BNCC
78 questões
Questões BNCC EM13LP46
Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica.
Texto oficial da habilidade, conferido palavra por palavra contra a Base Nacional Comum Curricular — BNCC_EI_EF.pdf, página 527. Extração confirmada por dois processos independentes.
Descrição da habilidade EM13LP46
Compartilhar sentidos construídos na leitura/escuta de textos literários, percebendo diferenças e eventuais tensões entre as formas pessoais e as coletivas de apreensão desses textos, para exercitar o diálogo cultural e aguçar a perspectiva crítica.
Séries
1ª série
2ª série
3ª série
ENEM
FATEC
FUVEST
UEL
UNESP
Matérias
Língua Portuguesa
Literatura
Assuntos
Protocolos de leitura
Questões relacionadas a EM13LP46
Questão 8 · Objetiva
O Pote Vazio, de Demi é uma fábula voltada para crianças, porém é válida para pessoas de todas as idades. Nela, descreve-se que, há muito tempo na China, vivia um menino chamado Ping, que adorava flores e tudo que plantava floria lindamente.
O imperador, em busca de um herdeiro para seu trono, dá uma semente de flor a cada menino do reino com esta orientação:
“Quem provar que fez o melhor possível dentro de um ano, será meu sucessor!”
Ping cuida de sua semente o ano todo, mas a planta não brota e seu pai o conforta dizendo:
“Você fez o melhor que pôde e o possível deve ser apresentado ao imperador”.
Quando se apresentou ao imperador, declarou que fez o melhor possível, mas a planta não brotou, por isso trouxe o pote vazio. Enquanto ouvia o garoto que envergonhado falava, um sorriso brotava no rosto do imperador, que no final o abraçou e declarou:
“Encontrei, encontrei alguém que merece ser imperador, não sei onde vocês encontraram essas sementes, mas as sementes que dei a vocês estavam todas queimadas e nenhuma poderia ter brotado. Admiro sua coragem de aparecer na frente do imperador trazendo a verdade e vou recompensá-lo tornando-o imperador”.
<https://tinyurl.com/yc8k8bxn> Acesso em: 25.03.2022. Adaptado.
De acordo com a fábula, (ETEC 2022)
O imperador, em busca de um herdeiro para seu trono, dá uma semente de flor a cada menino do reino com esta orientação:
“Quem provar que fez o melhor possível dentro de um ano, será meu sucessor!”
Ping cuida de sua semente o ano todo, mas a planta não brota e seu pai o conforta dizendo:
“Você fez o melhor que pôde e o possível deve ser apresentado ao imperador”.
Quando se apresentou ao imperador, declarou que fez o melhor possível, mas a planta não brotou, por isso trouxe o pote vazio. Enquanto ouvia o garoto que envergonhado falava, um sorriso brotava no rosto do imperador, que no final o abraçou e declarou:
“Encontrei, encontrei alguém que merece ser imperador, não sei onde vocês encontraram essas sementes, mas as sementes que dei a vocês estavam todas queimadas e nenhuma poderia ter brotado. Admiro sua coragem de aparecer na frente do imperador trazendo a verdade e vou recompensá-lo tornando-o imperador”.
<https://tinyurl.com/yc8k8bxn> Acesso em: 25.03.2022. Adaptado.
De acordo com a fábula, (ETEC 2022)
Questão 8 · Objetiva
Leia o trecho do texto “A Carta de Pero Vaz de Caminha”, considerado o primeiro documento redigido no Brasil, e responda às questões 9 e 10.
A Carta de Pero Vaz de Caminha
Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma.
<http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/carta.pdf> Acesso em: 17.10.2019.
A partir da leitura do trecho, é possível afirmar que o excerto pertence ao movimento literário (ETEC 2020)
A Carta de Pero Vaz de Caminha
Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim pelos corpos como pelas pernas, que, certo, assim pareciam bem. Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma.
<http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/carta.pdf> Acesso em: 17.10.2019.
A partir da leitura do trecho, é possível afirmar que o excerto pertence ao movimento literário (ETEC 2020)
Questão 8 · Objetiva
E agora, José?
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora? [...]
E agora, José?
Disponível em: https://tinyurl.com/y9j6exoj. Acesso em: 09.10.18
Segundo os trechos do poema, é possível afirmar que (ETEC 2019)
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio — e agora? [...]
E agora, José?
Disponível em: https://tinyurl.com/y9j6exoj. Acesso em: 09.10.18
Segundo os trechos do poema, é possível afirmar que (ETEC 2019)
Questão 8 · Objetiva
Meu cão me revigora toda. Sem falar que dorme às vezes aos meus pés enchendo o quarto da cálida vida úmida. O meu cão me ensina a viver. Ele só fica “sendo”. “Ser” é a sua atividade.
