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Atividades de Variação linguística para o 5º ano com gabarito

Reuni questões de variação linguística para o 5º ano, com alternativas e gabarito comentado. O material ajuda a explorar marcas regionais, gírias e diferenças entre fala e contexto.

Atividades de Variação linguística para o 5º ano com gabarito

Quem dá aula de Língua Portuguesa no 5º ano sabe que, em uma mesma turma, convivem alunos que falam de jeitos bem diferentes. Tem o menino que chega da roça com um "trem" aqui e um "ocê" ali, a menina que mora na periferia e usa "mano" e "de boa" o tempo todo, e o aluno que aprendeu em casa uma fala mais cuidadosa. Na hora de ensinar Variação linguística, essa diversidade vira o ponto de partida, e não um problema a ser corrigido.

Eu sempre começo essa unidade pedindo para a turma contar como fala com os avós, com os colegas e com a professora. Quase sempre aparece a surpresa de que todo mundo muda a forma de falar conforme o lugar e a pessoa. Esse é o caminho para as atividades que seguem, com questões prontas para você aplicar.

O que o aluno de 5º ano precisa saber sobre Variação linguística

Variação linguística é o fato de que uma mesma língua se realiza de formas diferentes conforme o lugar onde a pessoa vive, a idade, o grupo social e a situação em que está falando. No 5º ano, o foco é que o aluno reconheça essas diferenças como normais e legítimas, sem tratar a fala de alguém como "errada" só porque é diferente da dele. Ele precisa identificar marcas regionais, como o uso de "ocê" ou "sô", marcas rurais, como palavras ligadas ao campo como "roça" e "pasto", e marcas urbanas, como gírias de cidade grande. Também precisa entender que a norma culta é apenas mais uma variedade, usada em contextos formais como escrita de textos, entrevistas e reuniões. O objetivo é que ele perceba que escolher uma forma de falar depende de quem está ouvindo e do momento da conversa, e que não existe um jeito único e certo de falar português.

O que ele precisa saber antes

Antes de trabalhar as diferenças entre variedades, o aluno precisa ter clareza sobre o que é uma variedade linguística e como ela aparece no contexto em que vive. Também é importante que ele já consiga diferenciar uma gíria de um regionalismo, porque confundir os dois é um dos tropeços mais comuns nessa etapa. Quando esses conceitos estão firmes, a identificação de marcas de fala nas questões fica muito mais tranquila.

Onde os alunos mais erram

O erro mais frequente é tomar qualquer expressão informal ou diferente como sinal de fala rural. Quando aparece "de boa" ou "guria" num diálogo, muitos alunos concluem na hora que a fala é do campo, quando na verdade essas palavras podem aparecer em qualquer lugar. O aluno não está sendo desatento; ele está usando um critério simplista, que é "se é informal, é rural". Por isso, a sua mediação precisa mostrar que o que importa é a marca específica, e não o grau de informalidade.

Outro erro típico acontece quando o aluno percebe que uma alternativa tem sentido parecido com a frase original, mas não mantém a marca de fala. Ele escolhe a resposta que "diz a mesma coisa", esquecendo que a questão pede a manutenção de um traço linguístico. Vale sempre perguntar: a alternativa preserva o jeito de falar ou só o significado?

Nas questões que trazem uma fala urbana e uma rural lado a lado, o distrator mais provável costuma ser a fala com gíria urbana, como "mano" ou "galera". O aluno associa a gíria à informalidade e à fala de rua, e às vezes confunde esse cenário com o campo. Ensinar a comparar o vocabulário com o ambiente que ele descreve resolve boa parte desse problema.

Como trabalhar em sala

A seguir, algumas ideias práticas que funcionam sem material caro:

  • Roda de falas da família: peça que cada aluno anote, em casa, uma expressão que os parentes usam e que ele acha diferente. Na aula, a turma organiza as expressões em duas colunas: fala do campo e fala da cidade, discutindo o que há em comum.
  • Reescrita de um mesmo diálogo: escreva uma fala no registro informal regional e peça que a turma a reescreva no registro formal, mantendo o sentido. Depois, discuta o que mudou e o que se perdeu.
  • Gravação de áudio com o celular: os alunos entrevistam um colega sobre a rotina e depois comparam as transcrições. A atividade mostra que a mesma pergunta pode ser respondida de formas bem diferentes.
  • Quadro de expressões: monte um mural com palavras e expressões da turma, separando por região, por idade e por situação. O mural cresce ao longo da unidade e vira consulta.
  • Debate sobre preconceito linguístico: leve um texto curto ou um caso do cotidiano em que alguém foi criticado pela forma de falar. A pergunta central é por que aquela fala foi considerada errada, e se o problema estava na língua ou no julgamento de quem ouviu.

