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Atividades de Aspectos da emergência da República no Brasil para o ENEM com gabarito

Reúna conceitos importantes sobre a crise do Império, a Proclamação da República e a organização política da Primeira República. Confira oito questões com alternativas e gabarito comentado para trabalhar em História no ENEM.

Atividades de Aspectos da emergência da República no Brasil para o ENEM com gabarito

Quem já deu aula de República Velha sabe o tamanho do desafio: a Proclamação de 1889 parece simples no livro, mas na hora da prova o aluno mistura governo provisório, Constituição de 1891, militares e oligarquias como se fossem uma coisa só. Eu mesmo passei anos ajustando a forma de explicar esse momento até perceber que o problema não estava no conteúdo em si, e sim na pressa com que costumamos atravessar a transição do Império para a República.

Nas minhas turmas de preparação para o ENEM, o tema aparece quase sempre no mesmo formato: uma situação histórica, um texto curto e uma pergunta pedindo a causa, a consequência ou o agente de uma mudança. Por isso resolvi organizar aqui o que funciona na prática, com questões prontas e gabarito comentado, para você usar em aula, em revisão ou em uma prova de simulado.

O que o aluno de ENEM precisa saber sobre Aspectos da emergência da República no Brasil

A emergência da República no Brasil foi resultado de uma crise do Segundo Reinado, combinada com a insatisfação de setores militares e com a difusão das ideias republicanas. A Proclamação, em 15 de novembro de 1889, foi conduzida por militares e apoiada por parte das elites agrárias, especialmente cafeicultores paulistas que não se sentiam mais representados pela monarquia. Logo depois, o governo provisório de Deodoro da Fonseca tomou medidas como a adoção do federalismo, que ampliou a autonomia dos estados, e a convocação de uma nova Constituição, promulgada em 1891. O ponto que mais cai na prova é justamente esse: a mudança foi política e institucional, não uma revolução social imediata, e nem uma invasão ou uma guerra externa.

Para o aluno, vale fixar três ideias centrais. Primeira: a crise da monarquia tinha causas internas, como o descontentamento com a abolição sem indenização aos proprietários e a questão militar. Segunda: a República não nasceu de um movimento popular amplo; a participação da população foi limitada, o que os professores costumam destacar com a expressão de que o povo assistiu “bestializado” à proclamação. Terceira: o novo regime manteve muitas estruturas do passado, como o voto restrito e o poder concentrado nos estados mais ricos. Essas três ideias sustentam a maioria das questões do ENEM sobre o tema.

O que ele precisa saber antes

O aluno precisa chegar a esse conteúdo dominando a crise do Segundo Reinado, o que inclui a questão religiosa, a questão militar e o movimento abolicionista. Também precisa ter clareza sobre o que foi a industrialização e a urbanização do fim do século XIX, porque é a partir delas que se formam os trabalhadores urbanos e o operariado organizado da Primeira República. Sem esses pré-requisitos, a Proclamação parece um evento isolado, e o aluno tende a atribuí-la a qualquer causa que lhe pareça plausível, inclusive as mais distantes ou improváveis.

Outro pré-requisito importante é o próprio conceito de federalismo. Se o aluno não entende que a República Velha funcionou com grande autonomia para os estados, não consegue explicar por que as oligarquias regionais tinham tanto poder, nem por que a centralização de 1930 aparece como uma ruptura.

Onde os alunos mais erram

O erro mais frequente é confundir as causas da Proclamação com influências gerais ou com processos posteriores. Quando o aluno lê uma alternativa que cita a Revolução Francesa, a industrialização do Sudeste ou uma disputa territorial com vizinhos, ele muitas vezes escolhe porque a frase soa histórica e parece “grande”. Esse é o distrator clássico: uma causa conhecida de outro contexto, deslocada para o cenário brasileiro de 1889. A saída é sempre perguntar: esse fator esteve diretamente ligado à crise da monarquia brasileira naquele momento?

Outro erro comum é atribuir à Proclamação características que só existem depois, como o Estado Novo de Getúlio Vargas, instaurado em 1937, ou a centralização de 1930. O aluno mistura os períodos porque tudo parece “política brasileira”. Nesse caso, ensine a linha do tempo com marcos fixos: 1889, 1891, 1930, 1937. Quando o aluno tem esses marcos na cabeça, descarta alternativas anacrônicas com muito mais facilidade.

