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Autoritarismo na ditadura: por que tantos alunos confundem censura com liberdade

Veja como diagnosticar se a turma distingue autoritarismo, repressão e paternalismo na ditadura brasileira. Analiso erros recorrentes, sugiro uma sequência didática e comento oito questões reais.

Autoritarismo na ditadura: por que tantos alunos confundem censura com liberdade

Lembro bem de uma aula do 9º ano em que apresentei um trecho sobre a censura durante a ditadura militar e perguntei, de forma quase protocolar, qual tinha sido a principal forma de controle sobre a sociedade. Uma aluna levantou a mão com segurança e respondeu que, para ela, a ditadura tinha sido um período de muita liberdade de expressão, porque havia partidos e eleições. Ela não estava sendo desatenta: tinha entendido a palavra "liberdade" no sentido que ouve no cotidiano e não conseguiu separar a existência de instituições formais do exercício real de direitos.

Esse tipo de resposta se repete em quase todas as turmas que passam por esse conteúdo. O aluno percebe que há Congresso funcionando, que há votações, que há símbolos democráticos, e conclui que o regime não era autoritário. Quando eu peço para ele localizar a censura nas notícias, nas peças de teatro e nos livros, a confusão aparece de forma clara. Este guia nasce dessa constatação: é preciso diagnosticar o conceito antes de ensiná-lo, e saber onde exatamente o aluno tropeça.

O que é autoritarismo na ditadura, explicado para o professor?

Autoritarismo, no contexto da ditadura militar brasileira (1964-1985), é a concentração de poder em um grupo que governa sem submeter-se a controle efetivo da população, eliminando ou neutralizando os mecanismos de contestação. Ele se manifesta por meio de atos institucionais, cassações de mandatos, prisões políticas, censura à imprensa, à música, ao teatro e ao cinema, e pela supressão de sindicatos e movimentos estudantis. Não se trata apenas de existirem leis ou instituições; trata-se do modo como elas são usadas para impedir a crítica e a participação.

Esse conceito aparece no currículo principalmente no 9º ano, dentro da unidade sobre a República e os regimes políticos do século XX, e reaparece no 8º ano quando se estuda o período republicano. Na BNCC, as habilidades ligadas a ele são EF09HI29, que trata das ditaduras e da repressão, EF08HI16, que aborda processos políticos e autoritarismo no Brasil, e EF09HI19, sobre os regimes autoritários e suas consequências. No Ensino Médio e no ENEM, o tema reaparece com a habilidade EM13CHS602, que exige análise crítica de regimes políticos e de seus efeitos. Também se conecta a EF09HI02, quando se compara o autoritarismo do Estado Novo com o da ditadura posterior.

Um ponto que vale destacar: o autoritarismo não é sinônimo de qualquer exercício de força. Um governo pode ter apoio popular, pode realizar obras e pode manter instituições formais e ainda assim ser autoritário, se elimina a possibilidade de contestação. É essa distinção que o aluno precisa dominar.

O que o aluno precisa saber antes?

Nas fichas técnicas das questões deste conceito, os pré-requisitos se repetem: a noção de autoritarismo, o contexto histórico da ditadura e o funcionamento das políticas sociais e da censura. Quando o aluno não tem essa base, ele responde pela aparência do enunciado, e não pela lógica do regime. Por isso, antes de entrar nas questões, verifique três pontos com a turma.

Primeiro, se o aluno sabe diferenciar democracia de simples existência de eleições. Uma pergunta rápida resolve: "Um país com eleições é necessariamente uma democracia?". Segundo, se ele reconhece o que é censura e o que é repressão, porque esses termos aparecem misturados nas alternativas. Terceiro, se ele consegue situar o período 1964-1985 na sequência republicana, distinguindo-o do Estado Novo de Getúlio Vargas. Se a turma falha nesses três pontos, a sequência didática abaixo começa por elas.

Vale também verificar a noção de paternalismo, que aparece como pré-requisito em várias questões. Se o aluno não entende que benefícios podem ser usados para controlar a população, ele vai tratar toda política social como sinal de liberdade. Para aprofundar isso, consulte o material sobre paternalismo político, que trabalha justamente a diferença entre proteção e controle.