LISPECTOR, Clarice. Um sopro de vida. Org. Olga Borelli. Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p. 43.
Na passagem apresentada, o cão é usado como modelo a ser seguido por (ETEC 2026)
LISPECTOR, Clarice. Um sopro de vida. Org. Olga Borelli. Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p. 43.
Na passagem apresentada, o cão é usado como modelo a ser seguido por (ETEC 2026)
Questão 8 · Objetiva
Leia a crônica de Gregório Duvivier e responda às questões de 13 a 15.
E eles viveram felizes para sempre
E eles viveram felizes para sempre. Seja lá quando isso for. Assim acaba essa história. Porque, tudo o que começa, acaba. Murilo teve sua primeira visão quando nasceu: vislumbrou sua morte, de infarto, debruçado numa janela. Abriu o berreiro. E nunca se esqueceu dessa visão, estranhamente.
Mais tarde, na infância, os filmes o entediavam: nos créditos iniciais já sabia que o casal viveria feliz para sempre. Os filmes de comédia não tinham mais graça e os de suspense não davam susto. Desistiu de assistir “Lost” no primeiro capítulo.
Segundo o texto, é possível afirmar que Murilo (ETEC 2020)
E eles viveram felizes para sempre
E eles viveram felizes para sempre. Seja lá quando isso for. Assim acaba essa história. Porque, tudo o que começa, acaba. Murilo teve sua primeira visão quando nasceu: vislumbrou sua morte, de infarto, debruçado numa janela. Abriu o berreiro. E nunca se esqueceu dessa visão, estranhamente.
Mais tarde, na infância, os filmes o entediavam: nos créditos iniciais já sabia que o casal viveria feliz para sempre. Os filmes de comédia não tinham mais graça e os de suspense não davam susto. Desistiu de assistir “Lost” no primeiro capítulo.
Segundo o texto, é possível afirmar que Murilo (ETEC 2020)
Questão 8 · Objetiva
Leia o texto e responda às questões de números 22 e 23.
**Inconstâncias dos bens do mundo** – *Gregório de Matos*
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Disponível em https://tinyurl.com/ptt3yga. Acesso em: 25.10.18
No poema, a ideia que funciona como fio condutor no desenvolvimento dos versos é a inconstância dos fatos e elementos da vida.
Tendo isso em vista, assinale a alternativa que contém o verso que apresenta uma ideia oposta a essa assim como sua explicação. (ETEC 2019)
**Inconstâncias dos bens do mundo** – *Gregório de Matos*
Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Disponível em https://tinyurl.com/ptt3yga. Acesso em: 25.10.18
No poema, a ideia que funciona como fio condutor no desenvolvimento dos versos é a inconstância dos fatos e elementos da vida.
Tendo isso em vista, assinale a alternativa que contém o verso que apresenta uma ideia oposta a essa assim como sua explicação. (ETEC 2019)
Questão 8 · Objetiva
Os moinhos de vento – utilizados para moer grãos ou bombear água – são bons exemplos do emprego da energia eólica. No trecho da narrativa “Dom Quixote de La Mancha”, livro escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes, o herói Dom Quixote enfrenta uma batalha contra moinhos.
Depois de cavalgarem algumas horas, chegaram a um grande campo onde se viam entre trinta e quarenta moinhos de vento.
– A sorte vem nos guiando melhor do que poderíamos desejar – disse Dom Quixote, segurando seu cavalo.
– Vê meu fiel Sancho: diante de nós estão mais de trinta insolentes gigantes a quem penso dar combate e matar um por um. Com seus despojos¹ iniciaremos nossa riqueza, além de arrancar essas sementes ruins da face da terra. Essa é a ordem de Deus que devemos cumprir.
– Que gigantes? – perguntou Sancho Pança, que por mais que examinasse o terreno só via os inocentes moinhos de vento agitando suas pás vagarosamente.
– Aqueles que ali vês – respondeu o amo. – Tem os braços tão longos que alguns devem medir mais de duas léguas...
– Olhe bem, Vossa Mercê – contestou Sancho. – Aquilo não são gigantes e sim moinhos de ventos, e o que parecem braços são as pás que, movidas pelo vento, fazem girar a pedra que mói os grãos.
– Bem se vê que não tens prática nessas aventuras. São gigantes, e, se tens medo, afasta-te daqui. O melhor é que fiques rezando enquanto me atiro a essa feroz e desigual batalha. E, dizendo isso, esporeou² o pangaré sem dar ouvidos ao escudeiro, certo de que combatia ferozes gigantes.
– Não fujais, covardes e abjetas³ criaturas! Sois atacadas por somente um cavaleiro!
Enquanto galopava contra o primeiro moinho, o vento aumentou de intensidade, fazendo girar as pás com mais velocidade.
