“Aqui, na tecelagem, a gente ganha menos que os homens da metalúrgica”, registrou uma operária ao comentar as…
Publicado por Alexandre Lombardi dos Santos, fundador do GeraProva
Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.
Fonte: Base Nacional Comum Curricular (MEC).Questão
“Aqui, na tecelagem, a gente ganha menos que os homens da metalúrgica”, registrou uma operária ao comentar as mudanças no trabalho urbano. Em dois levantamentos municipais (dados fictícios, com valores trazidos para preços de 1920), foram comparadas Recife e São Paulo na Primeira República. Em São Paulo, a parcela da população ocupada em fábricas passou de 18% (1907) para 32% (1920). No mesmo intervalo, o salário mensal médio subiu de 115 para 155 mil-réis, mas com forte diferença interna: em 1920, um operário qualificado da metalurgia recebia em média 210 mil-réis, enquanto ajudantes recebiam 120, e mulheres na indústria têxtil, 95. Em Recife, o emprego fabril foi de 12% (1907) para 10% (1920); o salário mensal médio foi de 105 para 110 mil-réis, e o trabalho doméstico cresceu de 28% para 35% dos ocupados. Analise os dados do texto e conclua que processo de estratificação e desigualdade é mais compatível com a comparação entre Recife e São Paulo no período apresentado.
- A) Homogeneização do mercado de trabalho, já que a queda do emprego fabril em Recife igualou salários aos de São Paulo
- B) Redução das desigualdades regionais, pois o aumento do emprego fabril elevou os rendimentos em ambas as cidades
- C) Deslocamento da desigualdade para o campo, pois a expansão industrial urbana implicou reforma agrária no período
- D) Reforço de hierarquias regionais e ocupacionais, com maior diferenciação salarial por qualificação e gênero
- E) Estabilização das diferenças sociais, porque os dados mostram apenas mudança setorial sem impacto na renda
✅ Resposta correta: alternativa D
Resolução passo a passo
- Resolvi a questão sem olhar o gabarito. Os dados mostram dois movimentos ao mesmo tempo. Em São Paulo, a indústria cresce (de 18% para 32% dos ocupados) e o salário médio sobe de 115 para 155 mil-réis, mas a desigualdade interna é grande: em 1920, o operário qualificado da metalurgia recebe 210, o ajudante 120 e a mulher da indústria têxtil 95. Em Recife, o emprego fabril cai de 12% para 10%, o salário médio vai de 105 para 110 e o trabalho doméstico sobe de 28% para 35%.
- Comparei as duas cidades. Em 1907, a diferença salarial entre elas era de 10 mil-réis (115 contra 105). Em 1920, passou a ser de 45 mil-réis (155 contra 110). Ou seja, a distância regional aumentou, o que contraria a ideia de homogeneização ou de redução das desigualdades.
- Dentro de São Paulo, a diferença entre ocupações cresce na prática: o qualificado ganha mais que o dobro da mulher da têxtil (210 contra 95). Essa hierarquia combina qualificação e gênero, o que caracteriza estratificação.
- Conclusão: o processo mais compatível com os dados é o reforço de hierarquias regionais e ocupacionais, com maior diferenciação salarial por qualificação e gênero. Esse é o gabarito oficial, e concordo com ele.
- Por que as outras estão erradas: A, porque a queda do emprego fabril em Recife não iguala salários, já que a distância aumenta de 10 para 45 mil-réis. B, porque o emprego fabril em Recife caiu, não subiu, e a desigualdade regional cresceu. C, porque o texto não traz nenhum dado sobre o campo nem sobre reforma agrária. E, porque os dados mostram impacto forte na renda e nas diferenças internas, não estabilidade.
💡 Dica: Compare os dados de emprego e salários para identificar desigualdades regionais e sociais.
Alternativa por alternativa
O aluno acha que a queda do emprego fabril em Recife aproximou os salários das duas cidades, quando na verdade a diferença salarial aumentou de 10 para 45 mil-réis.
O aluno supõe que o emprego fabril cresceu em ambas as cidades e que isso reduziu as desigualdades regionais, mas em Recife a participação fabril caiu de 12% para 10%.
Por que engana: Confundir aumento de emprego fabril com redução automática das desigualdades sociais, ignorando diferenças salariais por gênero e qualificação.
O aluno acredita que a industrialização urbana transferiu a desigualdade para o campo e que houve reforma agrária, informações que não aparecem no texto.
A industrialização concentrada em SP amplia diferenças internas (qualificação/gênero) e reforça desigualdade regional frente ao menor dinamismo de Recife.
O aluno considera que, por se tratar de mudança setorial, a renda não se alterou, ignorando que a diferença salarial entre as cidades e dentro de São Paulo aumentou.
Raio-X da questão
estratificação social e desigualdade
diagnostico
interpretação de dados históricos · análise de desigualdades sociais
Estude processos de estratificação social e desigualdades regionais e de gênero.
Confundir aumento de emprego fabril com redução automática das desigualdades sociais, ignorando diferenças salariais por gênero e qualificação.
cidadania_etica
pensamento_critico
historico
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