Função quadrática e máximo lucro: o erro de escolher o limite em vez do vértice
Nas seis questões analisadas, o máximo depende do vértice, não do maior valor permitido no intervalo. Veja como diagnosticar confusões entre variável, resultado e unidade e planejar intervenções para o ENEM.
Lembro bem de uma turma de terceiro ano em que resolvi uma questão de máximo lucro na lousa e, quando perguntei qual era a quantidade ideal de assinaturas, a resposta veio em coro: "sessenta, professor". Eles tinham visto o intervalo de valores permitido, tinham visto que o número ia até sessenta, e simplesmente escolheram o maior número disponível. Ninguém tinha calculado nada.
Esse episódio se repete de um jeito ou de outro quase toda vez que um problema de otimização aparece. O aluno sabe que existe uma parábola, sabe que há um limite, mas não consegue conectar as duas coisas. Quando isso acontece numa avaliação, o erro não é de cálculo: é de leitura do que a função está dizendo.
O que é função quadrática e máximo lucro, explicado para o professor?
Uma função quadrática tem a forma f(x) = ax² + bx + c, com a diferente de zero. Quando a é negativo, a parábola tem concavidade para baixo e possui um ponto de máximo, que é o vértice. Em contextos econômicos, esse máximo é o ponto de maior lucro, de maior receita ou de maior arrecadação, dependendo do enunciado. A coordenada x do vértice é dada por x = -b/(2a), e é esse valor que responde à pergunta "em que quantidade" ou "qual preço".
No currículo, esse conteúdo aparece como aplicação de funções do segundo grau no Ensino Médio, geralmente no segundo ou terceiro ano, e se conecta diretamente à habilidade EM13MAT503, que trata de interpretar e analisar funções em situações diversas. O ENEM cobra esse conteúdo com frequência, quase sempre em enunciados com contexto de vendas, ingressos, anúncios ou produção.
Um exemplo típico: uma função L(x) = -5x² + 300x - 2200 modela o lucro mensal em função de assinaturas vendidas. Aqui a é -5, b é 300, então x = -300/(2·(-5)) = 30. O lucro máximo é atingido com 30 assinaturas, e não com 60, mesmo que 60 seja o limite superior do estudo.
É importante que o professor distinga três objetos diferentes: a variável independente (o x que queremos descobrir), o valor da função (o lucro em si) e os coeficientes. Muitos alunos misturam esses três, e boa parte dos erros que vamos discutir nasce exatamente dessa mistura.
O que o aluno precisa saber antes?
O conceito de função quadrática depende de uma base que muitas vezes está fragilizada: operar com sinais negativos, resolver equações do segundo grau e reconhecer o efeito do coeficiente a sobre a concavidade. Sem isso, a fórmula do vértice vira uma receita decorada sem sentido.
Os dados do acervo indicam dois pré-requisitos que se repetem em praticamente todas as questões desse conceito. O primeiro é a própria função quadrática, entendida como expressão, gráfico e variação. O segundo é o vértice da parábola, que precisa ser compreendido como ponto de máximo ou mínimo e não apenas como um cálculo isolado.
Para verificar se a turma tem essa base, sugiro um diagnóstico rápido antes de qualquer questão de contexto. Peça que os alunos digam, sem calcular, se a parábola de y = -x² + 4 abre para cima ou para baixo, e onde estaria seu ponto mais alto. Se a maioria hesitar, o problema não é o lucro: é a função em si. Outra verificação útil é pedir a coordenada do vértice de y = x² - 6x + 5 e observar se os alunos conseguem chegar a x = 3 sem consultar a fórmula decorada.
Vale também checar leitura de enunciado. Muitas questões do ENEM têm nível de leitura médio, com várias informações em um só parágrafo. Quando o aluno não separa o que é dado, o que é pedido e o que é restrição, ele tende a responder com o primeiro número que aparece.
Quais são os erros mais comuns e por que acontecem?
Nas seis questões analisadas, há um padrão claro: o erro típico é tomar o valor do domínio, ou um número ligado aos coeficientes, como se fosse o ponto de máximo, sem calcular o vértice. Isso aparece em quatro das seis questões, e em todas elas a alternativa que o aluno mais escolhe é justamente o distrator ligado a esse atalho. Vamos aos erros, um a um.