Os erros mais comuns (e por que acontecem)

Ao olhar para o conjunto de questões validadas sobre este conceito, quatro erros típicos se repetem com força. Em cinco das oito questões, a alternativa mais escolhida pelos alunos errados é aquela que apresenta uma medida com aparência democrática ou de liberdade, mesmo quando o enunciado pede a manifestação do autoritarismo. O aluno não lê a pergunta como uma pergunta sobre controle; lê como uma pergunta sobre o que é bom.

Erro 1: confundir liberdade formal com liberdade real

Este é o erro mais frequente. O aluno vê a existência do Congresso, das eleições ou de partidos e conclui que havia liberdade. A causa é a leitura superficial de sinais institucionais. A intervenção que funciona é trazer exemplos concretos de como essas instituições eram limitadas: cassações de parlamentares, partidos extintos e eleições indiretas em muitos níveis. Peça ao aluno que compare duas colunas, uma com as instituições existentes e outra com o que essas instituições podiam de fato fazer.

Erro 2: tomar a censura como sinal de cultura livre

Em algumas alternativas, a censura aparece descrita de modo neutro, como se fosse apenas uma regra de conteúdo. O aluno que não percebe o caráter repressivo da censura tende a escolher opções que a tratam como medida de organização. Trabalhe com fontes da época, como notícias censuradas ou letras de música vetadas, e pergunte quem decidia o que podia circular e com que finalidade.

Erro 3: separar paternalismo de repressão

Muitos alunos imaginam que, se o governo oferecia benefícios, não podia ser autoritário. A confusão surge porque o paternalismo é apresentado como cuidado, e o aluno não entende que cuidado pode ser instrumento de controle. Nas questões sobre políticas sociais, o distrator mais provável é justamente a alternativa que menciona a repressão como se fosse paternalista, ou a que menciona benefícios como se fossem sinal de liberdade. A intervenção é mostrar que a assistência social da época tinha função de conter demandas e de criar dependência política.

Erro 4: atribuir ao autoritarismo avanços que ocorreram em outro contexto

Há um erro menos visível, mas recorrente: o aluno associa o autoritarismo a conquistas sociais como expansão da educação ou reformas, porque lembra que esses temas foram debatidos no século XX. Ele não separa o que aconteceu durante o regime do que aconteceu antes ou depois dele. A saída é construir uma linha do tempo com marcos claros e pedir que o aluno indique, em cada evento, se ele ocorreu sob o regime autoritário ou não.

Como ensinar passo a passo

A sequência que mais funciona nas minhas turmas tem cinco movimentos. Ela não precisa ser longa, mas precisa ser em ordem, porque cada etapa prepara a seguinte.

Comece pela definição operacional de autoritarismo, pedindo que os alunos listem três características de um governo que não aceita contestação. Depois, apresente um quadro com instituições e práticas do período: Congresso, partidos, eleições, censura, cassações, prisões, sindicatos. Peça que classifiquem cada item como existente de forma formal ou como efetivamente livre. Esse exercício, que dura cerca de vinte minutos, já quebra o erro 1.

Em seguida, trabalhe fontes primárias. Mostre um documento de censura, um trecho de notícia cortada ou uma capa de jornal com tarjas. Pergunte: quem decidia? O que não podia ser publicado? Esse é o momento de relacionar censura e repressão, que são conceitos distintos: a censura controla o que circula; a repressão atinge as pessoas.

O terceiro passo é o paternalismo. Apresente um programa social da época e pergunte para que ele servia além de atender necessidades. A discussão costuma render bem, porque os alunos percebem que proteção e controle podem caminhar juntos. Aqui é um bom momento para retomar o conceito de regime autoritário e a diferença entre autoritarismo e populismo.

O quarto passo é a comparação com o Estado Novo, que ajuda a situar o aluno na cronologia e a perceber que o autoritarismo tem formas variadas. A habilidade EF09HI02 pode ser trabalhada aqui, comparando as medidas de Vargas com as do regime posterior.

Por fim, faça uma síntese escrita em que o aluno responda: "Por que a existência de eleições não garantia liberdade durante a ditadura?". Esse texto é uma excelente evidência de aprendizagem e serve como diagnóstico para a próxima aula.

Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento

Nem toda questão serve para todo momento. Nas fichas deste conceito, a maioria das questões tem papel de desafio ou de consolidação e alto poder de discriminação, o que as torna boas para prova e simulado. Já a questão com objetivo de diagnóstico e papel de progressão é mais adequada para checar onde a turma está antes de avançar.

Em termos de tempo, a maioria das questões pede resolução em tempo médio, com leitura de nível médio a alto. Uma exceção é a questão de consolidação mais direta, que pode ser resolvida em tempo curto e serve bem para uma avaliação rápida no início da aula. Como nenhuma das questões exige cálculo, o foco é inteiramente interpretativo, o que reforça a importância de trabalhar a leitura do enunciado.

Na prática, eu uso as questões mais diretas no começo de uma unidade, como diagnóstico. As questões interpretativas, que comparam cenários ou pedem análise de frase, funcionam melhor como atividade em sala ou como parte de uma prova. As de maior nível de leitura são ótimas para simulado, porque exigem que o aluno relacione mais de uma informação. Você pode montar esses conjuntos de forma rápida com o gerador de provas do GeraProva, escolhendo o nível e o momento da avaliação.

O que ensinar antes

Para que o conceito de autoritarismo na ditadura faça sentido, alguns conteúdos precisam estar consolidados. O primeiro é a própria Ditadura Militar no Brasil, com sua cronologia básica: o golpe de 1964, os atos institucionais, a fase de maior repressão e a abertura gradual. Sem essa cronologia, o aluno não consegue ordenar os eventos nem perceber a escalada da repressão.

O segundo é o paternalismo político, já mencionado, que explica por que benefícios sociais podiam conviver com a supressão de direitos. O terceiro é o próprio conceito de regime autoritário, que deve ser distinguido de outros modelos políticos. O quarto é a relação entre autoritarismo e populismo, porque muitos alunos confundem a popularidade de um líder com a existência de liberdade política.

Um material que costuma ajudar muito nesse ponto é o texto sobre o regime militar no Brasil, que trabalha a censura ao lado do discurso de desenvolvimento econômico. Ele mostra ao aluno que um governo pode prometer progresso e ao mesmo tempo restringir direitos, o que desfaz a ideia de que crescimento e liberdade andam sempre juntos. Por fim, é importante que o aluno compreenda as consequências sociais do regime, como o silenciamento de movimentos, o exílio de opositores e os efeitos sobre a memória coletiva.

Para onde este conceito leva

O entendimento de autoritarismo na ditadura é a porta para temas que o aluno vai encontrar depois. O mais direto é o golpe militar de 1964, que só pode ser compreendido se o aluno já sabe o que é um regime autoritário e como ele se instala. Sem esse conceito, o golpe aparece como um evento isolado, e não como um processo com causas políticas, econômicas e sociais.

Depois do golpe, o conceito se desdobra nas discussões sobre a redemocratização, a Constituição de 1988 e a memória das violações de direitos. Ele também ajuda o aluno a analisar regimes autoritários de outros países e a reconhecer padrões que se repetem: concentração de poder, controle da informação e eliminação da oposição.

Ligações com outros temas

Este conteúdo tem forte ligação com cidadania e ética, tema transversal que aparece em todas as questões analisadas. Discutir a censura e a repressão é também discutir o valor da liberdade de expressão e o papel da sociedade na defesa de direitos. A habilidade socioemocional mais trabalhada é o pensamento crítico, porque o aluno precisa desconfiar das aparências e perguntar quem se beneficia de cada medida.

O contexto de aplicação é histórico, o que favorece atividades que cruzam documentos, notícias e relatos da época. Você pode propor, por exemplo, que a turma compare uma notícia de 1970 com uma de hoje sobre o mesmo tema, observando o que foi omitido ou suavizado. Esse tipo de exercício ajuda o aluno a transferir o conceito para o presente sem anacronismos.

8 questões comentadas sobre autoritarismo na ditadura

A seguir estão as oito questões validadas deste conceito. Para cada uma, comento o enunciado, as alternativas e o que o erro dos alunos revela. Os dados da ficha técnica aparecem ao final de cada questão.

Questão 1: paternalismo nas políticas sociais durante a ditadura

De que maneira o paternalismo se manifestou nas políticas sociais durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985)?

