Questões BNCC EM13LP52
Analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como dialogam com o presente.
Texto oficial da habilidade, conferido palavra por palavra contra a Base Nacional Comum Curricular — BNCC_EI_EF.pdf, página 528. Extração confirmada por dois processos independentes.
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Menipo – Onde estão os belos e as belas, Hermes¹? Leva-me até eles, pois eu sou novato aqui.
Hermes – Não tenho tempo, Menipo. Mas, olha aquilo ali, à direita: ali está Jacinto, também Narciso e Nireu e Aquiles²; e ainda Tiró, Helena³, Leda, em suma, todas as beldades antigas.
Menipo – Eu estou vendo só ossos e crânios desprovidos de carnes, a maioria desses semelhantes.
Hermes – Contudo, aqueles são os ossos que todos os poetas admiram e que tu pareces desprezar.
Menipo – Mesmo assim, mostra-me Helena, pois eu não saberia reconhecê-la.
Hermes – Esse crânio aí é Helena.
Menipo – Então é por causa disso aí que foram lotados milhares de navios da Grécia inteira e tombaram tantos gregos e bárbaros, e tantas cidades foram arrasadas!
Hermes – Mas, Menipo, tu não viste essa mulher em vida; senão tu também terias dito que não merece castigo “sofrer dores por muito tempo por uma mulher”, porque também as flores secas, se alguém as contempla depois que elas perdem o viço, é evidente que lhe parecerão murchas; mas enquanto florescem e mantêm o colorido, elas são muito belas.
Menipo – Pois é isso mesmo que me causa admiração, Hermes: que os Aqueus4 não perceberam que estavam sofrendo por uma coisa tão efêmera e tão facilmente perecível.
Luciano de Samósata, Diálogo dos Mortos. Trad. Henrique G. Murachco. Edusp: São Paulo, p. 67.
1. Hermes: divindade grega posteriormente assimilada à representação do deus Mercúrio, pela mitologia romana. Na cena, Hermes entrega as almas a Caronte, que se encarrega de fazê-las atravessar o Aqueronte, rio que separa o mundo dos vivos e dos mortos.
2. Aquiles: filho de Peleu e Tétis, o mais valente dos heróis na guerra de Troia, de cabeleira dourada. É jovem, forte e belo. Morre em plena juventude; por isso ele está ao lado de beldades, tais como Jacinto e Narciso.
3. Helena: mulher de Menelau, raptada por Páris, filho de Príamo, rei de Troia, foi a causa da guerra que levou ao Hades milhares de almas de heróis, segundo Homero.
4. Aqueu: relativo aos aqueus, um dos quatro ramos do povo grego antigo, ou indivíduo dos aqueus, relativo à Acaia (antiga Grécia), ou ao seu natural ou habitante.
Luciano de Samósata, escritor grego do século II, mistura em sua obra dois gêneros diferentes: a Comédia, destinada ao riso; e o Diálogo, destinado às reflexões filosóficas.
Sobre o conteúdo reflexivo-filosófico do diálogo transcrito, depreende-se corretamente que (ETEC 2020)
ROMEU E JULIETA, ATO II, Cena II – Jardim dos Capuletos. Entra Romeu.
ROMEU – Só ri das cicatrizes quem ferida nunca sofreu no corpo.
(Julieta aparece na janela.)
Mas silêncio! Que luz se escoa agora da janela? Será Julieta o sol daquele oriente? Surge, formoso sol, e mata a lua cheia de inveja, que se mostra pálida e doente de tristeza, por ter visto que, como serva, és mais formosa que ela.
[...]
JULIETA – Ai de mim!
ROMEU – Oh, falou! Fala de novo, anjo brilhante, porque és tão glorioso para esta noite,
[...]
JULIETA – Romeu, Romeu! Ah! por que és tu Romeu? Renega o pai, renuncie o seu nome; ou então, se não quiseres, jura ao menos que amor me tens, porque uma Capuleto deixarei de ser logo.
ROMEU (à parte) – Continuo ouvindo-a mais um pouco, ou lhe respondo?
JULIETA – Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira.
ROMEU – Sim, aceito tua palavra. Dá-me o nome apenas de amor, que ficarei rebatizado. De agora em diante não serei Romeu.
[...]
JULIETA – Dize-me como entraste e porque vieste. Muito alto é o muro do jardim, difícil de escalar, sendo o ponto a própria morte - se quem és atendermos - caso fosses encontrado por um dos meus parentes.
ROMEU – Do amor as lestes asas me fizeram transvoar o muro, pois barreira alguma conseguirá deter do amor o curso, tentando o amor tudo o que o amor realiza. Teus parentes, assim, não poderiam desviar-me do propósito.
JULIETA – No caso de seres visto, poderão matar-te.
ROMEU – Ai de mim! Há mais risco em seu olhar do que em suas espadas. Seu carinho é a única barreira ao seu rancor. [...]
Disponível em: https://tinyurl.com/yazkgtux. Acesso em: 12.10.18
A partir da leitura do texto, é possível afirmar que (ETEC 2019)
Sou cantador, sou violeiro
É na enxada que eu labuto o dia inteiro
Quando brilha a luz da lua
É que eu canto no terreiro
Esse jongo é meu
Quem mandou você entrar
Só batuca nesse jongo
Batuqueiro do lugar
Esse jongo não é seu
Meu avô trouxe de Angola
Me ensinou a desatar
Verso de gente gabola*
* vaidoso, fanfarrão
<http://tinyurl.com/jw5oqy3> Acesso em: 25.04.2015. Adaptado.
Considerando a letra da música, conclui-se corretamente que o jongo (ETEC 2015)
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas,
alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
[....]
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
E lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
ANDRADE, C. D. Antologia Poética. Rio de Janeiro. José Olympio, 1978.
A partir da leitura do trecho de A Flor e a Náusea, poema do modernista Carlos Drummond de Andrade, assinale a alternativa em que o conceito é adequado à temática apresentada nos versos. (FATEC 2018)
Paixão sem grita, amor sem agonia,
Que não oprime nem magoa o peito,
Que nada mais do que possui queria,
E com tão pouco vive satisfeito...
Amor, que os exageros repudia,
Misturado de estima e de respeito,
E, tirando das mágoas alegria,
Fica farto, ficando sem proveito...
Viva sempre a paixão que me consome,
Sem uma queixa, sem um só lamento!
Arda sempre este amor que desanimas!
Eu, eu tenha sempre, ao murmurar teu nome,
O coração, malgrado o sofrimento,
Como um rosal desabrochado em rimas.
<https://tinyurl.com/nxwg9mp> Acesso em: 17.02.2017.
Dentre as características do texto Incontentado, de Olavo Bilac, temos (FATEC 2017)
INTERROGAÇÃO
Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crês? nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.
Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito,
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.
Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.
Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.
Eu não sei se é amor. Será talvez começo.
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.
(PESSANHA, Camilo. Clepsidra. São Paulo: Núcleo, 1989.)
O escritor português Camilo Pessanha faz parte da escola literária denominada Simbolismo.
Assinale a alternativa que possui uma característica desse movimento artístico presente no poema. (FATEC 2017)
Considerando o percurso do protagonista, que leitura melhor explica a função da transformação de Matraga na construção do conto?
Considerando o efeito de sentido construído pelo poema, o que a imagem da pedra representa na leitura literária do texto?
