Atividades de Globalização e Neoliberalismo para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito
Uma proposta de atividades para discutir Globalização e Neoliberalismo em Sociologia na 2ª série, com questões, alternativas e gabarito comentado. As situações abordam território, fronteiras, agentes sociais e controle do espaço.
Quem dá Sociologia no Ensino Médio sabe: Globalização e Neoliberalismo é um daqueles temas que parecem fáceis até o momento em que o aluno precisa explicar a relação entre os dois com as próprias palavras. Eu já passei por isso várias vezes, com turmas de 2ª série que conheciam a palavra “globalização” de sobra, mas tinham dificuldade de dizer o que ela muda na vida de quem mora no bairro.
Nas páginas a seguir, reúno o que tenho usado na prática: uma explicação do conteúdo, os pontos em que os alunos costumam escorregar, ideias de atividade para a sala e oito questões no formato de prova, com gabarito comentado. Você pode usar tudo direto ou adaptar ao seu plano de aula.
O que o aluno de 2ª série precisa saber sobre Globalização e Neoliberalismo
Globalização é o processo de intensificação das trocas de mercadorias, capitais, informações e pessoas entre países e regiões do planeta. Ela não começou ontem: os fluxos comerciais e culturais existem há séculos, mas ganharam velocidade com as novas tecnologias de comunicação e transporte. Já o neoliberalismo é uma orientação de política econômica que defende a redução da intervenção do Estado, a abertura de mercados, a privatização de serviços e a confiança na concorrência como principal regulador da economia. Na prática, os dois fenômenos se reforçam: a integração econômica global favorece políticas de desregulamentação, e essas políticas, por sua vez, aceleram a integração. Ao final desta explicação, o aluno deve conseguir dizer que globalização descreve um processo amplo e que neoliberalismo descreve uma escolha de governo e de mercado dentro desse processo.
O que ele precisa saber antes
Os pré-requisitos que mais pesam nas questões são dois. O primeiro são os conceitos básicos de Sociologia, como sociedade, instituição e poder, sem os quais o aluno não consegue situar o neoliberalismo como projeto político e não apenas como “ideia de economista”. O segundo são as teorias sociológicas clássicas: Weber, com a noção de dominação; Marx, com o controle do trabalho; e Durkheim, com a coesão social. Quando o aluno chega à questão sem ter revisto esses autores, costuma tratar a teoria como um enfeite do texto, e não como ferramenta de leitura. Vale rever esses conceitos antes de partir para o estudo de caso.
Onde os alunos mais erram
O erro que mais aparece é a monocausalidade. O aluno lê um texto sobre uma praça, um bairro ou um serviço de entregas e escolhe a alternativa que atribui tudo a um único fator: só a tecnologia, só a vontade individual, só a decisão do governo. A realidade social quase nunca funciona assim, e a prova costuma usar justamente essa tentação. Quando isso acontece, eu peço para o aluno listar, na margem da folha, pelo menos dois agentes que aparecem no texto e o que cada um faz. Quase sempre ele percebe sozinho que a resposta fechada não dá conta do enunciado.
Outro erro frequente é confundir quem executa uma ação física com quem tem legitimidade para validá-la. Em textos sobre o uso do espaço público, o aluno vê seguranças, cordas e placas e conclui que a empresa é quem decide a fronteira. Mas quem dá validade social à delimitação é a norma pública que a autoriza. Esse é um ponto em que a leitura de Weber sobre dominação legal-racional ajuda bastante.
Há ainda o erro de inverter causa e efeito. Em casos de conflito, a crítica nas redes sociais aparece como se fosse a origem da fronteira, quando ela apenas expõe uma divisão que já existe. Ou então o pescador, o ambulante ou o entregador que reage a uma mudança é tomado como quem a instituiu. Insisto com a turma em perguntar: quem começou, quem tem poder de decidir e quem apenas responde?
Por fim, nas questões de comparação sobre cultura, o distrator mais provável é a ideia de que a globalização e o neoliberalismo promovem a diversidade cultural. O aluno gosta da palavra “diversidade” e a associa a abertura de mercados. Vale mostrar, com exemplos do cotidiano, como redes de fast food e plataformas digitais podem tanto ampliar o acesso a expressões diferentes quanto padronizar hábitos e consumos.
Como trabalhar em sala
Primeiro, use casos do cotidiano do próprio município. Uma feira que mudou de lugar, um aplicativo de entregas que passou a cobrar comissões, uma praça que ganhou grades: tudo isso aparece no dia a dia do aluno e permite mostrar, sem material caro, como a territorialidade se forma. Peça que a turma aponte os agentes envolvidos e o tipo de poder que cada um exerce.