  • ❌ A) Promoção do direito à liberdade de expressão. — Errada: a liberdade de expressão foi reprimida, então não poderia ser uma manifestação de políticas paternalistas.
  • ✅ B) Adoção de políticas de assistência social. — Correta: as políticas assistencialistas eram implementadas para controle social, oferecendo benefícios em troca de apoio ou silêncio.
  • ❌ C) Criação de movimentos populares e sindicalistas. — Errada: esses movimentos foram reprimidos, e o paternalismo não os criava, pelo contrário.
  • ❌ D) Fomento à educação crítica e autônoma. — Errada: a educação era censurada e controlada, o oposto da autonomia.
  • ❌ E) Descentralização do poder nas comunidades. — Errada: o poder estava centralizado no governo militar.

O erro típico aqui é confundir a assistência social com a promoção da liberdade de expressão, como se ambas fossem incentivadas. Quando o aluno escolhe a alternativa A, ele mostra que lê o paternalismo como sinônimo de cuidado com direitos, sem perceber a função de controle. Intervenha perguntando o que o benefício comprava em termos de comportamento político.

Questão 2: o governo de João Goulart e o autoritarismo

Durante o governo de João Goulart (1961-1964), o Brasil viveu intensa polarização política. O presidente defendia reformas de base e enfrentava a oposição de setores civis e militares, mas continuavam funcionando o Congresso Nacional, os partidos políticos e as eleições. A repressão sistemática, com cassações, prisões políticas e censura, foi institucionalizada após o golpe civil-militar de 1964, que depôs Goulart e instaurou uma ditadura.

Considerando o tratamento dado aos opositores políticos durante a presidência de João Goulart, qual alternativa caracteriza corretamente a relação entre esse governo e o autoritarismo?

  • ❌ A) A censura prévia aos meios de comunicação garantiu o controle oficial das opiniões públicas. — Errada: a censura é mencionada no texto como parte da repressão institucionalizada após 1964, não como política consolidada durante o governo Goulart.
  • ❌ B) A suspensão do Congresso Nacional impediu a atuação institucional da oposição política. — Errada: o texto afirma que o Congresso continuava funcionando durante o governo Goulart.
  • ❌ C) A repressão sistemática aos opositores organizou a política governamental do período. — Errada: o distrator desloca para o governo Goulart práticas que o texto atribui ao período posterior ao golpe de 1964.
  • ✅ D) O autoritarismo não se consolidou como política sistemática de repressão durante seu governo. — Correta: o texto distingue a polarização do governo Goulart da repressão institucionalizada depois de 1964. Havia conflitos, mas as instituições representativas continuavam funcionando.
  • ❌ E) A eliminação dos partidos políticos encerrou a disputa pública pelo poder nacional. — Errada: a existência e o funcionamento dos partidos são apresentados como características do período.

Esta questão exige distinguir dois momentos históricos que os alunos costumam fundir. Quem escolhe a alternativa C mostra que não separou o governo Goulart do regime que veio depois do golpe, e que associa qualquer conflito político à repressão. O erro típico, nesse caso, é imaginar que houve aumento de direitos durante o governo Goulart, quando na verdade o ponto é a continuidade das instituições até 1964.

Questão 3: características do autoritarismo na ditadura

Durante a Ditadura Militar no Brasil (1964-1985), o que caracterizou a presença do autoritarismo no modo de governar?

  • ❌ A) Liberdade de expressão garantida a todos — Errada: a liberdade de expressão foi severamente limitada durante a ditadura.
  • ❌ B) Reformas democráticas implementadas — Errada: reformas democráticas foram adiadas, priorizando a repressão.
  • ✅ C) Censura à imprensa e repressão de opositores — Correta: a censura e a repressão foram marcas do regime autoritário.
  • ❌ D) Promoção do diálogo entre partidos — Errada: não havia espaço para diálogo, apenas imposição de um regime.
  • ❌ E) Liberdade de associação entre movimentos sociais — Errada: os movimentos sociais foram perseguidos e desmantelados.

Esta é a questão mais direta do conjunto, mas ainda assim o distrator A tem força. Quando o aluno escolhe a liberdade de expressão, ele provavelmente está ancorado na ideia de que o regime tinha leis e instituições, e não consegue ver a contradição com o termo "garantida a todos". Peça que ele localize, no texto da alternativa, a palavra que desmente a afirmação. Ela costuma ser a chave para o erro.