Questões prontas de Variação linguística para o 5º ano (com gabarito comentado)

As questões abaixo estão organizadas da mais simples para a mais complexa. Para cada uma, você verá o enunciado, as alternativas com o gabarito e a explicação do motivo de cada resposta estar certa ou errada.

Questão 1: diálogo sobre a festa da vila

— E aí, João, tu vem de boa pra festa da vila hoje?
— Oxe, tô afim não, prefiro ir lá prum cantinho da roça descansar.
— Pô, que relax! Mas depois vem se divertir, tá cool.
— Beleza, guria! Aí a gente combina.

Analise o diálogo e identifique qual uso linguístico indica variedade rural na fala.

  • ❌ A) Uso de cumprimento informal entre amigos — "E aí" é um cumprimento informal, mas não indica variedade rural.
  • ❌ B) Uso da gíria "de boa" — "De boa" é uma gíria informal, não uma indicação de variedade rural.
  • ✅ C) Uso da contração "prum" e do termo "roça" — A contração "prum" e a palavra "roça" indicam uma fala associada ao meio rural.
  • ❌ D) Uso de inglês "cool" — "Cool" é uma palavra do inglês, não uma indicação de variedade rural.
  • ❌ E) Uso da palavra "guria" — "Guria" é uma palavra regional, mas não indica variedade rural nesse diálogo.

Esta questão é ótima para a primeira aula da unidade, porque mostra que a marca rural está em elementos específicos, e não em qualquer informalidade.

Questão 2: reescrita de "a gente se esbalda"

Participantes de um programa de rádio compartilham relatos sobre a quadra junina no interior do estado. Maria, moradora da cidade, comenta: "Eu fui lá na noite passada e vi que a quadrilha estava bem animada." José, morador rural, responde: "Pois é, sô, a festa aqui no interior é outra prosa. Tu chega cedo, traz sua sanfona e a gente se esbalda."

Crie uma reescrita do fragmento "a gente se esbalda" que preserve o traço de fala rural presente no depoimento de José.

  • ❌ A) a gente aproveita o momento — Essa frase explica a ideia, mas usa palavras neutras e não mostra o jeito rural de falar.
  • ❌ B) a gente curte a festa — "Curte" é uma forma informal, mas não indica o traço rural presente na fala de José.
  • ✅ C) a gente se esbalda sô — A palavra "sô" é uma marca de fala regional usada por José. Ela mantém o jeito rural do depoimento.
  • ❌ D) a gente se diverte bastante — Essa frase troca a expressão por palavras comuns e não mantém uma marca de fala rural.
  • ❌ E) a gente se esbalda muito — "Muito" apenas aumenta a intensidade. Não acrescenta uma marca rural à fala.

Aqui o aluno precisa perceber que a tarefa é manter a marca de fala, e não apenas o sentido. Esse é o erro típico mais sutil da unidade.

Questão 3: identificando o trecho de fala rural

Pesquisadores de uma universidade realizaram gravações de moradores para mapear variações da fala em diferentes contextos. Entre as falas coletadas estão expressões que revelam sotaques e vocabulários urbanos e rurais no cotidiano. Alguns exemplos transcritos dos entrevistados:

"E a rua aqui de casa é toda asfaltada, a gente vaza rapidinho de carro."
"Ô trem bão sô, cappincer o gado lá na fazenda dá um prazer danado."
"Mana, bora no baile funk hoje de noite naquela quebrada."
"No shopping tá tendo promoção de roupas até amanhã, vou aproveitar."
"Mermão, o trânsito daqui da metrópole é uma correria sem fim."

Analise o texto-base e identifique o segmento que apresenta característica típica da fala rural.

  • ❌ A) Mermão, o trânsito daqui da metrópole é uma correria sem fim. — Expressa gíria urbana e cenário de grande cidade.
  • ❌ B) E a rua aqui de casa é toda asfaltada, a gente vaza rapidinho de carro. — Reflete contexto urbano, com referência a assimetria de vias e uso de carro.
  • ❌ C) No shopping tá tendo promoção de roupas até amanhã, vou aproveitar. — Refere-se ao consumo em centro comercial, marca de fala urbana.
  • ✅ D) Ô trem bão sô, cappincer o gado lá na fazenda dá um prazer danado. — Apresenta vocabulário rural (fazenda, gado), uso de "sô" e regionalismo rural.
  • ❌ E) Mana, bora no baile funk hoje de noite naquela quebrada. — Demonstra gíria urbana e referência a evento típico de periferia.

