Atividades de Cidades e campos: oposições e ambivalências para a 2ª série do Ensino Médio com gabarito
Reuni questões de Sociologia para trabalhar as relações entre cidades e campos, mobilidade e classificações sociais na 2ª série. O material inclui gabarito comentado e sugestões práticas para a aula.
Quem leciona Sociologia no Ensino Médio sabe que Cidades e campos: oposições e ambivalências é um dos temas que mais exigem cuidado na sala. Eu já passei por isso: o aluno chega com a ideia de que cidade é progresso e campo é atraso, e a aula precisa desmontar essa oposição sem simplificar demais.
Neste texto eu organizo o que costumo trabalhar com a 2ª série, onde os alunos tropeçam e um conjunto de questões prontas, com gabarito comentado, para você usar na prova ou no exercício. Se quiser montar uma avaliação sob medida, pode usar o gerador de provas do GeraProva.
O que o aluno de 2ª série precisa saber sobre Cidades e campos: oposições e ambivalências
O ponto central é entender que cidade e campo não são polos isolados e fixos. Eles se relacionam por fluxos de pessoas, mercadorias, redes de apoio e decisões políticas. Um mesmo grupo pode trabalhar numa cidade, manter laços no campo e depender de feiras, pesca ou trocas que atravessam essa fronteira. Quando o aluno percebe que a oposição é uma construção analítica, e não um retrato da realidade, ele passa a ler textos e situações com mais critério.
O que ele precisa saber antes
Os conceitos que sustentam o tema são a noção de tipo ideal, em Max Weber, o conflito social e o poder, e a distinção entre espaço urbano e espaço rural. Sem isso, o aluno lê uma situação concreta e não consegue perceber que há uma disputa sobre como o território deve ser classificado. Vale revisar também as redes de cooperação social, que ajudam a explicar por que pessoas de cidades e campos se conectam.
Onde os alunos mais erram
O erro mais recorrente é tratar a dicotomia como verdade natural. Na prática, isso aparece quando o aluno escolhe a alternativa que fala em neutralidade de uma legenda de mapa, ou quando trata uma classificação de áreas como se fosse um dado da natureza. Outro erro frequente é confundir mobilidade com nomadismo: o aluno vê deslocamento e conclui que o grupo é nômade, sem reparar se há residência fixa ou não.
Também é comum ler a integração entre cidade e campo apenas como um dado econômico, deixando de lado a ruptura com a separação exclusiva entre os dois espaços. O distrator que fala apenas de deslocamento periódico, sem a atuação simultânea em redes urbanas e rurais, costuma ser escolhido por quem não fez essa leitura completa.
Como trabalhar em sala
- Mapa com duas legendas. Peça que os alunos comparem duas formas de classificar a mesma área, uma técnica e outra vivida pelos moradores, e discutam quem decide cada categoria.
- Leitura de um caso local. Use uma feira, uma horta ou uma vila próxima da escola para mostrar fluxos entre cidade e campo. Não precisa de material caro, só de um bom exemplo.
- Quadro de modos de vida. Monte uma tabela com nômade, sedentário e casos intermediários, e peça que os alunos classifiquem exemplos e justifiquem.
- Debate curto. Proponha a pergunta de quem ganha e quem perde quando uma área é classificada como "sem uso". Isso conecta o tema à cidadania.
Questões prontas de Cidades e campos: oposições e ambivalências para a 2ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
As questões abaixo estão organizadas pelo tipo de raciocínio que exigem. Leia o gabarito com a turma: os comentários de cada alternativa errada mostram o caminho do erro, que costuma ser mais útil do que a resposta certa em si.
Questão 1: legenda de mapa e tipo ideal
Por que a legenda de um mapa pode mudar o destino de práticas cotidianas? Em uma situação fictícia, uma comunidade caiçara participa de audiência sobre um parque. Há gerações, moradores abrem trilhas estreitas, retiram cipós para artesanato e cultivam pequenas roças entre árvores nativas. O órgão gestor propõe classificar os trechos de uso comunitário como áreas alteradas e incluí-los em programa de recuperação, enquanto os demais receberiam proteção integral. Os moradores afirmam que o manejo possibilita a coleta e a renovação das plantas usadas no cotidiano. Ao definir a legenda, o plano também determinará se essas atividades poderão continuar no território.
Com base no conceito de tipo ideal, de Max Weber, analise a legenda proposta e identifique a crítica sociológica mais consistente.
- ❌ A) A oposição entre cidade e campo, pois associa o manejo comunitário a atividades exclusivamente urbanas. — Erro de deslocamento conceitual: o texto não contrapõe cidade e campo nem caracteriza o manejo como prática urbana.