Erro 1: escolher o limite do intervalo
Esse é o erro da turma que citei no início. O aluno vê que o estudo considera valores entre 0 e 60 e conclui que o máximo deve estar na extremidade. A causa está numa intuição errada sobre funções lineares crescentes, que de fato atingem máximo no extremo. Em uma parábola com concavidade para baixo, o máximo costuma estar no interior do intervalo. Para intervir, peça que os alunos calculem o lucro nos dois extremos e no vértice e comparem os três valores. A diferença costuma convencer mais que qualquer explicação verbal.
Erro 2: confundir o valor de x com o valor da função
Aqui o aluno acha corretamente o vértice, digamos x = 6, mas responde com o lucro máximo sem substituir, ou então responde com a coordenada x quando a pergunta pede o valor máximo. Em uma das questões de cafeteria, por exemplo, a pergunta pede o número de anúncios e também o lucro em reais, e os dois se misturam com facilidade. A intervenção é pedir que o aluno sublinhe, antes de calcular, o que a questão pergunta exatamente.
Erro 3: erro de unidade
Em questões que medem o lucro em centenas de reais, o aluno acerta o cálculo e erra a conversão. Um valor de 8,5 centenas vira R$ 8 500 quando deveria ser R$ 850. Esse erro não revela falta de compreensão da parábola, e sim falta de atenção ao enunciado. Vale trabalhar com a pergunta "essa resposta faz sentido na escala do problema?" antes de marcar qualquer alternativa.
Erro 4: aplicar mal a fórmula do vértice
Quando o coeficiente a é negativo, o sinal se perde com facilidade. Um cálculo como -b/(2a) com a = -0,5 gera confusão, especialmente quando o aluno esquece o fator 2 no denominador ou troca o sinal do b. Em uma das questões de desconto, por exemplo, o aluno divide 48 por 4 e ignora o 2 que deveria estar multiplicando o a. A intervenção é separar o cálculo em etapas escritas: primeiro o denominador 2a, depois o numerador -b, só então a divisão.
Erro 5: tomar o termo independente como resposta
O coeficiente c é o valor da função quando x é zero. Alunos que não compreendem isso podem escolher o número 75 de uma função L(x) = -x² + 10x + 75 como se fosse o reajuste ótimo. A causa é a leitura automática de "o número que aparece sozinho". Trabalhe com a pergunta "quanto vale a função quando x é zero?", que deixa claro o papel do c.
Como ensinar passo a passo?
Minha sequência costuma ter cinco momentos, e a ordem importa. Começo com a parábola no gráfico, sem fórmula: mostro duas parábolas, uma com concavidade para cima e outra para baixo, e pergunto qual tem ponto mais alto. Só depois introduzo o vértice como o ponto que o aluno já identificou visualmente.
No segundo momento, trabalho a fórmula x = -b/(2a) com exemplos numéricos simples, como y = -x² + 4x, e peço que os alunos confiram o resultado substituindo em cenários de tabela. A conferência por tabela é uma dica de resolução que funciona bem: o aluno testa x = 1, 2, 3 e vê o valor crescer e depois cair.
No terceiro momento, entro no contexto econômico. Uso uma situação de venda de ingressos e peço que os alunos identifiquem, no enunciado, quais são a variável, a função e a pergunta. Só então calculam o vértice. Esse passo é o que mais reduz o erro do limite, porque o aluno aprende a perguntar "o que está sendo maximizado?" antes de responder.
No quarto momento, trabalho restrições. Mostro um vértice fora do intervalo permitido e discutimos o que fazer: a resposta passa a ser o extremo mais próximo do vértice. Esse é um ponto que aparece no ENEM e que costuma separar alunos que decoraram de alunos que entendem.
No quinto momento, faço a verificação final: o aluno resolve uma questão e explica em voz alta por que cada alternativa errada não serve. A explicação dos distratores é o melhor indicador de compreensão que conheço.
Como avaliar: que tipo de questão usar em cada momento?