Também aparece muito a confusão entre grupos que apoiaram a República e os interesses que ela de fato atendeu. A aliança entre militares e setores agrários explica a transição, mas o aluno costuma achar que a mudança beneficiou trabalhadores ou a população em geral. Um bom exercício é pedir que ele identifique, para cada medida, quem ganhou poder com ela.

Como trabalhar em sala

Primeira ideia: monte uma linha do tempo no quadro com quatro ou cinco marcos, deixando espaços em branco para os alunos completarem com as causas. Não precisa de nenhum material caro, só giz e um pouco de tempo. Depois, peça que cada aluno justifique em uma frase por que a Proclamação não pode ser explicada apenas por uma guerra externa.

Segunda ideia: use um texto curto de um historiador ou de um documento da época, como um trecho sobre a Constituição de 1891, e faça perguntas de localização: quem propôs, o que mudou, o que continuou igual. Esse tipo de atividade treina exatamente a habilidade de leitura que o ENEM cobra, com textos de extensão média e perguntas objetivas.

Terceira ideia: faça um debate rápido em grupos sobre quem ganhou e quem perdeu com a mudança de regime. Cada grupo recebe um personagem, como um militar, um cafeicultor paulista, um trabalhador da capital ou um ex-escravizado, e precisa defender em dois minutos o que o seu personagem achou da República. O exercício deixa claro que a mudança não foi igual para todos.

Quarta ideia: ao corrigir uma prova, não basta marcar a letra certa. Peça que o aluno explique por que cada alternativa errada não serve. Essa prática, que transformo em rotina nas minhas aulas, revela o raciocínio por trás do erro e costuma reduzir a confusão entre períodos.

Quinta ideia: conecte a República Velha às desigualdades do presente. Pergunte como o sistema oligárquico concentrava poder e quais grupos ficavam de fora do voto. Isso ajuda o aluno a ver o conteúdo como algo que tem consequências até hoje, o que aumenta o interesse e facilita a memorização.

Questões prontas de Aspectos da emergência da República no Brasil para o ENEM (com gabarito comentado)

A seguir estão oito questões no formato do ENEM, cada uma com alternativas e a explicação do gabarito. Use-as como aquecimento, como lista de revisão ou como base para uma prova. Em cada uma, a alternativa correta está marcada com ✅ e as erradas com ❌, com o motivo do erro.

Questão 1: a República e o governo provisório

Em 1889, o Brasil proclamou a República. Qual foi a principal característica do governo provisório de Deodoro da Fonseca?

  • ❌ A) Liberdade plena de expressão e imprensa. — A opção apresenta uma liberdade irrestrita como característica central, o que não descreve o governo provisório.
  • ❌ B) Foco em reformas sociais imediatas. — A opção atribui ao governo uma prioridade de reformas sociais imediatas, que não foi a característica central de sua organização.
  • ❌ C) Manutenção do voto censitário no país. — Essa opção atribui ao governo provisório a continuidade de uma regra eleitoral do Império, mas ela não caracteriza sua organização política.
  • ❌ D) Estabelecimento da monarquia como forma de governo. — A opção aponta para a restauração da monarquia, mas a República foi proclamada em 1889.
  • ✅ E) Descentralização do poder e autonomia aos estados. — O governo provisório adotou o federalismo, ampliando a autonomia dos estados e descentralizando o poder político.

Gabarito: E. O aluno que chega a essa resposta conhece a principal medida organizadora do início da República. O distrator mais provável é a alternativa C, porque o voto censitário era de fato a regra do Império e o aluno pode supor que ela permaneceu sem questionamento.

Questão 2: os fatores da mudança de regime

Em 1889, a Proclamação da República alterou a estrutura política do Brasil. Quais foram os principais fatores que contribuíram para essa mudança?