Segundo, faça um quadro comparativo em três colunas com Weber, Marx e Durkheim, e peça que os alunos preencham com exemplos do texto da aula. Esse exercício força a articulação entre teorias, que é justamente o que as questões de nível alto cobram.
Terceiro, trabalhe com a leitura de um texto curto e peça que os alunos sublinhem as palavras que indicam ação (“organizaram”, “instalou”, “propôs”, “reivindicam”). Em seguida, peça que classifiquem cada ação como iniciativa comunitária, privada ou estatal. Isso treina a identificação de agentes sem exigir nenhuma tecnologia.
Quarto, proponha um debate curto sobre a frase “o mercado regula tudo”. Divida a turma em dois grupos, um que defenda a posição e outro que a conteste, e exija que os argumentos citem algum conceito da aula. O debate costuma render mais do que um texto dissertativo, porque o aluno precisa responder ao colega em tempo real.
Quinto, se houver tempo, peça um registro de observação: que espaço da cidade o aluno frequenta e quais regras informais ou formais ele percebe ali. Não precisa ser trabalho longo; uma página basta para que ele aplique o conceito de territorialidade a algo que conhece.
Questões prontas de Globalização e Neoliberalismo para a 2ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
As questões abaixo seguem o formato de prova e trazem o gabarito comentado. Para ver a ficha técnica de cada uma, incluindo nível cognitivo e conceitos envolvidos, você pode acessar as questões da habilidade EM13CHS204.
Questão 1: a síntese interpretativa da marquise
No fim da tarde, dezenas de mochilas térmicas se acumulam sob a marquise da Estação Central. Entregadores de aplicativos usam tomadas do saguão para recarregar celulares, combinam “rodízio” para vigiar bicicletas e dividem um QR code com doações para comprar água. Em duas semanas, a administração da estação instalou grades móveis e seguranças passaram a dispersar o grupo alegando “fluxo de pedestres”. Ao mesmo tempo, o aplicativo alterou o mapa: quem fica fora de um raio de 200 m recebe menos chamadas e perde bônus. A prefeitura propôs um “ponto de apoio” em uma rua lateral, com vagas marcadas e proibição de permanência após 22h. Parte dos entregadores aceitou; outra parte manteve o encontro na marquise, argumentando que ali há iluminação e visibilidade, reduzindo assaltos.
Analise o texto e identifique a síntese interpretativa que melhor explica a formação de territorialidades e fronteiras nesse espaço, articulando dominação (Weber), controle do trabalho (Marx) e coesão do grupo (Durkheim).
- ❌ A) A consolidação do ponto depende apenas de valores morais do grupo, que tornam irrelevantes as regras e o mapa do aplicativo. — Erro de monocausalidade durkheimiana: ignora regulação e mecanismos econômicos do app que alteram permanência e renda.
- ❌ B) A consolidação do ponto depende apenas da tecnologia, pois o GPS e as tomadas determinam automaticamente a ocupação do espaço. — Determinismo tecnológico: infraestrutura importa, mas não explica grades, segurança, regras e ação coletiva que criam fronteiras.
- ❌ C) A consolidação do ponto depende apenas da iniciativa individual, pois cada entregador escolhe onde parar segundo conveniência pessoal. — Individualismo metodológico ingênuo: desconsidera solidariedade prática do grupo e constrangimentos do bônus e das normas.
- ❌ D) A consolidação do ponto depende apenas da decisão estatal, que define o território e elimina conflitos ao criar o ponto de apoio. — Estatocentrismo: o texto mostra resistência dos entregadores e influência do app na ocupação, não só imposição do Estado.
- ✅ E) A consolidação do ponto depende da organização coletiva, limitada por regras formais e pelo controle do aplicativo sobre ritmo e renda. — Integra coesão (rodízio/apoio), dominação legal (grades, norma municipal) e controle do trabalho (raio, bônus) na produção de fronteiras.
Questão 2: quem legitima a nova fronteira da praia
Quem decide onde termina a “praia de todos” e começa a área “reservada”? Em um balneário, moradores relatam que, após a instalação de um novo complexo turístico, surgiram cordas delimitando trechos da areia, placas indicando “acesso direcionado” e seguranças orientando banhistas a usar apenas dois corredores de passagem. Pescadores dizem que passaram a guardar redes mais longe, e ambulantes afirmam ter sido deslocados para uma rua paralela.