Nem toda questão serve para todo objetivo, e os dados técnicos ajudam a escolher. As seis questões analisadas são todas de tempo de resolução médio, nível de leitura médio, exigem cálculo e têm papel de consolidação na prova. Isso significa que elas funcionam bem para verificar se o aluno aprendeu o procedimento, mas não são as mais indicadas para uma primeira exposição ao conceito.
Para diagnóstico, todas as seis servem: têm poder de discriminação alto, ou seja, separam bem quem domina do que não domina. Para atividade de sala e lição de casa, as questões de contexto cotidiano são adequadas, com exceção de algumas que não são indicadas para lição. Para simulado, todas são boas. Para avaliação rápida, nenhuma delas é recomendada, porque exigem tempo e leitura que não cabem em poucos minutos.
Minha sugestão prática: use a primeira questão deste guia, a do vértice com lucro de assinaturas, como diagnóstico de entrada. Se a turma acerta, avance para a questão do reajuste no cinema, que exige mais interpretação. Reserve a questão da arrecadação de eventos, de nível Avaliar, para o fechamento do bloco.
Para quem monta provas com frequência, o gerador de provas do GeraProva permite selecionar questões por objetivo e tempo, o que facilita montar uma sequência de diagnóstico, atividade e avaliação sem refazer o trabalho a cada aula. Se você ainda não usa, o cadastro grátis é o caminho para testar.
O que ensinar antes deste conteúdo?
Antes de máximo lucro, o aluno precisa dominar a função quadrática como objeto de estudo: reconhecer a parábola, identificar a concavidade pelo sinal de a e encontrar as raízes quando existirem. Sem isso, o vértice fica desconectado do gráfico.
Em seguida, o vértice da parábola precisa estar consolidado como ponto de máximo ou mínimo, com a fórmula de x e o cálculo de y. Só depois faz sentido o problema de otimização em contexto. Os dados do acervo mostram esses dois conceitos como pré-requisitos de todas as questões analisadas, o que confirma a ordem que sugiro.
Uma observação que faço sempre: não pule direto para o contexto econômico. Alunos que chegam a esse ponto sem o gráfico na cabeça tendem a tratar a questão como uma sequência de operações sem significado, e é aí que os erros de limite e de confusão entre x e f(x) se multiplicam.
Quais são as ligações com outros temas?
O tema transversal mais presente nessas questões é o uso de modelos matemáticos para tomada de decisão em contextos reais, como vendas, preços e arrecadação. Isso abre espaço para conversar com Economia, Geografia e até com a organização de eventos da própria escola, como uma festa junina ou uma feira de ciências com ingressos.
A habilidade socioemocional dominante nesse conjunto é a tomada de decisão. Os enunciados pedem que o aluno escolha uma meta, um preço ou um número de anúncios, e isso permite discutir com a turma o que significa decidir com base em dados e por que um modelo nunca é a realidade completa. Essa conversa costuma render mais do que a própria questão.
Do ponto de vista de contexto de aplicação, todas as questões são de cotidiano, o que as torna boas para despertar interesse. A pergunta que eu deixo sempre na aula é: "se você fosse o gestor, qual meta você definiria e por quê?". Quando o aluno responde, ele já está usando o vértice como argumento, mesmo sem perceber.
6 questões comentadas sobre função quadrática, máximo lucro
Questão 1: assinaturas digitais e lucro mensal da editora
Durante uma campanha de assinaturas digitais, uma editora independente observou que o lucro mensal, em reais, dependia do numero de planos vendidos. Depois de analisar os resultados de varios testes, a equipe modelou esse lucro por meio da funcao L(x) = -5x^2 + 300x - 2200, em que x representa a quantidade de assinaturas vendidas no mes. Como a capacidade de atendimento era limitada, o estudo considerou apenas valores de x entre 0 e 60. A partir desse modelo, a editora queria saber em que quantidade de assinaturas o lucro seria o maior possivel, para orientar a campanha de divulgacao e definir a meta de vendas.
Considere o modelo apresentado no texto-base e identifique a quantidade de assinaturas que maximiza o lucro mensal.
