GeraProva GeraProva Provas com IA para professores do Brasil
Questoes

Atividades de Elaboração de hipóteses sobre processos políticos para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito

Reúna atividades de Filosofia para trabalhar hipóteses sobre processos políticos com a 2ª série do Ensino Médio. São oito questões com alternativas e gabarito comentado para apoiar a análise crítica e a avaliação.

Atividades de Elaboração de hipóteses sobre processos políticos para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito

Quem dá aula de Filosofia na 2ª série sabe que, quando o assunto é política, a turma chega com opinião pronta. Muitas vezes o aluno já ouviu uma acusação num grupo de WhatsApp e está convencido antes de perguntar de onde veio aquilo. Foi justamente essa cena, repetida ano após ano, que me fez querer trabalhar a elaboração de hipóteses de forma mais organizada na sala.

Nas próximas linhas, eu compartilho como tenho abordado Elaboração de hipóteses sobre processos políticos para a 2ª série do Ensino Médio, quais erros aparecem com mais frequência e oito questões com gabarito comentado que você pode aplicar direto, ou adaptar ao seu contexto.

O que o aluno de 2ª série precisa saber sobre Elaboração de hipóteses sobre processos políticos

Elaborar uma hipótese sobre um processo político significa formular uma explicação provisória para um acontecimento, como a aprovação de uma lei, a mudança de um orçamento ou a circulação de uma denúncia, e deixá-la aberta a verificação. Na prática, isso exige que o aluno separe o que ele observa do que ele supõe. Uma boa hipótese diz o que acredita ser a causa ou o efeito, e também indica que tipo de evidência poderia confirmá-la ou derrubá-la. Quando o estudante entende que uma hipótese não é uma sentença final, ele passa a discutir política com mais cuidado, sem precisar tratar cada opinião como verdade. Esse é o ponto central que a habilidade EM13CHS103 trabalha: analisar argumentos, fontes e relações de causa com critério, em situações do cotidiano político.

O que ele precisa saber antes

Os pré-requisitos que mais aparecem nas questões são a dúvida metódica, como a proposta por Descartes, e o pensamento crítico em geral. Antes de pedir que o aluno formule hipóteses sobre um processo político, vale garantir que ele reconheça a diferença entre afirmar algo e justificar esse algo. Também ajuda muito se a turma já tiver visto argumentação lógica básica e as falácias mais comuns, como confundir sequência de fatos com causa. Se esses pontos estiverem frágeis, a aula sobre hipóteses tende a virar uma discussão de opiniões, sem método.

Onde os alunos mais erram

O erro que mais observo é confundir dúvida metódica com simples desconfiança. O aluno acha que duvidar é recusar tudo, e então acaba caindo no relativismo, dizendo que em política não há como distinguir fato de opinião. O raciocínio por trás disso é compreensível: diante de tanta informação conflitante, desistir parece mais fácil do que investigar. Outro erro recorrente é aceitar uma informação pelo número de vezes que ela foi repassada. Aqui o aluno acredita que, se tanta gente compartilhou, deve haver fundamento. Ele não percebe que popularidade não é evidência. Por fim, aparece com força a confusão entre correlação temporal e causalidade: como o problema começou depois de um evento, o evento passa a ser visto como causa. Esse é justamente o distrator mais provável nas questões sobre causalidade apressada, e vale discutir em sala por que a sequência no tempo não basta para provar nada.

Como trabalhar em sala

Algumas ideias têm funcionado bem nas minhas turmas e não exigem material caro. A primeira é trazer uma notícia ou um boato recente da própria cidade e pedir que os alunos escrevam duas hipóteses concorrentes para o mesmo fato, cada uma com a evidência que a sustentaria. A segunda é o exercício de comparação: escolher dois casos semelhantes, como duas praças com problemas parecidos, e levantar que dados seriam necessários para atribuir a causa de um deles. A terceira é o debate com papéis definidos, em que um grupo defende a hipótese e outro procura o que a enfraquece. Uma quarta ideia é pedir que a turma reescreva uma afirmação categórica como hipótese, trocando certeza por condicional. Por fim, vale fechar a aula com uma discussão sobre o que mudaria a conclusão se novas informações aparecessem.

Questões prontas de Elaboração de hipóteses sobre processos políticos para a 2ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)

As questões abaixo foram elaboradas para verificar se o aluno consegue analisar situações com critério antes de tomar posição. Você também encontra mais itens da mesma habilidade em questões da habilidade EM13CHS103.