- ❌ B) A neutralidade administrativa da legenda, pois considera as categorias técnicas isentas de escolhas sociais. — Erro de neutralização: a legenda orienta permissões e restrições, mostrando que categorias técnicas envolvem escolhas sociais.
- ✅ C) A reificação da oposição natureza/cultura, pois converte categorias analíticas em retratos rígidos do território. — Para Weber, tipos ideais são construções analíticas. A legenda fixa a interação entre manejo social e ambiente em polos separados.
- ❌ D) A defesa da preservação integral, pois reconhece que toda intervenção humana destrói necessariamente a restinga. — Erro de naturalização: presume que toda ação humana é destrutiva, ignorando as práticas de manejo relatadas no texto.
- ❌ E) A escala evolutiva dos grupos, pois situa o extrativismo como fase inferior ao cultivo agrícola. — Erro de tipologia evolutiva: não há etapas de desenvolvimento entre grupos, mas uma classificação administrativa do território.
Questão 2: diretriz para revisar um plano de proteção
Pesquisadores acompanham, em um estudo fictício, uma comunidade situada junto a um manguezal. Seus moradores organizam a coleta de caranguejos conforme marés, períodos de reprodução observados ao longo dos anos e acordos discutidos em assembleias. Também limpam pequenos canais usados pela água e realizam uma celebração anual ligada ao início da coleta. Ao revisar o plano de proteção da área, a prefeitura dividiu os mapas entre espaços "naturais sem usos" e áreas de "ocupação social", propondo afastar as moradias para preservar o mangue. Os moradores contestaram a medida, pois ela desconsiderava tanto seus conhecimentos sobre o ambiente quanto a necessidade de acompanhar a recuperação dos recursos.
Elabore, com base no texto e na crítica durkheimiana às classificações tomadas como naturais, a diretriz mais adequada para revisar o plano municipal.
- ❌ A) Elaborar uma campanha turística que converta a celebração local em atração e o manguezal em cenário cultural. — Erro de folclorização: valoriza a celebração como espetáculo, mas não incorpora os moradores na construção das decisões sobre o território.
- ❌ B) Elaborar um cadastro que defina moradores como protetores naturais e técnicos como portadores exclusivos de conhecimento. — Erro de essencialização: atribui capacidades fixas a grupos sociais e substitui uma oposição simplificadora por outra.
- ✅ C) Elaborar um protocolo participativo que relacione indicadores ambientais, práticas locais e revisão periódica dos acordos. — Correta. A diretriz evita opor cultura e natureza, reconhecendo classificações como sociais e articulando saber local, observação ambiental e avaliação coletiva.
- ❌ D) Elaborar um zoneamento que trate as práticas locais como interferências externas à preservação do manguezal. — Erro de dicotomização: supõe uma natureza pura, separada das relações sociais que também organizam o uso e o cuidado do ambiente.
- ❌ E) Elaborar uma remoção permanente que preserve o manguezal ao eliminar toda presença humana em seu entorno. — Erro de naturalização: considera que a conservação exige ausência humana, ignorando práticas sociais e a avaliação concreta de seus efeitos.
Questão 3: integração entre cidade e campo
Relatos de antropólogos descrevem um grupo de artesãos que se desloca periodicamente entre diferentes regiões brasileiras. São cerca de 120 famílias que permanecem de 20 a 45 dias em cada localidade, instalando oficinas móveis em contêineres adaptados nas cidades e montando feiras agroecológicas no campo. Pesquisa do Observatório de Cultura Itinerante (dados ilustrativos) indica que 78% dos participantes ampliaram o acesso a redes de apoio em ambientes urbanos e rurais, enquanto mantêm infraestrutura mínima autossustentável, com energia solar portátil e acomodações temporárias.
Analise o texto-base e identifique a característica da população itinerante que problematiza a dicotomia tradicional entre cidade e campo.
- ❌ A) A adoção de infraestrutura mínima autossustentável que não requer vínculo fixo com nenhum território. — A infraestrutura autossustentável é mencionada, mas essa característica, por si só, não explica como o grupo se relaciona com a divisão entre cidade e campo.
- ❌ B) A permanência prolongada em uma única localidade, concentrando as atividades em um só espaço. — O grupo permanece de 20 a 45 dias em cada localidade e depois se desloca. Portanto, o texto não descreve permanência prolongada em um único lugar nem concentração das atividades em um só espaço.
- ❌ C) A comercialização de produtos artesanais exclusivamente em feiras rurais, sem transações em áreas urbanas. — O texto menciona feiras no campo, mas também descreve oficinas móveis nas cidades. Não afirma que a comercialização ocorre exclusivamente em feiras rurais.