- ❌ A) 40 assinaturas — Errada. É um valor simétrico possível em relação ao máximo, mas não corresponde ao vértice da parábola. Quem escolhe esta alternativa costuma ter achado o ponto médio do intervalo sem calcular nada.
- ✅ B) 30 assinaturas — Correta. Em uma função quadrática com a menor que zero, o máximo ocorre no vértice; x = -b/(2a) = -300/(2·(-5)) = 30.
- ❌ C) 20 assinaturas — Errada. Esse valor pode surgir de uma leitura inadequada dos coeficientes, sem aplicar a fórmula do vértice. O aluno que o escolhe está provavelmente dividindo o b por um número qualquer.
- ❌ D) 60 assinaturas — Errada. Esse é o limite superior do intervalo, não o ponto de máximo do modelo quadrático. Revela o erro clássico de tomar o extremo como resposta.
- ❌ E) 300 assinaturas — Errada. Esse número confunde o coeficiente da função com a quantidade procurada, sem relacionar variável e máximo. Indica dificuldade em separar os elementos da expressão.
O que esta questão revela: se o aluno escolhe 60, ele ainda não associa o máximo ao vértice. Se escolhe 40, ele conhece a simetria mas não a usa. Se escolhe 300, a dificuldade é de leitura da expressão algébrica.
Questão 2: desconto na livraria e lucro diário previsto
— Se reduzirmos demais o preço, o lucro pode cair, mesmo atraindo mais leitores — observou a gerente de uma livraria ao planejar uma campanha de inverno. Com base em dados de campanhas anteriores, a equipe estimou que o lucro diário L, em reais, em função do desconto d, também em reais, seria dado por L(d) = -4d^2 + 48d + 360. O modelo será usado apenas para descontos inteiros entre R$ 0,00 e R$ 12,00. A gerente pretende escolher um único valor de desconto para todos os livros participantes, buscando o maior lucro diário previsto pelo modelo.
Determine, a partir do modelo apresentado, o desconto que deve ser aplicado para que o lucro diário previsto seja máximo.
- ❌ A) Aplicar desconto de R$ 12,00. — Errada. Erro de usar 48/4, ignorando o fator 2 presente no cálculo da abscissa do vértice.
- ❌ B) Aplicar desconto de R$ 24,00. — Errada. Erro de dividir o coeficiente linear por 2, sem considerar o coeficiente do termo quadrático.
- ❌ C) Aplicar desconto de R$ 48,00. — Errada. Erro de interpretar o coeficiente linear como o valor do desconto que maximiza a função.
- ❌ D) Aplicar desconto de R$ 0,00. — Errada. Erro de desconsiderar a variação do lucro com o desconto e tomar um extremo do intervalo como máximo.
- ✅ E) Aplicar desconto de R$ 6,00. — Correta. Como o coeficiente de d² é negativo, há máximo no vértice: d = -48/(2·(-4)) = 6.
O que esta questão revela: a alternativa de 12 reais mostra que o aluno não aplicou o fator 2 do denominador. Isso indica que a fórmula foi lembrada de forma parcial, e vale retomar a estrutura -b/(2a) passo a passo.
Questão 3: preço do ingresso do parque e receita semanal
Dados ilustrativos: o conselho gestor de um parque municipal avaliou o impacto do preço dos ingressos sobre a receita de bilheteria. Observou-se que, com preço p em reais, a quantidade de visitantes semanais, V(p), e a receita semanal, R(p), estão relacionadas de modo que a receita pode ser aproximada pela função quadrática R(p) = -50p^2 + 2000p. Esse modelo indica que, para preços muito baixos, a receita cai pela receita unitária reduzida e, para preços muito altos, a receita cai pelo menor número de visitantes.
Analise o texto-base e determine o valor do preço do ingresso que maximiza a receita semanal do parque municipal.
- ❌ A) 40 reais — Errada. Confunde o dobro do resultado correto ao duplicar mal o cálculo de -b/(2a).
- ❌ B) 10 reais — Errada. Leva à interpretação de zeros da função, confundindo maximização com raízes de R(p).
- ❌ C) 30 reais — Errada. Erro ao calcular o vértice; 30 corresponderia ao ponto de inflexão de outra parábola com coeficiente diferente.