Questão 1 — postura diante de uma acusação sem fonte

— Você viu o áudio que acusa a vereadora de “comprar votos”? Está em todo grupo! — diz um morador, já encaminhando o arquivo. Outra pessoa responde que o conteúdo apareceu primeiro em um perfil anônimo, sem fonte identificável, e que versões do mesmo áudio surgiram com falas “muito parecidas”, mas atribuídas a pessoas diferentes. Um coletivo local de checagem relata ter encontrado cortes bruscos e ausência de registro público do suposto evento. Mesmo assim, apoiadores insistem: “Se tanta gente repassou, deve ter fundo de verdade”, e pedem que a acusação seja divulgada “para pressionar por justiça”. Diante disso, o grupo da associação de bairro decide discutir que postura adotar antes de tomar posição pública, visando evitar injustiças e manter o debate político responsável.

Com base no texto, identifique a atitude epistemológica mais consistente com a dúvida metódica de Descartes para orientar a decisão do grupo antes de se posicionar publicamente.

  • ❌ A) Considerar todas as versões igualmente verdadeiras, pois em política não há como distinguir fato e opinião — erro relativista: nega critérios de verificação e abandona a possibilidade de justificar crenças por evidências.
  • ❌ B) Aceitar a acusação pelo volume de repasses, tratando a popularidade como evidência suficiente — erro ad populum: confunde quantidade de compartilhamentos com justificação racional da crença.
  • ✅ C) Suspender o assentimento até avaliar a origem do áudio e buscar indícios independentes de confirmação — a dúvida metódica orienta a não assentir sem razões claras, exigindo exame crítico de fonte e evidências.
  • ❌ D) Confiar apenas na palavra de quem acusa, supondo que a intenção de denunciar garante veracidade — erro de apelo à intenção: toma motivação moral como garantia de verdade, ignorando critérios de prova.
  • ❌ E) Divulgar a acusação como hipótese provável, mesmo sem fonte, para “testar” a reação do público — erro consequencialista epistêmico: troca busca de verdade por efeito político esperado, sem evidências.

Questão 2 — causalidade apressada em um debate sobre praça

No programa de uma rádio comunitária, um vereador defendeu um “toque de recolher” para adolescentes após a divulgação de ocorrências de vandalismo em uma praça. Ele afirmou: “Depois que o grupo passou a se reunir lá, começaram os problemas; então eles são a causa”. Um comerciante concordou e pediu “uma medida imediata, antes que vire rotina”. Já uma moradora contestou: lembrou que a iluminação da praça está com defeito há meses e que, no mesmo período, foram fechados dois espaços de esporte no bairro. Ela sugeriu consultar registros de ocorrências de anos anteriores e comparar com outras praças com condições semelhantes, antes de decidir uma política que afete todos os jovens.

Com base no texto, identifique a atitude mais compatível com a crítica de David Hume à passagem apressada da sequência de fatos para a afirmação de uma causa.

  • ❌ A) Rejeitar toda discussão de causas sociais, alegando que somente opiniões morais importam na decisão pública. — erro: ceticismo indevido; dispensa evidências e argumentos sobre o processo social, tornando a decisão arbitrária.
  • ✅ B) Exigir comparação com casos semelhantes e considerar outras variáveis antes de atribuir a causa a um grupo. — Hume alerta que sucessão não prova conexão necessária; a alternativa propõe buscar evidências e hipóteses rivais antes da conclusão.
  • ❌ C) Defender a medida porque autoridades locais têm experiência e, por isso, seu juízo basta como evidência. — erro: apelo à autoridade; substitui evidências por prestígio, sem examinar a justificativa do nexo causal.
  • ❌ D) Concluir que, se os problemas começaram depois das reuniões, elas são necessariamente a causa principal. — erro: confundir correlação temporal com causalidade (post hoc), ignorando hipóteses alternativas e limites da inferência causal.
  • ❌ E) Apoiar a medida por prevenção, mesmo sem dados, pois qualquer risco já torna legítima a restrição. — erro: princípio da precaução usado sem critério; decide sem selecionar evidências e sem avaliar proporcionalidade.

Questão 3 — fatores externos e confiabilidade científica

Por que a produção de conhecimento científico pode enfrentar crises de confiança mesmo com métodos rigorosos? Um levantamento recente em periódicos acadêmicos revela que, em 2023, 68 artigos foram retratados após investigações indicarem favorecimento de interesses privados por parte de seus financiadores, enquanto 24 foram retratados devido a inconsistências metodológicas reconhecidas pelos próprios autores. Essa discrepância sugere que fatores externos influenciam a seleção e publicação de estudos, afetando a credibilidade dos resultados e levantando questões sobre a autonomia do processo investigativo.

Analise o texto-base e identifique a hipótese que melhor explica o impacto de fatores externos na confiabilidade do conhecimento científico.