A administração municipal informou que autorizou a empresa a explorar quiosques e serviços por meio de regras específicas para “organização do uso” na alta temporada. Já um coletivo local contesta, nas redes sociais, que a medida cria uma divisão entre visitantes pagantes e moradores, alterando práticas antigas de convivência naquele espaço.
Analise o texto e identifique o agente cuja ação torna socialmente válida a nova fronteira de uso do espaço descrita.
- ✅ A) A atuação do poder público ao regulamentar o acesso e permitir a delimitação do espaço — As regras e autorizações municipais formalizam a fronteira; em Weber, a obediência se apoia na dominação legal-racional.
- ❌ B) A atuação dos turistas ao preferir serviços pagos e concentrar circulação em determinados trechos — Erro de psicologização: escolhas individuais influenciam o fluxo, mas não criam, por si, uma fronteira reconhecida como regra.
- ❌ C) A atuação da empresa ao empregar seguranças e instalar cordas para separar áreas na areia — Erro de confundir execução com legitimação: a empresa opera o controle, mas a validade social decorre da norma pública citada.
- ❌ D) A atuação do coletivo local ao denunciar nas redes sociais a divisão entre pagantes e moradores — Erro de inverter efeito e causa: a crítica expõe o conflito, mas não é o ato que estabelece a fronteira territorial.
- ❌ E) A atuação dos pescadores ao reposicionar suas redes e reorganizar rotinas de trabalho na praia — Erro de tomar adaptação como causa: os pescadores reagem à mudança, não instituem a fronteira que redefine o uso do espaço.
Questão 3: comparando motoboys, patinetes e prefeitura
Voltei para casa numa sexta à noite pelo principal corredor do bairro central quando notei três cenas que revelavam como diferentes agentes moldam a ocupação urbana. Primeiro, um grupo de motoboys formava filas improvisadas na calçada enquanto aguardava pedidos de entrega. Mais adiante, docas de patinetes compartilhados ocupavam trechos contínuos do passeio, sinalizando a presença de empresa privada. Próximo dali, postes receberam novas placas e bancos foram reposicionados pela prefeitura para orientar o fluxo de pedestres. Essas ações evidenciam distintos modos de territorialização que influenciam usos e fronteiras na cidade.
Compare as práticas de motoboys, empresas de patinetes compartilhados e da prefeitura municipal na formação de territorialidades urbanas descritas no texto-base. Quais funções cada um exerce, respectivamente?
- ✅ A) demarcação espontânea de áreas de espera por motoboys; privatização comercial de calçadas por estações de patinetes; ordenamento institucional do fluxo pedonal — Os motoboys delimitam informalmente áreas de espera; as estações privatizam trechos de calçada; a prefeitura regula e organiza o fluxo peatonal.
- ❌ B) apropriação comunitária de calçadas por moradores; mercantilização de rotas de entrega por empresas de app; ordenamento informal do fluxo pedonal — Moradores não são protagonistas da apropriação descrita, e o ordenamento pedonal é formal, não informal.
- ❌ C) demarcação espontânea de áreas de espera por usuários de patinetes; privatização comercial de calçadas por empresas de delivery; ordenamento institucional do espaço veicular — Inverte agentes: motoboys e usuários de patinetes têm funções distintas, e a prefeitura ordena o espaço pedonal, não veicular.
- ❌ D) delimitação espontânea de áreas de lazer por motoboys; privatização estadual de estações; ordenamento institucional do fluxo pedonal — Motoboys não delimitam áreas de lazer, nem há envolvimento estadual na privatização das estações.
- ❌ E) delimitação formal de rotas de entrega por motoboys; regulação estatal de estações de patinetes; mercantilização de espaços de convivência urbana — Motoboys não criam delimitações formais e não há regulação estatal prévia das estações mencionadas.
Questão 4: quem territorializa pela informação
Folhas de script de pedidos se acumulam nos terminais de motofretistas que percorrem as ruas de um grande centro urbano. Um aplicativo de entregas divide a cidade em zonas numeradas, indicando a cada entregador onde buscar e para onde levar refeições. A prefeitura impõe regras de circulação em vias centrais, enquanto associações de motofretistas reivindicam pontos de encontro fixos. Restaurantes credenciados percebem ganhos de clientela, mas também reclamam das cobranças de comissão. Consumidores, por sua vez, escolhem estabelecimentos conforme avaliações e tempo estimado de chegada.
Analise o texto e identifique qual agente exerce a territorialidade informacional ao definir zonas de entrega via aplicativo?
- ❌ A) O grupo de consumidores ao escolher restaurantes por avaliações — Consumidores usam informações, mas não determinam divisão territorial urbana.
