Atividades de Cidades e campos: oposições e ambivalências para a 1ª série do Ensino Médio com gabarito
Reuni questões de Sociologia para trabalhar as relações entre cidade, campo, natureza e cultura na 1ª série do Ensino Médio. O material traz oito questões com gabarito comentado e sugestões práticas para a aula.
Quem já deu aula de Sociologia na 1ª série sabe que o tema de cidades e campos chega cheio de imagens prontas: o campo tranquilo de um lado, a cidade agitada do outro. Na prática, o que eu vejo é que o aluno entra na aula com essa oposição na cabeça e precisa de tempo para perceber que as fronteiras entre esses mundos são bem menos rígidas do que parecem.
Nesta página eu reúno o que costumo levar para a sala quando trabalho Cidades e campos: oposições e ambivalências com a 1ª série do Ensino Médio. Você encontra a explicação do conteúdo, os erros típicos que aparecem nas respostas, ideias práticas de aplicação e oito questões com gabarito comentado, prontas para usar.
O que o aluno de 1ª série precisa saber sobre Cidades e campos: oposições e ambivalências
O ponto central do tema é entender que cidade e campo costumam ser apresentados como opostos, mas as relações sociais entre eles são muito mais complexas. Quando falamos de população nômade e sedentária, por exemplo, o aluno precisa compreender que a mobilidade e a fixidez espacial são formas diferentes de organizar a vida, cada uma com suas lógicas de trabalho, moradia e produção. Há grupos que se deslocam periodicamente em busca de recursos, outros que permanecem por gerações num mesmo território, e há também práticas híbridas que não cabem nessa divisão simples. Essa é a ambivalência que o tema pede que o estudante perceba.
O que ele precisa saber antes
Os dados das questões indicam pré-requisitos como os tipos de organização social e os conceitos básicos de Sociologia, além da diferença entre nomadismo e sedentarismo e da relação entre recursos naturais e mobilidade. Se a turma ainda não tem essa base, vale retomar esses pontos antes de entrar nas oposições mais finas do tema.
Onde os alunos mais erram
O erro mais recorrente que observo é confundir características de populações sedentárias com as de populações nômades. O aluno tende a associar moradia fixa a qualquer grupo, ou a imaginar que quem se desloca não tem nenhuma relação com o território. O distrator mais provável em várias dessas questões é a alternativa que descreve uma prática sedentária com ar de algo nômade, como a construção de edificações fixas ou o cultivo permanente. Quando o aluno pensa em termos de "tem casa ou não tem casa", ele deixa escapar o raciocínio central, que é olhar para o padrão de mobilidade e para a relação do grupo com o espaço.
Outro erro comum é tomar mobilidade frequente como sinônimo de fixidez ou de desenraizamento. Um trabalhador que vai de subúrbio ao centro todos os dias se desloca, mas isso é um deslocamento pendular, não um padrão nômade. Ensinar a diferença entre essas situações faz muita diferença nas respostas.
Como trabalhar em sala
- Monte um quadro com duas colunas, uma para mobilidade e outra para fixidez, e peça que os alunos classifiquem exemplos do cotidiano deles: o vizinho que mudou de cidade, a família que mora há décadas na mesma rua, o entregador de aplicativo.
- Leve trechos curtos de textos sobre comunidades ribeirinhas e pastoris e peça que a turma identifique, em dupla, o que é deslocamento sazonal e o que é permanência.
- Faça uma discussão rápida sobre por que a divisão "nômade ou sedentário" nem sempre dá conta da realidade, usando o caso de grupos que combinam deslocamento sazonal com moradia fixa.
- Use as questões deste post como exercício de aquecimento antes da avaliação, pedindo que os alunos justifiquem a alternativa escolhida antes de ver o gabarito.
Questões prontas de Cidades e campos: oposições e ambivalências para a 1ª série do Ensino Médio (com gabarito comentado)
Questão 1: população nômade e sedentária
Por que alguns trabalhadores escolhem viver sem moradia fixa? Nos últimos cinco anos, grupos de “nômades digitais” têm se deslocado periodicamente entre cidades, usando espaços de coworking e aluguéis de curta duração. Eles dependem exclusivamente de internet e dispositivos portáteis para exercer suas atividades. Em contraste, comunidades rurais na mesma região cultivam terras de propriedade familiar há gerações, constroem habitações permanentes e mantêm práticas agrícolas e festivais tradicionais enraizados no território. Essas duas formas de organização revelam diferentes modos de relação com o espaço e a produção social.