Os alunos costumam marcar a alternativa B por causa da menção a carro e rua. Vale mostrar que o que define a fala rural é o vocabulário e as marcas de fala, e não o tema da frase.

Questão 4: o comunicador do rádio local

Por que os moradores de um vilarejo distante falam de um jeito que soa diferente no rádio local? No programa matinal, o comunicador diz: "Óia lá atrás no pasto o trem que ocê plantô tá crescendo bem bão." Mais tarde, no telejornal da cidade vizinha, a âncora fala: "Boa tarde, pessoal, hoje temos notícias sobre o trânsito urbano."

Analise o texto-base e identifique qual trecho apresenta característica típica da fala rural.

  • ❌ A) "Alô, amigos, bem-vindos ao nosso encontro comunitário." — Linguagem cordial e padronizada, sem marcas de variedade rural.
  • ❌ B) "Boa tarde, pessoal, hoje temos notícias sobre o trânsito urbano." — Registro formal padrão, sem traços regionais ou rurais.
  • ❌ C) "Mano, fui no mercado e comprei tudo no sol quente." — Uso de 'mano' e construção típica de fala urbana, não rural.
  • ✅ D) "Óia lá atrás no pasto o trem que ocê plantô tá crescendo bem bão." — Contém marcadores de fala rural: 'trem' para 'coisa', 'ocê' e redução de consoantes ('plantô').
  • ❌ E) "E aí, galera, vamos colar na festa hoje à noite?" — Uso de gíria urbana 'galera' indica fala jovem citadina, não rural.

Aqui vale lembrar que o distrator mais provável é a fala com "mano", porque a gíria chama mais atenção do que as marcas rurais mais discretas.

Questão 5: as cinco gravações da professora

Antes de apresentar novas atividades, a professora compartilhou as transcrições de cinco gravações coletadas em diferentes contextos de fala. Observe os trechos: 1. "E aí, mermão, cê vai colar no rolê hoje à noite?" 2. "Ocê num vai mais lá na roça? Tava gostoso o almoço de ontem." 3. "A senhora deseja experimentar nossa tapioca com recheio de coco?" 4. "Rapaz, aqui na grande cidade a vida é um corre sem fim, saca?" 5. "O senhor gostaria de um cafezinho antes da reunião?"

Analise o texto-base e identifique o trecho que apresenta característica de fala rural.

  • ✅ A) Trecho 2, que inclui vocábulos e estrutura típicos do meio rural — Emprega "roça", "tava" e "ocê", sinais de fala rural.
  • ❌ B) Trecho 1, que usa gíria urbana e cumprimento informal — Apresenta linguagem de rua urbana, não rural.
  • ❌ C) Trecho 3, que tem trato formal e vocabulário padronizado — É um registro formal de atendimento, não rural.
  • ❌ D) Trecho 4, que usa gírias e referências à vida citadina — Refere-se à cidade grande e ao jargão urbano.
  • ❌ E) Trecho 5, que apresenta tratamento educado de ambiente profissional — É uma fala formal de contexto corporativo, não rural.

Esta questão funciona bem para trabalhar a comparação entre vários trechos, pedindo que o aluno mantenha em mente o critério da fala rural em todas as alternativas.

Questão 6: a conversa com o atendente de trem

— Ocê vai pegar o trem lá na estação de São Bento? — perguntou Zé. — Vou sim, moço. Minha família inteira mora lá no sítio, num pedaço de terra cercado de mato. Sempre que chego, gosto de tomar um cafezinho simples com rapadura antes de viajar. — Pois então, boa viagem! — respondeu a atendente.

Analise o texto e identifique qual aspecto da fala de Zé indica a variedade rural.

  • ❌ A) Uso de uma pergunta sobre a viagem. — A pergunta trata da viagem de trem, mas o assunto da fala não indica a variedade rural.
  • ❌ B) Uso de uma despedida de viagem. — A despedida deseja boa viagem, mas não indica a variedade rural na fala de Zé.
  • ❌ C) Uso de uma palavra ligada à bebida. — A palavra ligada à bebida fala do que Zé gosta de tomar, não da variedade rural.
  • ✅ D) Uso de uma forma popular para falar com alguém. — A forma de tratamento usada por Zé é comum na fala informal e indica uma variedade rural.
  • ❌ E) Uso de uma fala sobre a família. — A fala informa onde a família mora, mas isso não mostra uma característica da variedade usada.