– Não adianta agitar os braços. Havereis de me pagar! – gritou, atirando-se contra o “inimigo” mais próximo, encomendando-se de todo coração à sua senhora Dulcineia.
Foi a conta. Ao cravar a lança numa das pás do moinho, a força do impacto reduziu-a em pedaços, atirando longe cavalo e cavaleiro. Sancho Pança acorreu em socorro, seu alquebrado jumento troteando grotescamente.
– Valha-me Deus! – disse Sancho. – Não vos avisei que olhásseis bem para o que íeis fazer? Que eram moinhos e não gigantes? Como é que alguém pode-se enganar assim?
Vocabulário
¹Despojo: sobras de guerra ou bens de conquista adquiridos após o guerreiro ter vencido a guerra.
²Esporear: picar o cavalo com as esporas para que ele ande; estimular, incitar.
³Abjeta: pessoa que merece desprezo; sujeito desprezível.
CERVANTES, Miguel. Dom Quixote: o cavaleiro da triste figura.
Sobre o texto, é correto afirmar que (ETEC 2016)
Depois de cavalgarem algumas horas, chegaram a um grande campo onde se viam entre trinta e quarenta moinhos de vento.
– A sorte vem nos guiando melhor do que poderíamos desejar – disse Dom Quixote, segurando seu cavalo.
– Vê meu fiel Sancho: diante de nós estão mais de trinta insolentes gigantes a quem penso dar combate e matar um por um. Com seus despojos¹ iniciaremos nossa riqueza, além de arrancar essas sementes ruins da face da terra. Essa é a ordem de Deus que devemos cumprir.
– Que gigantes? – perguntou Sancho Pança, que por mais que examinasse o terreno só via os inocentes moinhos de vento agitando suas pás vagarosamente.
– Aqueles que ali vês – respondeu o amo. – Tem os braços tão longos que alguns devem medir mais de duas léguas...
– Olhe bem, Vossa Mercê – contestou Sancho. – Aquilo não são gigantes e sim moinhos de ventos, e o que parecem braços são as pás que, movidas pelo vento, fazem girar a pedra que mói os grãos.
– Bem se vê que não tens prática nessas aventuras. São gigantes, e, se tens medo, afasta-te daqui. O melhor é que fiques rezando enquanto me atiro a essa feroz e desigual batalha. E, dizendo isso, esporeou² o pangaré sem dar ouvidos ao escudeiro, certo de que combatia ferozes gigantes.
– Não fujais, covardes e abjetas³ criaturas! Sois atacadas por somente um cavaleiro!
Enquanto galopava contra o primeiro moinho, o vento aumentou de intensidade, fazendo girar as pás com mais velocidade.
– Não adianta agitar os braços. Havereis de me pagar! – gritou, atirando-se contra o “inimigo” mais próximo, encomendando-se de todo coração à sua senhora Dulcineia.
Foi a conta. Ao cravar a lança numa das pás do moinho, a força do impacto reduziu-a em pedaços, atirando longe cavalo e cavaleiro. Sancho Pança acorreu em socorro, seu alquebrado jumento troteando grotescamente.
– Valha-me Deus! – disse Sancho. – Não vos avisei que olhásseis bem para o que íeis fazer? Que eram moinhos e não gigantes? Como é que alguém pode-se enganar assim?
Vocabulário
¹Despojo: sobras de guerra ou bens de conquista adquiridos após o guerreiro ter vencido a guerra.
²Esporear: picar o cavalo com as esporas para que ele ande; estimular, incitar.
³Abjeta: pessoa que merece desprezo; sujeito desprezível.
CERVANTES, Miguel. Dom Quixote: o cavaleiro da triste figura.
Sobre o texto, é correto afirmar que (ETEC 2016)
Questão 8 · Objetiva
Os moinhos de vento – utilizados para moer grãos ou bombear água – são bons exemplos do emprego da energia eólica. No trecho da narrativa “Dom Quixote de La Mancha”, livro escrito pelo espanhol Miguel de Cervantes, o herói Dom Quixote enfrenta uma batalha contra moinhos.
Depois de cavalgarem algumas horas, chegaram a um grande campo onde se viam entre trinta e quarenta moinhos de vento.
– A sorte vem nos guiando melhor do que poderíamos desejar – disse Dom Quixote, segurando seu cavalo.
– Vê meu fiel Sancho: diante de nós estão mais de trinta insolentes gigantes a quem penso dar combate e matar um por um. Com seus despojos¹ iniciaremos nossa riqueza, além de arrancar essas sementes ruins da face da terra. Essa é a ordem de Deus que devemos cumprir.
– Que gigantes? – perguntou Sancho Pança, que por mais que examinasse o terreno só via os inocentes moinhos de vento agitando suas pás vagarosamente.
