Em uma academia de bairro, um novo frequentador conversa com a atendente usando expressões comuns em sua…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Reconhecer as variedades da língua falada, o conceito de norma-padrão e o de preconceito linguístico.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
Em uma academia de bairro, um novo frequentador conversa com a atendente usando expressões comuns em sua comunidade. Um funcionário ri do jeito como ele fala e diz que pessoas que se expressam assim não deveriam orientar os outros. Considerando a situação descrita, como o modo de falar do frequentador se relaciona com a atitude do funcionário e com a possível consequência para a participação dele na academia? Inclua na resposta o papel da norma-padrão nessa situação.
- A) Na academia, a fala do frequentador pode ser corrigida como inadequada ao espaço, sem que isso represente preconceito contra uma variedade. A crítica pode levá-lo a ajustar suas expressões para continuar participando. A norma-padrão é o modelo correto também nas conversas cotidianas, e as variedades comunitárias se afastam desse padrão.
- B) Com a risada, o funcionário demonstra uma brincadeira sobre expressões locais, sem necessariamente desqualificar o modo de falar do frequentador. A situação pode causar incômodo passageiro, mas não deve afastá-lo da academia. A norma-padrão é uma referência para ocasiões formais, e as variedades comunitárias mostram estilos de fala usados em relações próximas.
- C) Por meio da crítica, o funcionário demonstra preconceito linguístico ao associar a variedade do frequentador à falta de autoridade. Isso pode fazê-lo ser menos ouvido como orientador, embora não indique que sua participação na academia será alterada. A norma-padrão é uma referência de uso formal, sem tornar inferiores as outras variedades.
- D) A respeito do episódio, o riso pode expressar falta de educação individual, sem caracterizar preconceito linguístico, pois a fala do frequentador não é avaliada como variedade inferior. A situação pode constrangê-lo e diminuir sua presença. A norma-padrão é referência para textos escritos, sem função nas interações orais da academia.
- E) Ao ridicularizar o modo de falar do novo frequentador, o funcionário manifesta preconceito linguístico, pois trata uma variedade da língua como inferior. Isso pode constranger a pessoa e afastá-la da academia. A norma-padrão é uma variedade usada como referência em situações formais, mas seu uso não torna as demais variedades erradas ou inferiores.
✅ Resposta correta: alternativa E
Resolução passo a passo
- O funcionário não apenas ri: afirma que pessoas que falam daquela maneira não deveriam orientar os outros. Assim, associa uma variedade linguística à falta de autoridade e a desqualifica, caracterizando preconceito linguístico.
- O constrangimento provocado pela ridicularização pode levar o frequentador a se sentir excluído e a se afastar da academia. A alternativa E apresenta essa possível consequência sem tratá-la como inevitável.
- A norma-padrão funciona como referência em situações formais, mas isso não torna erradas ou inferiores as demais variedades da língua. Por isso, E é a correta.
- A está errada porque declara inadequada a fala comunitária e toma a norma-padrão como correta em qualquer conversa. B minimiza a desqualificação explícita, tratando-a como brincadeira. C identifica o preconceito, mas descarta sem justificativa a possibilidade de mudança na participação. D ignora a associação entre fala e incapacidade e restringe a norma-padrão à escrita.
💡 Dica: Observe se o funcionário critica uma variedade de fala e a associa à falta de autoridade.
Alternativa por alternativa
Trata a variedade comunitária como inadequada e a norma-padrão como modelo correto para todas as conversas. Com isso, confunde diferenças entre variedades e situações de uso com inferioridade linguística.
Interpreta a risada como brincadeira neutra, ignorando que o funcionário associa o modo de falar à falta de legitimidade para orientar outras pessoas. Essa associação desqualifica a variedade e pode afetar a participação do frequentador.
Por que engana: Confundir o uso da norma-padrão com a ideia de que outras variedades são inferiores.
Reconhece corretamente o preconceito linguístico, mas conclui sem base que a participação do frequentador não será alterada. A crítica e a desqualificação podem constrangê-lo e afastá-lo da academia.
Reduz a atitude a uma falta de educação individual, embora a fala seja ridicularizada e associada à incapacidade de orientar. Também restringe incorretamente a norma-padrão aos textos escritos, pois ela pode ser referência em situações orais formais.
A resposta relaciona a discriminação de uma variedade falada ao constrangimento e ao possível afastamento do frequentador, distinguindo esse preconceito do uso contextual da norma-padrão.
Raio-X da questão
Preconceito linguístico e valorização das variedades da língua
avaliacao
Reconhecimento de variedades linguísticas · Diferença entre linguagem formal e informal
Norma-padrão, variedades linguísticas e preconceito linguístico
Confundir o uso da norma-padrão com a ideia de que outras variedades são inferiores.
Respeito à diversidade e combate à discriminação
Empatia e respeito à diversidade
cotidiano
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