  • ❌ A) A guerra com os Estados Unidos — A alternativa atribui a mudança a uma guerra que não ocorreu entre Brasil e Estados Unidos nesse contexto.
  • ✅ B) A insatisfação militar e o avanço das ideias republicanas — A insatisfação de setores militares com a monarquia e a expansão do republicanismo contribuíram diretamente para a Proclamação da República.
  • ❌ C) A influência da Revolução Francesa — A alternativa toma um acontecimento distante no tempo como causa principal imediata da proclamação, sem considerar os conflitos políticos brasileiros do período.
  • ❌ D) A industrialização do Sudeste — A alternativa atribui a proclamação à industrialização, que não foi um dos fatores centrais da mudança de regime em 1889.
  • ❌ E) A disputa territorial com países vizinhos — A alternativa associa a proclamação a conflitos territoriais, que não foram os fatores centrais da mudança política de 1889.

Gabarito: B. Aqui o aluno precisa separar causas internas de influências externas genéricas. O distrator mais provável é a alternativa C, pois a Revolução Francesa é uma referência forte do ideário republicano e o aluno tende a confundir inspiração ideológica com causa imediata.

Questão 3: a Revolução Industrial e o movimento operário

Durante a República, o movimento operário ganhou força. Como a Revolução Industrial influenciou essa dinâmica no Brasil?

  • ❌ A) Integração total dos trabalhadores ao mercado formal. — A industrialização não integrou todos os trabalhadores ao mercado formal; a alternativa afirma uma inclusão total que não ocorreu.
  • ❌ B) Desvalorização do trabalho manual devido à mecanização. — A mecanização podia alterar o valor e a organização do trabalho, mas essa afirmação não explica como se fortaleceu o movimento operário no Brasil.
  • ✅ C) Crescimento do operariado urbano, que passou a reivindicar melhores condições de trabalho. — A industrialização ampliou o trabalho nas cidades e contribuiu para a formação de um operariado que se organizava e reivindicava melhores condições.
  • ❌ D) Estabilização das condições de trabalho sem conflitos. — A alternativa supõe que as condições de trabalho se estabilizaram e que não houve conflitos, o que não explica a mobilização operária.
  • ❌ E) Fortalecimento do trabalho rural em detrimento do urbano. — A alternativa atribui à industrialização o predomínio do trabalho rural, em vez de relacioná-la ao crescimento do operariado urbano.

Gabarito: C. A questão exige ligar industrialização, urbanização e organização dos trabalhadores. O distrator mais provável é a alternativa B, porque a mecanização é uma consequência real da industrialização e o aluno pode confundi-la com a explicação do movimento operário.

Questão 4: a análise da proclamação

Analise a seguinte situação: em 1889, a Proclamação da República no Brasil foi resultado de uma série de insatisfações. Quais foram os principais fatores que contribuíram para essa mudança política?

  • ✅ A) A insatisfação com a monarquia e a influência dos militares. — A insatisfação com a monarquia e a atuação dos militares foram fatores centrais na mudança política de 1889.
  • ❌ B) A oposição dos comerciantes à adoção do voto universal. — A adoção do voto universal não foi o fator que motivou a Proclamação da República.
  • ❌ C) A disputa por territórios entre as províncias brasileiras. — A questão não decorreu de uma disputa territorial entre províncias brasileiras.
  • ❌ D) A Revolução Industrial que afetou o Brasil diretamente. — A Revolução Industrial não foi a causa direta da mudança de regime no Brasil em 1889.
  • ❌ E) O desejo de expansão territorial na América do Sul. — A expansão territorial não foi um dos principais fatores que levaram à Proclamação da República no Brasil.

Gabarito: A. Esta questão pede análise de um conjunto de causas. O aluno que domina a crise do Império reconhece rapidamente a alternativa correta. O distrator mais provável é a D, porque a industrialização é um tema muito presente nos livros e o aluno tende a aplicá-la a qualquer mudança do século XIX.

Questão 5: a Constituição de 1891

Em 1889, a Proclamação da República trouxe mudanças significativas. Sobre as consequências sociais e políticas desse evento, analise: Qual medida institucional foi adotada no início do período republicano?

  • ❌ A) Aumento da participação feminina na política — A Constituição de 1891 não concedeu às mulheres o direito ao voto, e a participação política feminina não aumentou de imediato.
  • ❌ B) Retorno ao regime monárquico — A Proclamação encerrou a monarquia no Brasil; não houve retorno a esse regime no início da República.
  • ❌ C) Estabelecimento do Estado Novo — O Estado Novo foi instaurado por Getúlio Vargas em 1937, décadas depois da Proclamação da República.
  • ❌ D) Centralização do poder nas mãos de um imperador — A República substituiu o imperador por um presidente, portanto essa forma de concentração monárquica não foi adotada.
  • ✅ E) Adoção da Constituição de 1891 — A Constituição de 1891 organizou juridicamente o novo regime republicano, estabelecendo suas instituições e regras políticas.