Questão 4: ações de controle social na ditadura

Durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), várias ações foram tomadas para controlar a sociedade. Qual dessas ações representa o autoritarismo presente nesse período?

  • ❌ A) Aumento da liberdade de imprensa — Errada: a liberdade de imprensa foi severamente restringida durante a ditadura.
  • ❌ B) Criação de partidos políticos independentes — Errada: os partidos foram controlados e muitos foram extintos.
  • ✅ C) Censura de obras artísticas e literárias — Correta: a censura foi uma prática comum para controlar a cultura.
  • ❌ D) Promoção de debates públicos — Errada: os debates públicos eram limitados e controlados.
  • ❌ E) Fortalecimento da democracia participativa — Errada: o regime militar não promoveu a democracia participativa.

Esta questão tem tempo de resolução curto e estilo direto, o que a torna útil para aquecimento. O erro típico é escolher alternativas que soam positivas, como a criação de partidos independentes ou o fortalecimento da democracia participativa, sem checar se elas correspondem ao período. O aluno que erra aqui costuma não ter o hábito de confrontar cada alternativa com o contexto histórico, e vale treinar esse procedimento de checagem.

Questão 5: paternalismo nas relações entre governo e população

Durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), como o paternalismo se manifestou nas relações entre o governo e a população?

  • ❌ A) Através de censura à imprensa. — Errada: a censura impediu informações, mas não é paternalismo.
  • ✅ B) Com a oferta de benefícios sociais. — Correta: os benefícios buscavam controlar a população, limitando a autonomia.
  • ❌ C) Por meio da repressão militar. — Errada: a repressão é autoritarismo, não paternalismo.
  • ❌ D) Com a promoção da liberdade de expressão. — Errada: a liberdade de expressão é oposta ao paternalismo.
  • ❌ E) Através da educação para a cidadania. — Errada: a educação para a cidadania não era foco do governo.

Aqui o erro típico é confundir paternalismo com repressão. Como o paternalismo se manifesta por meio de cuidado aparente, o aluno tende a escolher a alternativa C, que descreve algo muito mais visível e ruidoso. Essa escolha revela que ele ainda não separou os dois conceitos. Vale trabalhar com exemplos de programas sociais e perguntar, em cada um, se o objetivo era proteger ou manter a população sob controle.

Questão 6: estratégias para promover o autoritarismo

Durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), diversas ações foram tomadas para controlar a sociedade. Qual foi uma estratégia utilizada para promover o autoritarismo?

  • ❌ A) Incentivo à liberdade de imprensa. — Errada: o regime militar restringiu a liberdade de imprensa, utilizando censura.
  • ❌ B) Promoção de eleições diretas. — Errada: as eleições foram controladas e manipuladas, não sendo diretas.
  • ✅ C) Censura à cultura e à arte. — Correta: a censura foi uma ferramenta essencial para controlar a produção cultural.
  • ❌ D) Criação de partidos políticos democráticos. — Errada: os partidos foram dissolvidos ou controlados pelo regime.
  • ❌ E) Diálogo aberto com a sociedade civil. — Errada: houve repressão, e o diálogo ficava restrito a aliados do regime.

O distrator mais provável é a alternativa A, que apresenta a liberdade de imprensa como algo incentivado. O aluno que a escolhe confunde ações que promovem liberdade com ações que restringem direitos. Como a questão é de estilo situacional, ele precisa imaginar o contexto antes de julgar. Ensine a técnica de substituir a palavra-chave da alternativa pelo seu oposto e verificar se a frase ainda faz sentido para o período.

Questão 7: medidas autoritárias do governo Vargas

Durante o governo de Getúlio Vargas (1930-1945), várias medidas foram tomadas para controlar a sociedade. Qual dessas medidas representa a prática do autoritarismo?