  • ❌ A) Desvalorização do conhecimento empírico em prol de teorias especulativas — o texto não sugere desprezo ao empirismo, mas interferência de interesses financeiros.
  • ❌ B) Superestimação do método hipotético-dedutivo na formulação de hipóteses científicas — não há menção ao método hipotético-dedutivo; o problema é externo, não teórico.
  • ✅ C) Favorecimento de interesses econômicos sobre critérios metodológicos — relaciona diretamente a interferência de financiadores e a priorização de ganhos sobre rigor metodológico, como indica o texto.
  • ❌ D) Incapacidade de revisão por pares em detectar falhas experimentais — o texto não menciona falhas no processo de revisão, mas sim pressão de financiadores.
  • ❌ E) Predominância de viés de confirmação motivado por crenças pessoais — foca em crenças individuais, mas o texto destaca pressões econômicas, não crenças pessoais.

Questão 4 — correlação e causalidade em programa social

Uma cidade registra queda do desemprego logo após início de um programa de transferência direta. Qual conclusão metodologicamente correta pode ser extraída?

  • ❌ A) Causas externas sempre explicam a queda do desemprego. — generalização incorreta; pode haver relação direta com programas.
  • ✅ B) Os dados mostram correlação temporal; não se pode afirmar causalidade sem contrafactuais, controles e análise de variáveis de confusão. — variações simultâneas podem decorrer de fatores externos (ciclos econômicos, políticas concomitantes). Inferir efeito exige desenhos avaliativos (diferença-em-diferenças, controles, experimentos naturais).
  • ❌ C) É seguro afirmar que o programa eliminou o desemprego. — fatalismo; não considera variáveis e análises necessárias.
  • ❌ D) A correlação é sempre sinônimo de causalidade. — erro lógico; correlação não implica causalidade sem evidências.
  • ❌ E) O cenário econômico não influencia o desemprego. — ignora interdependência; o contexto econômico é crucial na análise.

Questão 5 — evidências para a eficácia de uma lei

Imagine que uma nova lei foi aprovada para regulamentar o uso de espaços públicos. Quais evidências você usaria para argumentar a favor de sua eficácia?

  • ❌ A) A aprovação da lei é suficiente para garantir sua eficácia. — a eficácia da lei deve ser avaliada com base em evidências e resultados práticos.
  • ❌ B) Dados sobre o uso anterior dos espaços são irrelevantes. — dados anteriores são fundamentais para entender o impacto da nova lei.
  • ❌ C) Opiniões de especialistas não devem ser consideradas. — especialistas podem oferecer insights valiosos sobre a eficácia da lei.
  • ✅ D) Resultados de leis similares em outras cidades são úteis. — análises de leis semelhantes em outras localidades podem fornecer evidências sobre a eficácia esperada.
  • ❌ E) As opiniões da comunidade não influenciam a eficácia da lei. — as opiniões da comunidade são essenciais para avaliar a aceitação e eficácia da legislação.

Questão 6 — argumento sobre aumento de impostos para saúde

Em uma eleição municipal, candidatos prometem diversas melhorias. Se um candidato propõe um aumento na taxa de impostos para investir em saúde, que argumento pode ser utilizado para avaliar sua proposta?

  • ❌ A) O aumento de impostos deve ser sempre evitado. — embora o aumento de impostos possa ser impopular, ele pode ser necessário para financiar serviços essenciais.
  • ❌ B) Investir em saúde não requer aumento de impostos. — investimentos em saúde geralmente necessitam de financiamento, que pode vir de impostos.
  • ✅ C) A proposta pode ser benéfica se melhorar a saúde pública. — um aumento de impostos pode trazer benefícios se resultar em melhorias na saúde e bem-estar da população.
  • ❌ D) A saúde pública não é uma prioridade no orçamento. — saúde pública é uma prioridade, especialmente em momentos de crise sanitária.
  • ❌ E) Candidatos não precisam justificar suas propostas. — candidatos devem justificar suas propostas para que a população entenda os impactos das decisões.

Questão 7 — confiabilidade de múltiplos depoimentos

Por que múltiplos depoimentos independentes sobre um mesmo comportamento moral conferem maior confiabilidade epistemológica do que um único relato?

  • ❌ A) Depoimentos contraditórios aumentam a confiabilidade dos relatos. — contradições entre depoimentos indicam falta de consenso, reduzindo a confiabilidade.
  • ❌ B) Múltiplos depoimentos precisam ser de fontes com interesses semelhantes. — fontes semelhantes podem ter viés, a independência é crucial para a validade.
  • ✅ C) Porque a concordância entre fontes independentes (corroboração) reduz erro aleatório e viés individual, aumentando a plausibilidade do relato. — quando fontes independentes coincidem, diminui-se a probabilidade de erro, fabricação ou viés singular; a concordância serve como verificação empírica que fortalece a inferência sobre o fato moral relatado.
  • ❌ D) Relatos semelhantes têm menos valor do que relatos únicos. — sem corroboração, relatos semelhantes não aumentam a credibilidade do que um único.
  • ❌ E) Um único depoimento é suficiente para garantir a veracidade do relato. — um único relato pode ser influenciado por viés ou erro, não garantia de verdade.