- ✅ D) A integração simultânea em redes de cooperação urbana e rural, rompendo a separação exclusiva entre esses espaços. — A atuação em cidades e no campo, junto à ampliação do acesso a redes de apoio nos dois ambientes, mostra que a população não se vincula exclusivamente a um deles.
- ❌ E) O deslocamento periódico controlado por calendários sazonais, reforçando a continuidade de tradições nomadistas. — O texto informa que há deslocamentos periódicos, mas não menciona calendários sazonais nem afirma que essa prática reforça tradições nomadistas. Essa alternativa atribui ao deslocamento uma causa e um significado que não são apresentados.
Questão 4: mobilidade sazonal e residência fixa
Ao romper do dia, pequenas embarcações deslizam pelas águas barrentas do rio Xingu, carregadas por famílias ribeirinhas que pescam e coletam frutos nos igarapés próximos. Ao entardecer, retornam às suas casas de madeira e palha, construídas sobre palafitas fixas nas margens do rio, onde preservam tradições locais. Durante meses de cheia, cercas submersas impedem a agricultura de roça, e muitos se dirigem aos municípios vizinhos para vender pescado e comprar mantimentos. Na época de vazante, retomam o cultivo de mandioca e feijão na terra firme ao redor das palafitas. Essa dinâmica gera questionamentos sobre a classificação dessas populações como estritamente nômades ou sedentárias.
Interprete o texto-base e identifique o aspecto das comunidades ribeirinhas que problematiza a dicotomia entre nomadismo e sedentarismo, indicando como isso evidencia limitação da tipologia evolutiva tradicional.
- ❌ A) Residência permanente que reflete a plena adoção do sedentarismo ribeirinho — Descreve apenas o sedentarismo, não problematiza a mobilidade sazonal também presente no texto.
- ❌ B) Migração temporária para centros urbanos durante a estação seca — Aponta apenas migração temporária sem referência à moradia fixa, não evidencia dupla condição descrita.
- ❌ C) Atividade econômica baseada exclusivamente na pesca em rios em diferentes regiões — Foca apenas na pesca e no deslocamento econômico, sem mencionar moradia fixa ou mobilidade sazonal combinada.
- ❌ D) Alternância entre atividades agrícolas e pesqueiras no mesmo local de moradia — Indica variação de atividades no mesmo espaço, sem deslocamento que desafie o binômio nomadismo/sedentarismo.
- ✅ E) Mobilidade sazonal associada à manutenção de residência fixa nas margens do rio — Revela combinação de deslocamentos periódicos e habitação fixa, o que desafia a separação rígida entre nomadismo e sedentarismo.
Questão 5: analogia com a tipologia nômade
Dados ilustrativos: uma pesquisa realizada em 2025 com 2 000 profissionais de tecnologia apontou que 12% atuam como nômades digitais, trabalhando em cafés e espaços de coworking ao redor do mundo. Esses trabalhadores mudam de cidade a cada poucos meses, mantendo apenas uma caixa postal virtual e contratos de serviços de hospedagem pontuais. Em paralelo, outro grupo de 18% permanece em um único local, investindo na compra de imóvel, em laços comunitários estáveis e em rotinas definidas de convivência urbana. Especialistas observam que, embora usem tecnologias semelhantes, os dois perfis de trabalhadores adotam formas de vida que remetem a padrões evolutivos distintos: um baseado na mobilidade contínua e o outro na fixidez territorial.
Analise o texto-base e identifique qual alternativa estabelece corretamente uma analogia com a tipologia nômade tradicional.
- ✅ A) A busca itinerante por espaços de trabalho, sem residência fixa. — Descreve mobilidade contínua e ausência de fixidez, característica central do nomadismo tradicional.
- ❌ B) A manutenção de vínculos duradouros com vizinhos de um único local. — Refere-se a estabilidade comunitária, traço de sociedades sedentárias, não nômades.
- ❌ C) A busca por moradia definitiva em áreas centrais próximas ao trabalho. — Caracteriza fixidez territorial e investimento em imóvel, típico de povos sedentários.
- ❌ D) A especialização em um ofício transmitido por gerações na mesma região. — Enfatiza tradição e permanência em um lugar, característica de sociedades sedentárias.
- ❌ E) A participação em redes locais de comunidade para eventos presenciais. — Enfatiza laços locais e presença fixa, o oposto da mobilidade nômade.
Questão 6: características do modo de vida nômade
Dados de pesquisa ilustram comportamentos de dois grupos de profissionais de tecnologia. O primeiro vive em cidades distintas durante o ano, mudando-se, em média, a cada seis semanas entre acomodações temporárias (hostels, apartamentos de curta estadia) e trabalhando em espaços de coworking. Esse grupo não tem residência fixa nem vínculo com a comunidade local. O segundo permanece em uma única metrópole, mora no mesmo apartamento há anos e se desloca diariamente entre casa e escritório fixo. Ambos mantêm rotinas de trabalho remoto, mas adotam modos de vida contrastantes.