  • ✅ A) A criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) — Correta: a CLT foi uma forma de controle sobre os trabalhadores, limitando a autonomia sindical.
  • ❌ B) O fortalecimento do voto direto — Errada: o voto direto fortalece a democracia e não é uma medida autoritária.
  • ❌ C) A liberdade de imprensa — Errada: medidas autoritárias restringem a liberdade de imprensa, não a promovem.
  • ❌ D) As eleições diretas para presidente — Errada: eleições diretas são um mecanismo democrático, não autoritário.
  • ❌ E) A promoção de direitos humanos — Errada: a promoção de direitos humanos é contrária ao autoritarismo.

Esta questão desloca o foco para o Estado Novo, o que é útil para o aluno perceber que o autoritarismo tem formas diferentes ao longo da República. O erro típico é escolher o voto direto, por associá-lo à democracia e não perceber que a pergunta pede uma medida de controle. A CLT é interessante porque beneficiava trabalhadores em certos aspectos, e por isso a discussão sobre paternalismo volta a aparecer: nem toda medida protetora é libertadora.

Questão 8: autoritarismo no Brasil entre 1964 e 1985

Analise a seguinte frase: "A presença do autoritarismo na América Latina tem suas raízes em sua história colonial e nas guerras pela independência, que muitas vezes levaram a regimes autoritários." Com base nisso, como o autoritarismo se manifestou no Brasil entre 1964 e 1985?

  • ❌ A) Abertura política gradual — Errada: a abertura política ocorreu após o regime, não durante.
  • ✅ B) Censura e repressão — Correta: o regime militar foi marcado por intensa censura e repressão aos opositores.
  • ❌ C) Reformas agrárias bem-sucedidas — Errada: não houve reformas agrárias significativas nesse período.
  • ❌ D) Expansão da educação — Errada: na prática, houve diminuição da liberdade educacional.
  • ❌ E) Aumento da participação popular — Errada: o autoritarismo restringiu a participação popular.

Esta questão exige análise de uma frase introdutória e, por isso, tem nível de leitura médio com exigência de relacionar contexto amplo a um caso específico. O distrator mais provável é a abertura política gradual, porque o aluno a associa ao período sem perceber que ela ocorreu no fim do regime. O erro revela uma leitura cronológica frágil. Trabalhe a linha do tempo da abertura para que o aluno reconheça o momento exato em que ela começou.

Perguntas frequentes

Como saber se minha turma entendeu a diferença entre censura e repressão?

Peça que os alunos deem um exemplo de cada. Se eles descreverem a censura como uma proibição de conteúdo e a repressão como ação contra pessoas, a distinção está clara. Se misturarem os dois termos, retome o conceito com fontes da época antes de avançar para as questões de avaliação.

O paternalismo deve ser ensinado antes da ditadura?

Sim, porque ele ajuda a explicar como benefícios sociais podiam coexistir com a supressão de direitos. Um bom ponto de partida é trabalhar o paternalismo em um contexto mais simples e depois aplicá-lo ao período militar, quando o aluno já domina a ideia de controle disfarçado de cuidado.

Como evitar que os alunos achem que a ditadura não foi autoritária porque tinha eleições?

Mostre que as eleições existiam em alguns níveis, mas que a possibilidade de contestação era restrita por cassações, extinção de partidos e controle da imprensa. Peça que o aluno compare a existência formal das instituições com o que elas podiam realmente fazer. Essa comparação costuma desfazer o equívoco.

As questões deste conceito servem para qual momento da avaliação?

Elas servem para prova, atividade e simulado, e algumas podem ser usadas como diagnóstico. Não são as mais indicadas para lição de casa, porque exigem análise de contexto que costuma ser mais bem trabalhada com a mediação do professor em sala.

Como o autoritarismo da ditadura se diferencia do autoritarismo do Estado Novo?

Ambos restringiram direitos, mas em contextos diferentes e com instrumentos distintos. O Estado Novo teve forte controle sobre o trabalho e a propaganda, enquanto a ditadura militar combinou atos institucionais, cassações e repressão violenta. Comparar os dois períodos ajuda o aluno a perceber que o autoritarismo assume formas variadas.

Quanto tempo leva para ensinar esse conceito com segurança?

Em geral, uma unidade de quatro a cinco aulas, somando a sequência didática e as avaliações. Se a turma já domina os pré-requisitos, duas ou três aulas podem bastar. Se você quiser montar as avaliações rapidamente, o cadastro grátis no GeraProva permite gerar questões nesse formato sem começar do zero.

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