Questão 8 — relação entre política e economia

Em um município brasileiro, a prefeitura decide conceder subsídios para reduzir a tarifa do transporte coletivo. A medida altera o orçamento público e pode ampliar o acesso da população ao trabalho e à escola. Ao mesmo tempo, a queda na arrecadação e o aumento dos custos das empresas de transporte levam o governo a revisar o valor do subsídio e a buscar novas fontes de receita. O caso mostra que decisões políticas produzem efeitos econômicos, enquanto condições econômicas também limitam e orientam decisões políticas.

Com base no texto, qual análise explica adequadamente a relação entre política e economia?

  • ❌ A) A política e a economia constituem uma única esfera, sem distinções. — o distrator confunde os campos: o texto distingue decisões políticas do governo, como a concessão de subsídios, e condições econômicas, como arrecadação e custos, embora mostre que eles se relacionam.
  • ❌ B) A política condiciona a economia, sem ser por ela condicionada. — o distrator expressa uma relação unilateral e atribui à política influência sobre a economia, ignorando que a arrecadação e os custos econômicos também interferem nas decisões do governo.
  • ❌ C) A política e a economia funcionam separadamente, sem influências entre si. — o distrator apresenta uma visão de independência entre as esferas, contrariada pelo texto, que relaciona diretamente o subsídio público, o orçamento, os custos e a arrecadação.
  • ✅ D) A política e a economia influenciam-se mutuamente, por decisões e efeitos. — o texto apresenta uma relação recíproca: a decisão política de subsidiar o transporte produz efeitos sobre o orçamento e a atividade econômica, enquanto a arrecadação e os custos econômicos influenciam as decisões posteriores do governo. Portanto, política e economia não são independentes nem estabelecem uma relação de mão única.
  • ❌ E) A economia condiciona a política, sem ser por ela condicionada. — o distrator inverte a unilateralidade: reconhece apenas a influência das condições econômicas sobre a política e desconsidera os efeitos econômicos das decisões públicas.

Fechamento e próximos passos

Se você quer começar pela prática, o caminho mais simples é separar uma aula por semana para a elaboração de hipóteses, usando um caso do noticiário local. Depois, monte sua avaliação com as questões acima ou adapte-as à sua turma. Você pode gerar provas personalizadas no gerador de provas do GeraProva, e, se ainda não usa a plataforma, o cadastro grátis leva poucos minutos.

Este texto é um apoio para o seu planejamento e não substitui o seu olhar sobre a sua turma. Adapte os exemplos à realidade da sua escola e, se precisar, a plataforma pode ajudar você a montar as provas.

Encontrou um erro neste conteúdo? Veja nossa política editorial e avise a gente.

Monte uma prova com questões como estas

O GeraProva busca questões com gabarito comentado e BNCC no acervo e monta a prova pronta para imprimir.

Criar minha prova

Habilidades BNCC deste artigo

Questões deste artigo com resolução completa

  1. — Você viu o áudio que acusa a vereadora de “comprar votos”? Está em todo grupo! — diz um morador, já…
  2. No programa de uma rádio comunitária, um vereador defendeu um “toque de recolher” para adolescentes após a…
  3. Por que a produção de conhecimento científico pode enfrentar crises de confiança mesmo com métodos rigorosos?…
  4. Uma cidade registra queda do desemprego logo após início de um programa de transferência direta. Qual…
  5. Imagine que uma nova lei foi aprovada para regulamentar o uso de espaços públicos. Quais evidências você…
  6. Em uma eleição municipal, candidatos prometem diversas melhorias. Se um candidato propõe um aumento na taxa de…
  7. Por que múltiplos depoimentos independentes sobre um mesmo comportamento moral conferem maior confiabilidade…
  8. Em um município brasileiro, a prefeitura decide conceder subsídios para reduzir a tarifa do transporte…

Fontes

Artigos relacionados

0 comentários

Nome
E-mail (não é publicado)
Comentário
Questões resolvidas Resolução passo a passo, gabarito e o erro de cada alternativa315.890 questões
Ver todas as questões →
Ocorreu um erro inesperado. Recarregar X

Rejoining the server...

Rejoin failed... trying again in seconds.

Failed to rejoin.
Please retry or reload the page.

The session has been paused by the server.

Failed to resume the session.
Please retry or reload the page.