Analise o texto e identifique a alternativa que apresenta característica de população nômade conforme tipologia evolutiva sociológica.
- ✅ A) Deslocamento periódico entre regiões sem estabelecimento permanente — Corresponde ao nômade digital que não tem moradia fixa, deslocando-se periodicamente.
- ❌ B) Construção de habitações permanentes com materiais locais — Caracteriza sedimentação no território, típica de sedentários.
- ❌ C) Divisão de ofícios especializados em núcleo urbano consolidado — Indica organização urbana e divisão do trabalho, não nomadismo.
- ❌ D) Transmissão de rituais e saberes em um mesmo território geracional — Reflete continuidade territorial típica de sociedades sedentárias.
- ❌ E) Produção agrícola contínua em propriedade familiar fixa — Refere-se à população sedentária, não à nômade.
Questão 2: mobilidade e fixidez espacial
Cerca de 30% dos profissionais de tecnologia afirmam trabalhar enquanto mudam de cidade a cada poucos meses, contando apenas com conexa~o a` internet. Em contraste, 50% dos moradores de condomínios urbanos permanecem no mesmo bairro ha´ mais de cinco anos, indo ao trabalho diariamente de subu´rbio a` zona central. Ainda ha´ grupos de trabalhadores rurais que se deslocam sazonalmente entre regio~es agrícolas para participar de diferentes colheitas. Em outras comunidades, agricultores mantêm cultivo por rotação anual de culturas na mesma área sem mudar de local. Esses perfis ilustram formas distintas de relac¸a~o entre mobilidade e fixidez espacial.
Analise o texto-base e identifique qual prática exemplifica a tipologia nômade tradicional conforme a discussão sociológica?
- ❌ A) O modelo de plantio anual com rotação de culturas em uma única área rural — Rotação de culturas em local fixo é prática sedentária de manejo agrícola.
- ✅ B) A mobilidade frequente de trabalhadores sazonais entre regiões agrícolas em cada colheita — Essa prática envolve deslocamento periódico para sustento, característica central do nomadismo tradicional.
- ❌ C) A rotina de profissionais que viajam diariamente de subúrbio à cidade para trabalhar — Deslocamento diário é pendular e não caracteriza migração sazonal ou nomadismo.
- ❌ D) O cotidiano de moradores de condomínio que permanecem no mesmo bairro por anos — Permanência prolongada aponta para sedentarismo, não correspondendo ao nomadismo.
- ❌ E) O estilo de vida de nômades digitais que atuam remotamente em diversas cidades — Digital nomads têm mobilidade, mas motivação não é subsistência tradicional, afastando-se da tipologia clássica.
Questão 3: nomadismo e mobilidade sazonal na pesca
Por que pescadores de pequenas embarcações seguem cardumes ao longo da costa em vez de permanecer em um único cais? Dados de associações locais mostram que grupos itinerantes ocupam diferentes enseadas de forma temporária, montando abrigos rústicos e adaptando redes conforme a estação de reprodução dos peixes. Durante o verão, deslocam-se para áreas de maior concentração de sardinha; no outono, seguem as tartarugas-covoeiras até enseadas mais afastadas. Já pescadores com base fixa investiram em estruturas de alvenaria, redes comunitárias e programas de cultivo de mariscos em tanques, permanecendo no mesmo local por décadas.
Analise o texto e identifique a prática que ilustra a tipologia nômade descrita no grupo de pescadores itinerantes.
- ❌ A) Cultivo de mariscos em viveiros comunitários de longo prazo — O cultivo de longo prazo em viveiros caracteriza uma atividade mantida no local, e não a mobilidade dos pescadores itinerantes.
- ✅ B) Deslocamento sazonal entre enseadas conforme a presença dos cardumes — A tipologia nômade é ilustrada pela mudança de lugar conforme a disponibilidade dos recursos. Os pescadores itinerantes acompanham os cardumes e ocupam diferentes enseadas ao longo do ano.
- ❌ C) Estabelecimento de redes comunitárias para pesca no verão — O uso de redes comunitárias durante uma estação não indica, por si só, mudança de lugar conforme a presença dos cardumes.
- ❌ D) Construção de abrigos de alvenaria na mesma comunidade pesqueira — Construir abrigos de alvenaria na mesma comunidade indica permanência, não deslocamento sazonal.
- ❌ E) Prática de manter embarcações ancoradas em um único porto — A permanência das embarcações em um único porto indica fixação, não deslocamento entre lugares em busca de recursos.