- ✅ D) 20 reais — Correta. O vértice de R(p) = -50p² + 2000p ocorre em p = -b/(2a) = -2000/(2·(-50)) = 20 reais, ponto de máxima receita.
- ❌ E) 50 reais — Errada. Corresponde ao zero negativo de V(p) ou à raiz de R(p), não ao vértice que maximiza a receita.
O que esta questão revela: quando o aluno escolhe 10 ou 50, ele confunde raízes com vértice, o que é uma confusão conceitual importante a ser desfeita com o gráfico na lousa.
Questão 4: anúncios de cafeteria e lucro em reais
Dados ilustrativos: uma rede de cafeterias avaliou o impacto de campanhas de publicidade no lucro diário. A análise resultou na função P(x) = -0.5x^2 + 3x + 4, em que x representa o número de anúncios veiculados por dia e P(x) o lucro em centenas de reais.
Considere a função P(x) apresentada no texto-base. Determine o número de anúncios que maximiza o lucro e o valor desse lucro em reais.
- ❌ A) Investir em 4 anúncios, obtendo lucro de R$800 — Errada. Confundiu zeros da função com o vértice; P(4) = 8 centenas, mas x = 4 não maximiza P.
- ❌ B) Investir em 2 anúncios, obtendo lucro de R$800 — Errada. Erro ao aplicar -b/(2a): x = 2 não é o vértice; confunde o valor de x máximo.
- ❌ C) Investir em 3 anúncios, obtendo lucro de R$8 500 — Errada. Convertido incorretamente de centenas para reais; P(3) = 8,5 centenas = R$850, não R$8 500.
- ✅ D) Investir em 3 anúncios, obtendo lucro de R$850 — Correta. Vértice em x = -b/(2a) = -3/(2·(-0,5)) = 3; P(3) = -4,5 + 9 + 4 = 8,5 centenas = R$850.
- ❌ E) Investir em 6 anúncios, obtendo lucro de R$400 — Errada. Calculou P(6) em vez de identificar o vértice; x = 6 não é ponto de máximo.
O que esta questão revela: o erro de unidade aparece com força aqui. O aluno que escolhe R$8 500 acertou o número de anúncios e errou a escala, o que indica atenção insuficiente ao enunciado, não falta de compreensão da parábola.
Questão 5: reajuste no ingresso do cinema de bairro
No fim da temporada, um cinema de bairro decidiu testar um novo valor para o ingresso. A direção observou que, se o preço fosse aumentado em x reais em relação aos 20 reais atuais, o lucro diário seria dado por L(x) = -x^2 + 10x + 75, em reais. O estudo foi feito para valores de x entre 0 e 10, intervalo em que a procura se mantinha viável. Após analisar os resultados, a administração queria adotar o reajuste que produzisse o maior lucro possível, sem ultrapassar esse intervalo.
Considere o texto-base e identifique o reajuste, em reais, que maximiza o lucro diário do cinema.
- ❌ A) O reajuste de 10 reais. — Errada. Erro ao usar o limite do intervalo como se fosse o máximo da função quadrática.
- ❌ B) O reajuste de 0 reais. — Errada. Erro ao tomar o valor inicial como ótimo, sem analisar o ponto de máximo da função.
- ❌ C) O reajuste de 2 reais. — Errada. Erro de leitura do vértice: x = 2 ainda não é o ponto de máximo da parábola.
- ❌ D) O reajuste de 75 reais. — Errada. Erro ao confundir o termo independente com o valor do reajuste que maximiza o lucro.
- ✅ E) O reajuste de 5 reais. — Correta. Em L(x) = -x² + 10x + 75, o máximo ocorre no vértice, em x = -b/(2a) = -10/(2·(-1)) = 5.
O que esta questão revela: a escolha do 10 mostra a mesma tendência ao limite do intervalo que vimos antes. Quando isso se repete em várias questões, o diagnóstico aponta para a necessidade de trabalhar a restrição de domínio como parte do raciocínio, e não como o ponto de partida.