Note que o aspecto cobrado é a forma de tratamento, e não o tema do texto. Os alunos tendem a se distrair com as referências ao sítio e à família.

Questão 7: cinco falantes, um traço rural

Professoras gravaram falas de diferentes pessoas para analisar variedades linguísticas: Falante A: "Oi, ocê vem cá me ajudar a cuidar da roça à tardinha?" Falante B: "Olá, você pode conferir este relatório para mim hoje à tarde?" Falante C: "E aí, tu me dá uma força aqui na horta de boa?" Falante D: "Boa tarde, você poderia verificar os dados do site agora?" Falante E: "E aí, mano, bora agilizar esse trabalho até o fim do dia?"

Identifique a fala do texto-base que apresenta marcações próprias da fala rural.

  • ❌ A) "Boa tarde, você poderia verificar os dados do site agora?" — Expressão padronizada e formal, sem marcas de variedade rural.
  • ❌ B) "E aí, tu me dá uma força aqui na horta de boa?" — "tu" e "de boa" são coloquialismos urbanos, não específicos da zona rural.
  • ✅ C) "Oi, ocê vem cá me ajudar a cuidar da roça à tardinha?" — Emprega "ocê", "roça" e o sufixo diminutivo "-inha", características do discurso rural.
  • ❌ D) "E aí, mano, bora agilizar esse trabalho até o fim do dia?" — Emprego de gíria urbana "mano" indica fala de periferia ou juvenil, não rural.
  • ❌ E) "Olá, você pode conferir este relatório para mim hoje à tarde?" — Uso de norma culta sem traços regionais, indica fala formal urbana.

A alternativa B costuma atrair alunos que associam "tu" ao campo. Mostre que "tu" é uma forma de tratamento mais ligada a outras regiões, e que a marca rural aqui está em "ocê" e "roça".

Questão 8: a colheita de mandioca

Durante a programação de um rádio escolar, cinco alunos de diferentes localidades gravaram relatos sobre a colheita de mandioca em suas comunidades. Abaixo, estão transcritos os trechos I a V de suas falas.

I. "Hoje em dia a gente planeja a colheita com apoio de tecnologia e máquinas modernas." II. "Oxente, a genti vai colher mandioca cedo, homi, pra armazenar no terreiro antes da chuva." III. "Então, galera, precisamos agilizar a colheita, tá ligado, pra postar tudo nas redes sociais." IV. "Nós vamos colher a mandioca amanhã e armazená-la em sacos bem limpos." V. "A gente vai colher mandioca amanhã, pessoal, e depois vamos celebrar com um churrasco."

Analise os trechos e identifique qual apresenta característica típica de fala rural.

  • ❌ A) IV, pois emprega construção formal e padrão de pronúncia neutra. — É fala padronizada sem marcas regionais ou rurais.
  • ❌ B) III, pois usa "galera", "tá ligado" e referências a redes sociais. — Apresenta gírias urbanas jovens, sem características rurais.
  • ❌ C) V, pois usa "pessoal" e refere celebração com churrasco. — Embora informal, não apresenta traços distintivos de fala rural.
  • ✅ D) II, pois traz expressões como "Oxente", "genti" e "homi", indicativas de variedade rural. — Contém marcas de pronúncia e léxico próprios de fala rural de certas regiões.
  • ❌ E) I, pois menciona o uso de tecnologia e máquinas modernas na colheita. — Refere-se a contexto tecnológico urbano, não a traços de fala rural.

Esta é a questão mais completa da sequência, porque reúne pronúncia e vocabulário no mesmo trecho. Use-a como fechamento da bateria de exercícios.

Conclusão curta e próximos passos

Depois de trabalhar as questões, proponha que os alunos escrevam um pequeno texto contando uma situação do dia a dia em duas versões: uma no jeito que costumam falar e outra no registro mais formal. Esse exercício consolida a ideia de que a variação é um recurso, e não um defeito. Se quiser variar as atividades, você pode montar novas provas com o gerador de provas do GeraProva, ajustando o nível e a quantidade de questões à sua turma. Para acompanhar as questões da habilidade EF35LP11, veja as questões da habilidade EF35LP11. E se ainda não tem conta, você pode fazer o cadastro grátis e começar a usar.

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