Questão 4: modo de vida nômade
Sob o céu amplo das estepes de uma região imaginária, dois grupos humanos apresentam modos de vida contrastantes. Um deles desloca-se ao longo de rotas fixas, seguindo a migração de rebanhos sazonais e montando acampamentos temporários. O outro estabelece aldeias permanentes próximas a rios, investe em plantações irrigadas e constrói edificações sólidas como base fixa para gerações. Pesquisadores observam que o primeiro depende da mobilidade para obter recursos animais, enquanto o segundo organiza trabalho coletivo para manejar solo fértil e produzir excedentes agrícolas.
Analise o texto e identifique qual característica apresentada corresponde ao modo de vida nômade.
- ❌ A) Construção de edificações sólidas como base fixa — O texto associa as edificações sólidas e a base fixa ao grupo que estabelece aldeias permanentes, não ao grupo nômade.
- ❌ B) Cultivo permanente de lavouras em parcelas fixas — O cultivo permanente em áreas fixas corresponde à agricultura do grupo sedentário, e não à mobilidade do grupo nômade.
- ❌ C) Irrigação de campos para manejo coletivo do solo — A irrigação e o manejo coletivo do solo caracterizam o grupo que vive em aldeias permanentes e pratica agricultura.
- ✅ D) Deslocamento periódico de comunidades junto a rebanhos sazonais — O modo de vida nômade depende do deslocamento para acompanhar os rebanhos e obter recursos animais. Por isso, a alternativa que descreve essa mobilidade corresponde ao grupo nômade.
- ❌ E) Produção de excedentes agrícolas em áreas irrigadas — O texto relaciona os excedentes agrícolas às plantações irrigadas do grupo que se estabelece em aldeias permanentes.
Questão 5: população nômade digital
Dados ilustrativos: Profissionais denominados "nômades digitais" viajam mensalmente entre cidades para trabalhar em espaços compartilhados de coworking. Eles mantêm poucos pertences, renovam contratos mensais de hospedagem e integram-se temporariamente a serviços locais. Em contraste, famílias de agricultores de um vilarejo mantêm a propriedade de terras por gerações, cultivam alimentos em hortas permanentes e participam de festas comunitárias anuais na mesma região.
Analise o texto e identifique a característica que tipifica a população nômade digital descrita.
- ✅ A) Mobilidade constante e ausência de moradia fixa — Reflete a prática de deslocamentos mensais e contratos de hospedagem temporária dos nômades digitais.
- ❌ B) Troca de bens sem envolvimento em estrutura estatal — Refere-se a economia informal, não ao padrão de mobilidade habitacional.
- ❌ C) Relação simbiótica com ecossistemas locais ao longo de gerações — Caracteriza laços territoriais duradouros, próprio do sedentarismo.
- ❌ D) Participação em rede global de serviços de coworking — Trata da forma de trabalho, não da tipologia evolutiva de mobilidade.
- ❌ E) Vínculo à produção agrícola em lotes familiares permanentes — Descreve sedentarismo, não nomadismo.
Questão 6: sistemas agroflorestais e cultura
Comunidades ribeirinhas na região amazônica têm adotado sistemas agroflorestais para cultivar mandioca, banana e cacau intercalados com árvores nativas, como castanheira e açaizeiro. Nesses espaços, a floresta não é vista como cenário separado da atividade humana, mas como ambiente culturalmente ativo, onde saberes tradicionais orientam a colheita, a conservação do solo e a regeneração natural. Em feiras locais, a produção oriunda desses territórios circula ao lado de artesanato feito com fibras e pigmentos vegetais, reforçando que práticas agrícolas e uso da biodiversidade são manifestações de uma mesma cultura viva.
Analise o texto-base e identifique a prática social que supera a dicotomia entre cultura e natureza.
- ❌ A) Comercialização de frutas em mercados urbanos sem certificação de origem — Venda de frutas isoladamente não evidencia diálogo entre cultura e natureza no processo produtivo.
- ❌ B) Organização de feiras que vendem artesanato produzido com fibras vegetais — Artesanato valoriza cultura, mas não demonstra a fusão com processos naturais produtivos.
- ❌ C) Realização de oficinas de pintura apoiadas em pigmentos minerais sintéticos — Uso de pigmentos sintéticos afasta a prática artística da natureza, não simboliza a integração.
- ❌ D) Implementação de monoculturas convencionais de mandioca em larga escala — Monocultura separa a natureza como recurso externo, reforçando a dicotomia, não a supera.