Gabarito: E. A questão testa a memória de um marco institucional. O distrator mais provável é a C, porque o aluno que tem o Estado Novo como referência de autoritarismo pode projetá-lo para o início da República. A linha do tempo resolve esse problema.

Questão 6: a aliança que sustentou a transição

Em 1889, o Brasil proclamou a República. A mudança de regime foi influenciada por diversos fatores sociais e políticos. Qual destes fatores foi determinante para essa transição?

  • ❌ A) A estabilidade da Monarquia. — A estabilidade do regime monárquico não explica sua substituição pela República.
  • ❌ B) A prosperidade econômica do Império. — A prosperidade econômica não é o fator político que explica a articulação responsável pela transição republicana.
  • ❌ C) A defesa da continuidade do regime monárquico. — A defesa da continuidade da Monarquia se opõe à mudança de regime, portanto não explica a transição para a República.
  • ❌ D) A influência da Europa. — A influência europeia, sem especificar um fator ligado à articulação política que levou à mudança de regime, não responde ao comando.
  • ✅ E) A aliança entre fazendeiros e militares. — A articulação entre setores das elites agrárias e os militares contribuiu para a queda da Monarquia e a proclamação da República.

Gabarito: E. O aluno precisa identificar os grupos que de fato sustentaram a mudança. O distrator mais provável é a D, porque a influência europeia é uma explicação genérica que soa plausível para quem ainda não separou as causas internas das ideias importadas.

Questão 7: a Revolução de 1930 e a estrutura política

Com base nas reformas de 1930, como a Revolução de 1930 impactou a estrutura política do Brasil?

  • ❌ A) Apoio ao coronelismo. — A Revolução buscou combater o coronelismo que dominava a política.
  • ❌ B) Descentralização do poder. — Houve uma centralização do poder nas mãos de Vargas.
  • ✅ C) Realinhamento político e econômico. — A Revolução promoveu uma nova configuração política e econômica.
  • ❌ D) Manutenção da estrutura oligárquica. — A Revolução visou romper com a oligarquia.
  • ❌ E) Retrocesso social e econômico. — Houve avanços sociais sob Vargas, como leis trabalhistas.

Gabarito: C. Esta questão leva o aluno da Primeira República para a Era Vargas, o que é exatamente o tipo de comparação que ajuda a fixar a sequência histórica. O distrator mais provável é a D, porque muitos alunos supõem que a oligarquia sobreviveu intacta a 1930 e não percebem a ruptura.

Questão 8: a desigualdade da República Velha

Um texto de um historiador menciona que a República Velha (1889-1930) foi um período de grande desigualdade social. Quais fatores contribuíram para essa situação?

  • ❌ A) A implementação de políticas públicas inclusivas. — Na verdade, as políticas eram excludentes.
  • ❌ B) O crescimento da indústria nacional. — A indústria crescia, mas a agricultura dominava a economia.
  • ✅ C) O sistema político oligárquico que favoreceu elites. — A oligarquia controlava o poder e aprofundou as desigualdades.
  • ❌ D) O fortalecimento da educação pública para todos. — A educação era limitada e não acessível a todos.
  • ❌ E) O aumento da imigração europeia que igualou classes sociais. — A imigração muitas vezes marginalizou ainda mais as classes populares.

Gabarito: C. A questão mostra que a desigualdade da Primeira República tem raiz política. O distrator mais provável é a B, porque o crescimento industrial é um fato real do período e o aluno pode confundir expansão econômica com redução da desigualdade.

Próximos passos

Depois de passar por essas questões, o caminho natural é aprofundar cada habilidade com mais exercícios. Você pode conferir as questões da habilidade EM13CHS603, as questões da habilidade EM13CHS403 e as questões da habilidade EM13CHS401 para ampliar a prática por competência. Se preferir montar a sua própria prova com a turma, use o gerador de provas do GeraProva, e para começar sem custo, faça seu cadastro grátis.

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