- ❌ B) O sindicato de restaurantes ao cobrar comissões por vendas — O sindicato influenciaria economia, mas não define divisões territoriais via app.
- ❌ C) A associação de motofretistas ao reivindicar pontos fixos de encontro — Associados disputam uso do espaço físico, mas não criam mapas ou zonas on-line.
- ✅ D) A empresa de aplicativo responsável pela divisão de zonas numeradas — O aplicativo controlando zonas é forma de territorialidade informacional ao mapear e dividir o espaço urbano.
- ❌ E) A prefeitura municipal ao regulamentar circulação em vias centrais — A prefeitura atua em regulação viária, não define zonas de entrega informacionais.
Questão 5: uma iniciativa que não depende do governo
Moradores de um bairro periférico observaram que os trilhos de uma linha férrea desativada atravessavam áreas ociosas, sujeitas ao descarte de entulho e riscos de criminalidade. Sem esperar por políticas públicas ou investimentos privados, organizaram mutirões semanais de limpeza, instalaram bancos de madeira reaproveitada e promoveram oficinas de artesanato e música ao ar livre. Em poucos meses, o espaço passou a ser reconhecido como ponto de encontro comunitário, atraindo famílias, feiras locais e eventos culturais. Esse processo informal de apropriação redefiniu usos e significados do local, criando um território de convivência baseado em iniciativas coletivas dos próprios residentes.
Com base no texto-base, proponha uma iniciativa que fortaleça a territorialidade comunitária no local sem dependência de agentes governamentais.
- ❌ A) Atrair franquias de alimentação para dinamizar a economia local — Implantações de redes privadas diluem a territorialidade comunitária em favor de interesses comerciais.
- ❌ B) Solicitar edital público para formalizar uso do local junto à prefeitura — Requer mediação e recursos governamentais, não atende ao fortalecimento autônomo da comunidade.
- ❌ C) Desenvolver aplicativo que direcione turistas às atrações do local — Baseia-se em tecnologia externa e público visitante, mas não aprofunda a apropriação local comunitária.
- ❌ D) Contratar consultoria privada para elaborar projeto de revitalização do espaço — Depende de agentes de mercado e profissionalização, não de iniciativa comunitária direta.
- ✅ E) Organizar mutirões de plantio e manutenção de hortas comunitárias geridas pelos moradores — Exemplifica ação coletiva de base comunitária que apropria e redefine o espaço sem esperar por governo.
Questão 6: efeitos culturais da globalização e do neoliberalismo
Compare os efeitos da globalização e do neoliberalismo na cultura local.
- ❌ A) Ambos promovem a diversidade cultural. — Podem resultar em homogeneização cultural.
- ❌ B) Ambos favorecem a cultura local. — Cultura local pode ser suprimida.
- ❌ C) Neoliberalismo é mais forte que a globalização. — Ambos atuam de forma interdependente.
- ✅ D) Globalização tende a homogeneizar culturas. — Faz com que culturas se sobreponham.
- ❌ E) Neoliberalismo preserva culturas locais. — Foco é na economia, não na cultura.
Questão 7: fronteiras culturais e identidade
Identifique como as fronteiras culturais influenciam a identidade de grupos sociais.
- ❌ A) As fronteiras culturais não afetam a identidade. — As fronteiras culturais são fundamentais para a identidade.
- ❌ B) Fronteiras culturais são irrelevantes na sociedade atual. — Elas desempenham papel importante na formação de identidades.
- ✅ C) As fronteiras culturais promovem a diversidade. — Elas permitem a coexistência de diferentes culturas.
- ❌ D) Fronteiras culturais são apenas geográficas. — Elas incluem aspectos sociais e históricos.
- ❌ E) As fronteiras culturais geram conflitos apenas. — Elas também podem promover diálogos e trocas.
Questão 8: neoliberalismo e desigualdade territorial
Analise o impacto do neoliberalismo na desigualdade territorial.
- ❌ A) Aumenta a igualdade entre regiões. — Neoliberalismo tende a aumentar desigualdades territoriais.
- ❌ B) Reduz os conflitos territoriais. — Pode aumentar conflitos devido à desigualdade.
- ✅ C) Fomenta a concentração de riqueza em áreas urbanas. — O neoliberalismo pode acentuar a concentração de riqueza.
- ❌ D) Promove a descentralização econômica. — Normalmente, tende à centralização em regiões mais ricas.
- ❌ E) Gera igualdade de oportunidades. — Não gera igualdade, geralmente acentua desigualdades.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Globalização e Neoliberalismo, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