– Aqueles que ali vês – respondeu o amo. – Tem os braços tão longos que alguns devem medir mais de duas léguas...
– Olhe bem, Vossa Mercê – contestou Sancho. – Aquilo não são gigantes e sim moinhos de ventos, e o que parecem braços são as pás que, movidas pelo vento, fazem girar a pedra que mói os grãos.
– Bem se vê que não tens prática nessas aventuras. São gigantes, e, se tens medo, afasta-te daqui. O melhor é que fiques rezando enquanto me atiro a essa feroz e desigual batalha. E, dizendo isso, esporeou² o pangaré sem dar ouvidos ao escudeiro, certo de que combatia ferozes gigantes.
– Não fujais, covardes e abjetas³ criaturas! Sois atacadas por somente um cavaleiro!
Enquanto galopava contra o primeiro moinho, o vento aumentou de intensidade, fazendo girar as pás com mais velocidade.
– Não adianta agitar os braços. Havereis de me pagar! – gritou, atirando-se contra o “inimigo” mais próximo, encomendando-se de todo coração à sua senhora Dulcineia.
Foi a conta. Ao cravar a lança numa das pás do moinho, a força do impacto reduziu-a em pedaços, atirando longe cavalo e cavaleiro. Sancho Pança acorreu em socorro, seu alquebrado jumento troteando grotescamente.
– Valha-me Deus! – disse Sancho. – Não vos avisei que olhásseis bem para o que íeis fazer? Que eram moinhos e não gigantes? Como é que alguém pode-se enganar assim?
Vocabulário
¹Despojo: sobras de guerra ou bens de conquista adquiridos após o guerreiro ter vencido a guerra.
²Esporear: picar o cavalo com as esporas para que ele ande; estimular, incitar.
³Abjeta: pessoa que merece desprezo; sujeito desprezível.
CERVANTES, Miguel. Dom Quixote: o cavaleiro da triste figura.
Segundo o texto, é correto afirmar que Dom Quixote (ETEC 2016)
Depois de cavalgarem algumas horas, chegaram a um grande campo onde se viam entre trinta e quarenta moinhos de vento.
– A sorte vem nos guiando melhor do que poderíamos desejar – disse Dom Quixote, segurando seu cavalo.
– Vê meu fiel Sancho: diante de nós estão mais de trinta insolentes gigantes a quem penso dar combate e matar um por um. Com seus despojos¹ iniciaremos nossa riqueza, além de arrancar essas sementes ruins da face da terra. Essa é a ordem de Deus que devemos cumprir.
– Que gigantes? – perguntou Sancho Pança, que por mais que examinasse o terreno só via os inocentes moinhos de vento agitando suas pás vagarosamente.
– Aqueles que ali vês – respondeu o amo. – Tem os braços tão longos que alguns devem medir mais de duas léguas...
– Olhe bem, Vossa Mercê – contestou Sancho. – Aquilo não são gigantes e sim moinhos de ventos, e o que parecem braços são as pás que, movidas pelo vento, fazem girar a pedra que mói os grãos.
– Bem se vê que não tens prática nessas aventuras. São gigantes, e, se tens medo, afasta-te daqui. O melhor é que fiques rezando enquanto me atiro a essa feroz e desigual batalha. E, dizendo isso, esporeou² o pangaré sem dar ouvidos ao escudeiro, certo de que combatia ferozes gigantes.
– Não fujais, covardes e abjetas³ criaturas! Sois atacadas por somente um cavaleiro!
Enquanto galopava contra o primeiro moinho, o vento aumentou de intensidade, fazendo girar as pás com mais velocidade.
– Não adianta agitar os braços. Havereis de me pagar! – gritou, atirando-se contra o “inimigo” mais próximo, encomendando-se de todo coração à sua senhora Dulcineia.
Foi a conta. Ao cravar a lança numa das pás do moinho, a força do impacto reduziu-a em pedaços, atirando longe cavalo e cavaleiro. Sancho Pança acorreu em socorro, seu alquebrado jumento troteando grotescamente.
– Valha-me Deus! – disse Sancho. – Não vos avisei que olhásseis bem para o que íeis fazer? Que eram moinhos e não gigantes? Como é que alguém pode-se enganar assim?
Vocabulário
¹Despojo: sobras de guerra ou bens de conquista adquiridos após o guerreiro ter vencido a guerra.
²Esporear: picar o cavalo com as esporas para que ele ande; estimular, incitar.
³Abjeta: pessoa que merece desprezo; sujeito desprezível.
CERVANTES, Miguel. Dom Quixote: o cavaleiro da triste figura.
Segundo o texto, é correto afirmar que Dom Quixote (ETEC 2016)