- ✅ E) A adoção de sistemas agroflorestais que unem espécies nativas à produção agrícola — Integração de floresta e cultivo revela a natureza como parte da cultura, superando a oposição dicotômica.
Questão 7: crítica à dicotomia nomadismo-sedentarismo
Dados ilustrativos: ao longo da Amazônia, famílias ribeirinhas alternam períodos de permanência em vilarejos e deslocamentos sazonais para pesca em rios distintos. Durante a cheia, montam acampamentos temporários; na seca, retornam a casas de taipa. Essa dinâmica assegura reprodução cultural e subsistência, mesmo diante de políticas públicas que privilegiam a fixidez territorial. Lideranças locais afirmam que essa mobilidade controlada é vital para o manejo de recursos hídricos e para manter redes de solidariedade espontâneas, desafiando orientações que impõem modelos urbanos de moradia fixa como único padrão de organização comunitária.
Analise o texto-base e identifique como ele problematiza a oposição dicotômica entre nomadismo e sedentarismo.
- ❌ A) O uso de estatísticas populacionais para comprovar o aumento da migração urbana — Não há menção a dados de migração urbana ou uso de estatísticas.
- ❌ B) A afirmação de que a mobilidade sazonal fragmenta a identidade cultural das famílias — O texto indica que a mobilidade fortalece a cultura, não a fragmenta.
- ❌ C) A defesa de que o deslocamento permanente é condição para o desenvolvimento econômico — O texto relata mobilidade sazonal, mas não defende deslocamento permanente para o desenvolvimento.
- ✅ D) A crítica de que comunidades ribeirinhas não se encaixam na divisão estrita de nômades ou sedentários — O texto mostra mobilidade sazonal e moradia fixa simultâneas, rompendo a dicotomia tradicional.
- ❌ E) A valorização exclusiva do sedentarismo como forma de organizar a vida social — O texto critica a fixidez imposta, não valoriza apenas o sedentarismo.
Questão 8: práticas híbridas e ancoragem territorial
Por que alguém escolheria viver sem endereço fixo mesmo tendo acesso a internet de alta velocidade? Essa modalidade de vida, conhecida como nômade digital, cresceu 15% ao ano em países emergentes. Ao mesmo tempo, comunidades periurbanas estabilizam-se em pequenas fazendas próximas às metrópoles, mantendo comércio local e redes de solidariedade. Estudos apontam que muitos nômades digitais participam de feiras rurais e que agricultores periurbanos utilizam coworkings em centros urbanos. Esses fenômenos mostram que a fronteira entre mobilidade contínua e ancoragem territorial não é estanque, revelando práticas híbridas que desafiam modelos evolutivos lineares.
Analise o texto e identifique a crítica central que desafia a oposição dicotômica entre nômade e sedentário.
- ❌ A) Defende que a cultura de nômades digitais se opõe irreversivelmente ao campo — Desconsidera a cooperação e as práticas mistas descritas, contradizendo o cenário de hibridismo.
- ❌ B) Demonstra que a mobilidade contemporânea elimina completamente laços comunitários — Ignora as redes de solidariedade mencionadas e apresenta visão extrema não sustentada pelo texto.
- ❌ C) Afirma que apenas populações sedentárias contribuem para a dinâmica urbana — Erro ao restringir contribuição urbana a sedentários, já que o texto mostra participação de nômades digitais em espaços urbanos.
- ❌ D) Evidencia que a divisão nômade e sedentária segue padrões históricos lineares — Confunde a crítica à dicotomia com reforço de modelos lineares, contradizendo o texto que questiona essa visão tradicional.
- ✅ E) Aponta que as categorias nômade e sedentário se sobrepõem em práticas híbridas — Correto pois o texto destaca a coexistência e o cruzamento de práticas entre nômades digitais e agricultores periurbanos.
Fechamento e próximos passos
Para fechar a sequência, sugiro que você escolha duas ou três questões desta lista e peça que a turma justifique cada alternativa antes de conferir o gabarito. Depois, retome o quadro de mobilidade e fixidez e veja se os alunos conseguem apontar casos que não se encaixam em nenhuma das duas colunas. Se quiser ver mais questões da mesma habilidade, consulte as questões da habilidade EM13CHS105.
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As questões deste post são ilustrativas e servem como ponto de partida para a sua aula. Ajuste o nível e o texto-base à realidade da sua turma, e use o seu julgamento pedagógico antes de aplicar em avaliações oficiais.
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Cidades e campos: oposições e ambivalências, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
