uma forma de ativismo, e a neutralidade absoluta não se sustenta na análise de obras.
- ❌ C) Reflete apenas questões pessoais. — a dança também aborda questões coletivas e sociais, e esta alternativa restringe o alcance da linguagem.
- ❌ D) É uma forma de entretenimento apenas. — a dança pode ser um meio de crítica e reflexão; este é o distrator mais provável, porque o entretenimento é a primeira imagem que muitos alunos têm da dança.
- ✅ E) Pode expressar protestos e reivindicações. — a dança é uma poderosa ferramenta de protesto, e essa é a leitura que a questão busca.
O que esta questão revela: a escolha de D aparece com frequência e confirma que o entretenimento é a categoria-padrão do aluno. A questão serve bem como ponto de partida para comparar espetáculos de palco e manifestações de rua.
Questão 7: dança como reflexo de questões sociais
Analise como a dança pode refletir questões sociais.
- ❌ A) A dança não tem relação com questões sociais. — ela pode abordar e criticar questões sociais, e a alternativa nega esse potencial de forma categórica.
- ❌ B) A dança é apenas um entretenimento. — ela pode ser um meio de protesto e reflexão; esta é a alternativa que mais atrai alunos que ainda veem a dança como lazer.
- ✅ C) Pode expressar lutas e reivindicações sociais. — muitas danças abordam temas sociais relevantes, e esta alternativa traduz a relação entre dança e sociedade.
- ❌ D) É uma atividade isolada e sem contexto. — a dança está muitas vezes ligada ao contexto social, e a alternativa desconsidera o contexto de produção.
- ❌ E) Só é usada em festivais culturais. — pode ser usada em diversas situações de protesto, e a alternativa restringe a dança a um espaço específico.
O que esta questão revela: o erro típico é ler a dança apenas como entretenimento, e o distrator B confirma isso. Quando o aluno opta por B, ele ainda não reconhece a dança como expressão social. É um diagnóstico direto para orientar a aula seguinte.
Questão 8: como a dança pode refletir questões sociais atuais
Como a dança pode refletir questões sociais atuais?
- ❌ A) A dança não aborda temas sociais. — muitas coreografias trazem questões sociais à tona, e a alternativa desconhece essa produção.
- ✅ B) A dança é um reflexo das mudanças sociais. — a dança pode expressar e questionar a sociedade, e esta é a relação que a questão busca.
- ❌ C) A dança deve ser apolítica. — a dança é uma forma de expressão que pode ser política, e a alternativa propõe uma norma que não corresponde à prática artística.
- ❌ D) A dança é apenas estética. — a estética muitas vezes carrega significados sociais; este é o distrator mais provável e o erro típico do conjunto.
- ❌ E) A dança é irrelevante para a sociedade. — a dança é uma forma importante de interação social, e a alternativa nega o seu papel cultural.
O que esta questão revela: a escolha de D é o erro mais recorrente no conjunto. Ela mostra que, para muitos alunos, a estética funciona como uma categoria que exclui o social. Trabalhar essa separação é o cerne do ensino deste conceito.
Perguntas frequentes
Dança contemporânea pode ser usada em aulas de Arte para tratar de temas sociais?
Sim. A dança contemporânea é uma linguagem que frequentemente trata de desigualdade, racismo, migração, meio ambiente e outros temas do presente. Em aula, você pode usar trechos de espetáculos, relatos de artistas e exemplos de manifestações para mostrar como o corpo comunica ideias. O cuidado é contextualizar cada obra, para que os alunos não tomem o tema pelo rótulo, mas pela forma como ele é construído.
Como saber se meus alunos entenderam a relação entre dança e sociedade?
Uma boa forma é pedir uma análise escrita de uma obra, relacionando escolhas de movimento, música e cenário a um contexto social. Se o aluno descreve apenas a execução ou fala só de beleza, a relação ainda não foi construída. Questões de interpretação, como as do conjunto analisado, também servem para diagnosticar, principalmente as que separam estética e crítica.
Não seria melhor focar na técnica da dança com os alunos?
A técnica é importante, mas não precisa ser o único foco. Trabalhar apenas a execução reforça a ideia de que dança é habilidade física, o que é justamente o erro típico que aparece nas questões. O ideal é integrar corpo e sentido: o aluno experimenta o movimento e, ao mesmo tempo, aprende a perguntar o que esse movimento comunica.
Quais questões usar em uma avaliação de dança contemporânea?
Para uma avaliação completa, combine diferentes papéis: uma questão de diagnóstico no início, para mapear a visão da turma; duas questões de progressão no meio, para verificar a relação entre forma e contexto; e uma questão de desafio no fim, com poder de discriminação alto, para separar quem aprofundou o conceito. Você pode montar essa combinação no gerador de provas do GeraProva.
Como trabalhar dança contemporânea em turmas com pouca experiência prática?
Você não precisa de um espaço de dança para trabalhar o conceito. Muitas das atividades mais eficazes são de observação, descrição e análise de vídeos e imagens, além de pequenas criações em grupo que usam o corpo sem exigir virtuosismo. O foco é a leitura da linguagem, e isso pode ser feito na sala de aula comum.
Por que os alunos associam dança contemporânea só a liberdade de movimento?
Porque a dança contemporânea costuma ser apresentada como uma forma sem regras, e o aluno interpreta isso como ausência de técnica e de intenção. Na verdade, a liberdade de movimento é uma escolha deliberada, e cada gesto tem função na obra. Essa confusão é bem explorada no texto sobre dança contemporânea, que pode servir de leitura complementar para você.
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Questões deste artigo com resolução completa
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Contextos e práticas, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