Questão 6: arrecadação de evento no centro de escalada
Depois de uma queda no movimento das tardes de domingo, a administração de um centro de escalada decidiu testar um novo valor de entrada para um evento mensal. A equipe observou que, para cada aumento de 1 real no ingresso em relação ao preço de 10 reais, cerca de 4 pessoas a menos compareciam; por outro lado, a redução de 1 real atraía cerca de 4 pessoas a mais. Com base nos registros, o número de participantes pode ser modelado por N(x) = 200 - 4x, em que x representa a variação, em reais, em relação ao preço de 10 reais. Assim, a arrecadação do evento fica dada por R(x) = (10 + x)(200 - 4x), válida para x entre -10 e 40.
Considere o texto-base e identifique o valor do ingresso que maximiza a arrecadação do evento.
- ❌ A) 50 reais — Errada. Erro de extrapolação: ultrapassa o intervalo econômico relevante e não corresponde ao vértice da função.
- ❌ B) 40 reais — Errada. Erro de simetria: escolhe um valor maior sem calcular o ponto de máximo da parábola.
- ✅ C) 30 reais — Correta. Como R(x) = -4x² + 160x + 2000, o vértice ocorre em x = 20; logo, o preço é 10 + 20 = 30 reais.
- ❌ D) 60 reais — Errada. Erro de leitura algébrica: confunde o efeito da variação na arrecadação com o preço que maximiza o total.
- ❌ E) 10 reais — Errada. Erro de extremo inicial: toma o preço original como máximo sem analisar a função quadrática.
O que esta questão revela: esta é a questão de maior nível de exigência do bloco, porque o aluno precisa primeiro desenvolver o produto e só depois aplicar o vértice. A escolha do 40 indica o erro de simetria, que é útil para conversar sobre por que o máximo não se encontra simplesmente somando valores.
Perguntas frequentes de professores
Devo ensinar a fórmula do vértice antes ou depois do gráfico?
Depois de o aluno ter visto o gráfico. A fórmula sem a imagem da parábola vira um procedimento decorado, e os erros de sinal e de fator 2 se multiplicam. Mostre a parábola, peça para identificar o ponto mais alto e só então apresente x = -b/(2a) como a forma de calcular esse ponto.
Por que tantos alunos escolhem o limite do intervalo?
Porque em funções lineares crescentes o máximo de fato está no extremo, e o aluno generaliza essa intuição. Em uma parábola com concavidade para baixo o máximo costuma ficar no interior do intervalo. Uma boa intervenção é calcular o valor da função nos extremos e no vértice e comparar os três resultados na lousa.
Como saber se a questão serve para diagnóstico ou para avaliação final?
As questões deste guia têm poder de discriminação alto, o que as torna boas para diagnóstico e para simulado. Para avaliação rápida, nenhuma delas é recomendada, porque exigem tempo de cálculo e leitura de enunciado que não cabem em poucos minutos.
O que fazer quando o vértice cai fora do intervalo permitido?
A resposta passa a ser o extremo do intervalo mais próximo do vértice, já que a função é crescente ou decrescente até esse ponto. Vale fazer esse exercício com a turma, desenhando a parábola e marcando o intervalo, pois é uma situação que aparece em provas e que exige interpretação, não só cálculo.
Como lidar com a confusão entre o valor de x e o valor da função?
Peça que os alunos sublinhem, antes de calcular, o que a pergunta quer: a quantidade, o preço ou o lucro. Depois, peça que escrevam a resposta com a unidade correta. Essa rotina simples reduz bastante o erro de responder com a coordenada errada.
Vale usar este conteúdo em projetos interdisciplinares?
Sim. Problemas de preço, receita e arrecadação conversam com Economia e Geografia, e podem ser usados em projetos sobre a organização de eventos escolares. A tomada de decisão com base em modelos é um excelente ponto de partida para discutir o papel da matemática na vida real.
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Habilidades BNCC deste artigo
Questões deste artigo com resolução completa
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Fontes
- Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Ministério da Educação: basenacionalcomum.mec.gov.br
- Questões do acervo GeraProva sobre Figuras geométricas espaciais (cubo, bloco retangular, pirâmide, cone, cilindro e esfera): reconhecimento, análise de características e planificações, com resolução comentada e análise de cada alternativa.