Analise o texto-base e identifique qual característica evidencia a tipologia nômade em contraposição ao modo de vida sedentário descrito.
- ✅ A) Mudança a cada seis semanas entre acomodações temporárias — Mobilidade frequente e ausência de residência fixa são traços centrais de tipologia nômade.
- ❌ B) Residência no mesmo apartamento por vários anos — Isso ilustra caráter sedentário, não nomádico.
- ❌ C) Deslocamento diário entre casa e escritório fixo — Caracteriza a vida sedentária, com residência fixa e percurso repetitivo.
- ❌ D) Manutenção de vínculo com comunidades locais — A ausência de vínculo local, e não a manutenção, distingue o nômade.
- ❌ E) Trabalho remoto em espaços de coworking — Espaços de coworking podem ser usados por nômades e sedentários; não indicam mobilidade.
Questão 7: qual exemplo caracteriza população nômade
Dados ilustrativos: levantamento sociológico junto a grupos com diferentes padrões de moradia e mobilidade revelou características diversas.
Grupo A: agricultores que cultivam parcelas fixas de terra há gerações, construindo casas de alvenaria no mesmo local.
Grupo B: trupe de artistas circenses que se desloca por rodovias em trailers, montando tendas temporárias em feiras regionais.
Grupo C: profissionais freelancers que desenvolvem atividades de design gráfico de seus apartamentos na cidade onde residem há anos.
Grupo D: comunidade ribeirinha que habita casas palafitas em margens de rio, transmitindo práticas de pesca de pai para filho.
Grupo E: jovens que organizam encontros semanais em um coworking urbano, contando com endereço comercial fixo para suas atividades.
Analise o texto-base e identifique qual exemplo caracteriza população nômade segundo a tipologia sociológica apresentada.
- ❌ A) os jovens reunidos semanalmente em coworking com endereço comercial — Usam endereço fixo para atividades, sem deslocamento contínuo, diferindo do nomadismo.
- ✅ B) a trupe circense que se desloca em trailers por feiras regionais — Caracteriza nomadismo clássico: mobilidade contínua e moradia temporária, sem fixação territorial.
- ❌ C) os agricultores com moradia fixa e herança de terra — Esse grupo é sedentário, pois mantém residência e atividades no mesmo local.
- ❌ D) os profissionais freelancers que trabalham de um apartamento urbano — Permanecem em uma residência fixa, não apresentam mobilidade característica de nômades.
- ❌ E) a comunidade ribeirinha transmitindo tradições de pesca em palafitas — Embora comunitária, permanece em um território fixo, caracterizando sedentários.
Questão 8: modo de vida nômade e sedentário
Folhas de coqueiro e lonas envolvem barracos montados às margens do rio Solimões. Durante a estação das cheias, famílias instalam tendas portáteis e coletam castanha; quando o nível recua, constroem casas de sapé e plantam mandioca no solo fértil. Após dois anos, deixam as roças e repetem o ciclo em outro trecho do rio. Em contrapartida, outra vila fixa ergue construções de taipa, mantém pomares e armazena grãos para consumo anual.
Analise o texto e identifique qual característica distingue o modo de vida nômade do modo sedentário descritos.
- ✅ A) uso de tendas portáteis deslocadas conforme a sazonalidade dos recursos — Caracteriza mobilidade e habitação provisória, aspecto central do nomadismo, em oposição à fixidez do sedentário.
- ❌ B) manutenção de armazéns de sementes para abastecimento anual — Característica de sociedades sedentárias com agricultura estável, não de nômades.
- ❌ C) formação de vilarejo com divisão fixa de lotes residenciais e produtivos — Indica organização espacial e propriedade fixa, própria do modo sedentário.
- ❌ D) construção de casas de taipa para abrigar população fixa — Refere-se ao modo sedentário, não ao nômade, pois implica permanência em um local.
- ❌ E) instalação de pomares perenes que garantem alimentação ao longo do ano — Descreve prática típica de grupos sedentários que mantêm cultivos permanentes.
Fechamento e próximos passos
Depois de passar pelas questões, o próximo passo é voltar aos erros da turma e refazer as alternativas que mais confundiram. Se quiser ver outras atividades da habilidade, acesse as questões da habilidade EM13CHS105. Para montar a sua própria prova com este tema, crie sua conta: cadastro grátis no GeraProva.
Estas questões são um ponto de partida para o seu planejamento. Ajuste o nível e o número de itens à sua turma, e confira sempre o material antes de aplicar.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Cidades e campos: oposições e ambivalências, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
